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Os primeiros chips ReRAM fabricados em larga escala chegarão em breve

Velocidade é a principal característica dessas memórias, além da economia de energia

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51 semanas atrás

Memórias ReRAM podem ser cerca de 100 vezes mais rápidas que as atuais tecnologias Flash, armazenar tantos dados quantos estas (ou mais) e, de que quebra, serem econômicas no consumo de energia. Uma coisa tão sofisticada assim só pode ser fruto de um projeto futurista, certo? Nem tanto. Um chip ReRAM poderá aparecer na sua frente mais cedo do que você pensa.

O que torna as memórias ReRAM (Resistive RAM) tão atraentes é um elemento denominado memristor. O nome é uma abreviação para “memory resistor” e, de fato, o componente se comporta como se fosse um resistor com memória.

Explica-se: basicamente, o memristor é um componente extremamente pequeno (na casa dos nanômetros) que combina dois terminais; quando uma corrente flui entre eles, a sua resistência aumenta; quando o caminho contrário é feito, a resistência diminui. A “mágica” aqui é que, quando a corrente é cortada, o último nível de resistência registrado é mantido.

Em outras palavras, chips constituídos de memristors são não voláteis, ou seja, podem guardar informação mesmo na ausência de corrente elétrica. Na prática, trata-se de uma tecnologia que se assemelha ao uso de transistores nas memórias Flash, com a diferença de as células de memória ReRAM poderem ser muito menores, consumir muito menos energia elétrica e ter desempenho para leitura e escrita de dados próximos aos de módulos DRAM.

O memristor não é uma maravilha recente da ciência – seus estudos iniciais remetem à década de 1970. O problema é que não há, até o momento, tecnologia que permita a fabricação em larga escala de dispositivos com o material, não de maneira viável. Felizmente, este cenário não demorará a mudar: a previsão é de que as primeira unidades de armazenamento ReRAM comecem a chegar ao mercado a partir de 2017.

Mas a tecnologia em si dará as caras muito em breve. Neste mês, a Panasonic começará a produzir microprocessadores da série MN101LR (fabricação estimada em um milhão de unidades por mês), que são baseados – adivinhe só! – em ReRAM. Pois esta é outra característica chamativa dos memristors: além de armazenamento de dados, este tipo de componente também pode ser empregado em chips que realizam operações lógicas.

Chips Panasonic MN101LR

Chips Panasonic MN101LR

Isso não quer dizer que a tecnologia será aplicada prontamente às CPUs de todos os dispositivos que nos cercam. Os chips MN101LR terão 8 bits e frequência de 10 MHz. Serão, portanto, destinados a equipamentos de reduzida complexidade e baixo consumo elétrico, como sensores ambientais e alarmes de incêndio. Mas não perca a empolgação: este talvez seja o primeiro passo para uma nova e promissora fase tecnológica.

Com informações: The Register, ExtremeTech

  • TaylerPadilha

    2017? Até lá da pra comprar meia dúzia de SSD e ainda vê-los perder sua capacidade pouco-a-pouco.

  • Bruno Cabral

    Agora sim podemos falar na morte dos HDs, daqui a uns 15 anos, é claro.

    • Emerson Alecrim

      Se essa tecnologia vai acabar com os HDs eu não sei, mas acho que ela vai matar a memória RAM tal como a conhecemos hoje. Imagine poder desligar o seu computador e, ao religá-lo, continuar suas atividades de onde você parou, sem precisar manter algum nível de alimentação elétrica para a RAM. Ia ser show :)

      • Alberto Prado

        Foi o que eu pensei também. Acho que se ela evoluir rapidamente, pode acabar por fundir RAM e mass storage em um só dispositivo.

        • http://www.segundachuvosa.blogspot.com Gabriel

          Se realmente for possível juntar as duas memórias, será uma revolução na programação também. :)

      • TaylerPadilha

        Mas já não tem isso em todos os SO x86?

        • Emerson Alecrim

          Você fala de deixar o computador “hibernando” e depois voltar a usá-lo de parou? Esta possibilidade existe, sim, mas ainda é necessário deixar um nível de alimentação elétrica para manter os dados na RAM. Na ReRAM isso não seria necessário.

          • Sander Manzoli

            Quase isso, confundimos aqui Hibernar com Suspender.

            Ao Hibernar, a RAM é copiada para o HD, e o PC se desliga por completo, e apaga a RAM portanto. Ao religar (pode ser meses depois, não gastará bateria), o OS copia de volta os dados do HD para a RAM e o note volta onde estava. Isso demora vários segundos.

            Suspender leva 2 segundos apenas, deixa o notebook num estado de stand-by. Volta em 2 segundos tbm, mas a RAM fica alimentada, consumindo lentamente bateria.

            Laptops novos (como meu Asus UX31A) permitem ficar Suspensos por até 1 mês antes que a bateria acabe! (ou 9 meses, num estado que leva poucos segundos para entrar, algo entre o suspenso e o hibernado, bem maluco). Máquinas mais antigas podem ficar suspensas por 1 dia apenas, antes que a bateria vá embora.

            Sobre o assunto do post, mal posso esperar por armazenamentos ainda mais rápidos que os SSDs… HDD hoje é o gargalo maior, quem experimenta um SSD não volta nunca, a máquina fica 10x mais ágil (não só no boot, claro, afinal eu só rebooto qdo instalo algo). Algo ainda mais rápido que SSDs será outro mundo mesmo. E ainda colocarei 4 delas em RAID0, rsrsrsrs!

            • Emerson Alecrim

              Bem colocado, Sander! Isso me lembrou inclusive que quando instalei o Windows 8 no meu PC eu habilitei um recurso no registro para deixar os modos Suspender e Hibernar ativos. Por padrão, somente o primeiro aparece no sistema.

  • Marcelo Madeira

    Chegaremos ao ponto de ter um computador com somente 1 tipo de memória para armazenamento e para RAM ?

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