
O relatório a respeito dos resultados na Mozilla no ano fiscal de 2008 (.PDF) mostra que, pelo menos para a empresa criadora do Firefox, a tal crise econômica não existiu. Ainda que o pânico no mercado financeiro tenha diminuído alguns valores, os dados mostram que a fundação arrecadou US$ 78,6 milhões (R$ 133 milhões) no ano passado, um aumento de 5% em relação a 2007. O caixa relativamente gordo é usado no pagamento de seus quase 200 funcionários e para cobrir os custos de equipamentos e estrutura técnica.
Os dados também mostram que a Mozilla gastou US$ 49,4 milhões em 2008, índice 33% superior ao ano anterior. Do montante, US$ 31,2 milhões foram para o desenvolvimento de softwares, US$ 6,2 em marketing, US$ 9,8 em despesas administrativas e US$ 1 milhão em doações para outras organizações, incluindo uma esmolinha de US$ 100 mil que foram destinados para o suporte do formato Ogg Theora Media.
Apesar de fazer algum dinheiro a partir de investidores ou doações, boa parte de seu dinheiro vem de empresas como o Google em troca de um destaque na caixa de buscas do navegador. De acordo com Mitchel Baker, CEO da Mozilla, o fato da gigante da internet ter lançado o Chrome não é uma ameaça: “a competição é benéfica por nos fazer trabalhar com mais empenho”, escreveu em no blog da companhia, onde também lembra que diariamente seu programa tem cerca de 110 milhões de usuários.
Como lembra o Ars Technica, a estrutura organizacional da Mozilla é um tanto diferente. A Fundação Mozilla é uma organização sem fins lucrativos que detém os direitos intelectuais do browser, enquanto a Mozilla é um braço comercial que procura por acordos e que está sujeita à tributação.
Na semana passada publicamos um post dizendo que as tags <audio> e <video> foram cortadas da especificação HTML5 por causa de uma falta de acordo entre os principais fabricantes de navegadores. Nessa semana, no entanto, um enorme debate está tomando conta dos fórums, listas de discussões e campo de comentários em blogs ligadas ao assunto. Lendo alguns desses artigos, percebi uma coisa: diferente do que eu escrevi no texto, as tags <audio> e <video> não foram cortadas completamente da especificação. Elas tiveram apenas as os dois braços e as duas pernas decepados, só isso.
O debate que está acontecendo agora é similar à guerra de formatos na indústria de cinema. Lembra da batalha do Betamax e VHS? E da mais recente, HD-DVD e Blu-ray? Dessa vez, não há fitas nem discos envolvidos, são dados, zeros e uns. De um lado, o codec de código aberto Ogg Theora. Do outro, o já conhecido H.264, usado em vídeos de alta definição no YouTube. O vencedor da disputa reinará soberano em todos os navegadores do planeta.

O cenário até o momento mostra que o principal empecilho impedindo a padronização do codec não envolve nada muito tecnológico, e sim problemas com patentes e licenças. De um lado, os que suportam Ogg Theora (Mozilla e Opera) argumentam que licenças do codec H.264 são extremamente caras e não podem ser re-distribuídas. Já aqueles que decidiram ficar do lado do H.264 (Apple e Google) dizem que pelo Ogg Theora ser um codec de código livre é possível que existam infrações de patente dentro dele, além da qualidade não ser tão boa. E tem a Microsoft, que preferiu espiar de longe as crianças brigando no parque e não tá nem aí pra tag <video>.
A discussão também acontece com menos intensidade sobre a tag <audio>, mas Ian Hickson, editor responsável pelo HTML 5, acredita que por ser menos complicado que a codificação de vídeos, as empresas chegarão a um consenso em breve. [ArsTechnica]
O primeiro rascunho da versão 5 do HTML apareceu em janeiro de 2008, segundo a Wikipedia, e desde então tem sido adaptada com frequência. A W3C, que é a organização responsável por modificar e atualizar as implementações do HTML, tem trabalhando bastante nessa versão a fim de que ela possa ser lançada o mais cedo possível. Entretanto, devido à discussões entre as principais fabricantes de navegadores, a atualização da liguagem vai ter duas tags cortadas.
As tags <video> e <audio> foram sugeridas originalmente pela IBM em agosto de 2007 e iriam tornar desnecessário o uso de plugins para ver vídeos e ouvir arquivos de áudio em páginas da web. Para isso acontecer, seria necessário embutir um codec específico para a tag <audio> e outro para a tag <video> dentro de todos os navegadores. E é nessa parte que o debate pegou fogo.
Segundo Ian Hickson, um dos editores da W3C trabalhando no HTML 5, não foi possível entrar em um consenso com todas as empresas sobre quais codecs seriam os padrões para as novas tags. Ele cita os responsáveis em um email:
A Apple não vai suportar Ogg Theora no Quicktime por se preocupar com patentes (apesar do fato do codec ser de domínio público). Opera e Mozilla se opõe ao uso do H.264 devido a problemas com distribuição e licenciamento. Google também tem problemas similares a esses, apesar de já implementar os codecs H.264 e Ogg Theora no Chrome. E a Microsoft não se comprometeu a suportar a tag <video>.
A notícia da exclusão das tags chegou um pouco tarde para sites como o Video Bay, que é inteiramente baseado nelas, e o Daily Motion, que já tinha até criado uma página específica com todo o seu conteúdo em vídeo convertido para o codec Ogg Theora para navegadores que suportam a (falecida) <video>. [Slashdot]