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Voe ao redor do mundo com Pocket Planes

"O game não é aquele tipo de simulação profunda que exige elaboração de tabelas de Excel pra bolar o sistema perfeito de otimização."

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7 anos atrás

Sou um de muitos gamers (e alguns nem tão gamers assim) que tiveram a produtividade completamente aniquilada esta semana por mais um joguinho “grátis” da Nimblebit,  a turma que nos deu Tiny Tower no ano passado. Quando chegou a hora de escrever essa coluna, não consegui pensar em outra coisa pra discutir que não fosse o bendito jogo.

 

Pocket Planes é um jogo de simulação light de companhia aérea. O game não é aquele tipo de simulação profunda que exige elaboração de tabelas de Excel pra bolar o sistema perfeito de otimização; a identidade visual de Pocket Planes meio que entrega a natureza casual do jogo. Entretanto, eu diria que isso é uma coisa boa, considerando a plataforma.

O game é, em seu cerne, extremamente simples: passeie por cidades ao redor do mundo com seus aviõezinhos pixelizados coletando passageiros e cargas e deixando-os em seus destinos. Quanto maior a distância, maior o lucro do vôo. O dinheiro acumulado pode ser usado para adquirir aviões melhores, investir nos aeroportos, e o ciclo se repete.

Bastante simples; entretanto, o diabo (diz o provérbio) está nos detalhes.

 

Como a tela acima indica, há em cada aeroporto uma lista de passageiros e cargas, seus destinos, e o valor correspondente pelo traslado. Escolha o conteúdo do seu avião, e selecione a cidade de chega no mapa.

Viagens mais longas ocupam seu avião por mais tempo, mas geram maior recompensa monetária. Percursos mais curtos (que já vi pessoas que viajam muito a trabalho chamarem de “bate-e-volta”) te permitem jogar mais frequentemente, porque há sempre um avião disponível pra enviar em outro voo, mas o pagamento é quase insignificante.

Cabe a você escolher que caminho trilhar. Aí começam as distinções entre Tiny Tower e Pocket Planes: enquanto o primeiro é bastante linear (quase um Tamagotchi next gen, se você parar para pensar), no segundo há uma liberdade muito maior de jogar à sua maneira. Existe real gameplay e estratégia.

Uma frota inteira parando em São Paulo antes de decolar em direção a Santiago

Há também o fator da autonomia de voo. Frequentemente seus aviões não têm alcance suficiente para levar os passageiros e a carga para seu destino final, o que o obriga a fazer escalas. Você pode então comprar aeroportos em cidades intermediárias, onde poderá efetuar a escala, ou upgradear o avião e da-lo assim maior autonomia de vôo para completar o percurso.

Caso a escolha seja fazer escalas, é então preferível apanhar alguns passageiros que descerão no aeroporto intermediário, para que a parada seja um pouco lucrativa.

Qualquer pessoa que viaje com alguma frequência reconhecerá táticas das empresas aéreas nas mecânicas de gameplay do Pocket Planes. Os layovers, por exemplo, ou voos de conexão em bom português.

Funciona da seguinte forma: voos “eficientes” (ou seja, lotados de pessoas e carga indo para o mesmo destino) rendem um bônus de 25% da passagem de cada um. O problema é que as circunstâncias para que todos os passageiros em uma cidade Y queiram ir à X não são muito comuns. A solução é forçar os tais voos “ideais” artificialmente, através de conexões.

Eis um exemplo que acontece no jogo com frequência: imagine que a  Júlia, de Brasília, quer ir para Manaus. O Roberto, de Fortaleza, também. E alguém quer despachar uma caixa de gatinhos de Salvador para Manaus (não me pergunte por que, isso é uma situação que realmente acontece no jogo). A forma mais lucrativa de resolver isso é despejar os três numa cidade intermediária, como Araguaína-TO, de onde um outro avião os levará para Manaus. O avião lotado de passageiros indo ao mesmo destino resultará num bônus que torna esse malabarismo mais lucrativo (com a condição que os voos se tornem menos convenientes para os passageiros).

Descobrir os voos mais lucrativos é boa parte do gameplay de Pocket Planes. Otimizar esse vai e volta de aviões envolve o tipo de estratégia que viúvos da Maxis (e de seus infindáveis SimCoisas, como eu) sentem muita falta.

Sua frota inicial no jogo é ridícula: aviõezinhos lentos e com espaço para apenas um passageiro ou carga. Pouco a pouco conseque-se dinheiro para investir na sua pequena empresa aérea. Você pode upgradear os aviões existentes, comprar peças para montar novas aeronaves ou, caso a impaciência ataque, comprar um avião prontinho, no ato, com etiqueta de preço maior.

O jogo tem duas moedas: a Coin (adequadamente, “moeda”) e o Bux. Usam-se coins para adquirir e upgradear aeroportos; já bux, que são mais importantes, são usados para acelerar processos no jogo (aquela característica inevitável de joguinhos freemium) e comprar aviões.

 

Você deve ter percebido que eu não disse que Pocket Planes é um jogo grátis, eu disse que é um jogo “grátis”. As aspas se devem ao fato de que há, sim, como gastar dinheiro no joguinho, se você quiser. Os bux, que se arrecadam numa proporção bem menor que coins, podem ser comprados em microtransações pelos impacientes.

Em sua defesa, Pocket Planes não torce o braço do jogador como outros jogos do gênero. Dá pra jogar perfeitamente sem apelar pra carteira; eu joguei pra caramba e não gastei um centavo sequer. Basta priorizar os voos que rendam bux em vez de coin. À primeira vista, você estará operando no prejuízo; entretanto, como a conversão de coin pra bux é 500 para 1, voar recebendo este segundo vale a pena quase sempre. Chego à conclusão que, comparado a outros games freemium, Pocket Planes distribui suas “moedas verdes” (pra usar uma metáfora orkutiana) bastante liberalmente.

Pocket Planes é um jogo com proposta simples, mas gameplay bem definido e com considerável espaço para exploração. Como você escolhe os aeroportos que quer abrir, personaliza os aviões e decide as pontes aéreas (e se prefere dar algum conforto aos PAX pixelizados, ou joga-los de lá pra cá visando unicamente o lucro máximo, como na vida real), o jogo é bem mais aberto que a oferta freemium anterior da Nimblebit, o Tiny Tower.

E a constante recompensa na forma de notificações push avisando que seus aviões aterrissaram e estãoprontos para outra jornada manipula perfeitamente aquela parte do nosso cérebro que se satisfaz com pequenas conquistas. É verdadeiramente viciante.

Sendo grátis, não há motivo para não experimentar. Pocket Planes está disponível para dispositivos iOS (iPhone, iPad e iPod Touch) e sai em breve para aparelhos rodando Android.

Agora, com sua licença, tenho alguns malandros com destino a São Paulo e quero saber quanto dinheiro a Izzy Nobre Airlines lucrará se eu os mandar por uma tour ao redor do Brasil inteiro.

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