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Cláudia Mello

A blogueira, tradutora e revisora de livros Cláudia Mello mantém um um blog pessoal faz 4 anos. Em 2006 foi a uma consulta médica na clínica-cujo-nome-que-não-pode-ser-falado e foi atendida com desdém segundo palavras do seu post na época. O médico que a atendeu viu e resolveu processar. Na época o blog tinha cerca de 30 visitantes por mês. O médico ganhou o processo e, sem dinheiro para recorrer, a Cláudia foi condenada a pagar uma indenização.

O post no blog dela foi apagado. Mas se você quiser ler há uma reprodução disponível aqui (no final do post) omitindo os nomes do médico e clínica devido ao processo. Não há qualquer ofensa pessoal ao médico e sim uma história de uma paciente que estava querendo saber o que acontecia com ela.

Neste mesmo post, escrito pelo Roney Belhassof, marido da Cláudia, há relatos de outras quatro histórias de péssimo atendimento médico. Duas dessas histórias aconteceram na mesma clínica que a Cláudia foi atendida. O medo desses médicos é que uma vez na rede a informação se espalhe o que pode afetar o lado financeiro de suas vidas.

O caso não é o primeiro e nem será o último de problemas de blogueiros processados por posts ou comentários em seus blogs. Um exemplo famoso foi o da Alcinéa Cavalcante que teve o blog retirado do ar depois de brigar com a família Sarney. E, aparentemente, lá na terra do Sarney muitos blogueiros tem problemas com a família do senador. Em outras histórias, o blogueiro Gravataí Merengue foi processado devido a um comentário em seu blog. Mais recentemente o blogueiro Emílio Moreno foi condenado a pagar R$ 16 mil de indenização por um comentário anônimo que recebeu.

No caso da Cláudia, a blogosfera e tuitosfera também reagiram. Dois amigos da Cláudia, Simone Villas Boas e Leandro Bravo conseguiram mobilizar a internet para ajudar no pagamento da indenização. Apesar de ser uma atitude fantástica não resolve a questão do mal atendimento que essa clínica supostamente cometeu. Se quiser contribuir – o excedente à indenização será doado a uma instituição de caridade – vá na página do Vakinha e ajude!

[atualização em 02/12, 17h50] O Globo Online soltou a mesma notícia que o Tecnoblog e deu o link para o post original no Internet Archive, aqui.

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Andre
Engraçado que no texto da blogueira ela bateu o pé que já tinha sentido aquilo antes e que resolvia com antibióticos. E que ela queria ter saído do consultório com uma receita de antibiótico e ficou revoltada porque o médico não deu. Se ela sabia (sic) mais do que ele (que estudou anos de medicina) em relação ao que devia tomar, não entendi por que ela se deu ao trabalho de ir ao médico. Processo merecido.
Sesuff
#eupagominhascontas
bia
já fui atendida por esses tipos de profissionais que nem se quer olha para a cara do paciente...
Barbara Tavora
Sra Advogada, a senhora só pode ser a advogada do tal médico para estar falando essa bobajada toda. Que eu saiba a Claudia não xingou o médico, nem fez qualquer ataque pessoal, apenas reclamou do mal atendimento, o que completamente JUSTO. Acredito até que antes de escrever no blog reclamando do mal atendimento, ela deveria ter ido ao PROCON fazer a reclamação. E antes que você diga que isso não é possível; pode sim. Atendimento médico é prestação de serviço e pode se fazer uma queixa no PROCON. E quanto a "vaquinha", cada um se vira como pode e melhor ainda quando seus amigos tomam a iniciativa de ajudar. Não há vergonha alguma nisso.
@rlfmsantos
Boa - parando a bola de neve da retaliação com uma simples palavra: "supostamente". Bravo!
Sr. Sem Papo
mega hiper sem noção :P
Joao
Burro nao, eles sao anti-eticos... Soh por que sofreram pra se formar se consideram como os donos do mundo, chegam a hora que querem no consultorio, atendem como querem, e quem q vai dizer q ele ta errado? afinal passou 10 anos estudando pra isso ne? Eh claro q nao podemos generalizar, ja encontrei muitos medicos muito bons, mas na maioria das vezes tbm fui mto mal atendido. Processar alguem por causa disso (ainda mais alguem q nao tem como se defender, por nao portar poder aquisitivo como o super protetor da humanidade = medico) é RIDICULO
Norman
Burros? Até onde sei, Medicina é o curso mais concorrido para entrar, e o mais difícil de fazer... e onde um erro custa a vida de um paciente.... Se médicos são burros, imagine o resto das profissões...
Léo
E o link que você referencia "http://www.memedecarbono.com.br/2009/01/03/a-invisibilidade-corrompe/" fala muito sobre liberdade de expressão. Mas modera os comentários. Liberdade de expressão no dos outros é refresco.
Léo
Colando aqui o que comentei no outro blog: Pergunto: ela ao menos falou para o médico o que ela pensou dele? Não? Então foi covarde, agiu de má fé, deu uma de 'fofoqueira'. Não quis mais que um assunto a comentar, um burburinho pra gerar. Blogueiro no Brasil pegou mania de achar que tem que ser protegido por lei pra falar a merda que quiser. Fale o que quiser, ache o que quiser, mas arque com as conseqüências legais. E olha o TAMANHO do erro: vários comentário aqui se basearam no fato de, pelo processo ter sido por difamação e não calúnia, dar-se por verdade o que foi dito. Calúnia e Difamação diferem-se na lei ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE pelo fato da primeira ter o fato imputado classificado como crime (art. 138 do código penal); a segunda NÃO TEM a verdade como premissa. Ou seja, o que ela falou do médico não é crime - e talvez nem verdade seja - apenas o imputou fato ofensivo à sua reputação (art. 139 do código penal). E aí, as pessoas que basearam seu comentário nisso foram simplesmente aquelas que leram um outro comentário e tomaram isso por verdade. Quando você escreve pra quem não sabe ler - nesse caso, sequer busca as fontes - o problema é esse: um grande telefone sem fio; o que na internet é muito pior, dado o alcance. Lamento informar os senhores revoltados com a justiça, mas desta vez, ela agiu corretamente, nos termos da lei. E se querem saber mais, notem inclusive que a pena para difamação também é detenção de 3 meses a um ano. Consultem, pesquisem, antes de sair falando tudo que vem à cabeça - ou pior, seguindo idéia de alguém que não tem idéia do que está falando, baseado só em achismos.
Vinicius Duarte
Em vários casos como o da Ana Cláudia (blogueiros processados e condenados), o que venho percebendo é que, via de regra, estão sendo vítimas de MAUS profissionais do Direito, ou sendo julgados à revelia (sem que compareçam ao júri para defesa). Olhando o texto postado, não há nada que enseje difamação, pelo menos de maneira explícita. O teor da sentença não foi divulgado, portanto não dá para saber em que o juiz se baseou para proferi-la. Existem dois caminhos perigosos, ao se simplificar o ocorrido a um "cerceamento de liberdade de expressão", demonizando o poder judiciário pela decisão tomada, sem sequer saber em que circunstâncias isto ocorreu: 1-desmoralização da justiça que, se não é a melhor, é a única via democrática de reparação de danos causados por pessoas mal-intencionadas e REALMENTE difamadoras; com o judiciário desautorizado pela sociedade, os bons ficam impunes, e os MAUS TAMBÉM; 2-Sem um poder que regule a liberdade de expressão em qualquer meio, a internet, pelo seu caráter livre (e assim deve ser, mas respeitando-se a lei), torna-se "residência" de qualquer um disposto a difamar, caluniar e injuriar, tendo assim arrasada a sua credibilidade. Em suma, pra falar com isenção sobre o caso, deve-se mostrar a história INTEIRA: desde o post, até a execução da sentença.
Nicholas Frota
hellow, nao existe liberdade de expressao no brasil. pode ser que depois de assistir tantas series americanas, acreditamos que temos. aqui a enfase é a "Defesa da honra" europeia. Se tivessemos, ela nao seria processada. e gag-rule, nao poder nem FALAR do processo que está tendo, tb nao rola. pode ser mico pedir vaquinha. tao mico quanto estar com problemas financeiros e ter que apelar para o que se pode. falta de compaixao é nao apenas ver uma pessoa em crise, mais ainda debochar da sua falta de classe. desumano, mesmo. parabens. cadê o Eletronic Frontier Foundation no brasil? Eles sao ótimos e tem advogados FODAS que sao pagos pra defender liberdade de expressao.
Fabiana
Sra Advogada, ela não pediu a vaquinha, isso foi espontâneo e não partiu da Cláudia. E quer dizer que agora eu não posso mais reclamar? Para elogiar, tudo bem, mas para ser sincera, sem ataques pessoais, não pode? Paraaaaaa o mundo que quero descer.
Edw
É a coisa mais cômica que já li neste ano. Não se pode relatar um fato. Tem bons profissionais, mas é notório que 98% dos médicos são burros mesmo; seguidos de perto pelos advogados com 99%.
Valdo
Retirei a definição abaixo do site: http://www.advogado.adv.br/artigos/2000/barroso/caldifaminjuria.htm O Cap. V do Título I da Parte Especial do Código Penal Brasileiro trata “Dos Crimes Contra a Honra” A difamação , por sua vez , consiste em atribuir à alguém fato determinado ofensivo à sua reputação . Assim , se “A” diz que “B” foi trabalhar embriagado semana passada , constitui crime de difamação . Bem, como a nobre Doutora ai colocou, não podemos difamar em nome da liberdade de expressão. Entretanto, como não participei do caso, nem conheço os elementos que o Juiz usou para dar ganho de causa ao médico, me parece que a citada blogueira relatou fatos ocorridos com ela. Fatos esses que aconteceram com outras pessoas e acontecem com outras pelo país afora e todos sabemos. Isso tudo é muito bom, doutora, por que ainda não aconteceu com Vossa Senhoria. Penso que estar do lado do direito é melhor para todos nós cidadãos comuns, que vemos nosso poder de alglomeração e reivindicação de melhor qualidade de serviços (dentre outras coisas) cada vez mais diminuído, lembrando outras épocas do século passado, durante as quais, essas coisas não podiam ser feitas de maneira alguma. Me parece que o saudosismo cliché vai bem agora: será que não éramos mais livres na época da ditadura militar? Para onde vai essa nossa pseudo-democracia do não me toques, na qual até medo de postar o próprio nome dá prisão de ventre? Temos que cuidar para que os corruptos, ladrões, abusadores da liberdade, da saúde e da educação não se escondam debaixo da lei, por que senão estaremos nós, os sem-advogados, perdidos.
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