De acordo com pesquisa realizada pela empresa especializada Canalys, o mercado norte-americano de smartphones continuará forte em 2010, com a RIM (Blackberries) e a Apple (iPhone) liderando. Porém, o maior destaque da pesquisa é a plataforma Android, do Google, com um aumento de mercado previsto em 169% para o ano.

Estimativa de market share para o mercado norte-americano de smartphones em 2010 (Canalys)

O mercado está previsto para crescer 38% este ano, que é um crescimento maior que o de 27% entre 2008 e 2009. Estima-se que perderão market share a RIM (cai de 49,2% em 2009 para 43,0% em 2010), a Apple (de 23,1% para 21,3%) e a Microsoft (de 10,1% para 7,2%). Quem aumentaria sua fatia de mercado neste ano seria a Palm (indo de 3,1% para 4,7%) e o fenômeno Android, que quase dobraria seu market share atual de 9,7% para 18,9% ao fim de 2010.

Veio à tona hoje uma patente publicada pela Apple que descreve como será um novo aplicativo para iPhone com objetivo de criar redes sociais móveis. O nome, com toda aquela originalidade que só a Apple nos oferece, será iGroups.

A função do aplicativo seria permitir que pessoas que estão geograficamente próximas consigam participar de uma mesma rede virtual, na qual poderiam trocar mensagens. Isso é particularmente interessante para grupos de amigos em uma festa ou ainda colegas de trabalho que estejam participando de um mesmo evento promovido pela empresa.

Para detectar quais donos de iPhone estão próximos, o aparelho usaria tanto o Bluetooth como o Wi-Fi, no que é chamado pela empresa de GPS virtual. Todas as conexões passariam por processo de criptografia, para que os dados sejam transmitidos com maior segurança.

Dessa forma, os participantes de um show, feira, congresso, conferência ou qualquer que seja o evento poderiam trocar mensagens entre si e visualizar informações mais detalhadas uns sobre os outros (o que, no meu entender, seria uma forma de recriar no iPhone OS o famigerado cartão de visita).

Interface de usuário do iGroups apresentada na patente. (Patently Apple)

Interface do iGroups apresentada na patente. (Patently Apple)

Detalhe: já existe um aplicativo chamado iGroups na App Store.

[via Mashable, Patently Apple]

Um levantamento feito pela empresa de pesquisa Crowd Science mostra que cerca de 70% dos proprietários de Blackberries pretendem trocar seus smartphones num futuro próximo por opções da concorrência, sobretudo pelo iPhone ou modelos com o sistema operacional Android.

Enquanto 90% dos consumidores das outras marcas pretendem continuar com smartphones do mesmo fabricante pelos próximos anos, cerca de 40% dos donos de aparelhos da Research In Motion estão pensando seriamente em trocar a cereja pela maçã e comprarem um iPhone, enquanto outros 30% lançam olhares de desejo para o Android. Quando perguntados especificadamente se substituiriram seus Curve, Bold ou Pearl pelo Nexus One, 32% dos consumidores da empresa afirmaram que sim, contra apenas 9% dos donos de iPhone, por exemplo.

De acordo com John Martin, CEO da Crowd Science, os proprietários de modelos da RIM “estão se cansando da marca por ela não ser tão ousada”.

Outros dados são que os donos de modelos com Android são mais jovens que os da concorrência, enquanto os que vão de iPhone pretendem usar seus aparelhos para diversão, e não apenas para trabalho. [Inquirer]

Nexus One: ainda longe de chegar ao seu primeiro milhão

O Nexus One, smartphone do Google, é o mais recente portador de um título que vem passando de mão em mão desde o lançamento do iPhone: ele é hoje considerado o mais forte candidato a ser o iPhone-killer. No entanto, assim como os outros portadores do título, o Nexus One também não está conseguindo fazer jus ao rótulo. No período em que o primeiro iPhone vendeu seus primeiro milhão de unidades, o celular do Google chega a apenas cerca de 135 mil unidades.

Em 2007, o primeiro iPhone — aquele que não tinha nem App Store, nem copiar/colar — levou 74 dias para chegar à simbólica marca de um milhão de unidades vendidas. Na próxima sexta-feira, 19 de março, o Nexus One chegará também no seu 74º dia no mercado, mas segundo estimativas da Flurry, empresa que mensura o uso de smartphones, o Nexus One terá chegado a apenas cerca de um oitavo da marca milionária.

Boa parte do sucesso menor do que o esperado tem sido atribuído ao modelo de venda do Nexus One. O aparelho é vendido apenas pelo site www.google.com/phone, não sendo vendido em lojas físicas, nem de eletrônicos e nem de operadoras de telefonia celular. De fato, um aparelho de nível similar rodando o mesmo sistema Android, o Motorola Droid (conhecido em todo o mundo não-americano como Milestone), que é vendido do modo tradicional, chegou ao seu 74º dia no mercado com vendas na faixa de um milhão de unidades, a marca mágica que o Nexus One não conseguiu atingir. [Business Week]

Nada de multitarefa.

Nada de multitarefa.

Dessa vez a Microsoft fez a lição de casa, diretamente a partir do que a escola de Cupertino manda: criou uma plataforma para dispositivos móveis que não tenta reproduzir o ambiente de um computador convencional, com direito a interface bastante amigável e inovadora. Incluíram sincronização fácil com o PC. E, num surto jobsiano, decidiram que não haverá multitarefa nos aparelhos que rodarem o sistema.

É isso mesmo: assim como no iPhone OS (não me venha falar de Jailbreak, por favor) da Apple, que não permite mais de um aplicativo funcionando simultaneamente, o Windows Phone 7 também vai capar essa funcionalidade. Exceto pelo tocador de música, que poderá ser acionado a qualquer momento, todos os outros programas da plataforma deverão ser rodados de forma individual.

O modelo iPhone, no entanto, não para por aí. Assim como no caso da concorrente, a Microsoft também optou por manter notificações de aplicativos que conectam-se permanentemente com servidores, a fim de informar sobre atualizações e novas informações ao dono do aparelho. Com isso, há a falsa impressão de multitarefa. Lembra as Push Notifications (anunciadas durante a WWDC 2009), não?

Pelo menos a Microsoft já afirmou que, conforme a plataforma móvel for melhorada (em uso de bateria e de rede e previsão de gasto de recursos de aplicativos), a multitarefa poderá ser adicionada a outros aplicativos.

[via All About Microsoft]

O iPhone é o sonho de consumo de 9 em cada dez nerds do mundo todo. Essa estatística não muda quando estamos falando dos nerds que trabalham na maior empresa de software do mundo, a Microsoft. Esses nerds também são amantes da tecnologia e querem ter sempre os gadgets mais modernos, o que obviamente inclui o smartphone da Apple.

De acordo com uma matéria do Wall Street Journal, o improvável acontece sim no centro da MS em Seattle: funcionários são vistos com seus iPhones nos corredores, salas de reunião e escritórios. Embora a Microsoft desenvolva sua própria plataforma para dispositivos móveis, atualmente chamada de Windows Phone 7, não há proibição com relação ao aparelho da arqui-inimiga Apple.

Cerca de 10 mil funcionários da empresa de Bill Gates – aquele que perdeu o posto de mais rico do mundo – acessaram o sistema de e-mail corporativo por meio do iPhone em 2009. As informações são de duas fontes do WSJ que dizem ter obtido a estatística com executivos importantes da MS.

Isso seria o equivalente a 10% de toda a força de trabalho da Microsoft no mundo inteiro. Nem de longe reflete a participação de mercado da Apple no segmento de celulares inteligentes, que é de aproximadamente 64%, de acordo com dados referentes a fevereiro/2010 da empresa de análise Quantcast.

Resta saber se o próprio Ballmer usa iPhone. Escondido, é claro. :P

[via Wall Street Journal]

Falando em iPhone, dados levantados pela empresa de análise Localytics indicam que o iPhone ainda não faz sucesso dentro dos escritórios – pelo menos, não a trabalho. Em uma pesquisa feita com os usuários do telefone da Apple realizada nos EUA e Canadá mostra que o uso de apps no aparelho tem menores índices durante o horário de batente, atingindo seu pico exatamente nos momentos de folga de seus proprietários. Aos finais de semana, o uso do aparelho dispara. Confira:

Em sua análise a empresa aponta que “o iPhone ainda é um gadget feito sobretudo para uso pessoal, fora das horas de trabalho” (hey, isso é bom, certo?), o que “reflete diretamente em suas estratégias de marketing e de venda de apps”. Antes de tirar outras conclusões, o texto lembra que “o principal uso do iPhone em ambiente de trabalho pode não ser necessariamente ligado a seus aplicativos, como realizar ligações ou enviar e receber e-mails, por exemplo”.

Dois pesquisadores de uma empresa de segurança chamada TippingPoint Digital conseguiram criar aquela que é considerada a primeira botnet feita unicamente a partir de smartphones. Usando um inocente programa de previsão do tempo com um código malicioso escondido entre suas linhas, os pesquisadores Daniel Tijerina e Derek Brown conseguiram obter dados de cerca de 8 mil proprietários de iPhones e de aparelhos que rodam o sistema operacional Android.

Apesar da dupla afirmar que “ninguém foi prejudicado” com o experimento, entre os dados coletados estavam os números dos aparelhos e a localização geográfica dos smartphones, obtida via GPS, o que mostra o potencial de estrago que uma simples brecha de segurança num dispositivo móvel pode provocar.

A app maliciosa, conhecida como WheaterFirst, não foi distribuída nas lojas oficiais de aplicativos do da Apple e Google, mas sim em sites alternativos feitos para donos de aparelhos que passaram por jailbreak, como Cydia, SlideMe ou Modmyi. [Sophos]

O que não falta na internet são rumores sobre o que as próximas versões do iPhone vão ter. Entre bloqueador de celulares em cadeias e até mesmo um sintetizador de voz do Steve Jobs para que Appemaníacos ouçam o iGod falando, o mais quente rumor do momento diz respeito ao software que o iPhone roda.

iPhone poderia ficar ainda mais forte. (Flickr: Ninjam83)

iPhone poderia ficar ainda mais forte. (Flickr: Ninjam83)

De acordo com o blog Mashable, a próxima versão do iPhone OS poderia finalmente permitir a multitarefa, ou multitasking. Essa é uma das grandes reclamações a respeito do smartphone da Apple, que proíbe sumariamente que mais de um aplicativo seja executado simultaneamente, como no caso dos computadores pessoais. A única exceção a essa regra é o aplicativo de música nativo do sistema, que pode ser executado mesmo quando um jogo estiver aberto, por exemplo.

A multitarefa já é possível por meio do Jailbreak, processo que – evidentemente – a empresa da Maçã desaprova e abomina. Uma vez que o iPhone é desbloqueado, o dono do aparelho já pode rodar vários programas ao mesmo tempo. Já no iPhone OS 4, essa função seria nativa e aprovada pela Apple.

Em tese, a Apple já estaria desenvolvendo regras para que um programa fique apto a rodar em modo multitarefa. Ou seja, a multitarefa teria que ser “conquistada” caso a caso por cada desenvolvedor de aplicação para o iPhone OS. Dessa forma, a empresa não perderia completamente o controle sobre o recurso.

A desculpa da Apple para não oferecer a multitarefa no iPhone até hoje é que a experiência do usuário pode ser incompleta, uma vez que mais travamentos poderiam acontecer graças aos vários programas rodando juntos. O tempo de bateria também poderia sofrer diminuição, uma vez que mais aplicativos sendo executados resultam em maior uso de processamento. [Flickr: Ninja M.]

A AppStore, apesar do estabelecido sucesso e da imensa penetração de mercado, sofre muito com a pirataria – desenvolvedores que mantém registros de usuários online usando seus apps comentam que pra cada 10 usuários conectados aos seus servidores, houve 2 vendas. A dificuldade de piratear aplicativos e jogos no iPhone está no mesmo patamar daqueles brinquedos pra crianças de três anos, em que você precisa encaixar a formas geométricas nos buracos de formato correspondente. E não pense que a falta de escrúpulos é uma característica exclusiva do brasileiro, não – a pirataria na AppStore come solta ao redor do globo.

Além da pirataria, há um outro problema no horizonte que assustava desenvolvedores há algum tempo – a entitulada “corrida ao fundo do poço”. O ecossistema da AppStore condicionou o consumidor a esperar incontáveis apps de 99 centavos; na mente do usuário comum, este é o preço “padrão” da loja virtual.

O problema é que volta e meia desenvolvedores mais ambiciosos dedicam o tempo e o dinheiro pra produzir jogos que fogem do molde de simples minigames com tela de toque e se aproximam muito do padrão de um console portátil dedicado. E pra recompensar o esforço, a base do preço precisa ser um pouco maior – 7, 8, 9 dólares. A quantia não pareceria absurda, não fosse a impressão do usuário comum da AppStore que 99 centavos é o valor “certo” de um jogo.

O modelo, diziam os especialistas da área, parecia inviável. Ao passo de que jogos de produção mais onerosa eram lançados e fracassavam nas vendas (ou se submetiam a descontos bastante significantes apenas pra tentar recuperar o gasto de desenvolvimento), o incentivo pra esse tipo de produção despencava. E a lista dos jogos mais vendidos seria dominada por clones de bejeweled, paciência e joguinhos de sons de peido, tudo por 99 centavos – aniquilando o crescente potencial da plataforma pra jogos “de verdade”.

Entra a ngmoco:), uma empresa de desenvolvimento de jogos pra iPhone e iPod touch iniciada por um ex-executivos da Electronic Arts e da Sega. A gamehouse introduziu o modelo “freemium“, que significa “grátis pra jogar, com uma lojinha onde você pode comprar itens por dinheiro de verdade”. O primeiro jogo a trazer esse modelo foi Eliminate Pro, um jogo de tiro em primeira pessoa.

O jogo te dá um número pre-determinado de “células energia”. Ao jogar, você as gasta. Quando as células acabam, você precisa esperar que elas recarreguem pra poder jogar de novo. Se você quiser continuar jogando, basta comprar células na lojinha do jogo. Se você quiser jogar sem gastar nenhum centavo, você pode, mas o tempo de sua jogatina será limitado.

Na teoria parecia válido, mas logo ficou claro que o esquema não funciona num contexto de competição – os jogadores que não estivessem dispostos a gastar dinheiro não estariam presentes o bastante pra dominar o jogo; aqueles que gastaram mais teriam mais experiência e portanto familiaridade com Eliminate Pro. E isso, por sua vez, desencoraja novos jogadores.

A própria ngmoco:) admitiu que o modelo não funcionou conforme o esperado em Eliminate. Meses mais tarde, a empresa aposta novamente no modelo freemium, dessa vez com WeRule. O jogo é uma espécie de Colheita Feliz pro iPhone – um simulador de cidade em que você pode comprar “mojo” pra acelerar as construções e colheitas.

Em WeRule, os defensores argumentam, o modelo funciona melhor – como não há uma competição real, não há a necessidade de gastar dinheiro. Basta experimentar o jogo com a demora natural de qualquer jogo de simulação.

Entretanto, ainda há críticos. Muitos apontam que o jogo capitaliza em cima da impaciência humana – ao ver as cidades melhores desenvolvidas de seus amigos, até mesmo o jogador mais casual se sente tentado a acelerar suas construções, trazendo ao cenário do jogo uma competição indireta e forçando-o a gastar dinheiro. E pior do que gastar um valor pré-definido num jogo (seja 1 ou 10 dólares), não há um limite de quanto você acabará gastando em WeRule. No screenshot há uma opção de comprar 800 mojos por cinquenta dólares, um valor cinco vez maior do jogo mais caro da AppStore.

Por um lado o freemium permite ao jogador experimentar o jogo completo sem o pre-requisito de gastar dinheiro – o que inibe a pirataria (por que piratear um jogo gratuito? Os desenvolvedores não lucram com o download por si só, e sim com os jogadores que gastarão na lojinha). Por outro lado, há o perigoso potencial de acabar gastando uma quantia maior do que você esperava gastar. Eu mesmo meio que caí nessa armadilha, comprando dois frascos de 30 mojos por 10 dólares ao todo.

Seria um clássico exemplo do barato que sai caro, ou estamos vendo chifre em cabeça de cavalo?