Em março de 2005 o ICANN – instituição independente que regula endereços da web – negou o pedido da empresa ICM Registry para a criação do domínio .xxx, exclusivamente destinados a sites pornográficos, alegando que eles “feriam as políticas de igualdade e neutralidade na rede”. O caso, como era de se esperar, foi parar nos tribunais.

Na última segunda-feira um júri independente da Associação Americana de Arbitragem, formado inclusive por um juiz da Corte de Justiça norte-americana, concluiu que a decisão tomada há três anos foi “equivocada”. “Os argumentos apresentados há três anos para negar a criação dos domínios .xxx não foram consistentes o suficiente”, afirma o veredito, que também condena o ICANN a bancar os US$ 475 mil (R$ 855 mil) gastos no processo mais US$ 241 mil (R$ 434 mil) pelos honorários dos advogados da ICM.

Mas esse não é o sinal verde para a criação dos sites .xxx.

O jornal The Register lembra que a o ICANN não é obrigado a aceitar a decisão de um tribunal independente, enquanto seu presidente, Rod Beckstrom, prefere manter as portas abertas: “o domínio .xxx voltou à nossa pauta e será votado novamente em nossa próxima reunião, que deve acontecer daqui um mês em Nairobi”, escreveu em um post no blog do órgão.

Vint Cerf, que dirigia a comissão de votação do ICANN na época que o domínio .xxx foi rejeitado afirmou estar “decepcionado” com a decisão.

tecnoblognet-chines-coreanoA proposta que permitirá domínios com caracteres não-latinos da qual falamos na segunda-feira foi aprovada hoje pelo ICANN, o orgão regulamentador dos domínios. Existirão, no entanto, algumas restrições: inicialmente apenas um domínio de topo com caracteres não-latinos poderá ser requisitado por língua oficial por nação. Ou seja, países que tenham duas línguas oficiais poderão pedir ao ICANN dois domínios de topo, um para cada língua.

Já os domínios de topo .com e .org por exemplo não terão versões em caracteres não-latinos ao menos por alguns anos, enquanto o ICANN resolve se cada país que não usa o alfabeto latino deve ter direito a controlar o equivalente do .com ou .org na sua própria língua. Na China, entretanto, o domínio de topo .com já é usado com caracteres especiais, mas só funciona dentro das fronteiras do país.

Também será necessário que os fabricantes de navegadores (e outros programas que acessam a web) adaptem seus aplicativos à nova regra. E não está claro se pessoas não residentes desses países poderão comprar domínios com os caracteres especiais. Caso isso seja permitido, vou sugerir ao chairman do Tecnoblog comprar os dos domínios da imagem que ilustra esse post. São as palavras tecno e blog em chinês e coreano. Diversificação de público é isso aí. Mais ou menos. [NYTimes]

icann-logoDesde o começo da internet, os domínios sempre tiveram letras do alfabeto latino. Como esse é o alfabeto predominante na maior parte do mundo, a idéia de se usar caracteres em russo ou chinês nem foi considerada ao começar da World Wide Web. A proposta, no entanto, recebeu nova força nessa segunda-feira.

O órgão que regulamenta domínios na internet, ICANN, anunciou hoje que deverá votar na sexta-feira (30) se aprova ou não a possibilidade de criação de domínios com letras de outros alfabetos, chamados domínios internacionalizados (ou IDNs). A mudança vai permitir que domínios sejam registrados com caracteres árabes, cirílicos, coreanos, japoneses e até gregos, entre outros. Isso poderá ajudar mais da metade dos 1,6 bilhão de usuários da internet no mundo, que falam uma língua que não usa caracteres latinos.

Um dos problemas que sempre adiou a criação dos IDNs é a ausência da tecnologia para converter caracteres entre alfabetos diferentes. Porém, Peter Thrush, chairman do quadro de diretores do ICANN disse que “está confiante de que funciona porque estávamos testando [a tecnologia] nos últimos dois anos”. Se aprovado, domínios IDN poderão estar disponíveis a partir da metade do ano de 2010. [DailyMail / CNET]

O ICANN e o Departamento de Comércio dos Estados Unidos publicaram hoje um acordo que diz que o ICANN passará a ser uma organização independente do departamento, chegando ao fim o período em que o órgão era diretamente controlado pelos norte-americanos. Pelo novo acordo, o ICANN é passa a ser considerado “independente e não controlado por outra entidade”. O órgão continuará como uma instituição sem fins lucrativos.

A principal função do ICANN é gerenciar os TLDs (top-level domain-name, ou nome de domínio de nível mais elevado) da internet. Isso significa que o órgão é quem determina, por exemplo, que o TLD especificamente para o Brasil é o .br, assim como o para instituições de ensino é o .edu.

Ter um ICANN independente de qualquer ministério ou departamento é fundamental para que a internet se mantenha um ambiente livre, sem interferência política (na medida do possível, nós sabemos).

Personalidades reconhecidas da internet comemoraram a independência. Vint Cert, um dos inventores da internet, disse que a decisão auxilia no objetivo original do ICANN, “a criação de uma organização que pode servir aos interesses mundiais por uma internet robusta, confiável e interoperável”.

“O Google e seus usuários dependem diariamente de uma internet vibrante e em expansão; nós endossamos esse acordo e aplaudimos o amadurecimento da responsabilidade do ICANN na provisão da estabilidade da internet”, disse Erich Schmidt, CEO do Google. [ZDNet]