Na semana passada, a Microsoft de Steve Ballmer anunciou o lançamento do Windows Phone para o final do ano. Confesso: minha relação com o Windows portátil, até então, sempre foi inconstante, com altos e baixos (mais baixos, na verdade). Quem sabe esse Windows Phone não me dá uma nova esperança.

Tela inicial do Windows Phone 7 Series. (Reprodução)

Nunca tive um telefone com Windows Mobile ou afins – já testei alguns, entretanto. Tive o iPaq 4700, um dos primeiros PDAs da HP vir com Wi-Fi integrado: em 2005, a ideia de navegar na internet era ótima na teoria, já que, na prática, não funcionava direito (até fiz um upgrade de sistema operacional, para a versão 5 do WinMo, mas não adiantou muito – uma trava minúscula da bateria quebrou e o iPaq ficou sem uso. Achei uma bateria extra, mas aí o aparelho já estava desatualizado demais).

O problema é que a Microsoft errou demais em pensar que o Windows Mobile era uma extensão do Windows para uma tela pequena. Botão Iniciar? Itens pequenos no menu? Quando a HTC resolveu colocar seu bonde na rua, sua melhor ideia foi colocar uma nova interface mais fácil de usar sobre o OS (e o TyTN II foi um excelente exemplo disso). Já aconteceu de eu testar celulares com WinMo (pré 6.5) e nem publicar nada de tão ruinzinhos que eram, coitados. Aí, no ano passado, buum, barulho em cima do Windows Mobile 6.5: muito por nada, na verdade – e nem preciso me justificar por isso (os reviews falam por eles mesmos).

Agora, então, Windows Phone 7.0. Código reescrito do zero, interface inspirada no media player Zune HD (e isso é um elogio) e um caminhão de integrações com outros serviços da Microsoft – Xbox Live, Zune Marketplace etc etc etc. – e a companhia finalmente mostra a que veio no mundo dos celulares. Não me surpreenderia se viesse de Redmond um  aparelho-estilo-”Nexus One“, com marca Microsoft (ei, eles são bons de hardware, vide os teclados e mouses excelentes). Mas aí alguém iria falar que estão copiando o Google e, diz a lenda, o povo não gosta muito disso lá dentro.

O grande defeito do Windows Phone 7, ao meu ver, é a síndrome da inovação que demora a chegar. Um novo sistema operacional anunciado em fevereiro e previsto para chegar às lojas somente no Natal (lá fora, lá fora) causa um pequeno probleminha no sistema operacional atual. Nessas horas, a Apple dá a lição de moral: anunciou, entrega logo (tirando o iPad, claro).

Se o próximo Windows Phone vai ser cool e bacana, por que diabos vou comprar um celular “velho” com sistema da Microsoft agora? Desavisados e caçadores de ofertas podem até aproveitar o momento. Concorrentes com mais atualizações também – quantas novas versões de Android veremos até dezembro? Sem contar um novo iPhone, aparelhos com o novo MeeGo, Symbianˆ3… É, Microsoft, muita água vai rolar até lá. Aguardemos!

Smartphones são o objeto de desejo de muita gente, certo? A escolha entre iPhone, Android e, por que não, Symbian depende muitas vezes do perfil de uso do comprador. Mas e quem não quer um smartphone, mas algo com recursos a mais (esqueçam o preço aqui, por favor)? A resposta está nos featurephones – não são “smart” por completo, mas realizam tarefas parecidas, e até vêm com alguns recursos bastante específicos. Dou três exemplos bacanas disso a seguir.

Sony Ericsson W995

O W995 é um celular high-end da Sony Ericsson (antes que reclamem, o “S” descolou da parte frontal, tá?) que dá para pendurar na parede (sério!) e, bem, tem o melhor descanso de tela de todos os tempos (como mostra a imagem que abre este post). Falando sério agora, é um bom aparelho para ouvir música com incríveis fones de ouvido com redução de ruído – fato quase inédito nos celulares e smartphones atuais. Seu design parece uma versão maior do W705 e, por consequência, um irmão mais arrojado do Nokia N95. Controles de música de um lado, junto ao botão disparador da câmera fotográfica; do outro, slot para cartão M2 de 8 GB, atalho para Walkman e conector Fast Port. No topo, um suporte móvel (por isso a brincadeira de pendurar na parede) e o conector de fones 3,5 mm, além dos alto-falantes estéreo.

Samsung Jet

O Jet foi alardeado como um dos celulares mais rápidos do mundo – com um processador de 800 Mhz, tem funções de smartphone, sem necessariamente ser um, graças ao sistema operacional proprietário da Samsung. Veja as configurações:  Tela AMOLED de 3,1″ touchscreen, 3G, Wi-Fi, 2 GB de memória interna e cartão de 8 GB (fala que não dá pra rodar um Android aí, vai?). E seu browser é bastante decente para um aparelhinho intermediário. Motivo matador para comprar: roda DivX nativo, e tudo indica que com o passar do tempo ele vai ficar mais e mais barato.

LG New Chocolate BL40

O New Chocolate tem jeito e cara de celular chique, com foco em design e pouco em funcionalidade. Errado! O design compridão do New Chocolate é favorecido pela enorme tela de 4″ sensível ao toque, e o bicho tem 3G, Wi-Fi, GPS e um cliente de e-mail que deixa muito smartphone com vergonha (na verdade, divide a tela em duas partes, uma para a lista de mensagens, outra para o texto do e-mail, como se fosse o Outlook). E, como o Jet, roda DivX na maior tela do mercado hoje.

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Sei que nem sempre um featurephone bate um smart em preço e oferta das operadoras, mas vale descobrir algo novo – e nem sempre comentado nos sites e blogs especializados – sobre o tema, certo?

No último final de semana pipocaram informações sobre o Google Phone, ou Nexus One, um aparelho a (teoricamente) ser fabricado pela HTC com a marca Google e vendido diretamente ao consumidor final nos Estados Unidos. Mas que diabos isso significa para o mercado de smartphones?

Será esse o Google Phone?

Nexus One, o Google Phone

Até onde sei, o Google é parte da Open Handset Alliance, entidade responsável pelo desenvolvimento do sistema operacional Android. Até aí, tudo bem. Só que a OHA conta com inúmeros fabricantes de hardware (Samsung, HTC, Motorola, LG, Sony Ericsson, Huawei, entre outros, só para citar os que já têm/vão ter aparelhos no mercado brasileiro). E esse fabricante de hardware conta com a liberdade de inovar e modificar o sistema a seu gosto – vide a Motorola, que inseriu a interface/serviço Blur, ou a HTC, com seu incrível visual Sense.

Agora imagine se você é o fabricante, digamos, de um biscoito recheado que conta com um ingrediente secreto produzido por um fornecedor apenas. Esse fornecedor só faz o ingrediente em vários sabores e versões, mas de repente ele te avisa que vai passar a produzir seus próprios biscoitos. O Google entrando oficialmente no mercado de hardware de celulares (e não só o de software) pode vir a fazer o mesmo com seus parceiros na Open Handset Alliance, que fabricam biscoitos, quer dizer, smartphones. E, quem sabe, levar a alguma espécie de separação entre os participantes, que passam a se sentir ameaçados. E quem não lançou o seu Android ainda pode se sentir mais ameaçado ainda.

Vale lembrar que o Android tem determinadas especificações de hardware: Wi-Fi, 3G, GPS são apenas alguns exemplos (a versão chinesa do celular da Dell, o Mini 3iX, não conta: a Dell não é membro da OHA, mas a China Mobile, sim – e ali a questão de ter um smartphone “capado” é outra, política). Uma coisa é verdade: um Google Phone tem o incrível poder de se tornar o celular perfeito na visão de como o Google sempre quis que um telefone fosse (é um pensamento um tanto Apple, convenhamos).

Outro fator importante na existência de um Google Phone e que precisa ser esclarecido é como esse aparelho vai ser vendido no seu primeiro (e provável único, ao menos no começo) mercado: os Estados Unidos. Diferente da Europa (e até mesmo do Brasil), a questão do subsídio das operadoras é forte entre os americanos – compradores de iPhone por 199 dólares que o digam na AT&T. O preço é baixo porque o comprador está preso a um contrato de dois anos (pelo menos) à operadora. No Brasil, regras da Anatel impedem contratos superiores a um ano (e por isso, além dos impostos, lucro e ganância, pagamos tão caro por celulares aqui, mas isso é outra história).

Imagino as manchetes na linha do “Google lança Google Phone desbloqueado”. Lindo, com tudo que o Android tem a oferecer, sem nenhuma trava da operadora. Preço? 600 ou 700 dólares. Dá-lhe a imprensa local malhando, já que não tem apoio “oficial” da operadora, que também não se interessa muito num aparelho 100% desbloqueado. Aguardo ainda detalhes – e posso até estar bastante errado -, mas que vai dar algum tipo de confusão, ah, sim, isso vai.

(foto via Engadget)

TVD

Em esportes, a TV Digital faz toda a diferença

TV digital é uma tecnologia cabeça de bacalhau: todo mundo sabe que existe, mas quase ninguém viu. Os fabricantes até tentam incentivar seu uso, cada vez mais telas planas vêm com o receptor integrado, mas cadê sua adoção em massa?

Meu primeiro contato com TV digital foi na distante Copa de 1998. Era meu primeiro ano como redator na Folha de S.Paulo (estava na faculdade ainda) e, sabe-se lá por qual razão, a Rede Globo instalou “TVs digitais” nas redações, até onde sei, da Folha, do Estadão e do Globo, no Rio. Nem de longe davam ideia que você ou eu teriam “aquilo” em casa: eram televisores de tubo, com tela plana (mega inovação para a época, que nem tinha noção do que seriam Plasmas ou LCDs) conectadas a um “armário” receptor.

Armário? Ou seria geladeira duplex com freezer? De qualquer modo, era um trambolho que ocupava muito espaço na redação do jornal – chutando, uns 8 metros quadrados, vai – instalado na editoria de esportes e na primeira página. Cada editoria tinha seu televisor, mas você acha que o povo ia assistir aos jogos (ainda mais os do Brasil) naquela tela ruim? Cada um empurrava sua cadeirinha para onde desse um bom ângulo de visão e, poxa vida, valia a pena assistir aos jogos na TV digital.

A imagem era incrível, e a melhor definição que me lembro era uma “sensação de profundidade na tela”, compartilhada por vários colegas de trabalho. Passou a Copa, os equipamentos foram embora e voltamos, então, à teoria da TV digital brasileira. No fim de 1999, mudei de editoria e fui trabalhar no caderno de informática que, bem, começou a falar de TV digital.

Passou 1999, sobrevivemos todos ao bug do milênio. Troquei de chefe na Folha, saí de lá, mudei de emprego de novo e de novo e nem sei quantas vezes escrevi e entrevistei todos os lados possíveis – japoneses, americanos e europeus -, cada um defendendo seu lado na história. O padrão japonês ganhou a parada e, finalmente, em 2007 (ou apenas nove anos depois da Copa de 1998) a TV digital foi lançada oficialmente.

E aí a confusão veio para valer, e acredito que foi a grande falha. Poucos canais disponíveis em poucos lugares, equipamentos caros (tem algum um dono de receptor externo de TV contente 100% com seu equipamento por aí?) e desinformação marcaram todo o processo. A piadinha que sempre conto quando alguém fala comigo sobre o tema é familiar: quando todas as emissoras começaram a campanha da transição para a TV digital e iniciaram a transmissão para valer, mamãe, na sua inocência tecnológica, afirma: “filho, é boa mesmo essa TV digital. Começou ontem e a imagem ficou tão melhor, né?”. O único problema é que o televisor dela era (e ainda é) analógico, e vai continuar assim por muito tempo.

Pior é que isso não aconteceu apenas comigo, mas com várias pessoas que conheço. No fim da história, a TV digital virou um placebo da imagem melhor sem, efetivamente, ela melhorar. Quem sabe em 2010 as coisas melhorem, já que teremos mais uma Copa do Mundo. E, para quem já viu na TV digital pré-histórica, o salto para a alta definição, ainda mais em esportes, faz toda a diferença do mundo.

Sei que a reclamação mais fácil de fazer envolvendo qualquer item tecnológico é o preço. Pode ser do Xbox 360, da licença do Windows 7 Ultimate ou até mesmo do plano de dados do iPhone (escolha sua operadora e aponte o dedo). Conheço bem as burocracias, impostos e pentelhações por trás do que gera valores absurdos no bolso do consumidor final. E não costumava reclamar de preço de nada não (se meu bolso não permite, não compro, oras).

motorola-aura

Motorola Aura: só R$4149,00

Isso, claro, até conhecer o Motorola Aura. Já sabia que ele era caro nos Estados Unidos (US$ 2.000) e, até então, seu preço oficial nunca havia sido divulgado pela fabricante no Brasil – apenas de que faz parte dos aparelhos oferecidos de graça ou não pela operadora Tim num plano de mais de 700 reais por mês. Tem apelo fashion (leia-se um aparelho para mostrar e não usar, certo?) e, bem, é um bicho lindo. Vidro de relojoaria na frente, uma tela redonda, mecanismos de precisão e design um tanto diferente: para atender uma ligação, é preciso girar o alto-falante.

Mas aí o choque mesmo aconteceu outro dia, andando por um shopping em São Paulo. O Aura estava na vitrine de uma megaloja da Tim e, para minha surpresa, tinha o preço. Num plano “Infinity 1000″, ele custa R$ 3.149 na versão pós paga. Sim, você leu certo: R$ 3.149, mas dá para pagar em três parcelas de R$ 1.049. Que alívio, né? ;)

Numa versão pré-paga (=desbloqueado), o choque ainda é maior: R$ 4.149 à vista ou R$ 4.879 à prazo (10 parcelas de R$ 487). Argh! Com esse valor, dá pra comprar dois iPhones 3GS de 32 GB desbloqueados na Claro, por exemplo. Cada iPhone sai por R$ 2.399, e ainda sobra um troco pra, sei lá, tomar um sorvete. Ou pelo menos um Sony Ericsson Xperia, que, da última vez que vi na loja, tava em torno de R$ 3.000.

O caso do Aura, óbvio, é um desvio da curva de preço de qualquer celular. Quem tem dinheiro pra comprar um Aura, bem, não se preocupa com preço e muito menos com recursos. O que eu acredito que aconteceu é que faltava celular na vitrine da loja e algum funcionário sem noção colocou só para ver o que aconteceria – vai que alguém compra, afinal.

O fato é que, Auras ou não, algumas regrinhas da Anatel com o suposto argumento de proteger o consumidor acabam levando aos altos preços. Nos Estados Unidos, como estamos cansados de saber, um iPhone novo sai por US$ 199, desde que você amarre sua perna na AT&T num contrato de dois anos. Desse modo, a operadora subsidia o valor do aparelho e recupera o investimento ao longo dos 24 meses com as mensalidades.

No Brasil, o limite máximo imposto pela Anatel para os contratos é de 12 meses, e com isso a possibilidade de subsídio cai muito. Lembro quando a mesma Tim lançou, alguns meses atrás, o Nokia 5800 por R$ 399 (com plano de 250 minutos mais plano de dados de 300 Kbps). O mesmo telefone, desbloqueado, custava (na época) em torno de R$ 1.700. Sentiu a diferença do subsídio? Ah sim, essa história tem uma moral: o Aura não é para mim nem para você. A não ser, claro, que gastar quase 5 mil reais em um celular seja troco de bala!

MOTOÉ mais que comum ouvir dos fabricantes de telefones celulares que o aparelho é a “quarta tela” em importância nas nossas vidas. Depois do cinema, da TV e do computador, o pequeno LCD que vai no bolso é o que vai nos guiar pelo mundo online. É sério.

Quem começou com esse papo de “quarta tela” foi a Nokia. Lembro de, em 2006, já ouvir os finlandeses falando nisso, no distante lançamento do N95 (que já foi celular carésimo e hoje, bem, ainda está por aí). Agora, a coisa mudou – até a HTC, no lançamento do seu Magic, com Android, citou o termo (como se fosse uma grande novidade, né?). Mas a verdade é a seguinte: como damos risada hoje dos primeiros celulares,  os super smartphones atuais logo logo serão motivo de diversão também.

Motivos não faltam para isso, e acho que vale a pena viajar um pouco. Pegue os principais aparelhos, os mais caros mesmo, cheios de recursos e tal: um Nokia N97 ou qualquer Android (HTC, Samsung, LG, Motorola) já vêm cheios de atalhos e recursos para o mundo online. Com um N97 ou até mesmo um E75 (estou testando os dois, por sinal), vejo as indicações iniciais da super integração com a internet – e isso é algo que as operadoras vão ter que se preparar em infra-estrutura (mas isso não é nosso problema).

Veja o ícone do Facebook no N97. O aplicativo está cheio de problemas ainda, ao contrário da versão para iPhone/iPod touch. Mas já mostra um potencial incrível: todos seus contatos do Facebook com telefone cadastrado aparecem em uma lista especial. Tudo bem, não tenho todos meus contatos da vida no Facebook, como meu médico ou minha mãe, mas só de pensar que não preciso procurar o telefone de algum amigo que eu sei que está na minha rede social já ajuda horrores. Tenho um amigo que muda de número de celular todo ano e, bem, sempre estou com o contato errado na agenda.

Aí vem a Motorola e mostra o MotoBlur, um serviço integrado ao Android que leva esse conceito da agenda do Facebook no N97 às alturas: integra ainda o Twitter e o MySpace (alguém ainda usa?) e joga tudo na nuvem. Em vez de escolher se você fala com a pessoa, o Blur mostra opções de enviar mensagens pelas outras redes sociais, e isso é realmente incrível – se, claro, seus contatos estiverem nesses locais. Vi uma demonstração e pareceu impressionante. O HTC Magic, pelo que vi também, tem alguns recursos parecidos.

O fato é que a quarta tela está aí, com pressão de fabricante ou não. Eu não consigo mais sair de casa sem ver meus e-mails, ler as mensagens no Twitter, mandar fotos pro Flickr (viva ao botão de upload, que me faz economizar um bom tempo nas coletivas de imprensa: desse jeito, não preciso transferir as imagens pro computador). E esse é só o começo de um futuro bastante promissor. E que as operadoras se preparem pra tanto tráfego de dados.

Outro dia o “chefe” Mobilon tirou um monte de palavras da minha boca ao pedir para “elevar o nível do jogo” na blogosfera. Acho, pessoalmente, um saco ficar discutindo isso, mas tem momentos que é preciso falar algumas coisas para tirar o nó da garganta. Se o tema básico do Mobilon foi pela profissionalização da coisa, quero falar da criação da coisa em si.

Todo mundo sabe que existe o fenômeno nada isolado das cornucópias de blogs, e o meio tecnológico (por acaso, o meu e o do Mobilon) está cheio de exemplos. Acontece com o Zumo, aposto que acontece com o Tecnoblog, com o MeioBit e com quem tem qualquer tipo de visibilidade (incluindo grandões da velha guarda como IDGNow e Info, por exemplo).

O carinha vai, cria seu blog achando que vai faturar todas com o Adsense (coitado, não tem ideia…) e, bem, começa copiando tudo de todos, fazendo uma salada mista e indigesta de posts vindos de todos os lados, misturando ciência, política, tecnologia, sacanagem num balaio só. Sei que o link é a mãe de todas as referências neste mundinho movido a Google, mas, poxa vida, precisa copiar tudo, linha por linha, sem acrescentar nada? Nem ao menos o que acha, pensa, imagina, gosta ou não gosta naquele gadget/PC/software/hardware/sacanagem? Não. Vamos copiar que é mais legal. Como diz o meu chapa Nagano, “shame on you”.

Por um lado, dá para perdoar. Tem gente começando, não sabe (ou finge que não sabe) como as coisas funcionam, pode ser só um exercício de texto, um aprendizado, sei lá.

Aí vem a segunda (e feia) fase do processo: o velho e bom hotlink (sim, sei que dá pra bloquear esse tipo de coisa direto no servidor). Acho que passa na cabeça do cara o seguinte: “Pra que vou me dar ao trabalho de copiar um post todo (cansa…) e ainda ter que baixar a imagem e subir no meu servidor? Deixa lá mesmo e beleza”. Aí parto pro radicalismo quando estou com tempo/paciência.

Minha solução? Google + foto de bombeiro seminu + imagem trocada no meu servidor = copião P** da vida. Funciona. Já tentei dialogar, avisar nos comentários, tem gente que entende (e se esforça em aprender), muitos outros acham que a vida é assim mesmo, me xingam e querem, do fundo do coração, que eu vá me danar, que o problema é meu e pronto. Uma pena. Hotlink sempre vai me lembrar desse post do E-Mails from Crazy People (leia e se divirta)

Fato é que tecnologia não é a única coisa que dá para escrever na vida. É legal pra burro, mas não é a única. Quantos blogs legais, digamos, de sorvete (como lembrou a @flaviadurante no Twitter) têm por aí, só para ficar em um exemplo? Sobre Linux focado em usuário final? De dicas sobre Mac/iPhone sem chupar e amplificar rumores/notícias de qualquer site gringo? Então, tem espaço e ideias pra todo mundo, mas ficaria mais legal se a cultura da cópia sumir um tanto para dar lugar à cultura da opinião. Você já achou a sua?

verdes

Vi um Mac pela primeira vez em 1995, creio. Terceiro ano do colegial, estágio num escritório estranho de arquitetura, mas essa não era nem nunca foi minha função: limpar vírus dos PCs do outro lado da empresa, na área de engenharia (fugi de lá dois meses depois). Mentira. Anos antes, um amigo em Santos tinha um Mac onde jogávamos Carmen Sandiego, mas acho que eu nem imaginava o que era Apple naquela época.

Em 99, comprei meu primeiro iMac, na segunda geração dos modelos coloridos (um verdinho bem simpático). Promoção em épocas de Fenasoft, veio com um tosco SuperDrive (não é nada do que está pensando hoje) e, com ele, sofri ao ser um dos primeiros assinantes do Speedy com Mac (quem configurava aquele diabo de Mac OS 9?). Já com um pé no jornalismo, acabei caindo no mundo da tecnologia. A Adriana, minha colega de redação na época, brincava que eu tinha conseguido a vaga quando cheguei um dia na editoria de informática e perguntei “ei, vocês viram os novos iMacs?” pro chefe. Mas isso tudo é passado.

O fato é que a Apple e seus computadores fazem parte da minha vida faz tempo. Escrevo esta coluna num MacBook, tive vários outros iMacs, iBooks, iPods e até me irrito ao teclar coisas erradas ao mexer no meu PC. Já escrevi para títulos de PCs, de Macs, e a história é sempre a mesma: cada rumor, cada sinal de fumaça vinda de Cupertino gera uma cobertura enorme da mídia e de blogs. Admito que já tive meu papel nesse mundo do hype (velha máxima: dá audiência, então fale disso), mas… cansei.

Cansei pelo simples motivo que entendi como a Apple é, pensa e funciona (sem precisar ler a biografia não-autorizada de Steve Jobs). A Apple quer inovação e simplicidade em tudo. Hype até faz parte do marketing muitíssimo bem pensado da empresa: eles são herméticos, e seu silêncio irrita. Quem não fala gera especulação. Faça produtos “cool” e não fale e a especulação será maior ainda.

Tente ligar pra alguém na Apple para conseguir “aspas” oficiais da empresa para qualquer matéria. Não falam (é raro, muito raro). A empresa fala, não as pessoas. A corporação que importa, isso sim. Lá fora, se você é brasileiro, latino-americano, marciano, inglês, não importa: não falam mesmo (quer dizer, falam, para poucos, muito poucos que dá para contar nos dedos). Entrevistar Steve Jobs, Tim Cook, Phil Schiller, Jon Ive? Esqueça. A regra vale também pro até-então-abert0-à-mídia-na-Palm Alexandre Szapiro, country manager da companhia no Brasil.

Então, se são tão quietos, deixem eles lá em paz. Nem me importo mais se o iPhone vai ter capacidade de transmissão intergaláctica ultraveloz, se vai existir um iNetbook ou um iToilet da Apple. Se existir, vai sair um dia. Quando eles quiserem falar, vão falar. Não precisa se preocupar com isso, nem um rumor vai mudar o mundo. Pode acreditar. É exatamente isso que eles querem.

Google Wave em obras

Confesso que não entendi o Google Wave quando ouvi falar dele pela primeira vez. Me pareceu um misto de cliente de e-mail com chat online, e só consegui visualizar seu verdadeiro potencial quando assisti a uma apresentação de Stepnahie Hannon, gerente de produto do Google no Developer Day de São Paulo.

Mas ainda faltava alguma coisa, acredito. O Google, que inventou a moda de convites para serviços na web, desta vez resolveu manter as expectativas baixas, pelo menos por enquanto. Deu acesso aos seus funcionários, distribuiu senhas para desenvolvedores, e só para eles.

O Google tem um bom motivo para manter o Wave fechado: ele é um produto em mutação. Quem trabalha lá afirma, sem sombra de dúvida, que a ferramenta já mudou bastante graças ao feedback dos Googlers. Eu consegui acesso ao Wave num ato de sorte, acredito, e confirmo: é um produto que tem algo diferente, novo, pelo menos a cada duas semanas.

O choque inicial de usar o Wave é inevitável. Para quem passou a vida toda usando clientes de e-mail, webmails e programas de mensagens instantâneas em instâncias separadas, o Wave confunde no começo. Ainda mais para quem tem a conta de developer, já que automaticamente você recebe uma tonelada de mensagens antigas com conversação em vários idiomas e com gente tão perdida quanto eu chegando ao mesmo tempo.

Aos poucos, descobre-se os pequenos prazeres do Wave. Mudar o ícone do seu perfil é um avanço enorme (veja na tela acima que tem um monte de perfis genéricos, sem imagem). Adicionar a Rosy, tradutora, e o Settie, robô de aplicativos, já ajuda um pouco.

Além de ser um produto em mutação, o Wave tem uma rede a crescer. Não conheço quase ninguém que está lá (ei, não sou desenvolvedor, afinal), tenho dois contatos que nunca estão online ao mesmo tempo que eu. O Wave é algo para acompanhar sem pressa. Quando abrir para um teste aberto maior, previsto para setembro, muita coisa será diferente e melhor. Pode apostar.