Apesar da crise do começo do ano, o final de 2009 registrou o maior aumento na venda de computadores domésticos dos últimos sete anos. De acordo com o Financial Times, o crescimento médio da indústria nos últimos meses de novembro e dezembro ficou entre 15% e 22%, estimulado sobretudo pela popularização dos netbooks e de outras máquinas de baixo custo, como os nettops, por exemplo.

Os dados da empresa de pesquisa IDC mostram que a fabricação de computadores aumentou 2,3% do período, enquanto a Gartner aponta um crescimento de 5,2%.

A maior fabricante de computadores do mundo continua sendo a HP, com 23% do mercado global de computadores, seguida, de longe, pela Acer, que tem 13,4% – um crescimento de 28% em relação a 2008. Já a Dell viu seus números caírem 5% e agora tem 12,5% do bolo. Os grandes destaques do ano foram a Lenovo e a Toshiba, com crescimentos de 42% e 30%, respectivamente.

Apple: um milhão de notebooks por mês

Uma fonte da empresa chinesa Quanta, contratada pela Apple para manufaturar a maior parte de seus Macbooks, Macbooks Pro e Air vendidos em todo mundo, afirmou ao site Digitimes que a empresa da maçã aumentou suas encomendas de computadores móveis, que variavam entre 300 e 400 mil unidades no começo de 2009, para um milhão de computadores no final do ano. Essa, inclusive, é a estimativa de vendas para este mês de janeiro em todo mundo.

Segundo a matéria, em 2009 a empresa de Steve Jobs comercializou 7 milhões de computadores, e anda animada com as encomendas – que provavelmente já incluem o vazado Macbook Pro i5. De qualquer maneira, apesar das fábricas operarem em plena carga, a produção deve cair 5% em fevereiro por conta de um tal Ano Novo Lunar que fará a China ter menos dias de trabalho no próximo mês.

Internet móvel 3G e netbooks possuem muitas semelhanças. Nas alegrias e nos desgostos.

Para começar, são as duas tecnologias que brilharam no Brasil em 2009. A aquisição de aparelhos e modems 3G não pára de crescer. Em setembro, a Cisco relatou, em pesquisa, um aumento de 34% nas conexões móveis em relação ao semestre anterior. Ao contrário do que muitos imaginam, hoje 76% das conexões móveis são para uso pessoal, residencial, contra 23% do setor corporativo.

O fenômeno brasileiro é sui generis. Com a banda larga móvel, nem sempre é pura mobilidade o que os brasileiros buscam. O serviço veio a preencher uma lacuna de mercado, compensando as deficiências de território da banda larga fixa convencional. Apesar de terem cumprido suas metas com a Anatel, as operadoras ainda mostram enormes falhas de distribuição, baixa concorrência e preços elevados, dificultando a homogeneidade da inclusão digital por todas as regiões do país. Nesse ínterim, o 3G levou a internet de maneira mais democrática a pessoas até então desplugadas não por opção, mas por falta de disponibilidade.

Nossa adoção é representativa, mas ainda falta muita coisa. Se considerarmos nossos vizinhos da América Latina, então, os números são até vergonhosos. Apanhamos feio de argentinos e chilenos no acesso à informação e educação pelo meio digital.

Os netbooks trilharam um caminho parecido. Esses laptops super pequenos, leves, e de baixo poder de processamento, foram a salvação de grandes empresas de TI em tempos de crise. Crise, aliás, pouco refletida no Brasil em termos de vendas de terminais.

Enquanto em muitos países os netbooks se tornaram uma excelente opção como segunda máquina de profissionais móveis, estudantes e viajantes, no Brasil eles ganharam visibilidade maior na classe C. Foram vistos como opção para o primeiro computador de muita gente. O baixo custo é o principal atrativo, que, por sua vez, puxou para cima também a venda de modems para internet móvel. Pessoas até então restritas ao acesso web no trabalho, escolas ou terminais públicos, passaram a contar com seu próprio dispositivo.

Quando a lua-de-mel acaba…

Não é segredo algum que os serviços 3G estão muito aquém das expectativas em termos de qualidade.

Campeãs de queixas em entidades de defesa do consumidor, as operadoras ainda não nos deram explicações ou compensações pelos serviços ruins prestados. Os preços não caíram (ao contrário, em média aumentaram desde o advento dos primeiros planos de internet móvel do mercado em 2005) e o pós-venda continua ineficiente, mesmo após o vigor da lei do callcenter. Se servir de consolo, as operadoras também amargam altas taxas de insatisfação na Europa e EUA. A diferença é que há competitividade, e nesses lugares, as pessoas não pagam tanto quanto aqui. Temos a internet mais cara do planeta.

Os netbooks, mais uma vez, compartilham semelhanças. Uma pesquisa recente divulgada nos EUA há alguns meses mostrou que apenas 58% das pessoas que compraram esses portáteis mostraram-se satisfeitas com o desempenho dos equipamentos.

O barateamento dos netbooks atrai, muitas vezes, o público errado a esses equipamentos. Não temos números oficiais, mas é bem provável que o mesmo descontentamento esteja ocorrendo no Brasil, já que as limitações técnicas dos aparelhos parece ser simplesmente ignorada pelo comércio. Grandes varejistas vendem netbooks de marcas populares, como os da Positivo, a preços muito atraentes, mas os anunciam simplesmente como “notebooks”.

Tenho tido cada vez mais contato com pessoas que se dizem insatisfeitas e até lesadas com esse tipo de portátil. Mesmo geeks que se empolgaram com a novidade num primeiro momento esfriaram, ainda que esses mini-laptops estejam ganhando hardware mais poderoso.

Não é raro ver consumidores abandonando desktops ao comprar netbooks, um erro terrível. Infelizmente, esses mini-laptops não foram feito para atividades que exijam mais memória e processamento. A maioria sequer possui leitores óticos para CDs ou DVDs, mostrando claramente que seu objetivo é outro. Como o nome diz, “netbook” serve para proporcionar maior liberdade e mobilidade no acesso à web: páginas da internet, emails, serviços online. Em boa parte desses dispositivos, música e vídeo devem passar longe, já que com 4, 8 ou 16 GB de armazenamento quase nada pode ser feito. Os processadores e memória mais exíguos também limitam o uso de vários programas simultâneos.

Netbooks nasceram, como dito anteriormente, como um dispositivo a mais para usuários que demandam muita mobilidade. Cabem em qualquer bolsa, despistam gatunos, são versáteis nas interfaces de acesso à internet e possibilitam mais conforto de tela e teclado para aqueles que querem um pouco além de seus smartphones.

É irônico que os dois ícones digitais do país em 2009 possuam, ao mesmo tempo, percepções semelhantes em termos de adesão ou descontentamento. O que foi responsável por isso? Pouca informação? Publicidade enganosa? Falta de rigor de entidades que deveriam fiscalizar a prestação de serviços? É bem provável que seja um pouco desses três itens, já que, assim como o 3G e o netbook, eles também são fenômenos tipicamente brasileiros.

Apesar de o Linux não ser um sistema operacional extremamente popular (e sejamos francos, além do Windows, nenhum é), a fatia de mercado que detém entre os netbooks é digna de nota: 32% dos 35 milhões de netbooks comercializados esse ano vieram/virão com o sistema de código aberto, segundo Jeff Orr, analista da ABI.

Ainda segundo Orr, o Ubuntu é a distribuição preferida nos netbooks, e o Linux deve superar o Windows nessa categoria até o ano de 2013. A Microsoft, por outro lado, sustenta que “mais de 93% dos pequenos notebooks do mundo rodam Windows atualmente.” [ComputerWorld]

lemmon_battery_labels_winXPAntes da notícia em si, permitam-me uma breve divagação sobre o motivo da importância do Windows 7 em netbooks. Aqueles que dispensarem essas considerações, sintam-se à vontade para pular os próximos dois parágrafos.

Um dos pontos vitais que exigia o lançamento do Windows 7 como um sistema mais leve (entenda-se, consumindo menos recursos) que o Vista era o crescente mercado de netbooks, os mini-notebooks de tela pequena e configurações humildes que tem por principal função serem super-portáteis para acessar a internet em qualquer lugar. Baratos e práticos, eles formam um dos segmentos que mais cresceu nos últimos tempos, mas viam-se resignados a utilizar o velhinho-que-ainda-dá-no-couro Windows XP ou o não-tão-amado-pelos-leigos-mas-cada-vez-mais-popular Linux.

Nenhuma das alternativas deixava os executivos da Microsoft felizes. Podem estar certos que, em alguma folha de flip-chart em Redmond, numa das primeiras reuniões para definir como seria o sucessor do Vista, leu-se em letras garrafais “MUST RUN ON NETBOOKS!” (“Precisa rodar em netbooks“, em bom português.)

E assim foi feito, e o Windows 7 fez sua primeira aparição pública no ano passado rodando em um netbook da Lenovo. Missão cumprida, mas hoje parece que nem tudo saiu tão bem assim. Segundo testes realizados pelo Laptop Mag, Liliputing e jkOnTheRun, o Windows 7 tem, em média 47 minutos de bateria a menos que seu antecessor do ano de 2001. Confira a tabela completa:

Netbook Win XP Win 7 Diferença
Toshiba mini NB205 9:24 8:51 33min
ASUS Eee PC 1008HA 5:40 4:43 57min
HP Mini 311 5:43 4:52 51min

Para o Toshiba e suas 9h de bateria a diferença pode não ser tão significativa, mas nos demais modelos uma hora a menos de bateria talvez seja um déficit que os proprietários não queiram aturar. Assim, mesmo com o Windows 7, talvez os netbooks garantam uma sobrevida maior que a esperada ao XP. Ou talvez seja só esperar pelo SP1.

OLPC: novas versões vêm aí

OLPC: novas versões vêm aí

Num anúncio que provavelmente surpreendeu dezenas de pessoas em todo o mundo, o pesquisador Nicholas Negroponte afirmou numa entrevista ao site Xconomy que o projeto do OLPC-2 – segunda geração do computador educacional que deveria chegar ao mercado em 2011 equipado com duas telas (uma normal e outra sensível ao toque, que também faria vezes de teclado) – foi engavetado.

Segundo o Negroponte, o cancelamento do projeto não representa o fim do OLPC, que deverá ganhar futuras atualizações e versões. O próximo modelo da linha deverá ser a versão 1.75, com o mesmo design externo verdinho do modelo atual e equipado com processador ARM, ainda sem data para chegar ao mercado. Já a cereja do bolo é a futura versão 3.0, com previsão de lançamento para 2012, com “desenho semelhante ao de uma folha de papel, todo de plástico, inquebrável, à prova d´água, mais fino, sem conectores, tela colorida e 1 w de consumo, por apenas US$ 75”, especificações interessantes para qualquer criança carente e geeks que existem por aí.

Quanto ao mercado, Negroponte afirma que já foram produzidos mais de 1,1 milhão de OLPC desde o começo do projeto, mas comenta: “os números absolutos nem são tão importantes assim quando se lembra que atualmente um terço dos computadores produzidos em todo mundo são netbooks”, tomando para si a paternidade do segmento das máquinas de baixo custo, que viraram febre nos últimos anos.