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Este tipo de partícula poderá tornar os HDs 20 vezes menores (ou com 20 vezes mais capacidade)

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50 semanas atrás

Fabricantes de discos rígidos têm feito o que podem e o que não podem para que estes dispositivos não percam espaço de vez para tecnologias como SSD e até mesmo ReRAM. A mais recente promessa neste sentido é uma partícula de nome skyrmion, que poderá diminuir o tamanho dos HDs em aproximadamente 20 vezes.

Na tecnologia atual, os discos do dispositivo são recobertos por um material sensível ao magnetismo, como o óxido de ferro. Para que a gravação de dados seja feita, o cabeçote da unidade altera sua polaridade para manipular as partículas do material – se positiva, os polos negativos das moléculas são atraídos e vice-versa.

É assim que os bits são gravados, essencialmente. O problema é que a proximidade destas partículas têm quer ser limitada; do contrário, os campos magnéticos gerados por elas poderão interferir uns nos outros, fazendo com que os bits gravados sejam alterados e tornem o disco não-confiável.

É verdade que a indústria vem fazendo um bom trabalho ao longo dos últimos anos para aumentar a densidade dos discos e, consequentemente, permitir que estes armazenem mais dados sem necessidade de aumentar o tamanho físico da unidade.

Uma das técnicas mais recentes para este fim é conhecida como “gravação perpendicular”, onde, grossamente explicando, as partículas do disco são alinhadas na vertical, como se ficassem “de pé”, enquanto que na gravação longitudinal (tradicional) estas ficam “deitadas”. O problema é que esta solução também é limitada pela possibilidade de interferência.

Pesquisas feitas recentemente por físicos da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, apontam os skyrmions como uma promissora solução porque os seus átomos se alinham em forma de vórtice torcida (redemoinho), ao contrário do que acontece com as moléculas “normais”, onde este alinhamento é uniforme, ocorrendo sempre na mesma direção.

Vórtices torcidas na magnetização de uma superfície metalizada

Vórtices torcidas na magnetização de uma superfície metalizada

Por causa desta características, os skyrmions podem ser colocados uns muitos próximos dos outros, pois os campos magnéticos vizinhos não conseguem desfazer o alinhamento em vórtice, na prática, resultando na não alteração dos bits.

A proximidade poder ser tamanha – os testes conseguiram um intervalo de 6 nanômetros – que os pesquisadores estimam que os discos rígidos baseados em skyrmions poderão ser 20 vezes menores que os existentes atualmente no mercado, como informado no começo do texto, fazendo com que o seu uso seja viável, por exemplo, em smartphones. Em tese, também é possível fazer HDs nos tamanhos atuais, mas com 20 vezes mais capacidade, é claro.

Só que a gente não vai ver isso acontecer tão cedo. Os primeiros estudos dos skyrmions remetem à década de 1960 pelas mãos do já falecido cientista Tony Skyrme (tá explicado o nome estranho), mas as pesquisas para o uso destas partículas na gravação de dados está apenas em fase inicial.

Ainda há vários aspectos a serem considerados, como viabilidade de fabricação, resistência das propriedades dos átomos ao longo do tempo e influência das variações de temperatura. Para você ter uma ideia, os testes de gravação feitos na Universidade de Hamburgo funcionaram apenas em 60% das tentativas, com o controle dos skyrmions só sendo possível com uma temperatura de -269 graus Celsius.

Com informações: Nature, ExtremeTech

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