“Não imaginava que o mundo tivesse tantos idiotas até o momento em que comecei a usar a internet”. (Stanislaw Lem, escritor polonês)

Prezados leitores, vocês já tiveram a curiosidade – ou melhor, a coragem – de passar os olhos pelos comentários no site de vídeos YouTube?

Eu comecei a usar internet antes do escritor Stanislaw Lem, morto em 2006. Portanto, a montanha de asneiras não me surpreende mais. Mas as declarações de ódio e intolerância estão se multiplicando, e isso me assusta muito.

Foi quando um amigo publicou um vídeo narrativo no YouTube que a sirene tocou. Para nossa imensa surpresa, ele foi bombardeado por comentários em inglês dizendo para que “ele falasse língua de gente” ou comparando os habitantes do nosso país com índios e símios. Nenhuma postagem a ver com o conteúdo de vídeo em si. Assustado, ele apagou tudo e encerrou a conta.

A situação não é muito diferente quando assistimos a trailers de filmes ou videoclipes de bandas musicais. Parece que tudo o que importa no mundo é a opção sexual do artista. Escolhas políticas ou religiosas também não passam em branco. Eu só soube que o vocalista de uma certa banda inglesa era ateu depois de ver, nesse mesmo serviço de vídeos, comentários que deixariam o próprio satanás enrubescido.

O mal não afeta só o YouTube. E os brasileiros não são nenhum poço de doçura.

Vocês se lembram da repercussão da história em que o apresentador Bóris Casoy tirava onda com garis? Pareceu-me que ninguém podia lamentar ou desaprovar o episódio sem um mínimo de etiqueta. Será que ofender o âncora com termos baixos torna essas pessoas melhores do que ele? Boa parte dos comentários que ressoaram web afora são mais condenáveis até do que a gafe jornalística em si!

Incrível como a falsa sensação de anonimato na internet desperta os instintos mais bestiais nos seres humanos. Dizem que quando você tira tudo de um homem – dinheiro, família e dignidade – é que ele mostra sua verdadeira face. Não precisa ir tão longe… Dê-lhe um login anônimo e apresente todas as maravilhas e possibilidades da rede mundial de computadores!

Não me lembro de quem ouvi esses dias a frase: “o Orkut é tão nocivo que estraga a vida até de quem não tem!”

Por fim, uma última observação. A maior queixa dos viventes nesse mundo moderno – a falta de tempo – parece não fazer sentido quando se analisa a internet. De onde as pessoas tiram tanto tempo para fofocar, plantar maledicências, criar perfis falsos, cutucar desafetos, soltar as amarras da inveja, atentar contra os direitos humanos ou simplesmente… Ofender? Isso as faz, de alguma maneira, se sentirem melhores? Fica a dúvida para os psicólogos dos novos tempos…

Paz na web

Desavenças e baixarias à parte, sabemos da importância da internet na disseminação da informação, da cultura e da comunicação globalizada. É bem verdade que o mundo se tornou outro depois da grande rede.

Porém será que isso justifica a abstrata indicação da internet para o Prêmio Nobel da Paz de 2010? Será que faltam pessoas de carne e osso no mundo para receberem o milhão de dólares que poderá catapultar suas iniciativas sociais? Que tal nossa Zilda Arns, que já concorreu uma vez e morreu heroicamente durante uma missão humanitária no Haiti?

Como bem brincou o pessoal no Twitter, vamos aproveitar e indicar o Macbook para o Pulitzer e o iPod para o Grammy!

iLuv iMM178 e seu “bed shaker”

As lojas estão cheias de modelos de “rádio-relógios” (ainda se usa esse termo?) compatíveis com iPods e iPhones, mas essa dock da iLuv traz algo de novo a esse mercado: ela não apenas tenta te acordar com um alarme sonoro — da mesma forma que qualquer uma de suas concorrentes faz — como também faz tremer sua cama ou seus travesseiro para garantir que você irá, de fato, levantar da cama ao invés de apertar o botão de “soneca”, virar para o outro lado e fingir que nada aconteceu.

Esse feito é conseguido através de um pequeno dispositivo batizado de shaker (“chacoalhador”, por assim dizer) que deve ser colocado na cama para vibrar e acordar aqueles com sono mais pesado. O shaker também possui pequenos alto-falantes que podem também serem usados para ouvir sua música com maior discrição, colocando-o debaixo do travesseio, para só você o ouvir.

Esta maravilha tecnológica com potencial para acabar com seus atrasos no trabalho/estudo (ou não) atende pelo nada humano nome de iMM178 e tem preço sugerido de US$ 99,99 (coincidentemente, cerca de R$ 178).

Walman A845: tarde demais

A Sony apresentou na CES o mais novo representante de sua linha de tocadores Walkman, o modelo A845. Com 16 GB de capacidade, apenas 7 mm de espessura e 63 g de peso, o modelo tem tela OLED de 2.8 polegadas, bateria capaz de reproduzir até 29 horas de áudio ou 9 horas de vídeo com uma única carga e conta com um sistema capaz de anular até 98% do som ambiente, além de se conectar a televisores externos e reproduzir filmes em 720i.

O modelo certamente estaria fadado ao sucesso se não fosse por um pequeno detalhe no meio do caminho: os iPod. Apesar da própria Apple reconhecer que sua participação neste concorrido mercado sofreu uma sensível queda nos últimos anos, os números passaram de 92% registrados em 2004 para cerca de 74% em 2009, motivados mais pela popularização de celulares capazes de tocar músicas do que pelo surgimento de um rival de peso no segmento.

Ou seja, apesar de sem dúvida parecer um bom produto, há cinco anos o A845 seria um tremendo um sucesso. Em 2010 e sem maiores inovações, está destinado ao esquecimento.

Cadê meu iPod, Apolônio???

A União Européia quer que todos os MP3 players vendidos nos países que a compõe — incluindo o mais-do-que-bem-sucedido iPod — tenham um limite máximo de volume de 85 dB.

No ano passado um relatório alertou que 10 milhões de pessoas têm perda permanente de audição em decorrência de exposição prolongada a músicas em alto volume. Assim, especialistas da UE definiram que os players deverão ser vendidos com um limite máximo padrão de 85 dB, que poderia ser posteriormente alterados pelo usuário para atingir até 100 dB.

Muitos aparelhos hoje em dia chegam a volumes de até 120 dB, o que, comparativamente, seria a mesma pressão sonora de um avião a jato decolando. Ouvir música em volumes excessivamente altos podem causar danos irreversíveis à audição. A capacidade auditiva, uma vez perdida dessa maneira, não pode ser recuperada por nenhum tipo de tratamento conhecido pela medicina atual. [BBC]

Nook: poucos amigos

Nook: poucos amigos

O Nook, e-reader desenvolvido para ser um anti-Kindle pela loja Barnes & Noble, não vem recebendo os melhores reviews da imprensa norte-americana. Pelo menos entre os mais respeitados colunistas dos EUA o aparelho vem sendo uma triste unanimidade.

Enquanto Walt Mossberg, do Wall Street Journal, afirma que o aparelho é “chato”, David Pogue, do New York Times afirmou que o aparelho é “lento como uma lesma no inverno”. Pior que isso, o site Sillicon Alley Insider foi o mais longe possível no que se trata de ofensa no mundo da tecnologia: comparou o aparelho ao Zune, MP3 player da Microsoft que falhou miseravelmente em sua tarefa de bater o iPod.

Entre os os motivos afirmam que o Nook é apenas uma cópia muito próxima do Kindle, assim como o Zune era uma cópia do iPod e que a exemplo do player da Microsoft, o Nook chegou com uma quantidade menor de conteúdo em sua loja online, além de seu sistema de compartilhamento ser repleto de restrições.

Por essas e outras, eles prevêem que as vendas do aparelhinho não devem decolar pelo menos enquanto sua fabricante não fizer as devidas atualizações em seu software, para aumentar sua velocidade e acabar com seus travamentos, enquanto lembram que a Amazon fará de tudo para não deixar seu reader para trás ness briga.

Briga, aliás, que deverá ganhar novos competidores em breve, já que a matéria afirma que a “Apple ou Microsoft” devem entrar no mercado de readers ainda este ano, com aparelhos “coloridos e equipados com telas sensíveis ao toque”.

Seja livre, use pianola!

Seja livre, use pianola!

Agora que o Mininova bateu as botas, provavelmente é hora de arrumar outra maneira de ouvir músicas. E que tal considerar uma solução que provavelmente (não dá pra ter certeza de nada nessa vida) é livre se perseguição da RIAA?

Esta mini pianola mecânica pode ser encontrada por US$ 16 (R$ 25) na Urban Outfitters e vem com uma tira em que é possível ouvir o clássico “Parabéns para você” e outras em que é possível fazer seus próprios furos (um furador especial vem junto para ajudar na tarefa) e compor sua canção.

O lado ruim é que o brinquedo não tem tela de LCD, touchscreen, bateria, fones de ouvido brancos, USB, capacidade de acessar a internet nem uma app store.

O lado bom é que é totalmente livre de dores de cabeça como DRM, direitos autorais e processos judiciais.

Acho que vale a pena.

Já é tradição nos Estados Unidos que grandes redes de varejo – e outras nem tanto – ofereçam produtos por preços diferenciados na sexta-feira após o Dia de Ação de Graças, que cairá justamente no próximo dia 27/novembro. A Apple americana é uma dessas empresas, até aí tudo bem. O detalhe é que a Apple Store Online brasileira decidiu aderir às promoções.

Confira abaixo o anúncio da promoção mundial.

Evento especial "Um dia de compras da Apple" 27 de novembro. (Reprodução)

Evento especial "Um dia de compras da Apple" 27 de novembro. (Reprodução)

Ainda não há informações sobre o quão interessantes essas promoções serão, nem com relação aos produtos que serão afetados por ela. O que importa é que na próxima sexta-feira os brasileiros ávidos por ter um MacBook ou iPod provavelmente terão essa oportunidade, e os que já têm poderão aumentar ainda mais a família de gadgets produzidos pela companhia de Steve Jobs. [MacWorld]

doubletwistDVD Jon, criador do aplicativo de sincronização e download de músicas doubleTwist, havia prometido na semana passada que “traria escolha” para os usuários do software em 6 de outubro. Famoso pela esperteza ao lidar com a Apple, DVD Jon remixou uma propaganda antiga da maçã para fazer o comunicado.

Como prometido, hoje a frase dele começou a fazer mais sentido: o doubleTwist passou a ter a Amazon MP3 Store, loja de músicas digitais da Amazon, como fornecedora de mídia.

Não é uma surpresa que Jon tenha escolhido um concorrente da iTunes Music Store para seu programa. Ao ser lançado, o doubleTwist foi classificado por Jon como a melhor opção que donos de iPhones e iPods sincronizassem seus dispositivos sem a ajuda do iTunes.

O programa, que ainda se encontra em fase de testes beta, é distribuído gratuitamente. Por enquanto é preciso ter um computador com Mac OS instalado para comprar e baixar músicas da Amazon MP3 Store, mas  versão para Windows está planejada para 13 de outubro. Além de iPhones e iPods, o doubleTwist também funciona com centenas de outros dispositivos, incluindo Blackberry, Palm Pre, PSP e qualquer tocador de MP3 que seja detectado como disco USB removível.

Infelizmente a Amazon MP3 Store estará acessível somente para moradores dos Estados Unidos. [Engadget]

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evilPod?

A Comissão Europeia planeja que reprodutores de MP3 sejam vendidos com dispositivo de nível sonoro seguro, que alerte caso o volume esteja muito alto. Em outras palavras, o controle de volume deveria ter um indicador claro de quando o volume passar do recomendável, o que atualmente não acontece.

Para decidir qual seria o nível seguro para escutar música, a Comissão mantém conversas com a Cenelec (Comitê Europeu para Padronização Eletrotécnico). O objetivo é definir qual seria o melhor padrão para esse tipo de coisa. Caso seja aprovada, a regulamentação só começa a valer na União Europeia a partir de 2011.

Mais interessante dessa história é que em 2008 o comitê científico da UE disse que entre 5% e 10% dos usuários de MP3 players deixam o volume do aparelho acima do recomendado. Só na Europa seriam 10 milhões de pessoas com possíveis danos permanentes à capacidade auditiva.

Já escrevi há algum tempo que a Doença do iPod é poderia ser um dos males desse século. Mas pergunte se eu providenciei fones de ouvido com isolamento acústico, que ajudam nessa questão…

E você, como faz para proteger seus ouvidos dos danos que a música em volume excessivo pode causar?  [FOL/Foto: nao-cha]

A Apple causou pouco rebuliço ao anunciar que os novos iPods Nano ganhariam câmera de vídeo integrada, para que o usuário pudesse gravar o que quisesse depois transferir para o computador. Pior, a falta de câmera de vídeo nos iPod Touch foi o que causou verdadeiro espanto, já que isso era dado como certo.

No entanto, essa novidade já causa problema para os donos dos iPods com câmera. A rede de academias americana Life Time Fitness inclui os Nanos na lista de dispositivos cujo uso é restrito. Até então, smartphones e câmeras de vídeo Flip deveriam permanecer nos armários enquanto o aluno fizesse suas atividades. No caso dos Nanos, a pessoa até poderá escutar música, mas se ficar tempo de mais com o aparelho na mão, como se estivesse filmando alguém, poderá ser repreendido.

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O Japão, onde a popularização de gadgets multiuso é mais do que notória, decidiu enfrentar a invasão de privacidade obrigando os fabricantes a colocar alertas sonoros toda vez que uma foto fosse feita. Mesmo em modo silencioso, o alerta sonoro funciona, para que os japoneses não se aproveitem do descuido alheio para fazer fotos mais “abusadas”. Só não sei como os nipônicos regulamentam o uso de câmeras de vídeo embutidas em outros equipamentos. [Gizmodo]