Depois das eleições, me desconectei por 2 dias para descansar, e ao voltar ao trabalho na 4a-feira, levei um susto. As manchetes em todos os portais da web noticiavam que um embate entre paulistas e nordestinos tomou o Twitter de assalto.
“Embate” é um termo civilizado para classificar o baixo nível das mensagens, que eram mútuas. A página Xenofobia Não, dentro do Tumblr, publicou coletâneas dos tuítes agressivos e até criminosos. Uma estudante de Direito (Direito!) vai responder na justiça a respeito da mensagem que “convocava” seus seguidores a “afogar um nordestino”.
A baixaria supostamente começou com os eleitores paulistanos de José Serra apontando os nordestinos, tratando-os como cidadãos inferiores, como os responsáveis pela vitória da candidata Dilma à presidência.
Regionalismo à parte, algo me deixou ainda mais perplexa: a confusão começou nas redes sociais, e envolveu um público bastante jovem, socialmente privilegiado, supostamente informado e culto.
Ainda na campanha do 1º turno, vi também no Twitter vários comentários preconceituosos, e desde o início já me chamavam a atenção os dirigidos à candidata do PV, Marina Silva. Coisas do tipo “não vou votar em alguém com cara de doméstica sapatão”. Outros se referiam ao fato dela não usar maquiagem, ou passar apenas corante de beterraba nos lábios. Vários e vários, superficiais e carregados de preconceito.
Felizmente não de pessoas que sigo (se fosse, teria dado unfollow na hora), mas principalmente enquanto acompanhava debates da TV, pelas hashtags. Acho que sei selecionar bem quem eu sigo, mas é fora da minha timeline que vejo o que realmente pensa a chamada “elite brasileira formadora de opinião, que tem acesso à web e às redes sociais”.

Para começar, a discussão é inócua. Dilma não ganhou exatamente por causa do Nordeste, é só fazer as contas para ver que, se excluírmos Norte e Nordeste, ela teria ganho do mesmo jeito. Mas não importa: o episódio só nos faz lamentar o pensamento de colônia do brasileiro.
Na década de 30, Gilberto Freyre escreveu o clássico Casa Grande e Senzala, explicando a relação muito peculiar entre sinhôs e escravos, algo que não se vê em nenhum outro país do mundo. As décadas passaram e a essência permaneceu, com a sociedade brasileira se dividindo entre patrões e domésticas, elevador social e de serviço, paulistas e nordestinos, orkuteiros e facebookeiros. “Maldita inclusão digital!”, esbraveja e elite adolescente, ao se deparar com fotos de membros das classes C e D na rede social do Google. Que hoje assiste a uma certa debandada: para os jovens que fazem carteiraço digital, o Orkut se transformou no elevador de serviço da internet.
Outro livro interessante é Joaquim Nabuco Essencial, uma espécie de coletânea de artigos e trechos do diário do líder abolicionista, que exultou ao ver os escravos libertos pela princesa Isabel depois de 10 anos de luta. Mas de alguma forma, parecia prever que, séculos adiante, o conflito ora trágico, ora incestuoso entre negros e brancos não acabava ali.
A sociedade brasileira é complexa demais; a obra de Freyre provou isso. Basta comparar com a relação racial em outros países, como os EUA. Se o norte-americano é falso moralista, o brasileiro é um falso liberal. A única diferença é que hoje todos têm um mouse na mão e podem disseminar seu ódio para todo planeta com um simples clique.
Eu pensei que a internet, o maior disseminador de informação e conhecimento de todos os tempos, traria um pouco de ar fresco às discussões políticas, raciais e religiosas. Mas o que eu vi nos últimos dias no Twitter foi um mero papaguear de tudo o que se diz há 200 anos. Triste.









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“” Xenofobia (do grego ξένος, translit. xénos: “estrangeiro”; e φόβος, translit. phóbos: “medo.”[1] é o medo irracional, aversão ou a profunda antipatia em relação aos estrangeiros, [2] a desconfiança em relação a pessoas estranhas ao meio daquele que as julga ou que veem de fora do seu país. “”
Bem, se somos de um mesmo país, não é Xenofobia e sim Preconceito (y)
Duvido que o pessoal que postou tais mensagens vejam os nordestinos como compatriotas.
Mas, a rigor, se é xenofobia, se é racismo, chame como quiser, que não é esse o ponto.
Racismo ainda é uma terceira coisa diferente de preconceito e xenofobia, não tirando o mérito do artigo que chama atenção para a falta de moral da teoricamente parte culta da sociedade, que de culta, prova-se não tem nada.
Pode ser aplicado para pessoas de outras regiões.
O duro é que a Internet é feita pelas mesmíssimas pessoas que fazem o mundo real… acabamos tendo os mesmos resultados!
Brasil é um dos países mais preconceituosos do mundo. É só ver as desigualdades entre “sul e norte”, negros e brancos, homens e mulheres. Aqui muitos até acham que o voto dos pobres vale menos que dos ricos:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101002/not_imp618576,0.php
O “carteiraço” também prova isso, quando vemos que uns valem mais que outros. E sabe do pior? É que aqui nunca se admitiu publicamente. Vivemos num conto de fadas onde “não há segregação, pois somos o povo da amizade, onde todos vivem pacificamente”.
E a internet, é a exceção? Nada disso, é apenas reflexo dessa sociedade preconceituosa e elitista.
O pior é ainda ver comentários como se essas pessoas, que vomitam todo seu preconceito, cometeram uma simples travessura.
Poxa, bacana esse texto! Não tinha lido!
E a jornalista foi demitida pelo texto, o que reafirma que o Brasil é segregacionista e elitista:
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4722228-EI6578,00-Maria+Rita+Kehl+Fui+demitida+por+um+delito+de+opiniao.html
Não fiquei sabendo desse perrengue na época. Caramba! Reclamam que estão sob censura e vão logo censurar a mulher também. Delito de opinião? Que diabos é isso?
“Conto de fadas” bem ao estilo “novela da globo”, ou melhor, “malhação”! É isto que a TV distribui.
Existe uma necessidade das pessoas aceitarem os seus pares, aceitarem as diferenças de todo o tipo (regional, religiosa, gênero…). Reconhecer isso como a maior riqueza que este Brasil proporciona aos brasileiros!
Pessoas acreditam que publicar msg por perfis na internet não os eleva ao nível criminal, somente pensam!
bom texto..mas ainda acho que as pessoas contra-discriminação (seja on ou off line) têm que ir mais além: não basta dar um “unfollw”. Tem que denunciar para o Ministério Público… Discriminação racial/étnica/cultural é crime, e não podemos dar as costas para isso! De qq modo eu desconfio também do “poder de formação de opinião” desse grupo: me parece ser mais uma expressão de uma classe média com “expectativas sociais de riqueza” que se manifesta de forma rude/agressiva, para demarcar sua posição na estrutura de classes, e (claro, como vivem tentando provar) mostrar que estão no lado dos ricos.. enfim, a ignorância desse povo (grande parte mal-formado, mal-educado, em carreiras e posições profissionais de prestígio “duvidoso”) pode até ser relativamente relativizada se compararmos com o poder (tb conservador) da elite de verdade (das grandes mídias, grandes instituições e por aí vai)… Mas, enfim, mto interessante seu texto Bia.. As vezes tenho a impressão que o pessoal interessado por tecnologia se abstrai das questões cruciais que envolvem sociedade e humanidade (e de fato) e perpassam pelos aparatos tecnológicos..
Bom texto, lembrando que os dois autores citados no texto (Gilberto Freyre e Joaquim Nabuco) eram nordestinos.
Isso sempre ocorreu e sempre vai ocorrer, acontece que a Internet é uma válvula de escape para as opniões, pois as pessoas acham que nela é livre para falar o que bem entende.
Para mim preconceito é errado, porém deve ser aplicado nas duas mãos, ou seja, como no caso do texto, tanto quando parte de um paulista para um nordestino quanto quando parte de de um nordestino para um paulista. Não existe isso de “á eles podem porque sofrem”, isso é mentira, preconceito é errado.
Se eu uso uma camisa 100% Negro eu estou honrando minha raça, se eu uso 100% Branco eu estou sendo racista? Vamos parar e pensar um pouco mais né?
“…quando eu sou preconceituoso tenho que pagar?” Como assim? Você cogita ser preconceituoso VOLUNTARIAMENTE? E ainda reclama que será punido por isso?
“Se eu uso uma camisa 100% Negro eu estou honrando minha raça, se eu uso 100% Branco eu estou sendo racista? Vamos parar e pensar um pouco mais né?”.. não é bem essa a discussão.. e nem o lugar, e muito menos o melhor argumento para discuti-la..
Não confunda as coisas. Já até discuti isso aqui:
http://tecnoblog.net/comentario/1205038/
A questão da camiseta é uma questão de contesto histórico. Os negros foram vitimados durante séculos, e dito que sua cor era vergonhosa. Times de futebol no Brasil, por exemplo, jogadores negros tinham que passar pó branco no rosto, pra ter uma ideia. Esse tipo de camiseta visa mostrar que não há nada de vergonhoso em ser negro. E um branco com uma camisa do tipo? Pq alguém teria se branco sempre foi a cor dominante e privilegiada? Só quem quisesse reafirmar a supremacia. Não tem o contexto histórico que tornaria um despropósito vc fazer uma camiseta “100% branco”.
Você não entendeu ou não quer entender.
Entenda, a igualdade formal é um mito e o contexto histórico não pode ser ignorado. Vc querendo inverter, dizendo que segregacionista é quem tenta reafirmar que não é “o mal”, “o inferior”, é praticar a mesma política social do passado, quando diziam que certos grupos eram “menos”, e suas características eram vergonhosas (ainda se pensa assim, qdo se diz que negro é moreno).
Como eu disse, no amplo contexto histórico, é um despropósito alguém fazer uma camisa “100% branco”, quando o grupo em questão sempre foi o privilegiado e nunca, de maneira alguma, foi considerado uma cor vergonhosa, como aconteceu com o segmento negro da população.
Isso era em resposta ao carinha que me questionou. Mas os posts dele foi bloqueado ou o q? Não está aparecendo mais aqui.
Estranho, o post estava com mais de 40 comentários e agora está com menos de 30, acho que fizeram uma censura
Isso fez alguns comentários meus ficarem sem-pé-nem-cabeça
Não se preocupe, já eram assim antes.
Por favor, contra-argumentação, não ataques pessoais.
Ah, claro.
Se eu sou minoria, ou alguém me fez sofrer eu posso ter orgulho de ser quem eu sou.
Agora se eu não sou, tenho que ficar envergonhado, não é?
Você é uma das pessoas mais “sem noção” que já vi.
Você é que não está tendo noção da realidade histórica e cultural-social do país, que nada tem a ver com uma realidade particular em específico.
Tenho grande conhecimento da realidade histórica e cultural, mas não muda o fato que preconceito vem dos olhos de quem ve.
100% gay, 100% homem, para alguns qualquer uma das camisetas ia ser preconceituosa, para outros, a primeira ia demonstrar orgulho e a segunda preconceito (rendendo processos), para mim as duas só demonstram orgulho de ser quem é (o que acho absolutamente desnecessário em ambos os casos).
O Fato é, eu tenho tanto direito quanto gays, negros, nordestinos, paulistas, brancos, rosas,roxos,amarelos,homens,mulheres, judeus, indígenas. O preconceito começa justamente na questão: “ah, eles sofreram, então eles são coitadinhos”, pura BOBAGEM. Eu não sou melhor que ninguém, e ninguém é melhor que eu, e não tenho problema algum em ser como eu sou, se eu sou negro, pode me chamar de preto, pretinho,negro, mas, porque diabos que eu deveria ter vergonha disso? É O QUE SOU CARAMBA, PRETO.O mesmo valendo se eu for branco, não creio que o direito deva ser unilateral.
Você está relativizando as coisas. Essa de relativizar o preconceito e a história é um absurdo. Todos sabemos que existem fatores concretos, que não são relativizados. O preconceito está nos olhos de quem vê? Sim, por que não? Mas nada tem a ver com o contexto histórico, temporal, cultural, que fez a sociedade brasileira. Essa formação é que faz certas atitudes serem consideradas como aceitáveis ou sem sentido. Veja esse documentário, que vc verá como a questão não é específica, mas está dentro de um contexto:
http://www.youtube.com/watch?v=wiTDAUWmYa4
Você realmente tem tanto direitos formais tanto gays, negros, judeus, etc, etc. Mas não estamos no mundo da igualdade formal, a igualdade formal é um mito, ou melhor, a aplicação é um mito. É por isso que o objetivo de toda sociedade é alcançar a igualdade material. Querer aplicar a igualdade rasa, ou dizer que essa existe, é sem sentido e fora da realidade.
O que acontece, com movimentos negros, gays e outras minorias (não não precisam ser minorias), é afirmar por aquilo que são taxados. No caso do documentário, que pedi pra vc ver, seria eu dizer e afirmar, para que todos percebam que não é motivo para me esconder e negar o que eu sou, não é vergonhoso.
Só pra constar: entre os séculos 16 e 19 pelo menos um milhão de brancos foram escravizados por africanos (negros). E o número pode ser bem maior: http://en.wikipedia.org/wiki/African_slave_trade#Slavery_in_North_Africa
Preconceito existe em qualquer lugar do mundo, nos EUA é muito pior que no Brasil e o Japão já considerou todas as etnias não-japoneses como sub-raças. O Japão é tão preconceituoso que eles até mesmo já ‘extinguiram’ etnias inteiras por lá, em séculos passados.
No mais, não vejo o por quê de se comemorar o orgulho negro. E se a minha opinião não conta, basta ver a opinião do Morgan Freeman. Ele concorda comigo: http://www.youtube.com/watch?v=GeixtYS-P3s
Você está pegado uma realidade e contexto de outro país e aplicando a realidade histórico-cultural do Brasil?
O que eu falei é que na realidade brasileira, histórico-cultural própria desse pedaço de terra, e não do norte da África, do sudeste asiático, ou do Gabão, permite, justifica e valida esses tipos de atos afirmativos (como o da camisa), como ter orgulho da cor, que tanto foi (e ainda é) tida como vergonhosa.
nananinanão, você mesmo disse que o Brasil é um dos paises mais preconceituosos do mundo. Estou apenas rebatendo isso, lembrando que existem cultura MUITO mais preconceituosas. Ou não foi você quem escreveu isso aqui: http://tecnoblog.net/comentario/1206133/ ?
Mas vamos falar do Brasil. Recomendo fortemente que você leia o “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”, que se baseia em fatos e documentos HISTÓRICOS, vai ser bom para você rever alguns conceitos que lhe foram passados na escola e evitar a repetição de falácias.
E, mesmo assim, recomendo fortemente que você veja o vídeo do Morgan Freeman que citei no outro comentário. Não existe uma história negra, existe a história do Brasil, da qual os negros fazem parte. O preconceito só vai parar de verdade quando as pessoas de ambos os lados pararem de falar ‘negro’, ‘branco’, ‘nordestino’ ou ‘paulista’.
Sim, falei sim que é um dos mais, e ainda por cima não se assume, querendo esconder a realidade. Outros tbm são, mas não tem relação com o assunto. Realidade de outros é de outros. Aqui existem uma continuidade temporal na evolução histórica própria. Não dá pra comprar a realidade histórica-cultural com outros. Seria sem sentido.
Não li esse livro e não tenho condições de ler exatamente agora, mas de qualquer maneira falei o correto. E espero, quando surgir a oportunidade, que não seja mais um revisionista e negacionista que faz um desfavor para o mundo, como tanto outros que tentam negar a história por questões pessoais.
E é claro, é a história do Brasil, e negar a história do Brasil é um absurdo.
Guilherme, a história que te contaram na escola é diferente da história real do Brasil, tá? Existem documentos históricos que comprovam que muito que foi ensinado nas escolas foi adulterado para servir a interesses políticos. Eu realmente sugiro que você se informe melhor antes de continuar a discussão.
Se ficarmos nessa de “estude antes de discutir” vamos partir pra respostas sem argumentações.
O mesmo valeria, então, para mulheres e homossexuais. Pois a manchete que mais se viu mundo afora a respeito da vitória da Dilma foi “a primeira mulher presidente”…
Eu acho isso preconceito por exemplo, assim como ficarem alarmando o Obama como primeiro negro presidente americano.
Porra, importa raça, cor, sexo, tamanho?
Porque simplesmente pelo fato de ele ter uma cor ou ela um sexo diferente dos anteriores tem que ser motivo de alarde?
para mim é apenas mais uma prova de uma sociedade preconceituosa que ainda adota cotas e adora diferenciar seus cidadãos.
O “alarde” é simplesmente sublinhar o feito. Imagina, em uma sociedade preconceituosa, como aquilo foi excepcional, excepcional a ponto de ser o primeiro.
Pra ter uma ideia, a poucas décadas a mulher passou a ser completamente capaz. Antes, por incrível que pareça, o pai e depois o marido era o responsável legal, pois a mulher não tinha, legalmente, capacidade civil. No mundo da informática é mais que sabido. Hoje uma empresa sempre dá preferência por homens. No e-mail de facul, uma empresa, nacionalmente reconhecida, até chegou a lançar vagas de estágio somente para homens. E o salário? Para o mesmo cargo é inferior.
Por isso, então, qdo algo do tipo acontece, até sendo o primeiro, todos destacam.
Isso acontece muito até
Muitíssimo bem lembrada, a situação com a Marina Silva. E digo mais: teve muito “justiceiro” no twitter que xingou a Marina de tudo de ruim, vomitou um milhão de preconceitos e agora quer pagar de arauto da igualdade, denunciando a infeliz, incitando lixamento público dessas Mayaras Petrusos que temos aí.
Triste.
outra coisa: concrdo que o termo “xenofobia” não seja o mais adequado..mas é necessário diferenciar preconceito de discriminação. preconceito é uma pré-noção que um indivíduo atribui sobre o outro, positiva ou não (sim, preconceito pode “sobre-estimar a visão sobre o desconhecido); já discriminação – geralmente consequencia de atribuições negativas sobre o outro desconhecido ou repudiado – é um conjunto de ações concretas que envolvem atentado/ violência ou obstrução sobre o outro. Discriminação é crime! Preconceito, por pior que seja, não é, pois ele não pode ser “medido” caso não haja, legalmente, ações que representem a expressão deste (ou seja, a discriminação)..
@ Anon, entendo sua crítica, mas a proposta de Bia é uma leitura mais “ampla” e menos academicizada da questão..para isso eu não preciso (e imagino que vc tb) ler Tecnoblog. O principal aqui, a meu ver, é trazer uma questão que afeta os meios tecnológicos tão discutidos e tratados nesse tipo de blog. Essa parece ser a maior contribuição. Mas enfim, concordo que autores (especialmente os intérpretes do Brasil) devem ser citados ou referendados com mais cuidado…
Essa interpretação restrita é uma bobagem. O sentido de xenofobia é o mesmo do racismo, ou seja, é interpretação extensiva. Raça não existe, mas falasse no sentido étnico-cultural; e xenofobia entende-se como tudo que é de fora, de fora da região, no caso.
E depois, internet não é “zona livre”. Alguns, para aproveitar para propagar suas irracionalidades e cometer atos criminosos, pensam assim, mas então enganados. Internet é democrática, e como toda boa democracia está de acordo com a lei, que permite ter liberdade. Um lugar sem leis seria como o estado de natureza de Hobbes, onde todos fazem tudo que quiser e isso tira a liberdade de todos.
“Internet é democrática, e como toda boa democracia está de acordo com a lei, que permite ter liberdade.”
Ué, eu defendi isso uns posts atrás, e você disse que não era bem por aí, que você não pode falar o que quiser.
Mas é isso que falei O_o
Falar o que quiser não é liberdade. Como falei, um lugar sem leis seria como o estado de natureza de Hobbes, onde todos fazem tudo que quiser e isso tira a liberdade de todos. Certas restrições que garantem as liberdades individuais e coletivas é que garantem as liberdades individuais e coletivas.
“Certas restrições que garantem as liberdades individuais e coletivas é que garantem as liberdades individuais e coletivas.”
http://i660.photobucket.com/albums/uu330/cthulhu19887/forum/facepalm/Facepalm-2.jpg
Sim, essa é a questão tanta dita por Hobbes, Kant e companhia. Mais simples de entender é: “sua liberdade termina onde começa a dos outros”. A explicação é que fazer o que quiser não é liberdade, visto que se todos fazem o que quiser tiram a liberdade de todos. O que garante a liberdade (discricionariedade) é ter meios de garantir elas.
Gostaria que os devoradores de dicionários de plantão, verificassem a última definição da palavra estrangeiro e constatassem que se trata de:
‘aquele que não pertence a um grupo ou região’
… o que adequa o termo xenofobia perfeitamente ao contexto.
Eu usei o termo xenofobia no post por causa do Tumblr “Xenofobia Não”
O Brasil, acredite ou não, é um país de elite…onde os privilegiado se acham no direito de fazer o que quiserem e nada acontece. É o famoso circo.
Acho que essa menina que se referiu aos nordestino deveria ter uma sentença muito severa. Errar é humano..mas aprenda que errou pagando por isso.
Ela simplesmente se omitiu e agora vem pedir desculpas?! rs…não é bem assim que funciona.
Infelizmente tem muito babaca que se esconde atrás de um monitor.
Sugestão aos amigos do TB: Façam um botar para editar o post!
Escrevi errado acima (‘os privilegiado’) e não consigo editar
Ridícula essa disputa de regiões.
Se houve um ato ilícito em relação aos tweets que sejam julgados.
Como nordestino não me sinto ofendido pois está claro que quem faz esse tipo de comentário não sabe o que fala.
Estamos na era da informação como você citou, mas não necessariamente na de conteúdo, infelizmente.
Me chama a atencao o fato de que atras de teclados todos sao machoes e donos da verdade. A justica tinha que funcionar no ambiente digital, mas mal funciona na nossa vida no dia a dia…
O ponto crucial aqui é que respeito e educacao ou voce tem ou nao tem. Nao tem dessa de que veio de familia boa e educada que a pessoa vai ser educada e respeitosa, vai muito do individuo. E hoje, o pessoal é mais imaturo mais velho, isto é, a galerinha de 18 a 25 anos nao tem nocao dos efeitos e causas da lei, aí eles nao tem medo do resultado de declaracoes preconceituosas.
Por fim, nao somos os unicos, mas nossa sociedade é atrasadinha né
“Regionalismo à parte, algo me deixou ainda mais perplexa: a confusão começou nas redes sociais, e envolveu um público bastante jovem, socialmente privilegiado, supostamente informado e culto.”
Isso é o pior, quem deveria lutar pelos direitos de igualdade no que afirma e rege a constituição, é quem prega a divisão e o ódio. Êta país de gente BURRA, mesquinha, preconceituosa e inescrupulosa é esse que eu vivo.
pior que eh… isso porque vc nao mencionou a classe politica, que fede mais ainda
Mas é um termo genérico, que engloba vários conceitos, tantos de cor, quanto étnicos culturais. Entenda como um conjunto matemático. Racismo está contido dentro do preconceito, que é mais amplo, engloba um maior número de casos. No Brasil, existe essa lei, que protege todo e qualquer caso (até os que vc falou):
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7716.htm
Democracia e liberdade de expressão não significa fazer tudo o que queira, não significa ter direito de abuso.
E depois, quanto separar regiões, vc entra num conflito Constitucional mais que tudo. Existem sim movimentos desses, como “O Sul é Meu País”, que a princípio não tem nada de mais (mesmo que nos últimos tempos neonazistas tenham entrado no movimento), mas creio que seja realisticamente improvável de se realizar e racionalmente inaceitável, e talvez Constitucionalmente impossível.
Isso era em resposta ao carinha que me questionou. Mas os posts dele foi bloqueado ou o q? O_o
É um absurdo que isso ainda aconteça no Brasil, um país marcado por miscigenação e tamanhas diferenças. Eitaa, sociedade atrasada.
O mal do Brasil é o Brasileiro.
Não só endosso sua opinião como vou além: o mal da terra são os terráquios
aai ai…
quero………. mudar de país :/
Claro, porque em outros paises não tem segregação racial/regional, isso é uma coisa exclusiva do Brasil não é?!
Aham, senta lá.
nao que nao existam,
mas para um pais onde a educação muitas vezes é deixada para segundo plano, estes tipos de problemas só veem a se intensificar
Meus pais são nordestinos, eu sou paulistana.
Meus pais sempre respeitaram os vizinhos, nunca fizeram festa até varar a madrugada com forró no ultimo volume, como meus vizinhos fazem.
Meus pais nunca falaram alto, nem receberam visitas escandalosas.
Meus pais foram pobres e passaram fome na roça, mas ao chegarem aqui perderam os costumes de lá e se adaptaram a São Paulo.
Minha vida não foi nem de longe privilegiada, todo mundo lá em casa trabalhou duro pra hj ter um nivel aceitavel de vida.
Meus vizinhos todos são nordestinos, e tudo que meus pais Não fizeram, eles fazem.
O bairro onde compramos um terreno há 16 anos atrás era limpo e organizado. Hoje a rua inteira tem casas mal construidas, uma encima da outra, sem acabamento, e por terminar… enfeiaram a rua com isso
Porque só eles não respeitam o manual de moral e bons costumes que meus pais respeitaram qndo chegaram do nordeste?
Depois não querem que as pessoas sejam preconceituosas,espero que entendam o que quero dizer, eu pessoalmente ñ tenho preconceito, mas olhando pros meus vizinhos, até entendo quem tem, embora não seja aceitavel socialmente.
Vc está jogando um problema social, educacional e cultural (típico dos brasileiros das cidades) nos nordestinos? Pq se tá, vc está completamente perdida nos argumentos.
Essa “bagunça social” é comum em todo Brasil, e é resultado de 500 anos de descaso com o lado social e educacional, com as políticas públicas de desenvolvimento social (que reflete no econômico).
Acho que há realmente uns termos usados inadequadamente nessa discussão. O primeiro foi “xenofobia”, porque isso não envolve estrangeiros (embora haja entre os “manifestantes” alguns exaltados “separatistas”). Mas também não vi um “embate”. Pode ter havido, aqui e ali, alguma resposta dos ofendidos, mas nada que caracterizasse um embate. O que houve foi apenas uma enxurrada unilateral de ofensas preconceituosas.
“Na época”, deu mei pitaco lá no blog sobre o assunto: http://www.droider.com.br/2010/11/03/tudo-o-que-voc-twittar-poder-ser-usado-contra-voc-inclusive-no-tribunal/
Legal, eu também falei disso no meu blog (brunogdb.usuarioblogueiro.com), e uma coisa que o povo anda precisando saber, internet tem leis e todos gostam =D
Triste isso… ;x
bia, como digo.:
A internet so avança em alguns pontos, mas em outros ele naum evolui nada ! Sou nordestino
E fiquei muito triste com essa situação….
Este blog está cheio de verdades, tem até pessoas que escrevem um e-mail dizendo que se arrependeu, mais no fundo continua com aquela ideia – ou não. O problema disso tudo? É achar que a internet é totalmente livre para fazer o que bem entende e falar o que não deve. Nordeste, Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, somos todos do mesmo país, não podemos falar aml das pessoas que vivem em nosso território, que fala nossa língua, e que no documento oficial consta como Brasileiro. Não importa de que lugar seja, o importante é ter respeito e ser respeitado.
Sabe o que é mais triste?
Esse caso não é único nem exclusivo de internet. Há milhares de pessoas procurando emprego hoje, mas são dispensadas por causa da cor, do peso (eu já fui várias vezes dispensada por ser gorda e parda/quase mulata mas não tem como provar olhares e termos ditos pelas pessoas né?), por ser do nordeste ou norte… etc…
É só vc ir num prédio situado num bairro “rico”, sendo você negro e tentar pegar um elevador social… Vão te mandar pelo elevador de serviço. (Isso ainda acontece)…
As pessoas acham isso normal.. e se vc quer denunciar, a pessoa nega, ou seja, não tem como provar isso.. Aí continua a bola de neve do preconceito de rico eliminando o direito de igualdade do pobre, nordestino, negro etc…
Se as pessoas, todas elas, soubessem o que significa e praticassem o RESPEITO, nada disso aconteceria..
E aos preconceituosos.. quero que paguem pelo seu erro.
Bia, acho que você foi contraditória. Afirmou que “a sociedade brasileira é complexa demais”, mas, quando conveniente, resumiu o ato (abominável, diga-se de passagem) a um problema “daselite”. Será que podemos generalizar mesmo?
Em qualquer lugar do mundo, “elite” no dicionário significa coisa boa. Ao comprar esse discurso reacionário de “culpa daselite”, você apenas contribui para reforçar a crença que existe nesse país: o bom é ser “o pobrezinho”, “o coitadinho”, “o sofredor”. O resto chegou lá roubando, veio de Portugal já dono de fazendas e senhor de escravos.
Vamos evoluir, Brasil.
A Bia usou o termo elite para aquele grupo social que detém a maior parte da riqueza do país, maior conhecimento, etc. Ela não diz que isso caiu do céu para este grupo, nem entra em detalhes de como os integrantes deste grupo conquistaram lugar neste.
Ela também não diz que é bom ser “pobrezinho”. Fato é que as nossas classes com maior poder aquisitivo, que se consideram cultas e mais informadas, são preconceituosas e, nas eleições deste ano, usou a internet para lutar contra o grupo dos ignorantes (que não são tão ignorantes assim mais e votam no que é melhor para eles). No fim das contas, eu acho que é um grupo defendendo o seu status contra outro lutando por uma chance de mudar de status.
A sociedade brasileira é elitista. Aqui há precoceito racial, sexual, etc. mas o principal é o social.
Seu comentário só reforça minha argumentação…
[off] Bia Kunze é linda demais, meu Deus do céu!!! [/off]
Xenofobia sUx, btw!
Bia, não pode haver suposição de que pessoas desse nível, xenófilas convictas, sejam informadas e cultas. Podemos sim, supor, que são apenas criaturas preconceituosas ou doentes. Crianças criadas sem carinho, sem instrução, e sem limites. Enfim, criadas sem educação familiar. Criadas sem alguém pra dar um norte na vida delas…
Vá ver que eles nunca ouviram falar em Gilberto Freyre. Muito menos que ele é nordestino, pra variar…
A diversidade é a marca deste país seja cultural, racial e ou intelectual. O que importa é que somos 190 milhões de BRASILEIROS, é só isso que precisamos enxergar.
185.712.713 segundo o censo feito este ano.
http://www.censo2010.ibge.gov.br/dados_divulgados/index.php
O pior disso tudo, é que opiniões como dessa infeliz estudante de direito (???) e similares são alimentadas por pessoas com sólida formação e que deveriam se preocupar com o ódio que estão disseminando pela força da comunicação que possuem. Me refiro especificamente a instituições como Rede Globo, Veja, Estado de São Paulo entre outros. Ou seja, se esta é a fonte de informação para os jovens “brancos classe média e alta” e seus papaizinhos sangue azul, isso é só o começo.
Na minha humilde opinião, se é que ainda estão aceitando comentários aqui, é que se está dando demasiada importância a algo que não chegou a um nível de gravidade preocupante.
Me explico, esão colhendo tweets isolados e colocando sob uma lupa, para que a realidade se veja aumentada, para que essas pessoinhas (vulgo attention wh0res) que postam coisas que deveriam guardar apenas pra elas mesmas, ganhem projeção, ou 15 minutos de fama, porque vejam, como dizem por aí, falem bem ou falem mal, falem de mim.
Eu desafio você a me provar que mesmo em pensamento, nunca xingou aquele nordestino que fez predominar aquele grupo de forró no som do carro, ou nas festas de madrugada na sua vizinhança, etc, mesmo sabendo que seus pais, parentes são também nordestinos. (os meus são)
Eu não tenho preconceito (ja disse q tenho pais nordestinos), mas também não sou hipócrita, não me venham com falsos moralismos não.
Esses idiotas não tem o que fazer,ai fica zuando as outras pessoas.Até parece que elas iriam gostra que fizesse com elas.
Desculpe o jeito de falar leitores.
Desculpe a minha “ignorância”. Eu sou gaúcho e há anos moro no nordeste e realmente ca gue i para o que a menina paulista disse.
Deveriam ser presos para servirem de exemplo, pois estão denegrindo imagens de pessoas por motivos sem nexo e razão, são simplesmente um bando de babacas sem noção…
O Paulistano que comete esse tipo de preconceito não pode reclamar se o mesmo sofrer preconceito de um Americano.
É exatamente a mesma coisa.
“supostamente informado e culto.”
Acho que não, né!?
O mesmo assunto do post do Mundo Tecno, http://www.mundotecno.info/destaque/o-dia-em-que-o-preconceito-tomou-conta-do-twitter em 01/11/2010.
Triste realidade no Brasil!!
Então Bia, ouve uma época que as pessoas podiam se esconder atrás de um perfil, achando que podiam tudo, e criavam uma aura de primeiros na caixa de areia, hoje, não é mais assim, não importa onde você esteja, boa parte das pessoas adicionadas a suas redes conhecem você pessoalmente, tem redes especializadas em marcar os locais onde você vai, está ou esteve, não tem como não ser encontrado, e quem sofre bullyng tem poder de se defender juridicamente, e quem causa, paga pelo erro sempre da pior forma possível, já que são pioneiros.
http://www.inversao.desventuras.com.br
Pra mim qlq um que tenha orgulho de ter 20 e tantos filhos e mal pode alimentar a si próprio é uma desgraça para a humanidade, sendo nordestino ou não. Mas convenhamos é só olhar os tópicos da comunidade “piores perfis do orkut” na rede social para entender pq a tal “xenofobia”.