Lançamento de celulares com Android adiados na China. (GAB)

Os conflitos entre o Google o Governo chinês podem ter sido o motivo do anúncio do adiamento do lançamento de dois aparelhos com Android que haviam sido planejados para serem lançados na China nessa quarta-feira (20).

Os celulares, feitos pela Samsung e Motorola, seriam lançados no país pela China Unicom e tiveram seu adiamento confirmado por uma porta-voz do Google, que não deu maiores explicações do porquê.

Uma fonte próxima ao Google afirma que a empresa está em meio a uma série de conversas com as autoridades chinesas, e que teria sido pela incerteza do resultado dessas conversas que os lançamentos dos smartphones teriam sido adiados.[Computerworld]

Wang Chen, diretor do Departamento de Informação e Propaganda do governo chinês afirmou ao jornal Financial Times que o país não cederá às pressões do Google para acabar com a censura de qualquer material potencialmente “perigoso” ao governo na internet.

Para ele, a companhia norte-americana “deve continuar com sua responsabilidade de zelar pela segurança da web no país”, além de negar qualquer envolvimento governamental com as invasões promovidas a contas de e-mail de ativistas dos direitos humanos dentro e fora da China: “somos uma constante vítima de ataques hackers e condenamos a prática”.

Em um longo texto postado num site governamental Chen afirma que a web 2.0, em que “os usuários são apenas receptores, mas também criadores de conteúdo” gera novos desafios para conseguir regulamentar a internet e reforça o atual formato de “auto-censura” imposto às companhias instalas por lá, afirmando que “todos devem fazer seu melhor para intensificar sua auto-disciplina e garantir a integridade da web”.

“A importância que cada governo dá à segurança na internet é diferente. Sob o ângulo da segurança nacional, segurança da informação e segurança cultural, devemos responder ativamente aos desafios da segurança na internet e encontrar um caminho para desenvolver uma web com as características chinesas, e para isso precisamos de cooperação internacional”, escreveu, numa frase com cinco palavras “segurança”.

Flores. Pois é.

O Wall Street Journal reporta que diversos moradores de Pequim têm mostrado sua gratidão ao Google por ter furado o “Grande Firewall da China” depositando flores em frente à sua sede no país. Alguns internautas chegaram à criar o termo “Googlebye” por conta da iminente saída da empresa do país. [Foto]

O Google iniciou uma crise política entre EUA e China na noite da última terça-feira depois que anunciar em seu blog oficial que está cogitando a abandonar suas operações no país oriental por conta de possíveis ataques cibernéticos “sofisticados e coordenados” feitos contra contas do Gmail de ativistas dos direitos humanos no país.

Sem mencionar o governo local, a gigante da web afirma que iniciou suas investigações em dezembro, depois que duas contas tiveram seus dados acessados por um “grupo hacker chinês”, e identificou que “dezenas” de outros defensores dos direitos humanos na China, EUA e Europa estavam tendo seus dados monitorados por terceiros: “essas contas não estavam sendo acessadas por brechas de segurança, mas sim por causa de malwares instalados nas máquinas dos usuários”, completa o texto.

“Esses ataques, combinados com as tentativas ao longo do ano passado em limitar a liberdade de expressão na web, nos levam a concluir que devemos refletir a respeito da viabilidade de nossas operações e negócios na China. Decidimos que não estamos mais dispostos a continuar a censurar nossos resultados no Google.cn e assim, ao longo das próximas semanas, discutiremos com o governo local quais são as possibilidades de oferecermos resultados não-filtrados e dentro da lei. Nós reconhecemos que isso potencialmente pode significar o final das operações do Google.cn e de nossos escritórios no país”, afirma o post, escrito por David Drummond, chefe jurídico da gigante da web.

Diante da tradicional intransigência do governo em relação ao assunto, analistas políticos apontam que a saída do Google do mercado local seja “iminente”, o que fez suas ações caírem 2% no mercado internacional.

Em atividade no país desde 2006, por muitas vezes o Google foi criticado por defensores da liberdade na web por sua convivência pacífica com a censura imposta a qualquer conteúdo potencialmente negativo ao governo local, em que qualquer resultado indexado por sites de buscas precisa ser aprovado pelo Departamento de Informação e Propaganda antes de ser disponibilizado ao público.

A agência de notícias Reuters reporta que logo depois do comunicado o Google.cn começou a exibir resultados anteriormente bloqueados, como, por exemplo, as fotos do massacre na Praça da Paz Celestial em 1989. De Honolulu, Hillary Clinton, secretária de Estado do governo norte-americano afirmou que o caso “levanta preocupação e perguntas” e diz esperar que líderes do governo chinês se pronunciem sobre o caso.

Reação chinesa

A rede de notícias BBC diz que em seu blog oficial o chefe de desenvolvimento do Baidu, sistema que atualmente detém cerca de 60% das buscas chinesas (e que chegou a ficar fora do ar por algumas horas no começo dessa semana por conta de um ataque) afirma que a decisão do Google foi estimulada sobretudo por seu fracasso em dominar o mercado no país: “O que o Google diz me deixa doente. Se eles querem desistir por interesses econômicos, então que o digam”, escreveu.

Com 340 milhões de navegantes, o mercado de buscas na China movimentou US$ 1 bilhão (R$ 1,75 bilhões) em 2009, sendo que deste montante US$ 600 milhões (R$ 1 bilhão) foram diretamente para os bolsos da companhia norte-americana, que tem apenas 31% do mercado por lá.

A Pornografia na China é inimiga do Governo

Um estudante chinês recebeu um prêmio equivalente a R$ 2.500 por ter denunciado 32 sites pornográficos às autoridades chinesas.

O prêmio é parte de um programa do governo que incentiva internautas a procurar e denunciar sites pornográficos. No primeiro mês da campanha, mais de 60 mil sites foram denunciados.

O estudante, não identificado, alega que a pornografia influenciou negativamente seu desempenho nos estudos.

“No passado, quando eu estava no ensino médio, eu costumava ter notas boas o suficiente para entrar em uma boa universidade. Foi pela influência da pornografia na internet que eu consegui apenas entrar em uma escola profissionalizante”

A China mantém uma censura muito rígida da internet — em um sistema conhecido como “The Great Firewall of China”, um trocadilho com o nome da Grande Muralha em inglês — e em 2009 prendeu mais de 5.000 pessoas em ações para coibir a pornografia na internet. [AFP]

Lenovo Lephone. (Phonescoop)

Cheia de criatividade, a Lenovo apresentou durante a CES 2010, que acontece em Las Vegas, o seu novo smartphone: o Lephone. Trata-se de um aparelho rodando o Android, plataforma móvel do Google. Como em qualquer celular mais moderno, a primeira coisa que chama atenção é o display: 3,7″ com resolução de 800×480 pixels. Sendo widescreen, aparentemente é excelente para assistir a filmes nesse formato.

As informações sobre especificações do aparelho ainda são escassas, mas podemos afirmar com certeza que ele vai utilizar o processador Snapdragon, desenvolvido pela Qualcomm. GPS e Bluetooth também estarão no aparelho. Embora fabricantes estejam evitando lançar produtos com conectividade Wi-Fi na China – devido a orientações do Partido Comunista -, o Lephone terá essa função. Informações sobre memória RAM e armazenamento devem ser divulgadas em breve.

Rodando Android, esse celular tem vários aplicativos nativos: previsão do tempo, mercado financeiro, trailer de filme, calendário, bloco de notas e reprodutor de música, entre outros. Por enquanto estão em chinês, mas a previsão da Lenovo é de disponibilizar versões em inglês dos programas em breve.

Um dos aspectos mais interessantes do Lephone é o uso do acelerômetro para movimentar o navegador. Na falta de multitouch, basta inclinar o aparelho para a esquerda, direita, cima ou baixo e esperar que página “deslize” para aquela direção.

A Lenovo planeja lançar uma série de acessórios para o Lephone, a começar por um teclado aclopável ao aparelho (ou docking station, como eles chamam). Há um conector no lado esquerdo do smartphone que conecta-se magneticamente ao acessório para a troca de informações.

Docking station utiliza conector magnético. (MobileGear)

Docking station utiliza conector magnético. (MobileCrunch)

O Lephone chega primeiro na China, sem operadora definida, e depois será oferecido nos Estados Unidos. Quanto ao nome: o som “fon” significa “felicidade” em chinês, enquanto que L-E são as duas primeiras letras do nome da Lenovo. Aham… Não custa lembrar que em agosto de 2009 a Lenovo anunciou o desenvolvimento do Ophone.

[Via: MobileCrunch/Appmodo/Phonescoop]

A Hanwang Technology (quem?) empresa que desde 2004 era proprietária da marca i-phone (sim, com um travessão) em solo chinês gentilmente cedeu às pressões da Apple e retirou o processo que movia contra a fabricante norte-americana por conta do registro do nome do mítico smartphone no país. Fabricante de cacarecos como e-reader e celulares, entre outros aparelhos, há pouco mais de cinco  anos a empresa lançou um dispositivo com o nome mas agora afirma que ele “não está mais à venda”. Por hora não foram revelados maiores detalhes a respeito da transação.

Disponível na China desde o último dia 22 de novembro, as vendas iniciais do telefone da maçã naqueles lados não foram exatamente animadoras, já que em seus primeiros 14 dias de mercado o modelo teve apenas CINCO unidades vendidas, mas até a terceira semana de dezembro o telefone viu suas vendas explodirem e até o momento conta com mais de 100 mil unidades comercializadas do outro lado do mundo.

Em todo caso, as metas da operadora China Unicom para 2010 parecem modestas diante da ferocidade do mercado chinês: para o ano todo, a estimativa é vender “apenas” 300 mil unidades, auxiliados sobretudo por uma campanha “educacional/educativa” em 46 cidades do país. Por conta de regulamentações do país, os smartphones vendidos na China – incluindo o iPhone – não são tão espertos assim e não contam com conectividade WiFi ou bluetooth.

Imagine como seriam as vendas se eles tivessem todos esses recursos. [Mashable]

Dalai Lama Tenzin Gyatso: a China não gosta

Um pouco de história: declarado uma província autônoma da China desde 1913, o Tibete contava com um governo autônomo até 1959, quando seu líder político e religioso, que atende pelo nome completo de Sua Santidade o Grande Dalai Lama foi afastado do poder e exilado no exterior. Desde então os dois países vivem às turras, com direito a comoção internacional de um lado e retaliações violentas de outro.

Apesar de ainda fortemente reverenciado no Tibete, a figura do sorridente senhor com trajes amarelo e vermelho já foi chamada de “a face do demônio” pelo governo chinês, que o considera “perigoso e separatista”.

Por essas e outras chega a não surpreender que aplicativos com referências ao líder máximo do Tibete não estão disponíveis na iTunes App Store Chinesa, como aponta o site PC World. Pelo menos cinco programas, como o Dalai Lama Quotes, Dalai Lama Prayerwheel (que custam US$ 0,99) e o Paging Dalai Lama (gratuito) não estão mais disponíveis na loja online, assim como o Nobel Laureates, que contém informações a respeito de todos os ganhadores do prêmio Nobel desde 1885 – e o Dalai Lama Tenzin Gyatso recebeu o Nobel da Paz em 1989.

Em entrevista para o site PC World, Trudy Muller, porta-voz da Apple, refuta as acusações de censura afirmando que “nós apenas estamos seguindo as leis locais” e que “nem todas as apps estão disponíveis em todos os países”

Ao lembrar que num passado recente Google, Yahoo ou Microsoft também seguiram recomendações do governo chinês e bloquearam acesso a sites críticos ao regime e entregaram identidades de blogueiros, tal  censura não parece ser tão grave assim.

dotcn

Malware ou Censura?

A China tornou mais difícil o registro de domínios “.cn”. Agora todos que quiserem registrar precisarão provar que tem uma empresa aberta através de algum documento ou certificado que aponte para isso. O objetivo é evitar que golpistas de internet usem domínios chineses para suas práticas criminais, além de limpar os domínios chineses de pornografia. Na prática isso impede que pessoas físicas tenham seus próprios sites.

Sites já existentes – são 10 milhões de domínios .cn – terão também que provar pertencer a alguma operação comercial, caso contrário serão tirados do ar. Uma pesquisa da McAfee apontou domínios chineses como a segunda maior fonte de malware da internet, apenas atrás de domínios “.cm”, dos Camarões. O “.cm” é provavelmente o mais usado por golpistas pois trata-se de um “typo” (erro de digitação) muito comum quando tentamos escrever “.com”.

O objetivo supostamente nobre pode esconder a verdadeira vontade do governo chinês que é impedir que cidadãos comuns tenham seus sites pessoais, o que pode ser considerado um bloqueio à liberdade de expressão, uma forma de censura velada. Em se tratando de China essa teoria nada conspiratória tem tudo para ser verdade. [The Register]

a

O site chinês PCOnline divulgou mais detalhes a respeito do novo membro da família de processadores Intel Core i7, conhecido pelo código 980x.

Construído a partir da nova arquitetura Westmere, evolução da atual Nehalen, o processador de apenas 32 nm (ele é maior que isso, mas seus transistores têm apenas 32 nm #ironia #rimshot) conta com 6 núcleos físicos, 3,3 GHz de velocidade, 12 – doze – MB de cache, tecnologia hyper-treading, turbo boost e controle integrado de memória, entre outros termos ameaçadores que sua mãe/irmã/namorada/esposa não vai entender.

Só para comparar, apesar dos atuais modelos da linha i7 também contarem com 3,3 GHz eles dispõem de “apenas” 4 núcleos físicos e 8 MB de cache. Em linguagem leiga, qualquer uma dessas nomeclaturas podem ser perfeitamente traduzidas para “forte, mas muito forte mesmo”.

Quando for lançado, no primeiro semestre de 2010, o preço do 980x deverá seguir o exagero de suas configurações. Na China, terra conhecida por suas pechinchas tecnológicas, o brinquedo deverá custar 7.999 yuan, alguma coisa como R$ 2050. Nada mal, nada mal.