Estadão lança acervo completo do jornal na internet
Páginas censuradas e conversor de valores entre os recursos do site.
História é cultura. Felizmente, hoje o jornal O Estado de São Paulo lança sua contribuição para a memória brasileira ao liberar o acervo completo de reportagens do jornal desde que ele foi criado, em 1875. Internautas têm a disposição mais de dois milhões de páginas digitalizadas com absolutamente tudo que foi publicado pelo periódico.
Como bom estudante de Jornalismo que sou — em vias de entregar o TCC num trabalho que investiga a relação do ofício secular com a realidade que as mídias digitais nos impõe –, foi com grande alegria que abri a página inicial do Estadão.com.br nessa quarta-feira e logo descobri a reportagem anunciando a chegada do acervo online. Em boa hora, sem sombra de dúvida.
A seguir minha defesa apaixonada de ofício necessário nos dias de hoje. Penso que o Jornalismo e os jornais, assim como outras plataformas, ajudam a documentar a história de sua gente. Por mais que haja problemas de toda sorte nos periódicos e na imprensa em geral, neles temos um registro do factual. Importantíssimo para a posterior releitura do que fomos e do que gostaríamos de ser.
O Estadão tem particular importância na defesa da democracia por se revoltar contra a censura durante a ditadura militar com artifícios interessantes. Depois de prepararem as páginas de conteúdo editorial, agentes da censura simplesmente proibiam que certos temas fossem tratados. Em resposta à proibição, o Estado inseria receitas culinárias ou trechos de Os Lusíadas no lugar do texto. Quem viu, entendeu que o protesto se dirigia à liderança nacional.
No acervo digital do jornal há mais de mil páginas com o texto original e o que foi para as bancas depois que os censores determinavam quais reportagens não poderiam circular.
Ferramentas como conversor de valores e busca por termos escritos do jeito antigo auxiliam o usuário a navegar pelo conteúdo. Digitar “farmácia”, por exemplo, trará também os resultados de reportagens com “pharmacia”.








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Muito boa a iniciativa! Aparentemente até 22/06 qualquer usuário cadastrado, mesmo não sendo assinante do estadão, vai poder acessar todas as páginas ampliadas. Depois desse período, só 20 páginas para não assinantes, e ilimitado para quem assina o jornal
fantástico, se o usuário puder imprimir o conteúdo seria ótima fonte de consulta em trabalhos escolares. Um sistema que desse destaque às fotos para impressão também seria muito legal.
Se tivesse uma pesquisa sim seria perfeito!
pena que juntando tudo não dá um jornal que preste.
Procurem as matérias antecedentes ao golpe militar de 64 e de uns anos depois
O Estadão fazia parte do setor conservador antijanguista: ajudou a consumar o golpe e SEMPRE apoiou o regime militar (junto com Folha, O Globo [os mais podres], Diário Popular, Veja, etc…).
A questão de alguns posicionarem-se contra A CENSURA tempos depois, foi porque a população já começava aclamar por democracia e um fragmento de linha editorial independente com alguns “subversivos” produziam poucas folhas que vendiam mais jornais que todo o jornal. Isso foi crescendo com o tempo, por isso A Censura começou pegar tudo e aí, sim, eles lançaram esses protestos bobinhos e, hoje, ela (grande imprensa), vangloria-se de ter lutado contra a ditadura: É MENTIRA!!! os jornais de maior circulação apoiaram o tempo todo o regime e submeteram-se à censura!