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Início » Comportamento » Criador do TCP/IP decreta: internet não é direito universal

Um dos criadores do protocolo TCP/IP, membro permanente do conselho do ICANN e evangelista do Google, o pesquisador Vint Cerf é considerado um dos pais da internet, ao lado de nomes como nomes como Tim Berners Lee. Apesar de seu papel fundamental na criação da rede, Cerf não acha que ela é tão importante assim.

Em um artigo publicado no jornal New York Times na semana passada, Cerf criticou a decisão da ONU que determina que acesso à rede é um direito humano fundamental. De acordo com o pesquisador, a internet tem apenas o papel de permitir a difusão de conhecimento.

“A tecnologia é um ativador de direitos, mas não um direito por si só. Existem altos padrões para determinar se algo é um direito humano. Devem ser itens que os seres humanos precisam para ter uma vida saudável e significativa, como proibição da tortura e liberdade de opinião. É um erro colocar qualquer tecnologia em particular nesta importante categoria. O tempo vai mostrar que estamos valorizando as coisas erradas”, escreveu Cerf à publicação americana.

Em seguida, afirma que os benefícios que a web traz são, na verdade, fundamentais e deveriam ser considerados direitos universais: “aprimorar a internet é uma das muitas maneiras, talvez a mais importante delas, para ajudar a melhorar a condição humana. Isso deve ser feito sob a ótica de preservar os direitos humanos e civis, sem a pretensão de tornar o acesso em si um direito”, encerra.

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48 Comentários (Deixe o seu!)

  • Marcoscs
    710c

    então os benefícios advindos da Internet deveriam ser direitos universais mas o acesso em si não???

  • Maior bobagem que alguém já falou. Internet é um direito universal sim ele querendo ou não. Internet é um meio de obter informação, conhecimento, e isso melhora significamente a qualidade de vida.

    • Ramon Melo
      1595c

      Não é só isso. Vivemos numa sociedade em rede, onde tudo é organizado a partir de circuitos entrelaçados entre si: redes sociais, redes de computadores, redes de ensino, redes de distribuição (logística, de energia elétrica, de água, de combustíveis), redes profissionais (conhecidas como “networking”), etc. Querendo ou não, todo o conhecimento gerado por esses circuitos se cruza na Rede das Redes, a internet. Negar que o acesso à internet seja um direito essencial é também negar a bilhões de pessoas o direito a ser parte das redes que movem o planeta!

  • ansc_shinji

    Concordo plenamente. Tanta gente morrendo de fome ou por doença no mundo inteiro, sem água tratada para beber ou para saneamento, sem um teto para morar e uma escola para estudar e vem dizer que é a internet direito universal? Isso sim é incoerência.

    O que ele disse não é incoerente. Uma coisa é o uso da internet para melhorar a vida das pessoas, como uma melhor distribuição de alimentos, propagação de conhecimento para projetos que transformem a sociedade, etc. Outra coisa é pegar um semi-analfabeto, que mal tem como se sustentar ou sustentar sua família e meter um ponto de internet no “barraco” dele. O que ele vai fazer com aquilo? Se tornar mais alienado, provavelmente.

    Pura inversão de valores. Exemplo mesmo é aqui no Brasil, em que grande parte das cidades não tem saneamento, com esgotos a céu aberto e gente perambulando pelas ruas pedindo dinheiro para comer (se drogar, na verdade), e o Governo Federal querendo implementar a Internet de baixo custo, ou ainda inventar programas tipo “Bolsa Celular” (como rodou a história por um tempo por aí).

    Só deve ser considerado direito universal algo ESSENCIAL à VIDA humana. O que não é o caso da Internet, ao meu ver.

    • beagle

      só pq tem gente morrendo de fome agora no mundo tu vai deixar de viver a TUA vida? deixar de comprar uma casa de 500mil? um carro de 100? fala serio. doe todo seu salário duma vez pra uma entidade e viva de vento!

      • Ninguém disse isso, meu caro @beagle.
        As ideias esboçadas por @ansc_shinji, com as quais eu concordo plenamente, continuam a considerar a internet como útil e valorosa, fruto de avanços importantes, os quais todos devemos almejar. Ela não é, entretanto, essencial; por isso, não pode ser chamada de “direito universal”.
        Trata-de de uma eleição de prioridades.

    • @mos_axz
      782c

      A internet é hoje uma maneira de integração e é um excelente meio para que pessoas que não tem disponibilidade de grandes meios de comunicação possam mostrar sua opinião ao mundo.

      Entenda que ser considerado direito universal não quer dizer que é a mais alta prioridade. Querer popularizar a internet não exclui a melhoria de outros serviços essenciais e de bem estar social. E a internet não está ai para desalienar TODAS as pessoas, mas aumenta a chance de que isso ocorra.

      Also: Saneamento, educação entre outras coisas não são ESSENCIAIS à vida. São essenciais para fazer que a vida fique melhor, como a internet(que é menos importante que esses serviços, mas ainda assim é importante.)

      Essencial: Importante, Fundamental, Indispensável. Uma pessoa consegue sobreviver sem educação? Acho que sim, afinal se não pudesse, a sociedade teria que surgir primeiro que a raça humana.

      • ansc_shinji

        Tanto educação como saneamento básico são sim essenciais a vida. Educação não necessariamente significa ter alto nível de escolaridade, e sim educação básica.
        Alguém que mal consegue se comunicar, não consegue viver em sociedade. Aliás, sociedade existe em diversos níveis. Mesmo na época das cavernas os homens vivem em sociedade e, mesmo não existindo o instituto da escola, eles conversavam entre si e repassavam conhecimento.

        Saneamento por si só é um meio de se evitar doenças, muitas vezes fatais, tornando-se sim essencial à vida.
        É possível viver sem um computador em casa. Mas é possível viver sem água limpa para beber ou em um lugar sem recolhimento de lixo e esgoto descente?

        Os lados dessa discussão depende muito dos valores de cada um, assim como eu compartilho o pensamento do Cerf, outros não compartilham.
        A discussão é válida, desde que não seja no nível do beagle ali em cima, que eu não vou nem me dar ao trabalho de responder.

        • @mos_axz
          782c

          O ponto que eu tenho é o seguinte: internet não é essencial, mas é importante para que as pessoas tenham um poder de exposição que era impossivel para a maioria antes da internet.

          O que eu estou questionando é a forma como foi dita: “Existem altos padrões para determinar se algo é um direito humano. Devem ser itens que os seres humanos precisam para ter uma vida saudável e significativa, como proibição da tortura e liberdade de opinião. ” Nessa parte ele se contradisse. Ninguém nunca disse que a internet era essencial para a sobrevivência.

          Quanto ao que você disse. É sim possivel viver em um lugar sem recolhimento de lixo e esgoto. Não é muito provável, vide surto de peste negra que matou uma boa parcela dos europeu.

          O direito humano não é ao acesso da internet em si, mas ao acesso à um local onde qualquer um possa expor suas opiniões, discutir e aprender(e construir) informação. Por enquanto estamos usando a internet, mas daqui a 6 anos poderemos estar usando um serviço semelhante. E eu considero isso sim como um direito para qualquer humano e ainda mais: Algo essencial para o funcionamento da liberdade de expressão.

        • diogo

          No seu argumento você coloca Educação como sinônimo de Aprendizagem, como por exemplo aprender a se comunicar, o que não é o sentido mais usado quando se fala que a “educação é um direito universal”. O sentido é sim de uma educação básica, de distribuição de conhecimentos básicos e gerais sobre assuntos diversos como todas aquelas coisas de ciência, matemática, etc, que aprendemos no ensino fundamental por exemplo.

          Concordo mais com @mos_axz.

      • @mos_axz Como todo direito é relativo deve haver um fator de discriminação, uma linha divisória que estabeleça aquilo que é essencial ou não.
        Eu concordo com o pesquisador Vint Cerf porque entendo como “direito universal” aquilo que é essencial e, por sua vez, denomino como essencial O MÍNIMO que o governo deve disponibilizar aos seus cidadãos para que eles possam buscar POR SI SÓS os demais direitos.
        Deem alimentação, saúde, emprego e educação às pessoas e deixem que consigam a internet sozinhas.

        • @mos_axz
          782c

          Agora me surgiu uma duvida: É direito à internet ou direito ao acesso a internet? Porque eu acho que é o 2°. Nada diz que o governo deverá dar internet, só que ele não deve proibi-la, como foi feito na Libia e como ocorre em parte na China. Se eu estiver errado, discordo da Onu, apesar que será pelos motivos que eu deixei claro no post.

    • Concordo com você. É tudo uma questão de prioridade! A universalização do acesso à Internet não é condenável, pelo contrário, deve ser estimulada. Mas primeiro o estômago, né? Muitas sociedades estão carentes de alimentos, saneamento, água potável… Internet? Elas não precisam de Internet, isso deve ficar pra depois, não?

      • @mos_axz
        782c

        Ai está o ponto. Para muitos paises você está correto, mas eu penso que o brasil teria condições financeiras de fazer ambos e muito mais que isso ao mesmo tempo, se assim fosse do interesse brasileiro.

      • Ramon Melo
        1595c

        Claro, claro, afinal todos nós somos Pentium III, incapazes de fazer multitasking…

        Porque, VEJA BEM, é IMPOSSÍVEL promover inclusão social E social ao mesmo tempo! Tem que escolher entre um ou outro!

        Eu mesmo sou assim! No dia que eu como, eu não uso a internet, e vice-versa! Não dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo!

    • Concordo plenamente com Vint Cerf, ansc_shinji e com o Leandro.

      A internet é um veiculo de informação, que proporciona muitos benefícios a humanidade, como o Conhecimento e a Educação (esses sim devem ser direitos humanos), internet é uma tecnologia que auxilia o população, tornando acessíveis os conhecimentos sobre os direitos e deveres da sociedade. Porém não essencial para a vida, até onde eu sei o fundamental é ter, água, alimento, educação, saúde, um teto para morar e saneamento, ou não?

      Será que os seres humanos só surgiram junto com a internet? Obviamente não, nós já existíamos antes e nossas necessidades são as mesmas desde então. Acredito sim que a internet deve ser distribuída a todos, mas antes todos precisam ter acesso a uma vida digna, mas estamos longe desta realidade, já que enquanto estamos discutindo sobre tecnologias, em alguns países pobres da Africa ou até mesmo nas ruas das grandes Metropolis outras pessoas estão lutando pelo direito a vida.

  • Em época de guerras fora dos focos das mídias televisivas a ONU fica ociosa e preguiçosa. Os grandes bem feitores que compõe a gorda mesa das decisões já tem dinheiro suficiente para praticar todo luxo criado no mundo, sem mais o que fazer começam a entrar em devaneios.
    A grande e falsa imagem de caridade, que não passa da quina da mesa até o conforto da poltrona, inventa o que for possível para parecer com que se preocupam, já que é moda ser bom moço.
    Totalmente insuficientes nas suas idéias mirabolantes eles deixam a mostra a inutilidade de tal nação unida, pelo dinheiro. Mas o que vale é a intensão, já que no fim, o trabalho deles é apenas ter idéias, deixe a prática ser terceirizada, eles não querem se incomodar com isso… é pra evitar a fadiga.

  • Márcio Leopodo

    Primeiro, não há, como disseram aqui, qualquer incoerência (contradição) na fala do Sr. Vint. Segundo, e mais importante, ele tem toda a razão. A internet não é um direito universal. Ela sequer é um direito. Direitos universais são os direitos políticos e civis. Ponto. Como ele diz, “é um erro colocar qualquer tecnologia…” Eu diria que é um erro colocar as coisas que gostamos ou que acreditamos que os outros devem gostar nessa categoria. Hoje a discussão sobre direitos universais se transformou, jurídica e filosoficamente, numa espécie de imã – tudo vira direito, principalmente os chamados direitos positivos. “Positivados”, como sempre, em Estados iliberais. Se a internet fosse um direito, significaria que alguém, comumente o “povo” via Estado teria a obrigação de fornecê-la para os indivíduos.Um absurdo. A internet deve ser livre e os indivíduos devem ser livres (não constrangidos) para acessá-la. Isso entra nos direitos civis e políticos (chamados de primeira geração ou liberdades negativas). Em outras palavras: você é livre para comprar um carro, e isso é um direito. Mas você não tem o direito de receber um carro de mim ou do Estado (que também seria minha “contribuição” forçada)

  • Uma pessoa com saúde, casa, comida, emprego e salário digno já não conseguiria por si só acesso a internet?

  • Kowalski
    540c

    Só vejo citarem os “pais” da Internet. Onde estão as “mães” dessa “menina”? Por que se escondem tanto? :mrgreen: :P

  • Wesley

    Parabéns mesmo ansc_shinji!
    Como o próprio Cerf disse, “O tempo vai mostrar que estamos valorizando as coisas erradas”.
    Muita gente ta começando achar que não pode viver sem facebook e twitter, pra esses isso é o essencial.

  • Ryo

    Todo-poderoso João Brunelli, conserte: “de nomes como nomes como”. Ou não.

  • fabiano ☺
    189c

    A internet é uma arma de destruição em massa. O “homem” criou uma ferramenta para sua própria destruição… o primeiro passo para o fim da humanidade. Aqui não temos controle de nada. Jovens acessando pornografia logo cedo, casais se separando por causa de facebook, pessoas passando a maior parte do tempo online e se esquecendo de que há um mundo real lá fora [maravilhoso]. A internet pode afetar o humor de um individuo facilmente através de discussões – “não conheço mesmo quero que se fo**. Gostaria muito de viver no passando quando não existia internet. Mas vivo a dura realidade de um mundo cada vez mais online, e constantemente atraindo as pessoas para um universo “caótico”.

  • @andré

    Pela ordem de ideias que alguns aqui referem, as diversas comunicações telefónicas sejam elas chamadas ou mensagens, deveriam tambem ser direitos humanos, pois tal como a internet vieram beneficiar a nossa qualidade de vida. Por essa lógica, este tipo de comunicação como a internet, veio ajudar-nos a interagir com o mundo.

    É tudo tão, mas tão desnecessário. Vivo mais facilmente sem telemovel e internet do que sem um abrigo, comida, roupa e conhecimentos.

  • @xrenan
    178c

    Pode até parecer um comentário lambe bolas (como dizemos aqui em Piracicaba), mas concordo totalmente com o artigo dele.
    Direito UNIVERSAL? Viiiishhh

  • Bruno

    Esse assunto me fez lembrar do S.O.P.A. Adeus liberdade de expressão. Quem nunca viu pesquisa.

  • O mundo tá longe de ser “ótimo” para a internet virar direito. Se, pelo menos, houvesse uma qualidade de vida boa para todos, aí sim, a internet seria uma ótima ferramenta para diversão e ampliação dos conhecimentos.

  • Murdock
    144c

    Isso pra mim mostra que até nas mais altas esferas, até quando se é para valorizar a rede, os legisladores pouco conhecem sobre ela.

  • Felipe Santos

    Dizer que “Todo ser humano tem o direito de acessar a internet” apenas porque ela é um meio para disseminar informações e serviços é a mesma coisa que dizer “Todo ser humano tem o direito de acessar um supermercado” apenas porque ele tem comida. O importante é a disseminação de informações e a comida e não o meio pelo qual elas chegam às pessoas.

    A internet por si só é apenas uma tecnologia, é algo transparente, quantas pessoas aqui realmente sabem o que é um endereço IP e como ele é formado? Isto é irrelevante.

    Afinal, de que adianta ter acesso a internet se ela é manipulada? (Como na China ou em outros países). Isto apenas prova que a internet em si não garante melhoria nenhuma de vida.

    Os direitos humanos devem ser coisas que realmente melhorem e garantam uma vida plena aos seres humanos. Concordo com a opinião do Vint Cerf.

  • O que ele diz tem fundamento. Ele não diz NEGAR acesso a internet. Ele diz apenas que ninguém morrerá se não tiver acesso a rede, ou algo assim.

  • G.Holmes
    234c

    Isso é o mesmo que dizer que as pessoas não podem viver sem pão, mas que ir à padaria não deve ser fundamental…

    • rafa_eu

      Mas a pessoa pode fazer o pão….
      A internet não é fundamental… vivemos séculos sem essa técnologia e ‘vivemos bem’….

      O problema de nossa sociedade é que escolhemos ‘eleger’ nossas prioridades de forma errada… Hoje, uma família prefere ter um computador e pagar mensalidade de internet do que comprar livros ou pagar reforço escolar pros filhos….

      Simples…

  • Direito a facebook e twitter?
    O que é simplesmente isso que as pessoas usam na internet..

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