Jolicloud“Nós acreditamos que um movimento se iniciou. Um movimento que irá mudar a industria da computação para sempre: um mundo onde computadores são baratos, onde sistemas operacionais são gratuitos e softwares são online. Esse é o mundo que sonhamos quando descobrimos a internet. E é por isso que desejamos construir um sistema operacional (SO) em torno de uma plataforma que dá a todos a oportunidade de se tornar parte desse movimento e ter acesso a novas possibilidades.”

É com esse parágrafo que a equipe do Jolicloud, sistema operacional web para netbooks, inicia a página onde descrevem a idéia base do desenvolvimento do SO. Lembra algum outro produto de uma grande empresa? Com certeza.

Menu de aplicação do Jolicloud

Menu de aplicação do Jolicloud

Enquanto o Google anunciava oficialmente seu projeto de sistema operacional baseado em Linux com ênfase em seu browser Chrome, e que deve ser lançado somente no ano que vem, e a Microsoft publicava em sua página dedicada a pesquisas o Gazelle, um browser com características de sistema operacional baseado em segurança, o jolicloud, sistema operacional baseado na “nuvem” que você provavelmente nunca ouviu falar, fundado por Tariq KRIM, também fundador do Netvibes, recebia fundos de seus novos investidores, Atomico Ventures e Mangrove Capital Partners, de forma muito mais discreta.

O grande diferencial entre o desconhecido SO e os outros, está no fato de que enquanto tudo que as duas grandes empresas possuem até o momento não passa de hype, o Jelicloud já está sendo disponibilizado em sua versão alpha, apenas para convidados, e já é compatível com netbooks dos principais fabricantes, como ASUS, Acer, Dell, MSI, Lenovo, e HP, mostrando que o mundo é de quem faz, não de quem fala. [CNET News / Ostatic]

Microsoft Gazelle

Eu sei, mas você pensou a mesma coisa

Então finalmente o Google apresentou seu sistema operacional não-Android, o que de certa forma não foi nenhuma novidade, todos já sabiam que isso um dia aconteceria, a única surpresa foi a data. Afinal essa é uma das poucas áreas onde a gigante das buscas não possui um produto de peso, na verdade nem possuía um produto, e não misteriosamente é a área de destaque e dominância de sua arquiinimiga.

Mas se essa é uma noticia tão certa, a Microsoft já deveria estar preparada para o dia que a guerra fosse anunciada, correto? Coincidência ou não, no dia 7 de julho, mesmo dia em que o blog do Google anunciava sua nova empreitada, foi publicado um artigo no CNET News sobre um projeto na Microsoft Research nomeado Gazelle.

Diferente do Chrome OS, que consistirá em um sistema baseado no Linux feito exclusivamente para execução de seu browser Chrome, o projeto documentado pela primeira vez na página da Microsoft Research em fevereiro deste ano visará à segurança do sistema durante a navegação.

De acordo com seu relatório técnico (cuidado, PDF), o Gazelle é desenvolvido como com um sistema operacional multi-principal, possuindo seu próprio kernel exclusivamente para gerenciar os recursos necessários à navegação sem a necessidade de fazer chamadas ao sistema operacional de uso geral. Dessa forma cria-se uma camada que garante maior proteção e estabilidade ao sistema como um todo, sem afetar a performance da máquina.

O projeto, por si só, já seria uma grande evolução se comparado ao atual sistema de proteção de processos existentes nos browsers mais modernos disponíveis, como o do próprio Google Chrome e da nova versão do Firefox. Ele poderia se tornar um grande avanço para o Internet Explorer, uma vez que as tecnologias podem ser incorporadas numa futura versão.

No entanto, com a reviravolta ocorrida durante essa semana, é bem possível e sensato que a Microsoft aproveite o que já foi desenvolvido, mude o foco do projeto e invista numa total independência de seu kernel, criando um navegador totalmente independente de sistema operacional. Aí sim a MS voltaria a estar um passo a frente da concorrência da forma mais simples possível.

Sorte, visão de mercado ou inovação. Independente do nome que se dê, a Microsoft tem novamente um trunfo na manga e não pode desperdiçar a oportunidade. Se um dia viveremos 100% do tempo conectados para aproveitar todo o potencial da “nuvem”, aí são outros quinhentos. [Gizmodo / CNET]