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Mal começamos um novo ano e já nos aparecem rumores relacionados à Apple. Aqui no TB nós temos o hábito de publicar aqueles mais verossímeis ou então os mais absurdos, sempre apontando o que pensamos dos mesmos. Pelo que tem circulado na mídia especializada, dessa vez a Apple está preparando um evento no fim do mês em Nova Iorque. Seria sobre mercado editorial. Leia mais

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Na obra A Reforma da Natureza, de Monteiro Lobato, a boneca Emília decidiu “consertar” coisas na natureza que lhe parecessem sem cabimento. Junto com sua amiga Rãzinha, começou ajeitando imperfeições. Mas como sua personalidade é um tanto peculiar, logo resolveu reinventar qualquer coisa que lhe desse na telha. Assim, os livros entraram na lista: Leia mais

Essa é a reclamação mais comum entre os usuários ou interessados em livros eletrônicos: o preço. Faz sentido um livro eletrônico custar, para o usuário final, o mesmo preço (ou quase) de um livro de papel?

Devido aos emails e comentários queixosos que venho recebendo, decidi correr atrás de respostas. Não só pesquisando na internet — onde tenho encontrado informações equivocadas. Estou em contato com algumas lojas brasileiras que vendem livros digitais — ou que em breve, passarão a vendê-los. E também analisando a política de algumas editoras.

Quanto custa produzir um livro digital?

O que posso dizer até agora é que a coisa não é tão simples como parece. Envolve leis, direitos autorais, contratos, tributações, licenças e uma série de intermediários para que um livro digital chegue até o seu computador. Não é só pegar o conteúdo autoral e colocá-lo à venda na internet. O processo todo passa por pelo menos 7 intermediários!

Uma coisa que não existe no livro de papel é o famigerado DRM. Ou digital rights management, uma tecnologia que impede a cópia desautorizada do produto autoral, a fim de evitar a pirataria. As tradicionais grandes editoras são unânimes na exigência desse tipo de proteção caso se deseje tornar uma obra disponível digitalmente à venda. Porém, a responsabilidade pela aplicação dessa “proteção” é da loja. Ainda que se usem formatos abertos, como o ePub, uma licença para uma solução de aplicação de DRM, como a da Adobe, sai pela bagatela de R$ 80 mil. E o pior de tudo, como estamos carecas de saber: o resultado limita a maneira como o usuário final lida com o produto adquirido, trazendo muitas vezes uma experiência frustada de leitura. E inibindo as vendas.

Para uma editora, o fato de não haver custo com papel ou distribuição não vem ao caso. O trabalho de editoração existe, os gastos com marketing e divulgação permanecem e, o mais importante de tudo: os contratos com os autores, salvo se houver cláusulas específicas à parte, permitem o mesmo tratamento de uma obra independente do seu formato. Para audiobooks, por exemplo, há cláusulas à parte. Aliás, os autores são os que recebem a menor fatia do bolo na venda de um exemplar de sua obra.

E as editoras querem manter sua filosofia e seu lucro. O exemplo da indústria audiovisual, infelizmente, ainda não os atingiu. Por enquanto.

Acaba sobrando para as lojas. O modelo de negócios da Amazon é de um risco imenso para a grande varejista eletrônica. Muitas vezes, o preço menor aplicado a determinado título, como promoção ou incentivo frente às concorrentes, é bancado pela própria loja, que acaba trabalhando no prejuízo. Embora não haja gastos com logística, há o custo com servidores, que permitem o sincronismo e armazenamento de informações de conta de cada usuário. E com a rede whispernet — a internet que o usuário final usa de graça para baixar seus livros, sincronizar dados e navegar na loja online ou na web por meio do browser embutido. São gastos altos e, por enquanto, as contas estão fechando no vermelho, na esperança de que um dia o modelo se acerte.

O mercado inteiro ainda está tateando no escuro. As novas tecnologias surgem de uma maneira espantosamente rápida, de modo que as leis e a mentalidade dos publishers não conseguem acompanhar.

Quando se fala em Brasil, então, a coisa complica muito mais. Nossa carga tributária é elevada. A quantidade de impostos acumulados pela qual passa um livro (seja qual for o formato), em todas as etapas, até chegar às nossas mãos, é espantosa.

Sobre os leitores de eBooks, os eReaders, que são importados, não há esperança na isenção de impostos a fim de equipará-los a livros convencionais que igualmente vem de fora. Até que mudem de idéia, ou surja alguma jurisprudência, os eReaders são produtos eletrônicos e não meros visualizadores de livros. Afinal, eles também tocam áudio e tem navegador.

E, por fim, uma intrigante pergunta: o que é um livro eletrônico?

O mesmo debate se sucedeu quando MP3 passou a ser sinônimo de música digital. O que é música digital? Ainda há segmentos discutindo se é produto, serviço, ou “arquivo de computador”. Porque basta uma denominação diferente para tudo ficar de ponta-cabeça em termos de legislação.

Com os eBooks é ainda mais complicado defini-los. Um “livro” como Alice, no iPad, pode ser considerado “livro”? Ou é software? Ou é multimídia? Em que categoria encaixá-lo? A lei ainda não é precisa o suficiente para classificá-lo.

E para ser sincera, nem eu mesma consigo. Eu compreendo “livro” como um meio que provoca a análise crítica e a imaginação do leitor sobre determinado conteúdo. Mas Alice parece estar mais para um produto audiovisual.

E agora, José?

Quando Steve Jobs anunciou seu tão aguardado tablet, o iPad, foi aquela choradeira entre os tecnotarados. “Não tem câmera” “não tem multitarefa” etc. “Será um fiasco”, concluíram.

A má notícia para eles é que o iPad já é um sucesso. Os mais entusiasmados não enxergam isso por um simples motivo: o tablet não foi feito para eles. Logo após o anúncio, publiquei em meu blog uma opinião diferente sobre o iPad. Repercutiu bastante: os leitores expuseram sua opinião concordando ou discordando.

De um modo geral, os mais ligados em tecnologia eram os mais decepcionados com a Apple. Eu não me julgo candidata a um iPad em sua concepção atual, mas vejo um imenso potencial de inclusão digital daquelas pessoas para quem computadores sempre foram um bicho-papão. Aquelas que não se atentam a processador, memória e acham tarefas de instalação e manutenção um pesadelo. Citei meu pai, um excluído digital por opção.

Meu irmão, quando aparece em casa, sempre vê os inúmeros smartphones que testo sobre minha mesa e jamais dá a menor pelota para eles. Nem para o iPhone. Aliás, ele só tem um desktop na casa dele, adequado para seu feijão-com-arroz digital. No último fim de semana ele se dirigiu a mim e disse: “E esse iPad, heim? Gostei! Eu compraria.” Quase caí da cadeira!

Alguns fanáticos por tecnologia se agarraram tanto nas especificações técnicas que se esqueceram da computação invisível, o grande mote da Apple. Nada mais sensato que abrigar o iPhone OS no tablet — há vários vídeos de crianças de 2 anos pintando e bordando com o aparelho. Talvez alguns radicais achem que, só porque não os agradou, não agradará ninguém. Que irá encalhar e será o maior fiasco da empresa em todos os tempos.

Bem, para começar, tecnotarado de verdade não desdenha, e sim fica horas na fila aguardando seu iPad. :)

Segundo, é bobagem analisar o iPad isoladamente. Há todo um universo em volta. Steve Jobs está pensando no mercado por trás, o de livros, que tem potencial para ser tão lucrativo quanto o de músicas, filmes e aplicativos. Para isso, foi necessária a concepção de um dispositivo que agradasse ao grande público. Ser o que foi o iPod em 2001.

Se Amazon e Barnes & Noble estão preocupadas em perder seus clientes para a iBookstore? Bobagem! Seus respectivos apps para iPhone ganharão versões otimizadas para iPad. Ou seja, quem comprar o tablet da maçã já terá de lambuja 3 lojas à disposição. Quedas nas vendas do Kindle ou do Nook não são tão importantes, contanto que as pessoas continuem comprando seus livros. Bonita mesmo será a briga de preços entre as 3 lojas e suas editoras. Infelizmente elas já estão se mobilizando para montar uma espécie de cartel. Mas é uma questão de tempo eles aprenderem a lição que a indústria do audiovisual está penando para entender.

E olha que eu nem falei das possibilidades acadêmicas e educacionais do iPad, ou do imenso repertório de ebooks grátis na internet.

Se o universo dos livros digitais cresceu e apareceu com os atuais eReaders, com o iPad tem tudo para florescer.

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No lado pessoal… não há dúvidas que o iPad é um belo dispositivo, mas conforme eu disse acima, em sua concepção atual ele não me serve. Minha relação com a tecnologia é através de uma abordagem prática; tem que ser uma ferramenta auxiliar no meu dia-a-dia.

Tenho um ótimo laptop, um Macbook, que atende muito bem na vida pessoal e profissional, e dois excelentes smartphones, que cumprem com maestria todas as tarefas necessárias quando estou na rua, em trânsito ou qualquer lugar. Emails, navegação, banco de dados, mapas, material de referência, escrita e leitura… estou bem servida. Não faz sentido investir no mínimo 500 doletas — muito mais que um notebook básico — numa terceira categoria de dispositivo para, sei lá, navegar deitada no sofá.

A D-Link, conhecida mundialmente por conta de seus roteadores e modens apresentou na CES seu primeiro leitor digital, que atende pelo surpreendente nome e eBook. Com tela de 10 polegadas, o modelo tem conexão 3G, WiFi e sua bateria suporta até 10 mil mudanças de páginas – uma maneira diferente, mas válida, de se medir a duração da bateria, de acordo com a companhia. A empresa afirma que ainda negocia com livrarias e com o Google o direito de distribuir conteúdo, mas diz que “ainda não há nada sólido”. Também não existem informações a respeito da operadora de telefonia responsável por seu 3G nem mesmo previsão de preço ou data de lançamento.

Ou seja, a única coisa certa é que a D-Link está desenvolvendo um e-reader, que você só vê aqui graças a cobertura do Tecnoblog na CES 2010.