“Não imaginava que o mundo tivesse tantos idiotas até o momento em que comecei a usar a internet”. (Stanislaw Lem, escritor polonês)

Prezados leitores, vocês já tiveram a curiosidade – ou melhor, a coragem – de passar os olhos pelos comentários no site de vídeos YouTube?

Eu comecei a usar internet antes do escritor Stanislaw Lem, morto em 2006. Portanto, a montanha de asneiras não me surpreende mais. Mas as declarações de ódio e intolerância estão se multiplicando, e isso me assusta muito.

Foi quando um amigo publicou um vídeo narrativo no YouTube que a sirene tocou. Para nossa imensa surpresa, ele foi bombardeado por comentários em inglês dizendo para que “ele falasse língua de gente” ou comparando os habitantes do nosso país com índios e símios. Nenhuma postagem a ver com o conteúdo de vídeo em si. Assustado, ele apagou tudo e encerrou a conta.

A situação não é muito diferente quando assistimos a trailers de filmes ou videoclipes de bandas musicais. Parece que tudo o que importa no mundo é a opção sexual do artista. Escolhas políticas ou religiosas também não passam em branco. Eu só soube que o vocalista de uma certa banda inglesa era ateu depois de ver, nesse mesmo serviço de vídeos, comentários que deixariam o próprio satanás enrubescido.

O mal não afeta só o YouTube. E os brasileiros não são nenhum poço de doçura.

Vocês se lembram da repercussão da história em que o apresentador Bóris Casoy tirava onda com garis? Pareceu-me que ninguém podia lamentar ou desaprovar o episódio sem um mínimo de etiqueta. Será que ofender o âncora com termos baixos torna essas pessoas melhores do que ele? Boa parte dos comentários que ressoaram web afora são mais condenáveis até do que a gafe jornalística em si!

Incrível como a falsa sensação de anonimato na internet desperta os instintos mais bestiais nos seres humanos. Dizem que quando você tira tudo de um homem – dinheiro, família e dignidade – é que ele mostra sua verdadeira face. Não precisa ir tão longe… Dê-lhe um login anônimo e apresente todas as maravilhas e possibilidades da rede mundial de computadores!

Não me lembro de quem ouvi esses dias a frase: “o Orkut é tão nocivo que estraga a vida até de quem não tem!”

Por fim, uma última observação. A maior queixa dos viventes nesse mundo moderno – a falta de tempo – parece não fazer sentido quando se analisa a internet. De onde as pessoas tiram tanto tempo para fofocar, plantar maledicências, criar perfis falsos, cutucar desafetos, soltar as amarras da inveja, atentar contra os direitos humanos ou simplesmente… Ofender? Isso as faz, de alguma maneira, se sentirem melhores? Fica a dúvida para os psicólogos dos novos tempos…

Paz na web

Desavenças e baixarias à parte, sabemos da importância da internet na disseminação da informação, da cultura e da comunicação globalizada. É bem verdade que o mundo se tornou outro depois da grande rede.

Porém será que isso justifica a abstrata indicação da internet para o Prêmio Nobel da Paz de 2010? Será que faltam pessoas de carne e osso no mundo para receberem o milhão de dólares que poderá catapultar suas iniciativas sociais? Que tal nossa Zilda Arns, que já concorreu uma vez e morreu heroicamente durante uma missão humanitária no Haiti?

Como bem brincou o pessoal no Twitter, vamos aproveitar e indicar o Macbook para o Pulitzer e o iPod para o Grammy!

Acho os serviços Google os melhores entre os gratuitos da internet: Gmail, calendário, Reader, Mapas, GTalk, Docs e tantos outros… como as buscas, lógico. E eles tem que ser os melhores: só assim mais usuários vão aderir, mais publicidade e links patrocinados serão impressos e clicados, e por aí vai — essa é a origem da gigantesca receita da empresa.

Os serviços são bastante populares, e entre geeks e antenados, são praticamente unânimes. É incontável o número de amigos, conhecidos, clientes e leitores que confiam sua vida digital ao Google, com suas tarefas, compromissos, emails, documentos e muito mais, podendo sincronizar tudo online com seus smartphones. São todos usuários satisfeitos, que os recomendam aos amigos. E de graça, quem recusa?

Eu também uso esses serviços, mas apenas para experimentos que fazem parte do meu trabalho de consultora. Encho de coisas, sincronizo com computadores e smartphones que testo, vou à exaustão. Assim posso publicar dicas e ajudar os leitores a conseguir uma vida móvel mais produtiva.

Quanto à minha própria vida digital, confiei numa conta Exchange por 4 anos e, há 2, por influência do macmarido, aderi ao MobileMe — fui levada pela correnteza através do Family Pack que ele adquiriu. Pura conveniência, já que os Macs são onipresentes em casa, inclusive nos serviços de backup e armazenamento na nuvem. Estou satisfeita, pois compartilhamos nossas coisas sem esforço, planejamos o calendário familiar em conjunto e temos um sistema estável. O sincronismo push com iPhone no começo teve alguns tropeços (mantive o Exchange em paralelo enquanto isso) mas depois estabilizou. Hoje funciona redondinho.

Preciso de um sistema confiável em que possa guardar meus contatos, pois tê-los sempre à mão é fundamental no meu trabalho. Digo o mesmo do calendário, que é o pulmão das minhas atividades, ainda mais como profissional móvel. E no iDisk levo todos os meus arquivos em que estou trabalhando, para acessá-los e compartilhá-los sempre que necessário. Tenho no serviço a confiança que sempre tive no Exchange e nunca tive problemas sérios em ambos.

Sim, temos os serviços Google, excelentes e de graça, mesmo assim eu prefiro pagar por algo que considero importante na minha vida profissional. Prefiro mais privacidade, segurança, e suporte prontamente disponível caso eu precise. Meu ganho em produtividade paga dezenas de vezes o valor da licença anual.

Parece que há mais gente preocupada em colocar sua vida no Google, e, dependendo do uso que se faz dele, é mais que compreensível. Um leitor avisou recentemente que estava aborrecido com a maneira com que o Google trata a privacidade de seus usuários. Como um advogado, um médico, ou qualquer profissional liberal, por exemplo, pode confiar seus dados de trabalho num serviço que tem as seguintes cláusulas nos termos de uso?

11. Licença de conteúdo do usuário

11.1 O usuário retém direitos autorais e quaisquer outros direitos que já tiver posse em relação ao Conteúdo que enviar, publicar ou exibir nos Serviços ou através deles. Ao enviar, publicar ou exibir conteúdo, o usuário concede ao Google uma licença irrevogável, perpétua, mundial, isenta de royalties e não exclusiva de reproduzir, adaptar, modificar, traduzir, publicar, distribuir publicamente, exibir publicamente e distribuir qualquer Conteúdo que o usuário enviar, publicar ou exibir nos Serviços ou através deles. Essa licença tem como único objetivo permitir ao Google apresentar, distribuir e promover os Serviços e pode ser revogada para certos Serviços, conforme definido nos Termos Adicionais desses Serviços.

11.2 O usuário concorda que essa licença inclui o direito do Google de disponibilizar esse Conteúdo a outras empresas, organizações ou indivíduos com quem o Google tenha relações para o fornecimento de serviços licenciados e para o uso desse Conteúdo relacionado ao fornecimento desses serviços.

11.3 O usuário compreende que o Google, ao efetuar as etapas técnicas necessárias para fornecer os Serviços aos nossos usuários, pode (a) transmitir ou distribuir o seu Conteúdo por várias redes públicas e em várias mídias de dados; e (b) efetuar as alterações necessárias ao Conteúdo do usuário para ajustar e adaptar esse Conteúdo aos requisitos técnicos de conexão de redes, dispositivos, serviços ou mídia. O usuário concorda que essa licença permitirá ao Google realizar tais ações.

11.4 O usuário confirma e garante ao Google que tem todos os direitos, poderes e autoridade necessários para outorgar a licença citada anteriormente.

Fonte: http://www.google.com.br/accounts/TOS

Mais uma vez, reforço: os serviços são bons, mas não diria que são de graça. Pelos termos, acho o preço até alto. Acredito que, no caso das empresas que usem os Google Apps os termos sejam diferentes — leitores que estão a par, por favor, esclareçam nos comentários. Contudo, você, usuário comum, que confia todos seus dados pessoais e profissionais ao Google, cuidado. Claro que isso vai depender do quanto aquilo que se coloca lá vale para você. Mas não me venham com esse papo de que “privacidade nesses tempos modernos não existe mais”. A web contemporânea trouxe o trabalho para a nuvem e é natural que as pessoas queiram protegê-lo.

E vocês, usuários finais? Que tipo de serviços gratuitos e pagos usam? Priorizam aqueles que usam criptografia ou tenham alguma segurança reforçada? Como é sua relação com esses serviços? E o que acham do Google dizer que aquilo que é seu e está nele não é mais só seu?

Obrigada ao leitor Guilherme.Ga pela idéia de pauta.

Impossível não comentar sobre Avatar, o estrondoso sucesso do momento, segunda maior arrecadação da história – por enquanto – e que já começou a papar prêmios ontem, na cerimônia do Globo de Ouro. Tenha você gostado ou não, há fatos relevantes a discutir sobre essa obra, muito além da computação gráfica e da bilheteria. Primeiro foi o empenho na construção desse filme. Fala-se no custo de U$ 230 milhões. Para onde foi todo esse dinheiro?

O filme de James Cameron foi feito com uma nova tecnologia de filmagem chamada 3D Fusion, invenção do próprio, em parceria com o diretor de fotografia Vince Pace. O resultado: 1 petabyte de material digitalmente produzido. Quanto seria isso? Bem, imagine 500 HDs de 2 TB lado a lado.

Não tem ilha de edição no mundo capaz de renderizar um gigante desses, exceto uma, na minúscula Miramar, cidade da Nova Zelândia – o mesmo lugar onde se fez King Kong e O Senhor dos Anéis. A Weta Digital é um super datacenter composto por 34 racks, cada um com 4 chassis de 32 máquinas cada, resultando em 40.000 processadores e 104 TB de RAM, tudo conectado entre si numa rede de 10 gigabits.

Revolução nas salas de cinema

O segundo ponto a comentar foi a sacudida no mercado cinematográfico. A eminência da estréia fez com que, ano passado, donos de salas de cinema corressem para fazer o “upgrade”. Hoje temos uma quantidade razoável de salas 3D no Brasil, além das 2 IMAX, cuja grande diferença é a tela gigantesca, que, em conjunto com o 3D, traz uma experiência de imersão no filme sem igual.

Um pouco receosa de pegar filas enormes e gastar R$ 30 num ingresso de cinema em dia de semana, arrisquei, animada ao ler os primeiros reviews e tranquilizada pelos assentos marcados. Saí de lá hipnotizada. Foi um dinheiro bem gasto, a ponto de ter decidido ver só extras caso compre um DVD no futuro. Para não macular tão grandiosa lembrança.

Se donos de estúdios, produtores, cinemas e distribuidores andavam arrancando os cabelos por causa da pirataria e da troca livre de arquivos pela internet, agora eles podem virar o jogo: a nova tecnologia é a chance de trazer de volta às telonas o público que, entediado pela falta de novidades nas salas de projeção, acomodou-se com o homevideo e a internet.

Na indústria das TVs também já sentimos agitação. Só que ainda estamos longe, muito longe de ter dentro de casa uma experiência 3D comparável ao cinema. Algumas fabricantes já trouxeram aparelhos no mercado – um fiasco de vendas, tão precários que foram imediatamente removidos das poucas prateleiras que ousaram abrigá-los. Na CES desse ano também vimos novidades, mas ainda a anos luz de se instalarem em nossas salas de estar. Pelo preço e pela exigência do usuário ficar estático em seu sofá, ou aderir aos indefectíveis óculos especiais. Ainda há muito a trabalhar.

Nesse meio tempo, Hollywood se assanhou e em 2010 já temos uma agenda boa de produções 3D. Estava mais do que na hora dos estúdios correrem atrás de inovações ao invés de usuários P2P. Para nós, espectadores, novidades tecnológicas diferentes de DRM são muito bem-vindas.

Fontes dos números citados nesse artigo: Clickbits, Information Management e Vizworld

Nesse início de ano, enquanto organizo móveis, eletrodomésticos e faço uma limpa em armários e prateleiras, um ato é curioso para muita gente: estou me desfazendo do último aparelho de TV, que estava encostado num canto há muito tempo, criando teias de aranha.

Pois é! Por pura falta de uso, cheguei à conclusão que TV aqui em casa é algo desnecessário, já que nem eu nem meu marido temos o hábito de assistir. Só sobrou um monitor grande da Samsung, que fica lá na sala ligado ao mediacenter, onde assistimos filmes, DVDs e eventualmente um seriado.

Mas engana-se quem acha que somos ratos de internet, daqueles que se alimentam de vídeos online ou deixam o computador ligado o dia todo, baixando torrents sem fim. Só assistimos aos episódios de The Office via iTunes e os DVDs da locadora do bairro. Mas gostamos muito de cinema – o da tela grande mesmo – e, para 2010, definimos a meta de frequentar cinemas semana sim, semana não. Ainda mais agora, com o 3D bombando e as 2 salas IMAX em Curitiba e São Paulo. Ok, IMAX não é para ir sempre, pois o ingresso é salgado. Mas ver Avatar no último fim de semana em IMAX, 3D (legendado!) e com assentos marcados (uh-huuu!) definitivamente me empolgou. Foi uma das melhores experiências em termos de entretenimento que tive nos úlitmos anos!

Muito antes dessa constatação, TV já estava caindo em desuso gradual há pelo menos 5 anos. Nunca fui lá muito chegada, seja na programação aberta ou TV a cabo (cara e de péssima qualidade), preferindo o rádio para me informar. Em casa temos 3 aparelhos de som, onde também plugamos nossos iPods para ouvir música e rádios, tradicionais ou online. Ganho muito tempo me informando com áudio, algo que posso fazer dirigindo ou cuidando dos afazeres domésticos. Estou antenada com notícias que realmente me interessem.

Mas conforme as já parcas horas defronte à telinha diminuíam, mais aumentava o número de livros lidos. Fechei 2009 com 31 livros lidos! E agora com o Kindle, ninguém me segura: vou ganhar muito tempo (e economizar uns dindins) sem o frete internacional da Amazon.

Nessa era da informação, é preciso saber filtrar o que chega até nossos olhos e ouvidos. A mídia de massa não traz informação de má qualidade só na TV, agora ela também está na internet, onde é mais fácil ainda dispersar-se ao trabalhar ou estudar. As 3 grandes pragas do entretenimento moderno – programas de auditório, reality-shows e pseudo-jornalismo – já se alastraram de maneira irremediável na web.

Se você é do tipo que não liga para isso, que “se mata a semana inteira e quando descansa em casa quer mais é mesmo se alienar defronte a TV ou a internet”, saiba que sua própria saúde está em risco. Recentemente li vários papers de um consagrado neuropesquisador sobre o mal de Alzheimer – uma parcela significativa de meus pacientes possuem a doença. E as conclusões são chocantes: o mau entretenimento é extremamente danoso ao cérebro!

Explicando melhor: sabe-se hoje que manter o corpo e mente ativos na vida adulta e 3ª idade é fundamental para evitar doenças degenerativas cerebrais, como o Alzheimer e demências como um todo. Os cientistas enfatizam que a leitura e os trabalhos manuais são a ginástica do cérebro. E, em contrapartida, o entretenimento de má qualidade e a passividade da mente são tão nocivos quanto o sedentarismo físico.

Os Titãs tinham razão! :)

Você ainda está em tempo de mudar isso. Livros nunca estiveram tão acessíveis. E para não viciar seus pequenos em entretenimento imbecilizante, afaste-os das Xuxas e Didis da vida. Os resultados são rápidos, e se refletem no desempenho escolar global. Quem lê bastante desde criança aprende tudo sem esforço, desenvolve raciocínio lógico e opinião e tem boas notas em todas as matérias.

Cuidado também com o conteúdo idiotizante na internet, os virais absurdos e sem sentido, e a vergonha-alheia nas redes sociais. (Aliás, nesse caso, o que certamente vai acontecer é uma vontade absurda de ir morar em outro planeta…)

A idéia desse artigo me veio à mente agora nas festas de fim-de-ano, quando somos jogados nas indefectíveis reuniões de família e eventos das empresas. Minha sogra mencionou a mega-sena mega-acumulada, que nem eu nem meu marido havíamos tomado conhecimento. Aliás, também não sabíamos quem era o tal do “Pedro do chip”. Nós dois boiamos quando o assunto é novela, seriados norte-americanos, reality-shows, modinhas da internet, músicas trash do momento e jornalismo de celebridades. Não basta dizerem que Fulano está namorando Beltrana. A gente nem sabe quem são esses seres! E olha: fico feliz por não saber.

Internet móvel 3G e netbooks possuem muitas semelhanças. Nas alegrias e nos desgostos.

Para começar, são as duas tecnologias que brilharam no Brasil em 2009. A aquisição de aparelhos e modems 3G não pára de crescer. Em setembro, a Cisco relatou, em pesquisa, um aumento de 34% nas conexões móveis em relação ao semestre anterior. Ao contrário do que muitos imaginam, hoje 76% das conexões móveis são para uso pessoal, residencial, contra 23% do setor corporativo.

O fenômeno brasileiro é sui generis. Com a banda larga móvel, nem sempre é pura mobilidade o que os brasileiros buscam. O serviço veio a preencher uma lacuna de mercado, compensando as deficiências de território da banda larga fixa convencional. Apesar de terem cumprido suas metas com a Anatel, as operadoras ainda mostram enormes falhas de distribuição, baixa concorrência e preços elevados, dificultando a homogeneidade da inclusão digital por todas as regiões do país. Nesse ínterim, o 3G levou a internet de maneira mais democrática a pessoas até então desplugadas não por opção, mas por falta de disponibilidade.

Nossa adoção é representativa, mas ainda falta muita coisa. Se considerarmos nossos vizinhos da América Latina, então, os números são até vergonhosos. Apanhamos feio de argentinos e chilenos no acesso à informação e educação pelo meio digital.

Os netbooks trilharam um caminho parecido. Esses laptops super pequenos, leves, e de baixo poder de processamento, foram a salvação de grandes empresas de TI em tempos de crise. Crise, aliás, pouco refletida no Brasil em termos de vendas de terminais.

Enquanto em muitos países os netbooks se tornaram uma excelente opção como segunda máquina de profissionais móveis, estudantes e viajantes, no Brasil eles ganharam visibilidade maior na classe C. Foram vistos como opção para o primeiro computador de muita gente. O baixo custo é o principal atrativo, que, por sua vez, puxou para cima também a venda de modems para internet móvel. Pessoas até então restritas ao acesso web no trabalho, escolas ou terminais públicos, passaram a contar com seu próprio dispositivo.

Quando a lua-de-mel acaba…

Não é segredo algum que os serviços 3G estão muito aquém das expectativas em termos de qualidade.

Campeãs de queixas em entidades de defesa do consumidor, as operadoras ainda não nos deram explicações ou compensações pelos serviços ruins prestados. Os preços não caíram (ao contrário, em média aumentaram desde o advento dos primeiros planos de internet móvel do mercado em 2005) e o pós-venda continua ineficiente, mesmo após o vigor da lei do callcenter. Se servir de consolo, as operadoras também amargam altas taxas de insatisfação na Europa e EUA. A diferença é que há competitividade, e nesses lugares, as pessoas não pagam tanto quanto aqui. Temos a internet mais cara do planeta.

Os netbooks, mais uma vez, compartilham semelhanças. Uma pesquisa recente divulgada nos EUA há alguns meses mostrou que apenas 58% das pessoas que compraram esses portáteis mostraram-se satisfeitas com o desempenho dos equipamentos.

O barateamento dos netbooks atrai, muitas vezes, o público errado a esses equipamentos. Não temos números oficiais, mas é bem provável que o mesmo descontentamento esteja ocorrendo no Brasil, já que as limitações técnicas dos aparelhos parece ser simplesmente ignorada pelo comércio. Grandes varejistas vendem netbooks de marcas populares, como os da Positivo, a preços muito atraentes, mas os anunciam simplesmente como “notebooks”.

Tenho tido cada vez mais contato com pessoas que se dizem insatisfeitas e até lesadas com esse tipo de portátil. Mesmo geeks que se empolgaram com a novidade num primeiro momento esfriaram, ainda que esses mini-laptops estejam ganhando hardware mais poderoso.

Não é raro ver consumidores abandonando desktops ao comprar netbooks, um erro terrível. Infelizmente, esses mini-laptops não foram feito para atividades que exijam mais memória e processamento. A maioria sequer possui leitores óticos para CDs ou DVDs, mostrando claramente que seu objetivo é outro. Como o nome diz, “netbook” serve para proporcionar maior liberdade e mobilidade no acesso à web: páginas da internet, emails, serviços online. Em boa parte desses dispositivos, música e vídeo devem passar longe, já que com 4, 8 ou 16 GB de armazenamento quase nada pode ser feito. Os processadores e memória mais exíguos também limitam o uso de vários programas simultâneos.

Netbooks nasceram, como dito anteriormente, como um dispositivo a mais para usuários que demandam muita mobilidade. Cabem em qualquer bolsa, despistam gatunos, são versáteis nas interfaces de acesso à internet e possibilitam mais conforto de tela e teclado para aqueles que querem um pouco além de seus smartphones.

É irônico que os dois ícones digitais do país em 2009 possuam, ao mesmo tempo, percepções semelhantes em termos de adesão ou descontentamento. O que foi responsável por isso? Pouca informação? Publicidade enganosa? Falta de rigor de entidades que deveriam fiscalizar a prestação de serviços? É bem provável que seja um pouco desses três itens, já que, assim como o 3G e o netbook, eles também são fenômenos tipicamente brasileiros.

Se eu pudesse escolher um objeto, qualquer um, que representasse o povo brasileiro na sua essência, este seria o aparelho de televisão. Embora TV seja praticamente um commodity mundial, no Brasil ela tem particularidades tão próprias que acabou se tornando objeto de estudo de diversos pesquisadores de tudo quanto é país.

O brasileiro ama TV. Muitas vezes ele não tem nem geladeira, mas a TV está presente. E quase sempre ligada. O IBGE atesta que 98% dos domicílios deste país tropical e ensolarado possuem TV, mas geladeira, são 92%. Eu já vi moradores de rua que montam barracos de lona e papelão sob viadutos, equipando-os com colchão, fogareiro e… TV. Devidamente ligada através de um gato ao poste de luz mais próximo. Ah, o gato. Outro símbolo nacional – mas este fica para outro post.

Nos anos 70 os militares empreenderam uma bem-sucedidada campanha para que a TV estivesse em todos os nossos lares, a fim de “levar o conhecimento e promover a integração nacional”. Intenções escusas à parte, deu certo.

Semana passada completamos 2 anos de TV digital no Brasil. Depois de um grande estardalhaço na estréia, a empolgação foi esfriando, como bem sabemos, devido à demora dos aclamados recursos de interatividade, do equipamento, dos preços, da cobertura tímida. E o povão continua confuso, sem entender do que realmente se trata. Muitos acham que é o mesmo que TV a cabo. Os preços assustadores dos aparelhos contribuem para elitizá-la ainda mais. Talvez o governo não tenha explicado o suficiente que bicho é esse. Ou explicou mal: quantos dos nossos milhões de brasileiros classe C, D e E poderiam assistir sua novela, seu jogo de futebol ou programa de auditório numa TV com resolução full HD, com menus interativos e acesso à internet? Ah, sim, tem a caixinha conversora (onde?) a preços módicos, mas quem a usaria para ligá-la na sua TV de tubo de 20 polegadas?

Menciono a TV de tubo porque, enquanto estava na fila do caixa de um grande varejista há 2 semanas, vi um casal de idosos com a caixa de uma TV dessas, de 20 polegadas, no carrinho. Foi aí que parei para pensar se TV digital faz mesmo falta para o grosso do povão. Puxando papo para aplacar a longa espera, soube que a nova aquisição confortaria a simpática dona de casa, que poderia agora ver sua novela em paz enquanto os membros jovens da família não mais brigariam por esportes ou filmes.

É isso. Reclama-se que o brasileiro não lê, não vai a teatro, museus, cinemas e parques. Falta dinheiro para livros, teatro e cinema, e falta disposição para o lazer barato de qualidade, às vezes longe demais das periferias. Que pai levaria seus filhos a uma biblioteca, parque ou museu do outro lado da cidade, exausto que está de trabalhar incansavelmente e ainda passar horas dentro da condução, todos os dias? A TV, contudo, está sempre ali, dentro de casa. É conforto, companhia, fantasia, diversão, válvula de escape. De graça e sempre presente.

Você vai assistir a Copa do Mundo de 2010 em seu dispositivo móvel?

Na tela grande a TV digital vai devagar por todos os motivos que esboçamos acima. Mas nos dispositivos móveis, tudo deveria ser mais fácil e barato, não? Quem se habilita a ver TV numa diminuta telinha de celular ao invés de um confortável aparelho convencional tem razões bem claras. São os trabalhadores que passam 3 horas por dia no transporte coletivo; guardas, vigilantes, porteiros, plantonistas. Temos uma legião de brasileiros que se enquadram nessas categorias.

Samsung e LG apresentaram seus celulares com TV digital que estão há um tempinho à venda. Há poucas semanas, a Nokia anunciou um módulo bluetooth para conectar vários de seus modelos à TV digital. Não há muitos detalhes do funcionamento desse acessório ainda. A impressão que eu tenho é que ele está tão incompleto quanto a própria TV digital brasileira. Vai dar para gravar programas ou trechos deles? E interatividade, vai rolar? Sim, sabe-se que ele será compatível com o Ginga, o sistema que vai comandar nossa nova TV. Mas cadê o Ginga?

E para o povão, que diferença vai fazer esse Ginga, afinal?

Nesse ínterim, os celulares xing-ling com TV analógica continuam fazendo o maior sucesso nos camelôs e centros comerciais populares. E é aí que TV convencional e TV móvel se cruzam no universo C-D-E. Não importa a qualidade, não importa esse negócio de interatividade. O aparelho só tem que ser barato e funcionar. No Brasil, convergência não tem nada a ver com integração de ferramentas. É, pura e simplesmente, a comodidade de ter um sinal de televisão num aparelho que todo mundo já leva no bolso todo dia: o celular. Pré-pago, lógico.

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Ao planejar a compra de um novo dispostivo móvel, como um celular ou smartphone, o que você considera? Características técnicas? Design? Reputação da marca no mercado? Planos de serviços vinculados com operadoras? Feedback de outros usuários? Ou um pouco de tudo?

Pois é, são os itens acima que 99% das pessoas levam em conta na aquisição de um aparelho. Contudo, se você está nessa situação, trate de colocar mais um item na sua lista: loja de aplicativos.

Quando alguém decide comprar um celular pensando na personalização, pelas ferramentas de trabalho e lazer, antes de avaliar operadoras, design, características técnicas e promoções, deve pesquisar se os aplicativos para o sistema operacional escolhido suprirão as necessidades. E as políticas das lojas onde eles são vendidos.

O sucesso do modelo da Apple abriu os olhos da indústria, que enxergou novo filão. Hoje, especialistas já chamam os aparelhos que permitem a instalação de aplicativos ou widgets de “app-phones”.

As principais lojas de aplicativos que funcionam no próprio aparelho são…

AppStore - A quantidade de aplicativos na loja da Apple já alcançou a casa das centenas de milhares. É verdade que há muita coisa inútil, mesmo assim não há nada que não se encontre atualmente. Há ferramentas de escritório e produtividade, entretenimento, utilitários, jogos e redes sociais. Boa parte é gratuita. Chama a atenção também a quantidade e variedade de aplicativos médicos, atraindo a simpatia dos profissionais de saúde. A preocupação do consumidor deve ser com a forma desses programas funcionarem. Se você não se preocupar com a falta de multitarefa, a ausência de alarmes, o push não convencional e as restrições com VoIP e streaming, é uma ótima opção para iniciantes em tecnologia móvel. Vale lembrar que, de forma legal, não é possível adquirir programas fora da própria loja da Apple. No Brasil não é possível a compra de música.

Ovi Store – É a loja de aplicativos para os donos de Nokia / Symbian S60. No início a variedade de aplicativos era bem pequena, mas aos poucos o catálogo está aumentando. Todavia, a loja não é a única fonte para turbinar seu aparelho com programas. O Symbian é uma plataforma que está no mercado há um bom tempo, portanto, a quantidade de soluções disponíveis é, na verdade, imensa. Pode-se baixá-los de sites de desenvolvedores, de outras lojas, de fórums de usuários, e muito mais. A impossibilidade de se fazer “redownloads” foi recentemente abolida, um alívio para quem comprou aplicativos na loja e teve que resetar o celular. Para quem gosta de música, é possível baixá-las no próprio aparelho, nos moldes na iTunes, pelo Comes With Music – única iniciativa comercial do gênero no Brasil hoje. Porém só funciona em alguns aparelhos pré-selecionados.

Blackberry App World – Até pouco tempo atrás, o ponto fraco do sistema da RIM era a fraca variedade de aplicativos para instalar no aparelho. A grande maioria era de ferramentas de trabalho e corporativas. As opções aumentaram bastante de uns tempos pra cá, mas o foco maior ainda é corporativo. Também era motivo de queixas o alto preço desses programas: às vezes, programas com o mesmo nome e mesmo desenvolvedor custavam até 3x mais que as versões para outros sistemas operacionais. Com a loja online no aparelho, a RIM pretende trazer soluções financeiramente mais acessíveis e promover a inserção de soluções para o usuário final comum, público que a empresa também quer conquistar. Assim, estão surgindo muitos apps de multimídia, como rádios online, e redes sociais. A opção de se comprar fora da loja continua presente.

Windows Marketplace – A loja de aplicativos para Windows Mobile, que ainda está engatinhando, é uma boa opção para desmistificar a idéia de que o sistema operacional é complicado para leigos. Não posso culpar os usuários queixantes: há várias e confusas maneiras de se instalar os programas em Windows Mobile: através de instaladores .exe pelo PC; através de .cab baixados da web (pelo PC ou no próprio aparelho), que, no fundo, também são apenas instaladores: é preciso abrir o .cab dentro do aparelho para proceder à instalação. Não é incomum ver gente confusa tentando rodar .exe dentro dos aparelhos. Para piorar, os aplicativos para touchscreen não funcionam nos não-touchscreen, embora tenham as mesma extensões e nomes. Todavia, quem não tem medo de correr atrás vai achar muita coisa de graça na internet – Windows Mobile é hoje uma plataforma madura, com uma quantidade imensa de aplicativos que fazem de tudo, pois não há restrições técnicas para os desenvolvedores, nem nas funcionalidades dos aparelhos.

Android Market – Em termos de quantidade e qualidade de alicativos, o “caçula” dos sistemas de smartphones é o único que está em ritmo de crescimento comparável ao do iPhone no início. Curiosamente, a essência dos aplicativos é a mesma – utilitários, web e redes sociais. Não é à toa que apps bem sucedidos no iPhone já ganharam versões para Android. A franca expansão deve-se em boa parte à tecnologia e respeitabilidade do Google, criador do sistema, que logo deve lançar um sistema operacional para computadores também. Ainda não há uma versão da loja para o Brasil, podendo-se baixar apenas programas gratuitos e com autorização para funcionar em todo o mundo. Mas pode-se comprá-los direto dos sites dos desenvolvedores, baixando e instalando no dispositivo via PC. Uma coisa que gosto muito: antes de baixar o aplicativo, é mostrado quais funções do aparelho ele acessa – como internet, serviços de localização e telefone. (veja foto no início do post)

O que vem por aí…

Lojas de fabricantes de celular – A Samsung já avisou que vai criar um sistema de compras de aplicativos para suas linhas de celulares. Até já anunciou um novo sistema operacional open-source para embarcar exclusivamente em seus aparelhos. Assim, estende-se a moda dos “app-phones” para além dos smartphones de sistemas operacionais tradicionais. Motorola e outras fabricantes também estudam fazer o mesmo.

Lojas de operadoras de telefonia móvel – As telecoms também já enxergaram o filão. O modelo de compra de ringtones, papel de parede, jogos, músicas e vídeos direto do celular é extremamente lucrativo no país. Por que não trazê-lo também para aplicativos, widgets e redes sociais, em qualquer celular? Os chamados “featurephones” são os celulares comuns com funções de câmera ou MP3, hoje a maioria em uso no Brasil. Além de aproveitar a febre das redes sociais, a compra direta através de créditos dos pré-pagos (80% das linhas ativas) pode se revelar uma mina de ouro, seja na aquisição de programas quanto no uso de internet móvel.

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Recentemente escrevi, na revista Mac+, uma crítica à Apple e ao modelo de comércio praticado na sua loja de aplicativos, a AppStore, indiscutivelmente uma das iniciativas mais bem sucedidas no mundo da tecnologia móvel. Lógico que ganhei uma coleção de críticas (e alguns elogios), as mais comuns dizendo coisas do gênero “se não gosta da Apple não usa, ué!”

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Vocês estão acostumados a ler, aqui no Tecnoblog, artigos em que falo de cybercultura e a convergência de hábitos do passado com os do presente. Gosto tanto disso que vocês são brindados com alguns rabiscos meus, alguns meio borradões, feitos à mão, com papel, lápis e tinta. E depois escaneados, algo bem anos 90, para não perdermos o vínculo cultural com décadas anteriores.

Hoje, contudo, tomarei emprestado alguns desenhos alheios. Na verdade, algumas gravuras feitas na França em 1910 e colocadas em exposição na Bibliotheque Nationale de France. O tema: “visões do ano 2000″. Há alguns acertos, muitos erros, alguns divertidíssimos:

ano-2000-2ano-2000-1O que mais se vê são pessoas voando, mas confesso que minha favorita é a máquina escolar onde se jogam livros que vão direto para as cabecinhas dos alunos (por áudio? osmose?). Muito revolucionário, ainda que a máquina seja… a manivela.

Há muito mais, vocês podem visualizá-los todos aqui.

Onde eu quero chegar com isso? Atualmente, vemos gurus e videntes de TI dando pitacos (alguns pagos a peso de ouro) sobre tecnologias do futuro, os sistemas que vão vingar e os que vão fracassar, e até como nos comunicaremos num futuro próximo.

Por mais sólidos que sejam os argumentos das Mães Dinás digitais, baseando-se em estatísticas, características técnicas e modelos de negócios, não gosto de ler tais colunas. Passo longe. Dos Apple-gurus, então, penduro até uma ferradura atrás da porta. Uma coisa é exercitar a imaginação, outra é fazer previsões – alguns têm tanta certeza que chega a ser claro que o sujeito engana até a si mesmo.

Ninguém se lembra ou procura saber o que na década de 90 se achava como seriam os anos 2000. No fim de cada ano, um pai-qualquer vai à TV fazer previsões, mas no fim de ano seguinte, ninguém mais se lembra do que ele disse, nem checou se os dados se concretizaram. Do mesmo modo que, quando está para sair alguma novidade da Apple, ninguém procura saber o que os gurus do presente palpitaram no passado.

No campo da tecnologia móvel, então, os gurus baseiam-se puramente em seus gostos (ou filosofias) pessoais para dizer qual presta e qual não presta. Isso quando não há algum interesse econômico por trás. Podem notar: sempre há aquela tecnologia ou produto do momento, que é imbatível. Ou aquela novidade, que chega atropelando, que até ontem ninguém sentia falta e, de repente, vira necessidade básica. Ou então, tecnologias sólidas, com seu nicho de mercado, com base de usuários estabelecida, mas que de repente é condenada à morte, simplesmente porque não agrada ao debatedor por princípios individuais.

Eu também embarquei na área da tecnologia móvel tendo minhas preferências, que sempre defendi e enalteci. Em dado momento, senti necessidade de ampliar meus horizontes e me desamarrar de preconceitos. Para tomar um exemplo, fui conhecendo as mais diversas plataformas de dispositivos móveis – Palm, Windows Mobile, Symbian, Blackberry, iPhone, e mais recentemente Android. Antes de elogiar ou criticar cada uma, é preciso conhecê-las a fundo. Não digo abrir a tampa de um aparelho e esmiuçar seus chips, mas conhecer as pessoas que o utilizam, com que finalidade, e de que modo. Porque é para as pessoas que elas são feitas.

Assim, ao invés de declarar que tal plataforma não serve para nada, ou que aquela outra é a mais maravilhosa do mundo, confirmo que cada uma supre as necessidades de grupos específicos. Leva-se em conta os fins e as qualidades dos produtos, mas também a percepção pessoal de cada indivíduo, seu papel na sociedade e até fatores cognitivos ou físicos – como acuidade visual e coordenação motora.

O melhor de aprender mais e mais sobre cada plataforma móvel é que se conhece o quanto as pessoas são diferentes, o quanto uma mesma tecnologia pode trazer resultados tão diversos. E é isso que os gurus de TI não levam em conta ao dar seus palpites: as pessoas. Pessoas mudam, pessoas aprendem, pessoas amadurecem, pessoas envelhecem. Esse ambiente tão mutável nos impede de declarar sobre tecnologias perdedoras e vencedoras. Além disso, concorre a competência de cada empresa e a capacidade dela de levar a novidade adiante – elas também mudam, e muito rápido.

Falar de “tendências em TI” é como ser economista ou meteorogista. Você analisa possibilidades. Ingressar no campo das previsões, enaltecendo o sucesso de certas tecnologias em detrimento de outras, é puro exercício de futurologia. Prefiro que o tempo responda às nossas expectativas, e não um articulista com aura de vidente. Também prefiro ler um bom livro à coluna de horóscopo do jornal. E vocês?

bicho-bro-580x375Minha sala de estar tem uma daquelas enormes estantes com rack que, além de abrigar TV, som, DVD player, etc, tem aqueles espaços para guardar coleção de CDs e DVDs. Esses espaços já estavam lotados faz tempo, mas não é por isso que os deixei de usar. É que comprar CD e DVD tem se tornado coisa cada vez mais rara, salvo um ou outro box de seriado ou sequências de filmes – a maioria, ganhos de presente.

Mas olhar aquele amontoado de coisas estava me incomodando mais a cada dia. Além de juntar poeira, já que eles nunca saíam dos seus nichos, estavam interferindo na decoração da sala. Por mais arrumadinhos que estivessem, iam contra meu senso de “clean”. Um belo dia, numa tarde de domingo, tirei tudo de lá (com direito a máscara, por causa da asma) e no lugar coloquei uns poucos objetos de decoração, porta-retratos, etc. Numa casa onde não há tapetes nem cortinas (apenas persianas), tive a sensação que desalojei de vez os últimos ácaros que coabitavam meu lar.

Olhei o aparelho de som. Ele tem uns 20 anos de uso, mas continua em excelentes condições. Na época em que foi comprado, era um arroubo de ousadia não vir com toca-discos. No lugar, ele orgulhosamente trazia uma enorme gaveta com capacidade para 5 CDs, para ouvir “horas de música ininterrupta sem repetição”. O supra-sumo da modernidade! Intimamente, dei risada. Estava com medo de apertar o botão do carrossel de CDs e uma aranha pular de lá de dentro. Hoje, praticamente só uso a saída auxiliar, devidamente ligada no computador-mediacenter.

Enchi um armário com os DVDs e CDs. Achei algumas coisas que nem lembrava mais que tinha. Filmes velhíssimos da Bette Davis e um do Rodolfo Valentino. (alguém conhece?) Discos do Legião Urbana. Trabalhos audiovisuais da época da faculdade de rádio e TV. Edição de colecionador de “Cantando na Chuva”, com pôster e tudo – presente do marido ainda quando nos conhecíamos. Uma coletânea “10 anos (!) sem Vinícius de Moraes”. DVDs de Cidadão Kane, O Iluminado e Um Estranho no Ninho, que já separei para rever na primeira oportunidade. Um CD do Netinho. (desculpem… é que ô-milaaaaaaa era música tema da minha turma nos tempos da faculdade de odonto).

Aquela faxina se transformou numa viagem no tempo. Boa parte do que eu mais ouvia em MP3 hoje eram coisas que já havia ripado desses CDs há muito tempo. Conversei com o marido, que já pretendia comprar um Time Capsule de 2 TB. Ele também tem uma biblioteca de mídia ótica respeitável. Agora reforçamos os planos e já o colocamos no orçamento para daqui uns meses. Aos poucos, converteremos tudo para digital e, excetuando-se as peças de valor sentimental (tipo o CD do Netinho :) ), vamos nos desfazer de tudo. Talvez doando para alguma instituição ou biblioteca pública…

A idéia do Time Capsule é ter um super-roteador com armazenamento de sobra e, a partir de qualquer computador da casa, acessar todo o conteúdo que estiver lá. Além de servir de backup para nossas máquinas. Mas, muito mais do que isso, poderemos também viajar e acessar nossas coisas de qualquer lugar, via MobileMe.

Olho para o aparelho de som ligado ao mediacenter na sala e reflito o quanto as coisas mudaram em tão pouco tempo. Como tudo ficou mais fácil, instantâneo e também – por que não – descartável. Há 20 anos consumíamos bem menos mídia que hoje, mas selecionávamos melhor.

Atualmente, na minha sala, a única reminiscência visível do passado é o duplo-deck de fitas cassete do aparelho de som. Até isso se transformou num paradigma: esses tudo-em-um vendiam horrores, todo mundo copiava vinis ou duplicava fitas cassete, mas nenhuma gravadora reclamava disso, lembram?

É. Como o mundo mudou…