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Início » Lei e Ordem » Google se nega a cooperar com órgão de informação europeu

No que depender do gigante das buscas, o órgão francês que conduz investigações para a União Europeia acerca das atividades do Google não receberá uma resposta sequer sobre o modus operandi da tecnologia de busca e coleta de dados feita empresa. Isabelle Falque-Pierrotin, a presidente da agência CNIL, enviou uma carta para os americanos do Google na qual basicamente afirma que o Google se faz de difícil e não responde uma série de questões levantadas pelo órgão.

A carta endereçada ao Google, muito polida, por sinal, revela que o “por uma série de motivos, os elementos fornecidos não dão respostas precisas, claras e compreensíveis para os nossos questionamentos”. Isabelle a escreveu na terça-feira, 22 de maio, tendo Larry Page, CEO atual do Google, como destinatário. A executiva afirma que “muitas respostas fornecem exemplos ilustrativos sem descrever os exatos processos, procedimentos ou sistemas que o Google de fato opera”.

Política de privacidade

Pelo que vemos, o Google não está particularmente inclinado em colaborar com as investigações do órgão europeu que objetivam entender melhor a forma como o Google lida com as informações dos usuários. Como de costume, pairam no ar questionamentos acerca dos milhões de usuários da busca, do Gmail, da rede social Google+ e outros produtos da empresa.

Em abril deste ano o Google respondeu ao CNIL questionando a legalidade de os franceses demandarem uma investigação deste tipo em nome dos demais países da União Europeia o qual lei se aplica à revisão dos procedimentos do Google. O Google também questiona quais são os procedimentos da investigação e qual é o seu objetivo final.

Além da mensagem para o CEO da empresa, a equipe do CNIL elaborou comentários para cada uma das repostas anteriormente fornecidos pelo Google e consideradas insuficientes pelos técnicos. Eles pedem mais informações para os assuntos abordados.

Por exemplo, o Google não soube informar quantos usuários acessaram a página com a nova política de privacidade, em vigor a partir de 1º de março, entre 24/5 e 1/3. “Dado o extensivo desenvolvimento e uso de ferramentas de análise”, o CNIL pergunta se realmente a empresa de internet não tem esses números para repassar ao órgão. E acredite, este é apenas um dos absurdos contidos no documento. Você pode consulta-lo aqui.

Claro que o Google tem todo o direito de se recusar a fornecer mais detalhes sobre o funcionamento de seus serviços até que o CNIL e as autoridades europeias comprovem que a investigação tem embasamento jurídico e valor para os cidadãos da comunidade. Ainda assim, é curioso que não respondam praticamente nada quando pipocam perguntas sobre a privacidade dos usuários — cadastrados ou não.

Tem gente que não vê problema em uma empresa saber tanto sobre as nossas vidas. Não concordo totalmente com a afirmação, mas a respeito. O problema fica por conta do silêncio em determinar o que o Google — assim como outras empresas de internet — sabe sobre nós. Vivemos cada vez mais conectados. O mínimo que podemos saber é o quanto estamos expostos para os computadores e algoritmos de empresas privadas.

Com informações: All Things D

TB Respostas
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25 Comentários (Deixe o seu!)

  • Google sempre se recusou colaborar com o Estado ou mesmo cumprir a Lei. Google é uma das maiores ameaças à sociedade atualmente.

    • O caso sobre tráfico de mulheres a empresa Google tbm não está colaborando. Até agora o congresso americano não obteve respostas:
      http://sinapseslivres.com.br/2012/05/google-e-o-trafico/

      • André Pessoa
        24c

        Meu amigo, você leu o texto? Eu o li do começo ao fim, e a verdade é que ele não tem uma única alegação ou indício contra o Google. O texto é totalmente especulativo, e mistura alhos com bugalhos (mistura tráfico de pessoas com serviços sexuais comuns). Você já anunciou no AdWords? Eu anunciava bastante, e dia sim dia não havia registros no Analytics de visitas vindas de Montain View. Ou seja, o Google monitora bastante os anúncios. É impossível a hipótese levantada pela pelas congressistas americanas, de que alguém se utilizasse do AdWords como chamariz para tráfico de pessoas. É uma idéia absurda, produto de pessoas com imaginação fértil ou adeptas de teorias conspiratórias.

        • O texto não é expectulativo nem contém denúncias. O que as congressistas querem são informações pra poder apurar algo terrível que pode está acontencendo. É só cooperação. Mas a empresa Google não respondeu.
          Se levar em consideração a ficha da empresa, vc vai ver que cooperação não é o forte da Google. Aqui mesmo no Brasil a empresa se recusava a cooperar com autoridas pra esclarecer denúncias de crimes em seus serviços, principalmente envolvendo pedofilia. Até com decisões judiciais a Google relutava.

    • André Pessoa
      24c

      Isso que você falou é uma piada, não é? Eu não acredito que alguém ache realmente que o Google é “uma das maiores ameaças à sociedade atualmente”. Você sabia que a França (país do CNIL) é o local onde a internet é mais controlada? Que foi lá que foi aprovada uma lei (“Hadopi”) que faria o nosso AI-5 Digital do senador Azeredo parecer brincadeira de criança? Uma vez eu tentei contratar um VPS francês, e não me foi permitido, pois eles só fazem o serviço para cidadãos que moram na França. Eles fazem isso por causa das complicações legais. O provedor é responsável por tudo que o cliente faz no servidor. É uma coisa draconiana mesmo.

      Esse é apenas um caso extremo, mas governos são sempre assim: sempre querem controlar, proibir, espionar. Eu não confio em governo nenhum. Eu também não confio 100% em empresa nenhuma, mas o Google é o que mais se aproxima de uma confiança relativa. Quando eles se recusaram a colaborar com o governo chinês, e abdicaram de um dos maiores mercados mundiais para que não fossem obrigados a relevar seus princípios, isso mostrou como o Google é uma empresa diferente das outras (e melhor).

      • Uma coisa não tem a ver com a outra. Decisões de gestores do Estado são terrivelmente ruim. O problema é que todos sabem o quanto isso é prejudicial, mas qdo falam da tal empresa privada, muitos a defendem. Isso é muito mais perigoso, ainda mais considerando o poder econômico da empresa.

        Google sempre esteve em polêmicas envolvendo privacidade e escândalos de invasões que deixa até os mais severos governos parecendo travessura. Já vimos a empresa roubas dados pessoais das pessoas e invadir redes privadas roubando documentos, e-mails e senhas. Suas políticas de privacidade ainda são mais terríveis ainda que eles acham que nossos dados pessoais, privados, da intimidade, são objetos comercializáveis.
        O pior aconteceu a pouco tempo, qdo a empresa CENSUROU a internet, não deixando a população saber sobre o escândalo da Veja e o envolvimento com crimes e contravenções penais:
        http://sinapseslivres.com.br/2012/04/google-na-lama/

        • André Pessoa
          24c

          Você tem que parar de ficar acreditando em sites imbecis como esse “Sinapses Livres”. Um site que chega ao cúmulo de dizer que os carros do Street View roubavam senhas e liam e-mails é coisa de gente doida.

          • Informe-se: http://idgnow.uol.com.br/seguranca/2010/06/18/google-street-view-capturou-senhas-e-mensagens-de-e-mail/

        • @LBKatan
          1514c

          Palavras de Nassif:
          “certamente a iniciativa não partiu do Google. O site deve ter apenas respondido a um pedido de remoção do conteúdo.”

          Ou seja, o pessoal da Veja encontrou alguma coisa, na política do Google, onde poderiam encaixar, de alguma forma, a série de reportagens. Mas a culpa é sempre da Google, né? =)

          • @LBKatan
            1514c

            P.S.: Pelo que vi, procurando no próprio site do Nassif, o Google recebeu uma quantidade bem alta de denúncias e fez o “procedimento padrão”: tira do ar e espera alguma notificação do autor. Tanto que o site voltou em pouco tempo. ;-)

            • Pode ter certeza que o procedimento padrão não é simplesmente na base de denúncias. Google já teve brigas feias pq levar às últimas instâncias o direito de informar.

  • Gaba
    1848c

    “recursar”… hum…

    Google… don’t be evil, boy.

  • Gaba
    1848c

    Google é a empresa que mais sabe sobre nós. Se algum dia um “evil boy” tomar conta do Google… lascou-se…

  • Miron Alighieri

    Bom, todo mundo sabe o quanto se expõe na internet. O Google sabe de você tudo que você contou a ele e a outros de forma irrestrita na internet. Então questionar o controle da informação que o Google tem sobre as pessoas, sendo que as pessoas é que forneceram estas informações parece meio sem sentido. Conheço pessoas que não querem que o Google controle muito da vida deles e o que eles fazem é não sair preenchendo cadastros completos por aí, ou usando os serviços do Google para trafegar informações que eles não querem que o Google ou ninguém mais saiba. Eu, pessoalmente, não tenho problema com os serviços do Google e o quanto ele controla. Pode ser que isso seja usado no futuro para o Google estar à frente em determinadas situações, ou venda esta informação para governos que querem controlar sua massa burra, 1984 mandou lembranças, mas acho se há um primeiro questionamento pertinente é: Porquê damos tanta informação assim para eles? Outros problemas estão relacionados as informações que deixamos na internet. Contas de email ou contas de redes sociais invadidas podem representar um perigo maior caso elas contenham informações sigilosas e pessoais. Mesmo sem invasão, uma conta na rede social pode se mostrar prejudicial. Se você deixa lá nomes de pessoas próximas, lugares de convívio, você está alimentando uma base de dados publica a ser consultada por alguém que pode usar estas informações para lhe prejudicar. Casos de assalto e sequestro cujos criminosos usaram dados de perfis em redes sociais para planejar e executar o crime, já foram registrados aos montes. Então reitero aquí o questionamento que primeiro acho que deve ser feito: Porquê damos tanta informação assim para eles?

    • Suas ponderações são bastante interessantes, Miron. Obrigado pelo seu comentário.

      Eu não conheço a fundo os trabalhos do CNIL. O documento encaminhado pelo Google traz algumas perguntas pertinentes ao modo como o Google lida com os dados dos usuários, não necessariamente os conteúdos publicados de livre e espontânea vontade por eles. O que o Google faz com informações de IP e identificação do dispositivo pelo qual o usuário acessou um de seus serviços? Tipo de resposta que o gigante da web faz de tudo para não fornecer.

      • Miron Alighieri

        Então, para mim ainda estaria na mesma questão. Eu acesso os serviços do Google, seja no Notebook, no Desktop ou no meu Smartphone. Isso é informação que forneço para o Google, e sei que forneço, assim como meu ip, qual browser, horário que acesso, etc. O que ele faz com estes dados, para mim, não é algo que se revele tão facilmente. É o negócio do Google usar estas informações para melhorar e criar novos serviços. Pode parecer ingênuo de minha parte acreditar nisso, mas eu acredito. O que não quer dizer que eles façam só isso. Existe sim a possibilidade de estes dados serem usados para algo com um propósito mais obscuro. E quem acha que no fim é isso que vai acontecer, não deve usar serviço nenhum da nuvem. Se lembrarmos da década de 90, quantas empresas não conseguiram bases de dados de clientes de outras empresas. Não é muito diferente do que o Google poderia fazer vendendo toda essa rica informação sobre seus usuários, claro que com uma magnitude bem maior, centralizada e tratada. Eles poderiam direcionar os dados para que o resultado fosse mais rápido, como filtrar usuários por um dado comportamento ligado a compras online e vender para Submarino, Walmart, etc. Eu acho que o Google está certo em resistir por proteger seu negócio, mas uma vez que a CNIL apresente argumentos e garantias para o Google, acho que eles deveriam começar a cooperar mais.

  • Guiherme Franco
    6c

    Não concordo em descer o pau assim no google… é a maneira q ela tem de se proteger da concorrencia. Até que tenha uma fundamento a investigação, acho q ela não é “má” por se negar a oferecer informações potencialmente perigosas para ela mesma sem necessidade.

    Digo perigosa por serem comerciais OU de possivel interpretação errada. Já presenciei duas palestras da google q o palestrante disse A e o ouvinte ouviu B e quis ponderar a google…. Eles tem que tomar cuidado mesmo com o que divulgam, pois estão no alvo das criticas.

    Numa dessas palestras o palestrante deixou bm claro que a google INFERIA quem é o usuário para melhorar suas pesquisas… pela navegação da pessoa ele TENTAVA DESCOBRIR se era homem, mulher, jovem ou adulto… para assim fornecer informações mais relevantes.

    Alguem na plateia já entendeu que a google descobria isso e vinculava ao seu cadastro do G+…. ¬¬ O cara deixou bem claro, que independente de logado ou não num google accounts, o algoritmo inferia sem vincular a nenhum associação a pessoa em si.

    Pq se não, por exemplo, se a minha namorada usasse com frequencia o meu pc onde sempre deixo minha conta logada, a google iria entender que eu(guilherme) seria um homem com desejos mais femininos??

    Se um comentário de 20 segundos gerou polemica numa palestra local, imagine em escala global aonde há muitas, mas muuiittas pessoas querendo atacar a google sem motivo aparente?!?!

  • Acho engraçada essa acusação. Saiu uma palestra na TED sobre a quantidade de dados que os GOVERNOS sabem sobre as pessoas.
    Realmente, o Google sabe muito sobre nós e nos aceitamos (afinal, clicaram naquela caixinha na qual dizia que leu o termo de responsabilidade e de privacidade). Mas dada as duas acusações (o governo saber muito e o google também) e o tempo que levaram pra lutarem tanto pela acusação, monto a minha teoria da conspiração: o governo está com medo do Google por algum motivo além dos rotineiros.

    Sobre a palestra, o link é esse: http://www.ted.com/talks/lang/en/mikko_hypponen_three_types_of_online_attack.html

    • Dos dois o preocupante é uma empresa privada ter tantos dados e tanto poder econômico. Governo nesse caso é até menos preocupante comparativamente.

      • André Pessoa
        24c

        Ao contrário. Governos querem sempre espionar a vida de seus cidadãos. Já o Google não ganharia nada espionando a vida de ninguém. Ele quer apenas criar perfis que ajudem a focar a publicidade do melhor modo possível, criando retorno para os anunciantes e por extensão a ele próprio.

        • Google ganha muito com informações pessoais e privada. Empresas gigantes ganham muito controlando a vida das pessoas. Informação é extremamente valiosa no jogo de poder. Uma empresa com informações é muito mais poderosa e pode interferir na política econômica e na própria gestão do Estado.

          Tudo isso em busca de lucros crescentes e poder de mercado e com muita pessoas (estranhamente) apoiando a empresa e suas atitudes sujas, o que torna tudo ainda mais perigoso.

          • André Pessoa
            24c

            Isso aí que você escreveu é simples blá blá blá esquerdista.

            • Eu argumentei, e vc fez o quê mesmo?

    • Andre

      O governo ter informações sobre mim, não me preocupa em nada, é até aceitável.
      O que não aceito é uma empresa privada ter esse poder sobre as pessoas.

  • Não existem “mocinhos” nisso. O que deixa preocupado é a quantidade de “talvezes” que nascem da análise de todos os “causos” que envolvem o Google.
    Notório que a grande maioria jamais viu algum termo de privacidade na vida (no caso online) e na verdade não se importa porque foi ensinado que na internet quando você procura algo esse algo necessariamente tem de ser encontrado, não importa o custo da busca.
    E onde a maioria vai buscar? Google.
    Para lucrar com esse serviço eles coletam o que podem do internauta e trabalham esses dados…e “talvez” os entreguem na totalidade a alguém. Ou “talvez” eles apenas compartilhem o comportamento do internauta para oferecer conteúdo “personalizado”. Ou “talvez” ainda estejam desenvolvendo uma IA que se baseia em nosso comportamento para aprender.
    Seja qualquer um dos “talvezes” acima verdadeiro, não arriscaria detalhar esse processo para algum governo sob o pretexto de analisar melhor a privacidade, não sem um compromisso formal de que pouquíssimas e seletas pessoas teriam acesso a essa informação.
    Pelo simples fato de que políticos são criaturas feitas para ter imagem límpida, diferentemente do que são como pessoas e, portanto, não confiáveis. Jamais deixaria a galinha dos ovos de ouro aos cuidados da raposa.

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