Como parte do processo iniciado pela Viacom contra o YouTube em 2007 por infração de direitos autorais, centenas de documentos que antes eram confidenciais foram disponibilizados para o acesso geral do público hoje. E as informações que eles contém são um bom exemplo de como roupa suja lavada em público é mais divertido de assistir, por assim dizer.

Um dos documentos constam as mensagens trocadas entre executivos de ambas as empresas e entre seus empregados. Numa delas, de acordo com a Viacom, um dos fundadores do YouTube pede que seu colega pare de fazer upload vídeos com direitos autorais protegidos, pois “será difícil convencer um juiz de que o YouTube não tolera vídeos protegidos quando um dos co-fundadores é quem os está enviando para o site”.

Em outro documento revelado estão evidências de que a gigante de mídia americana tentou comprar o YouTube pouco mais de um ano antes de iniciar o processo e até chegou a sugerir que ele fosse comprado em conjunto com o Google. A já a gigante de Mountain View acusa a Viacom de contratar 18 pessoas para usar computadores de lan houses com o objetivo criar contas com emails falsos e enviar os próprios vídeos para o site, alguns deles claramente modificados para simular a edição de outros clipes já publicados.

O caso será julgado ainda esse ano numa corte de Nova York, nos EUA. Os documentos da Viacom estão disponíveis nesse link e os do Google estão nesse link, ambos em inglês e juridiquês e completos com várias intrigas e especulações. [CNET]

Um projeto de lei que combate a troca ilegal de arquivos na internet foi aprovado essa semana na Câmara dos Lordes britânica, casa mais alta do parlamento das terras de vossa majestade.

Atendendo pelo nome de Lei da Economia Digital, o artigo foi criado por Peter Mandelson, Secretário de Negócios do governo, e foi recebida de braços abertos pela indústria fonográfica local, que não escondeu sua satisfação com os capítulos que preveem que os usuários que forem pegos fazendo download ou upload de material protegido por direitos autorais podem ser processados e ter seu acessocortado por período indeterminado à web.

Além disso, o projeto conta com mecanismos legais que agilizam o bloqueio de sites que oferecem material pirata para download, apesar dos alertas do Google, British Telecom e Facebook de que seria mais efetivo aplicar multas contra essas páginas no lugar de apenas restringir seu acesso.

Como era de se esperar, a decisão vem provocando polêmica. Os críticos apontam que a lei pode fazer com que sites participativos, como o YouTube, possam ser bloqueados por conta de material postado por seus usuários, além de apontar que o texto é incompatível com a Diretriz de Padrões Técnicos para a internet em vigor na União Europeia.

À rede de notícias BBC, James Killock, diretor executivo do Open Rights Group afirma que os representantes do governo estão aprovando “uma lei draconiana sem qualquer debate democrático”. Já a BPI, organização que representa as gravadoras do país afirma que “a aprovação da lei é um passo fundamental para a sobrevivência do setor criativo”

A Lei da Economia Digital ainda precisa ser aprovada na Câmara dos Comuns e pelo primeiro ministro Gordon Brown para entrar em vigor.

“Não imaginava que o mundo tivesse tantos idiotas até o momento em que comecei a usar a internet”. (Stanislaw Lem, escritor polonês)

Prezados leitores, vocês já tiveram a curiosidade – ou melhor, a coragem – de passar os olhos pelos comentários no site de vídeos YouTube?

Eu comecei a usar internet antes do escritor Stanislaw Lem, morto em 2006. Portanto, a montanha de asneiras não me surpreende mais. Mas as declarações de ódio e intolerância estão se multiplicando, e isso me assusta muito.

Foi quando um amigo publicou um vídeo narrativo no YouTube que a sirene tocou. Para nossa imensa surpresa, ele foi bombardeado por comentários em inglês dizendo para que “ele falasse língua de gente” ou comparando os habitantes do nosso país com índios e símios. Nenhuma postagem a ver com o conteúdo de vídeo em si. Assustado, ele apagou tudo e encerrou a conta.

A situação não é muito diferente quando assistimos a trailers de filmes ou videoclipes de bandas musicais. Parece que tudo o que importa no mundo é a opção sexual do artista. Escolhas políticas ou religiosas também não passam em branco. Eu só soube que o vocalista de uma certa banda inglesa era ateu depois de ver, nesse mesmo serviço de vídeos, comentários que deixariam o próprio satanás enrubescido.

O mal não afeta só o YouTube. E os brasileiros não são nenhum poço de doçura.

Vocês se lembram da repercussão da história em que o apresentador Bóris Casoy tirava onda com garis? Pareceu-me que ninguém podia lamentar ou desaprovar o episódio sem um mínimo de etiqueta. Será que ofender o âncora com termos baixos torna essas pessoas melhores do que ele? Boa parte dos comentários que ressoaram web afora são mais condenáveis até do que a gafe jornalística em si!

Incrível como a falsa sensação de anonimato na internet desperta os instintos mais bestiais nos seres humanos. Dizem que quando você tira tudo de um homem – dinheiro, família e dignidade – é que ele mostra sua verdadeira face. Não precisa ir tão longe… Dê-lhe um login anônimo e apresente todas as maravilhas e possibilidades da rede mundial de computadores!

Não me lembro de quem ouvi esses dias a frase: “o Orkut é tão nocivo que estraga a vida até de quem não tem!”

Por fim, uma última observação. A maior queixa dos viventes nesse mundo moderno – a falta de tempo – parece não fazer sentido quando se analisa a internet. De onde as pessoas tiram tanto tempo para fofocar, plantar maledicências, criar perfis falsos, cutucar desafetos, soltar as amarras da inveja, atentar contra os direitos humanos ou simplesmente… Ofender? Isso as faz, de alguma maneira, se sentirem melhores? Fica a dúvida para os psicólogos dos novos tempos…

Paz na web

Desavenças e baixarias à parte, sabemos da importância da internet na disseminação da informação, da cultura e da comunicação globalizada. É bem verdade que o mundo se tornou outro depois da grande rede.

Porém será que isso justifica a abstrata indicação da internet para o Prêmio Nobel da Paz de 2010? Será que faltam pessoas de carne e osso no mundo para receberem o milhão de dólares que poderá catapultar suas iniciativas sociais? Que tal nossa Zilda Arns, que já concorreu uma vez e morreu heroicamente durante uma missão humanitária no Haiti?

Como bem brincou o pessoal no Twitter, vamos aproveitar e indicar o Macbook para o Pulitzer e o iPod para o Grammy!

YouTube: agora com legendas geradas automaticamente

A partir desta quarta-feira (4) o YouTube passou a tornar disponíveis legendas automáticas (auto-captioning, em inglês) a todos os usuários do YouTube. Com isso, o Google pretende tornar os vídeos mais acessíveis a deficientes auditivos e a pessoas do mundo todo que não entendem inglês.

O recurso — que estava em um beta exclusivo a usuários selecionados desde Novembro de 2009 — consiste em identificar automaticamente o que é falado no vídeo (através das tecnologias de reconhecimento de voz que o google usa no Google Voice e no Nexus One) e assim gerar automaticamente a legenda para o vídeo, mesmo que o usuário que o colocou no a não tenha adicionado nenhuma legenda. Outra possibilidade disponível assim que se gera a legenda é a de tradução automática para 50 idiomas, incluindo o português.

O recurso ainda não funciona com perfeição, principalmente se os vídeos tiverem ruídos que atrapalhem o reconhecimento (o ideal seriam vídeos com o áudio isento de ruídos e sons de fundo, contendo apenas a fala). Ainda assim, para quem é deficiente auditivo ou não entende a língua do vídeo, a transcrição é boa o suficiente para quebrar um galho.

Outra restrição do serviço é que, ao menos por hora, ele apenas transcreve a partir do áudio em inglês — aliás, eu ri bastante vendo os resultados potencialmente hilários obtidos quando o sistema tenta entender um vídeo em português, apresentando a legenda com as palavras em inglês que mais soam parecidas com o que é falado em português. Mas como o sistema roda nos servidores do Google, que claramente está investindo bastante em tecnologias de reconhecimento de voz para seus produtos, não se surpreenda se, sem aviso algum, o sistema for melhorando, passando a reconhecer melhor as palavras em inglês e até mesmo acrescentando reconhecimento de outras línguas. Na verdade, no anúncio no blog do YouTube o gerente de produto Hiroto Tokusei afirma que o Google planeja adicionar reconhecimento de fala a mais línguas nos próximos meses.

Além disso, outra vantagem o novo recurso é que o usuário que fez o upload do vídeo pode tomar uma legenda automaticamente gerada como base para criar uma legenda precisa. Basta que ele baixe a legenda automática, corrija o que estiver errado e faça o upload. Essa facilidade tem potencial para aumentar significativamente o número de vídeos com legendas precisas adicionadas pelos próprios autores, uma vez que o trabalho dos mesmos passará a ser muito menor.

Dois alemães resolveram tirar seus antigos notebooks Apple Powerbooks, linha anterior à atual Macbook Pro e produzida pela empresa da maçã entre 1992 e 2006, da mais do que merecida aposentadoria para transformá-los em pranchas de snowboard.

Confira no vídeo, que não é recomendável para pessoas sensíveis nem fanáticas demais pelos produtos da Apple:

Três executivos do Google serão processados pela Procuradoria de Milão por conta de um vídeo postado por um usuário do YouTube em que três jovens apareciam agredindo verbalmente um garoto com síndrome de Down.

O caso aconteceu no final de 2006 e a gigante da web se defende afirmando que retirou o vídeo do ar “horas depois” de ter sido informada a respeito de seu conteúdo, o que não livrou os executivos George Reyes, David Drummond e Peter Fleischer de responderem criminalmente a respeito do caso. Apesar do trio já ter sido inocentado das acusações de difamação, ainda podem pegar seis meses de cadeia por conta de acusações de invasão de privacidade.

Em um post em seu blog, o Google afirma que o caso é “um ataque contra os príncipios essenciais sobre os quais a internet foi construída” e lembra que as leis europeias preveem garantias a provedores de conteúdo gerado por terceiros, desde que qualquer material considerado impróprio seja retirado do ar logo que alguma irregularidade seja identificada.

A denúncia contra o Google foi feita pela associação local Vividown, que cuida e defende pessoas portadoras da síndrome. O julgamento deve ser iniciado em 3 de março.

Se você chegou agora na internet (bem-vindo(a) e assine o feed do Tecnoblog), provavelmente não deve conhecer o RickRoll, um meme que habita a rede mundial de computadores há algum tempo. Ele consiste em sacanear seus amigos noobs enviando-os um link para um vídeo do YouTube e uma descrição interessante. Ao abrir, seu amigo vai perceber que o vídeo não é nada que foi descrito, mas sim o clipe da música “Never Gonna Give You Up”, do cantor americano Rick Astley.

"Never gonna give you up/ Never gonna let you down" #NOT

O vídeo se tornou um viral, atingindo mais de 30 milhões de views no site de compartilhamento de vídeos do Google. Esse número não deverá crescer mais, já que o vídeo original foi tirado do ar hoje pela atual detentora dos direitos autorais da música, a Sony BMG. Obedecendo ao chamado DMCA Takedown Notice (aviso de infração de copyright americano) enviado pela empresa, o YouTube não teve outra opção, senão tornar o vídeo inacessível (aqui está a prova, em forma de captura de tela).

Para ajudar a entender as possíveis causas para essa ação repentina por parte do braço musical da Sony, separei as três possibilidades mais plausíveis. 1: A Sony pode achar que vai ganhar mais dinheiro ao tirar o vídeo do ar, pois as pessoas irão comprar a música em vez de ver o clipe; 2: Os advogados da empresa têm bastante tempo livre e por isso vão tirar do ar todas as dezenas centenas milhares de cópias do clipe, começando pela enviada originalmente; 3: Algum executivo do alto escalão da companhia foi Rickroll’ado tantas vezes que se enfureceu e resolveu cortar o mal pela raiz.

Acredito que a terceira opção seja a mais crível. Ou, como se trata de uma gravadora, a menos estúpida. [Neowin]

[Atualização às 17:22]: Aparentemente a Sony voltou atrás na sua decisão e o vídeo está acessível novamente. Obrigado ao Matheus Bonela pela dica nos comentários!

Vários produtos e serviços do Google, como o Orkut e o YouTube, já anunciaram que estarão desabilitando o suporte ao navegador Internet Explorer 6 num futuro próximo, mas nunca deram uma data mais definitiva do que ‘em breve’. Hoje, no entanto, esse panorama mudou. Segundo um item na sessão de ajuda do YouTube, o último dia de suporte ao antigo navegador da Microsoft será 13 de Março.

Isso não quer dizer, necessariamente, que daqui a duas semanas e 4 dias haverá um aumento enorme de produtividade mundial em empresas que não permitem o uso de outros navegadores ou que ainda não atualizaram para uma versão menos defeituosa do Internet Explorer. Os empregados dessas companhias poderão continuar assistindo aos vídeos do YouTube tranquila e disfarçadamente dentro dos seus cubículos. Porém, a cada 2 semanas, a seguinte tela será exibida antes do vídeo:

Usuários que insistirem em não atualizar, segundo o Google, não poderão tirar vantagem de todas as novas melhorias e características que serão disponibilizadas no futuro, pois elas funcionarão apenas em navegadores mais modernos, como o Safari, Internet Explorer 7 ou 8, Firefox e Chrome.

No caso do Orkut, um bom incentivo que provocaria um upgrade em massa de navegadores seria desabilitar o aplicativo Colheita Feliz no IE6. Você pode achar graça, mas eu falo sério. [ArsTechnica]

[Atualização às 15:05]: Como bem aponta o Mashable, esse não é o primeiro produto do Google a ter uma data certa para deixar de oferecer suporte ao IE6. No dia 1º de março, o Google Docs e Google Sites deixarão de oferecer suporte ao navegador. O YouTube só está seguindo o mesmo caminho. Espera-se que o Orkut seja o próximo.

Peter Sundae, um dos fundadores do Pirate Bay, divulgou hoje o projeto no qual estava trabalhando desde que saiu da equipe do site de torrents em agosto do ano passado: Flattr, que por sinal foi nomeado seguindo as linhas de empresas Web 2.0, cortando vogais de palavras existentes em inglês.

Segundo a descrição no site, o alvo do serviço é “revolucionar como as pessoas pagam e são pagas por conteúdo na internet”. O vídeo disponível na página inicial do Flattr descreve como ele funciona: cada mês, os usuários pagam uma taxa fixa (em inglês, ‘flat rate‘). Ao acessar um site de um criador de conteúdo cadastrado, o usuário clica no botão do Flattr. No final do mês, a taxa que foi paga é dividida entre todos os cliques dados pelo usuário. Se você clicou em 100 botões do Flattr, a taxa será dividida e distribuída igualmente entre os 100 criadores de conteúdo.

A idéia é inovadora e Peter já até disse no twitter que pretende integrar o serviço em sites com grande conteúdo, como o YouTube e Flickr.

O serviço ainda está em beta e só disponível para quem receber convites. É possível se cadastrar na página inicial para ser convidado, mas eu preferi mendigar o meu.

Ainda de procurando uma maneira de tornar o Youtube mais atraente para eventuais anunciantes, o Google anunciou hoje uma nova ferramenta para seu popular site de vídeos, o Modo Seguro.

Por hora apenas disponível em inglês, a novidade permite “filtrar qualquer tipo de conteúdo impróprio que o usuário não queria ver e que gostaria que não estivesse ao alcance de sua família”, como vídeos violentos, pornográficos ou com palavrões. A funcionalidade faz o sistema do site não retornar certos resultados em sua página de busca e bloquear o site a determinados vídeos.

Como padrão, o Modo Seguro também esconde os comentários dos vídeos e substiui os palavrões postados pelos visitantes por asteriscos, funcionalidade mais do que bem-vinda e que apesar de ainda não ter nome facilmente poderia ser batizada de “anti-troll”.

Por hora o Modo Seguro está disponível apenas na versão em inglês do Youtube, e pode ser ativado por qualquer usuário. Veja seu vídeo de apresentação: