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Início » Comportamento » A difícil arte da tolerância

Muita gente me escreve perguntando como me tornei consultora em tecnologia móvel. Alguns pedem dicas de como enveredar por essa área. A resposta é um tanto complicada.

Eu nunca busquei isso para minha vida. Aconteceu por acontecer. O blog cresceu muito desde 2002, quando nasceu, e passei a ser procurada espontaneamente para ajudar novatos, ninjas ou desesperados para resolver pepinos digitais, dar dicas ou simplesmente aconselhar (ou não) a compra de um produto ou serviço. Não raro, virei mediadora de conflitos entre operadoras, fabricantes e consumidores.

Isso foi tomando cada vez mais tempo, e, por sugestão da família e de amigos, decidi explorar comercialmente este ramo. Além de ser uma personal trainer digital, dou cursos, palestras e até consultoria para empresas que querem lançar serviços ligados à mobilidade.

Mas sabem o que eu acho? Não é minha expertise de quase uma década que me destaca. Nem o blog famoso. É o fato de eu ser uma pessoa comum como meus próprios clientes, que abre mão do informatiquês e leva a experiência diária na bagagem. E claro: muita paciência.

É exatamente aqui que o pessoal veterano em TI tropeça na hora de ajudar os clientes.

Outro dia eu estava numa missão de configurar o smartphone de um cliente com uma conta Exchange. Para minha surpresa, soube depois que a empresa onde ele trabalha é grande. Daquelas que conta com seu próprio departamento de informática para resolver probleminhas como o dele. Por que não pediu a eles que configuarassem o email?

Ele deu um longo suspiro antes de responder. “Porque eles fazem eu me sentir um completo imbecil… Cada pergunta boba que faço deixa eles com um sorrisinho de deboche.”

Sim, caros leitores ases da informática… Vocês certamente já se identificaram com situações semlhantes, não? Aquelas que fazem despertar o “Seu Saraiva” oculto que existe em cada um…

Seu Saraiva, o senhor por aqui? (imagem: MofoTV/Rede Globo)

— Caramba, essa toupeira fica repetindo agá-te-te-pe-doispontos-barra-barra-www antes de todo site de internet que cita…

— Putz, o cidadão não tem capacidade nem de reiniciar um modem…

— O cara quer botar um cabo VGA numa porta HDMI… fala sério!

— De onde surgiu essa anta que não consegue achar nem a pasta downloads do próprio computador?

— Pffff… Não acredito, ele usa Internet Explorer 6!

Vestiram a carapuça? Pois bem, antes de zombar do medíocre conhecimento de informática do próximo, façamos uma analogia. Você, uma sapiência do mundo digital, vai até meu consultório extrair um dente do siso. Depois da cirurgia, explico que, se você quiser, não precisa voltar para retirar os pontos. Depois de 7 dias, você mesmo pode cortá-los e removê-los. Parece simples, mas você se sente inseguro. Prefere agendar o retorno. Como vocês se sentiriam se eu fizesse uma cara zombeteira e abanasse a cabeça, pensando: “Um baita homão desses, não tem capacidade nem de pegar uma tesoura e cortar um fiozinho…”

Estamos no piloto automático quando se trata de intolerância. Nos irritamos com os sinais vermelhos, com gente que demora na fila do caixa, com falta de vaga de estacionamento do shopping… E com a infeliz criatura que chama Wi-Fi de Hi-Fi.

Praticar a arte da tolerância não se trata de ser bonzinho, gente boa, o cara que todos têm prazer de consultar e recomendar, e, por isso mesmo, é só elogios perante o chefe. Estamos nos auto-arrebentando com pressão alta, derrames, infartos. Nos irritando com bobagens. Perdendo a compostura por coisas pequenas. E nos alimentando da soberba, ainda mais quando desfrutamos algum tipo de conhecimento que boa parte dos mortais comuns não possui.

“Sou o mais esperto, não pego fila pois faço tudo online. Sou o mais culto, não vejo novela nem Big Brother, só séries norte-americanas. Sou mais inteligente que esses panacas que pagam pau para Apple, pois uso Android. Meu gosto é mais refinado que o dessa ralé que enche seu perfil do Orkut com gifs animados. Aliás, nem Orkut eu tenho! E estou pensando até em sair do Facebook e ficar só com o [coloque aqui o nome da rede social descolada da vez].”

Sejamos mais pacientes e humildes. Se você discorda, então saia do armário e assuma seu lado Saraiva logo de uma vez, respondendo a plenos pulmões toda e qualquer pergunta idiota que lhe fizerem:

— Esse botão ON/OFF é para ligar e desligar o computador?
— Não! Quando você aperta esse botão, um russo chamado ONOFF lá do outro lado do mundo despacha um monte de propaganda de Viagra para o seu email! Pergunta idiota, tolerância zero!

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165 Comentários (Deixe o seu!)

Mais comentários: 1 2
  • Faltou dizer que quando uma pessoa precisa ir ao dentista, por mais idiota que seja o serviço, o profissional é muito bem pago pra isso.
    Em TI, as pessoas acham que você não tem profissão e que tem obrigação de ajudar em/saber tudo. E se você fala em cobrar por isso te chamam de mercenário.

  • AHEUHAUE – Eu já disse: “Não acredito que ele usa o Internet Explorer 6″. Mas prometo: farei o possível pra tolerar os menos providos de conhecimento. Eu realmente os entendo.

  • Eu ia comentar o texto seriamente… mas esse final “Um russo chamado ONOFF vai sair…” acabou com tudo iuhaiuhauihuia

  • Excelente post, realmente falta muita paciência!

    Eu até chego a brincar, mas nunca fico rindo na frente do cliente, só conversando com os amigos depois… Como no próprio exemplo do post, acho que muitos médicos comentam as gafes depois também =P

    Vamos ter mais paciência pessoal!!!

  • Verdade Bia, todo profissional de TI tem que aprender a controlar seu lado Saraiva, eu mesmo passo por isso muitas vezes.

    E imaginando situações assim eu lembro mais uma vez do “Operador Bastardo do Inferno”: http://migre.me/46hE9

  • vinicius
    50c

    kkkk … nao sou bom em explicar coisas(se nao eu ia dar gargalhada das pessoas) … por isso mando logo ja perguntar pra outro ,invento uma desculpa pra nao ensinar .

  • Li
    47c

    Adorei o texto e li todos os comentários e esse conjunto me fez pensar. O que irrita é a pessoa não ter vontade de aprender, não estar presente quando vc tenta ensinar. Dizer que a pessoa tem obrigação de saber usar um computador pq ela tem um ou pq trabalha com um é ter uma visão limitada. Trabalhei numa indústria cerâmica do interior de SP. Pessoal simples. A secretária, meio faz tudo, de repente se viu obrigada a usar o computador para realizar o pagamento dos funcionários pq o banco não aceitaria mais a forma como ela fazia antes. Puxa, ela só usava o word para digitar alguns memorandos e coisas mais simples e agora? Ligou para o atendimento do banco e pediu auxílio para instalar e usar o novo programa. Minha sala ficava em outro plano da fábrica e depois de mais de hora tentando falar com ela ao telefone resolvi descer até a sala para verificar se ela estava bem ou se o telefone não estava fora do gancho. Minha surpresa: ela aos prantos brigando com o atendente que passava informações monossilábicas. Peguei o telefone da mão dela, pedi um tempo ao atendente, repirei e pedi para me transferir para outro atendente. O 1º deve ter dado pulinhos de alegria. Ao ser atendida expliquei a situação: ou ele falava comigo que entendia um pouquinho de instalação e criação de pastas, porém não entendia nada do programa ou para que ele serviria ou falava com ela que não entendia de instalação. Por fim ele me explicou como instalar e depois explicou a ela como utilizar o novo programa. Finalizada a ligação ela me explicou que o atendente me mandava criar pastas, mas eu não sei fazer isso! E ao perguntar como fazer ele não dizia o passo a passo. Com certeza esse atendente era um “Saraiva”.
    Essa história aconteceu nos idos de 2001 ou 2002, a internet ainda era discada, cara e o Google ainda não era tão conhecido.

    • Ismael

      “Dizer que a pessoa tem obrigação de saber usar um computador pq ela tem um ou pq trabalha com um é ter uma visão limitada.”

      Pode ser, mas nesse caso, a empresa falhou em dar o treinamento para uma nova tarefa.

      Simples.

      • Li
        47c

        Talvez vc não tenha entendido o contexto: além da empresa ser simples, num lugar simples, sem que os donos soubessem o que significava a palavra treinamento, a funcionária se viu obrigada a usar uma nova tecnologia da noite para o dia.

        Vejo que a falha foi do banco em não treinar seus atendentes de TI de que eles poderiam se deparar com pessoas que sabiam muito e outras que não sabiam nada.

        Outro detalhe: há 10 anos atrás, qdo esse fato aconteceu, a realidade nas empresas de cerâmica vermelha (tijolos e telhas, como era esta) era outra e se vc encontrasse alguém que havia estudado mais que o 2º grau – atual ensino médio – poderia comemorar mais do que se tivesse acertado sozinho na Mega Sena.

  • ahuahuahuahuhauhuauha
    Hi-Fi é refrigerante de laranja e vodka
    mas ainda nunca vi ngm falando isso ^^

  • @mingomax
    29c

    Nossa parabéns Bia, vc como sempre consegue tocar num assunto delicado, com tanta sutileza e perspicácia sem ser grosseira ou soberba! Eu brinco, quando crescer quero ser que nem vc! hehehe

    EU mesmo já me peguei em muitas situações assim, e não deveríamos, principalmente que estamos na época do compartilhamento, onde o conhecimento não é mais meu ou seu e sim de todos.

  • Bia, seu texto foi um tapa de luva pra mim. Geralmente sou paciente e compreensivo com terceiros, mas com minha própria família e pessoas mais próximas costumo até pentear as sobrancelhas como o Saraiva quando insistem em não entender o que digo, seja porque estou sendo técnico demais, ou muitas vezes até por limitações da própria pessoa.

    Serei mais atento a isso. Não é porque sou burro velho em algum assunto que o resto do mundo também tem que ser, ao contrário do que pensa o guru @marcaum aqui em cima…

  • Obrigado, finalmente conheci o Seu Saraiva.

  • Sinceramente, eu sou um desses que não entendem bulhufas de tecnologia. Eu mal sei configurar algumas coisas do meu computador e demoro um tempo para perceber o que eu quero do meu celular. Não sei me adaptar direito com novidades e acho que do jeito que tava tava bom. Dia desses foi complicadíssimo eu conseguir configurar meu roteador, que deu problema. Tentei, óbvio, o suporte técnico da empresa, que não me ajudou. Mas consegui resolver o caso sozinho, apenas seguindo as instruções do manual e tentando adivinhar o que estava de errado na configuração do aparelho.

    Acho que tão ruim quanto Saraivas, são aqueles que mexem com tecnologia e o fucking assunto deles é o tempo todo SOMENTE sobre tecnologia e sobre as realizações pessoais que conseguiram atrás de uma tela do computador. Entendo a importância do trabalho de cada um e sei que, como jornalista, às vezes sou insuportável nos meus assuntos de trabalho também. Mas não o tempo todo.

    Comecei a frequentar o tecnoblog por causa da linguagem fácil e da vontade de vocês em incluir o máximo de pessoas possível nos assuntos que vocês abordam. Lógico que não entendo tudo, mas já é um grande avanço entender a maior parte desse assunto. Parabéns à todos vocês que fazem alguns de nós, leigos, entender um pouco mais desse universo complicado e cheio de Saraivas.

  • Eu vou contar uma breve passagem que ocorreu comigo:

    Uma vez o usuário me ligou informando que sua estação de trabalho não estava ligando. Fui até ao setor verificar e então descobri que ao invés de apertar o botão power do micro, ele esta apertando o botão reset.

    A primeira atitude que tomei, foi de explicar que aquele era o botão para resetar o micro, e em seguida indiquei qual era o botão para o ligar o micro.

    Era uma situação para se irritar, mas não foi o que aconteceu. Enfim, o que eu acredito é que quando você ensina e o usuário aprende, ganham ambos!

    E para concluir, Parabéns Bia! Excelente post!

  • Muitas pessoas acreditam qur o profissional de tecnologia tem que fazer tudo para elas, inclusive apertar o botão de ligar o computador, ou fazer um desenho de onde fica…

    Efetuar uma configuração de um aplicativo em um dispositivo é uma coisa, ensinar a operar o aplicativo é outra, não tenho obrigação de dar treinamento de manuseio a não ser que seja pago por ele, além da configuração.

  • Sempre me lembro de “Respostas cretinas para perguntas imbecis” da revista MAD.

  • Flah

    Eu acompanho os seus posts e gosto do seu estilo.
    Já trabalhei em help desk , ensinando windows XP para peões que fabricavam pneus e mal sabiam ler.

    Só que neste post exatamente, você exagerou Bia.
    Não é necessário nem ou outro extremo.
    O ser humano só realmente feliz quando ele aprende o equilibrio de todas as coisas.

    Fora o exemplo infeliz. Você não pode comprara um Ipad a Uma gengiva recém operada. A gengiva pode inflamar e gangrenar se o cidadão enfiar um material contaminado lá, o Ipad não.

    Ninguém é obrigado a respirar fundo e sufocar estress porque a pessoa que te pediu um favor tecnologico não está nem um pouco interessado em aprender, ele só quer que vc faça. E ainda solta expressões do tipo: Isso ai pra mim e grego básico! não tenho tempo pra perder com isso!

    Isso quer dizer o que?
    Se vc não sabe, pede pra ensinar, mas não, o cara além de não saber, ainda te humilha.

    Eu atendia melhor os peões da fábrica, do que os engravatados, simplesmente porque eles se acham e te tratam como inferior.

    Aidna bem que já não estou nessa area, e quando alguém precisa da minha ajuda, tenho todo prazer e paciencia de fazê-lo.

  • Semana passada eu passei por uma dessas, bem perto de surtar com uma criatura pelo msn.

    Ela descobriu que estou fazendo um curso de japonês online e resolveu se matricular também.

    Eu é fácil você vai nesse site e se cadastra igual a quando cria uma conta de e-mail, você põem seu nome, e-mail, cria um login e senha, escolhe o idioma que quer aprender, e aperta ok.

    A guria começou a choromingar que não estava conseguindo fazer isso. Na home do bendito site tinham as caixinhas de texto lá bonitinhas explicando e ela não conseguia fazer, resultado.

    Fiz outro cadastro tirei print de tudo, pus uns comentários no print de “aqui você escreve seu e-mail…” com setinhas apontando os lugares pra moça conseguir entender.

    Feito isso quando eu achava que tinha conseguido sossego, ela lança: “E agora como faço pra assistir a aula?”

    E lá se vão mais prints apontado e comentado, você clica na aba Aprenda e Pratique e aperta o botão iniciar curso.

    Ainda bem que eu estava num dia zen, pq se tivesse de TPM lascou, depois da 5ª vez que ela perguntasse onde era pra escrever algo que estava na cara dela ia tomar um block legal.

  • Rodrigo Cardoso

    Eu nao tenho muita paciencia para ajudar as pessoas, mas de forma alguma eu demonstro isso… Eu fujo delas =P

    Mas quando me proponho a ajudar sou muito calmo e explicativo, as pessoas gostam e ate pedem ajuda depois de novo, é aí q eu fujo =P

    Eu so não fujo qdo eh pra tirar o Internet Explorer 6 da maquina de alguem, isso ae eu faço mesmo q não peçam! :)

  • Só por causa deste post vou comentar aqui.

    Um dos melhores textos que já li sobre atender a quem não entende de tecnologia. E ainda assim noto as pessoas com sua vã intolerância.

    Se a pessoa não quer trabalhar para leigos, que não trabalhe. Simples. Trabalhe para quem é igual, quem entende o mesmo que “você”.

    O que mais noto é a grande intolerância das pessoas em relação aos leigos. O famoso “Maldita inclusão digital”. Esquecem que sem ela, não teríamos o aumento no consumo de produtos tecnológicos, e como conseqüência um novo mercado para atender e produtos mais baratos.

    Sim, infelizmente existem pessoas que não aprendem ou não querem aprender. Mas por que não então se aproveitar disto? Já que ela não quer aprender e depende de “você”, ou saia de perto, ou faça disso sua “fonte”. Feche parcerias, feche um bom contrato. Se a pessoa não for bom de negócio, saia em definitivo. Existem milhões neste mundo que você pode atender.

    E muitos reclamam daqueles que “‘formatam máquinas’ (reinstalam o windows :p) por 30, 50 contos”. É um mercado. Se você não tem condições de atender aquela clientela pelo preço que eles querem… E usar o termo prostituição para isso é tão idiota… É o preconceito dominando…

    Penso assim: quem é intolerável “À lá Saraiva”, deveria pegar uma metralhadora e matar todos aqueles que não gosta (imagino que isso é que se passa na cabeça de muitos). Ou apoiar uma ditadura. Estamos em um mundo livre. Aprenda a tolerar (exceto os bandidos, claro). Aprendar a colocar seu ponto de vista com educação, não com agressão. Ou então, bem vindo a ditadura novamente.

  • RIchard
    1c

    Se as pessoas agissem com TI da mesma maneira que agem com seus automóveis. Especialmente os homens: A maioria sabe o que é um protetor de carter, uma vela, distribuidor. A hora de trocar o óleo, completar a água do radiador, verificar o nível do fluído de freio…

    Agora quando se trata de computador: Nós somos os culpados, especialmente os mais antigos que consertávamos de graça o computador do vizinho por puro hobby ou altruísmo mesmo. Eu nunca vi um mecânico arrumar algo sem cobrar. Guardadas as devidas diferenças entre as profissões, o fato é que nenhum dentista faz uma obturação grátis, nenhum advogado dá uma consulta grátis e assim por diante.

    Então nós temos: usuários que não se importam em aprender pois é mais fácil perguntar já que sempre vai ter um nerd por perto que vai dar um jeito. Como não podem faze-lo com seus carros, dentes e problemas legais acabam aprendendo o suficiente para ao menos economizar um pouco.

    Ainda bem que essa situação está mudando. (“E não, eu não vou arrumar o seu computador”).

    • Existe sim pessoas que fazem serviços “de graça” ou a custo do Estado, ou por autruísmo, ou por outros motivos. Tem pessoas que sim, repassam seu conhecimento em qualquer área sem qualquer custo. Basta pesquisar. Basta procurar

      Se for para ultravalorizar a palavra, o conhecimento, então que cada caracter em um comentário de um site tenha um valor definido e repassado a quem o digitou, já que daqui a pouco vão exigir o “direito de uso da palavra”.

      E se for para pensar assim, por que não começar a então valorizar quem corta a cana, quem trabalha como pedreiro, quem faz a limpeza das ruas? Para mim, quem deveria ganhar mais de mil reais por mês são estes caras, que além de fazer um trabalho sacrificante, que não exige conhecimento, mas sim técnicas e esforço físico, sofrem humilhação diária.

      Posso estar errado (pois não sei como é a história da Bia), mas creio que quando ela começou a blogar e repassar seu conhecimento, ela não ganhava nada. Ela foi ganhando reconhecimento, e isso resultou no que ela faz hoje.

      • Richard
        1c

        Discordo de voce, mas respeito sua opinião.
        Porém a minha é a de que conhecimento é a propriedade de maior valor nos dias de hoje e ele – quando aplicado – merece remuneração correspondente.
        Não quero salvar o mundo ou apoiar uma revolução operária apenas critico as pessoas que realizam serviços (as vezes péssimos) por valores ínfimos ou gratuitamente e desvalorizam toda uma população de colegas realmente bons e que se negam a trabalhar por “trocados”.

        Por esse motivo que desde “novo” (hoje 40) deixei de atender usuários “domésticos” ou por indicação: Não existe valorização do conhecimento. Olhe o jornal, existem anúncios que dizem resolver “qualquer problema, não importa quanto tempo leve” por R$ 30,00. Vergonhoso.

        • Não, não é vergonhoso receber 30 reais por um serviço de TI. Como disseram nos comentários acima, vergonhoso é receber a mais por um péssimo ou nenhum serviço, ao qual é conhecido como corrupção. Eu sou um desses que ganham 30 reais (no mínimo) por serviço. E procuro fazer um serviço bom. Quanto a isso digo, existe um mercado. Não é a toa que criaram a tal TecTotal e os serviços de suporte remoto.

          Tanto que odeio a velha fábula do cara que cobra mil reais só para apertar um parafuso, só porque ele sabe.

          Sim, e reclamo também de certos tipos de clientes, mas respeito aqueles que me respeitam e me valorizo. O cliente que não me valoriza ou não quer realmente entender, tem minha ignorância. E que outro profissional (ou não) faça o serviço para ela. Não importa se o cara cobre 10 ou 100. Simples.

          A questão é que se queremos ser realmente excelentes profissionais, temos que ser o mais pacientes possível. Entender o outro lado, entender o cliente. Existem diversos tipos, níveis e qualificações de profissionais, e existem mercado para todos.

        • Seu comentário anterior foi excelente.

          Quanto ao dar valor pela sua “mão de obra”, cada um oferece o preço que bem entende. Têm mecânicos baratinhos e as concessionárias? Em quem vc confia mais? Em quem vc vai se seu dinheiro esta apertado? Isso é a segmentação do mercado (ABCDEF). Paga mais quem pode e quer. Tem espaço para todos, é assim que funciona um mercado liberado, cada um que procure (e se adeque a) seu nicho. Não tem como evitar serviço ruim, como o cliente vai saber comparar os serviços? (em todas os negócios, quem determina o sucesso é o mercado, pelo menos de que visa o lucro)

          Por essas e outras que não atendo mais familiares, não compensa financeiramente, mas quando EU quero, EU faço de graça e da melhor forma possível. Antigamente EU quem escolhia o cliente.

          Já fui suporte e hoje sou analista (graças a Deus, e a oportunidade? foi eu quem criei).
          ;)

    • Exatamente!!!! Eu sempre costumo comparar o TI com a mecânica. A analogia é perfeita, assim como o timming! Parabéns pelo comentário.

      Apenas complementando, existem seus saraivas no transito também (motoristas estressados, motoboys [trolls], etc.. ). São péssimos (como os saraivas do TI), mas nenhum motorista culpa os saraivas do trânsito pela sua incapacidade de dirigir, como andam fazendo por aqui..

  • Fabio

    Gostei do texto muito divertido e espontane..rsrsr HI-FI matou…

    x: configuarassem
    *configurassem

  • Otima matéria, lendo-a percebi que tenho que ser mais tolerante com alguns assuntos, ao qual tenho experiencia e nos quais não tenho irei atras das respostas.

    Abraço.

  • Interessante. Acho difícil entender e separar as opiniões. Acho que alguns estão chamando de acéfalo as pessoas com “preguiça mental”.

    Vejam bem, sou curioso, gosto de ler para aprender, já li manual de ventilador (huahauhaur), todo o manual dum carro, manual de câmera fotográfica e de celular, ajuda de softwares (BrOffice, além de outros). Deu pra entender que eu não tenho a “preguiça mental”. Mesmo assim, movido pela curiosidade, faço perguntas básicas para pessoas mestres nas suas áreas, ai que entra a diferença, o entrevistado percebe meu interesse legítimo de aprender (e não de sugar).

    Além disso, pouquíssimas pessoas praticam a arte de observar para aprender. Isso mesmo. Eu observo bastante, aprendi muita coisa prática em eletricidade, encanamento e outros, por simples arte de observar, praticar, avaliar (entender os resultados ou erros) e aplicar (além de ler manuais para aperfeiçoamento). Lembro que eu sempre via pessoas trocarem pneus, observava todos os detalhes Na minha primeira necessidade (na madruga, sozinho, rua deserta, cansado) o que eu fiz? Liguei pro suporte! haiahiah, brincadeirinha! Fui e troquei o infeliz pneu, e voltei para meu curso. Percebia, no outro dia, que 3 dos 4 parafusos ficaram folgados! Olha o perigo! MAS, nunca mais fiz essa cagada, aprendi.

    Essa é a diferença. Vontade de aprender é diferente da preguiça por saber que alguém pode fazer por vc (suporte). Uma coisa é ensinar o interessado, outra é resolver o problema do preguiçoso/desinteressado (alguém fez a sua prova de matemática por vc?). Ainda tem aquele que vc sempre explica a mesma coisa e o infeliz não quer aprender (síndrome do cérebro preguiçoso). Diferente de resolver um problema diferente para a mesma pessoa todo os dias. Diferente, ainda, das pessoas com necessidades especiais.

    Gente, informática veio pra fica, invadir, dominar, não tem que lutar contra, tem que seguir o fluxo, quem não aprende é amassado pelo rolo compressor do mercado. E a culpa é sua, somente sua, nada mais que sua (NÃO COLOQUE A CULPA NA SOCIEDADE). Afinal, de quem é o seu cérebro? Quem esqueceu de usar o próprio cérebro (e o deixou preguiçoso)? Hun?! Hein?! Responda!!! huahuaha.

    • Ok, quer dizer que o seu cliente é um preguiçoso mental?

      A cada dia mais me decepciono com os profissionais em informática. Esquecem que existem pessoas e pessoas. Querem que todas sejam iguais a ela, e se sentem superiores com seu conhecimento.

      Depois reclamam da sociedade, do mercado… falam que a culpa é dos outros…

      Se todos os profissionais de informática prestarem bastante atenção, as “estrelas” dá área, aqueles que realmetente ganharam dinheiro, foram pessoas que serviram o cliente final, o para muitos o “preguiçoso mental”.

      Veja: Bill Gates popularizou a informática, criando dois sistemas fáceis de usar: MS-DOS e Windows. Steve Jobs criou um telefone inteligente e fácil de usar para muitos, e em seguida um dispositivo também simples e bom de usar, respectivamente o iPhone e o iPad, sem contar também a popularização da música com o iPod. O Ubuntu, criado pelo pessoal da Canonical, é uma forma de popularização de distribuição Linux para pessoas simples.

      A questão não é preguiça mental, é atender bem as pessoas. Por mais que ela não queira aprender, alguém vai fazer o que ela pedir. Não importa se é um médico, um lixeiro ou um presidente da república.

      Quanto mais preconceito vejo na informática, mas desprezo.

      • Renato PC

        Ate certo ponto vc tem razão.

        Não estou falando de um produto e sim de serviço. Os produtos mais fáceis se tornam mais populares. Estou falando do mercado de trabalho (que olhando bem, fugiu ao tema), quem não tem conhecimento de info básica, o mercado vai deixar de fora aos poucos, não sou eu ou vc, são trabalhadores que precisam aprender algo novo pois o mercado é cruel (realmente fugiu do tópico principal).

        No quesito de atender bem (agora dentro do tópico), o mercado vai escolher aquela que atende bem. Vc re-contrata algum encanador que te tratou mal? Não. Nem eu. E com informática é assim? Sim, com certeza.

        Tratar bem as pessoas é primordial para manter a relação (qualquer que seja, patrão-empregado, marido-mulher, colegas…). Sim, devemos tratar todos bem. Independente da natureza da relação. Até os mais preguiçosos.
        T+

      • Não viaja.

        Para vc ver, Bill Gates não criou o MS-DOS nem o Windows, a posição que ele tomou no mundo da informação é advinda de outras questões.

        • Respondendo seus dois comentários.

          Lá de cima: 200 reais para configurar um roteador simples de um cliente é um abuso, coisa que muitos fazem em 5 minutos. Pense nisso. E insisto: usar o termo prostituição é errado.

          Aqui: Eu sei um pouco da história. Disse Bill Gates = Microsoft. Assim como Steve Jobs = Apple. Mas não tou viajando, estou só falando simplesmente que pessoas que veem todos os lados dos clientes, sempre lucram mais. Pessoa que pensam nos “preguiçosos mentais” sempre vão ter respeito.

          • Mr. Excelência de atendimento.

            Usar o termo prostituir a profissão é certo. Não sei tudo o que sei no susto, iniciei a atuação no ramo em 96, eu me instrui, fiz cursos, paguei para me atualizar, tive gastos de investimento em mim das mais variadas maneiras, me formei em técnico em eletrônica em um curso de 2 anos, ainda estudo e tento me manter atualizado…

            …vem um filho do vizinho que entende, entusiasta que aprendeu a escrever format c: /s no prompt do ms-dos, acha que manja tudo faz um serviço de 75% mais barato que o seu e ainda diz que não “prostitui a profissão”.

            Detalhe: Hoje manutenção de computadores eu forneço quase que por exclusividade, não é bem assim ligar para mim e achar que eu vou sair correndo.

            Detalhe 2: Cedo ou tarde, o que não é incomum, a mesma pessoa que pagou os R$ 30,00 para formatar com o filho do vizinho acaba caindo na minha mão… quando isso acontece, eu normalmente dobro o preço do meu serviço.

            Deu pra entender ou quer que eu desenhe?

          • @ThiagoCapuano Acho melhor eu desenhar para você.

            Existem clientes e clientes. Existem pessoas e pessoas. Um cara que comprou o pc em magazine qualquer e em longas prestações não é o mesmo que comprou um pc para trabalhar com artes gráficas. Esse é o primeiro ponto.

            Se você tem seu valor, bele. É seu valor. É seu mercado. Você tá atendendo uma clientela que vai pagar o que você pede. Mas nem todos tem essa condição. Por isso vão lá e procuram o tal “entusiasta”, o “sobrinho”, ou etc…

            E alguns destes tais entusiastas podem virar excelentes profissionais, se devidamente valorizados (não falo em dinheiro). Basta só dar o devido espaço.

            O valor que você cobra para uns pode ser justo, mas para outros nem tanto. O ponto é esse. Não é qualquer lugar que dá para cobrar um valor X ou Y.

            E insisto novamente: coitada das prostitutas, que se vendem por 10 reais para literalmente “se matarem” por causa de dinheiro. E elas correm um risco bem maior do que um cara que vai lá e aperta delete.

            Se é para tabelar valor, botar apenas na mão de “técnico devidamente regulamentado e com carterinha da ASINFO” e “criminalizar os entusiastas”, ok, que se aprove a lei que regulamenta a profissão de técnico. Mas pode ter certeza: isso vai causar um problema maior do que se imagina. Afinal, no Brasil o que se impera é a informalidade, isso devido a enorme burrocracia e preconceito de muitos profissionais de ponta.

          • @vagligeiro
            Tá, agora senta lá.

        • Em tempos: não vi que a resposta lá de cima tinha funcionado. Pensei que falhou o envio. Falha minha.

  • Renato PC

    Que nada! Eu queria que TI fosse na base do tapa! Assim:

    - “O Q!? NÃO SABE ISSO!?” E engataria PÁÁÁf! (tapa na nuca do infeliz).

    HAUHAUHUAH! Já me peguei rindo dessa possibilidade!

  • Marco Silva
  • Concordo que devamos ser tolerantes, mas quando um ortodontista fala pra o cara colocar o aparelho nem precisa falar que é na boca, não é?!

    Nunca vi uma pessoa com dificuldade de usar MSN ou Orkut. Alguns são até geniais na hora de conseguir meios para burlar bloqueios da rede. Mas são “incapazes” de usar uma impressora com coerência.

    Tudo na vida é uma questão de interesse.

    Não precisa ser gênio para entender algumas coisas. Prestar atenção em uma explicação já seria ótimo.

    “Enquanto existir suporte, jumento não anda a pé.”

    • Richard
      1c

      Exatamente! Nos meus tempos de analista de suporte sempre tinha usuários que descobriam mil maneiras de burlar o proxy para acessar o orkut ou seja lá o que for. Mas na hora de configurar o layout do teclado ou algo do tipo eram umas mulas.

      O interesse é a mãe do auto-aprendizado.

  • Hernani
    3599c

    Eu uso desses metódos em off, sempre respeito os conheciementos do usuário, quando faço um atendimento procuro identificar o conheciemnto dele em TI, para saber qual nível de linguagem utilizar, não utilizar muito técnico para um novato, e não usar linguagem padrão para um que conhece.
    Mas as pérolas sempre ocorrem, e é impossivel não comentar com os colegas. Isso não é exclusividade do mundo de TI, qualquer setor que lida com clientes é assim

  • Jerrilandy

    Eu concordo totalmente com a tolerância com quem não é do meio. Mas um profissional da área falando “Hi-Fi” é de matar. Conheço pelo menos um assim. Saraiva neles!

  • Muito bom post. Vou me policiar mais no dia-a-dia.
    Creio que a maior parte da população deixa aflorar seu lado Saraiva. Realmente se nos colocarmos no lugar da pessoa leiga antes de responder uma pergunta “simples”, certamente responderemos de maneira “diferente”.

  • Não é a toa que o pessoal de informática está tudo morrendo de stress, calma e uma dose de suco de maracujá todos os dias.. rsrs

  • “Ele deu um longo suspiro antes de responder. “Porque eles fazem eu me sentir um completo imbecil… Cada pergunta boba que faço deixa eles com um sorrisinho de deboche.””

    Não pude deixar de rir só de ler isso kkkk

    e o botão onoff que avisa o russo pra despachar os spams …. fantástico!!!

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