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Nenhum final de jogo me irritou tanto quanto o de The Dig

Clássico da Lucasarts decepcionou.

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Eu já sei o que você talvez esteja pensando. “Não, não é possível. Como assim, este maluco se decepcionou com o que é, sem discussão, um dos melhores e mais memoráveis games de ficção científica de sua época? E esse cara se diz nerd…?” Aliás, é curioso como alguns de nós reagimos com animosidade ao ouvir que alguém não gosta daquilo que a gente gosta, né?

Mas é verdade. A intercessão “jogo” e “ficção científica” em que The Dig habita faz com que ele tenha tudo pra ser, em minha perspectiva, um dos melhores jogos de todos os tempos.

Eu realmente concordo com essa afirmação. Entretanto, há algo lá pelo final da história que me deixou extremamente incomodado – eu não resisto à tentação de criticar sempre que zero o jogo novamente.

E como eu tive a sensação de que alguns fãs do jogo nunca pararam pra pensar nisso, decidi tornar esse defeito o assunto da minha coluna de hoje.

Antes, dois breves adendos: estou prestes a discutir o final da história desse game, então fica subententido (mas é melhor deixar explícito, por via das dúvidas) que irei revelar o final da trama. Se por algum motivo inexplicável você se importa o bastante com a história de The Dig pra se incomodar com os spoilers mas simultaneamente se importa tão pouco que em 17 anos ainda não o jogou, pare de ler o texto aqui (e vá jogar essa pérola que custa cinco dólares no Steam).

E o segundo: nos próximos parágrafos você vai ler uma reclamação típica de alguém que obviamente se importou o bastante com a história fictícia do jogo para “levar a sério”, como se diz. Muitas vezes minhas críticas sobre a história de uma série, filme ou jogo são defletidas com o peculiar, embora irritante, “Ahhh, mas é só uma série/filme/jogo, você vai mesmo levar isso a sério?”. Sim, eu levo minha ficção a sério. Parte da experiência de ser fã de obras que se baseiam em tramas fictícias é que, dentro dos limites aceitáveis, levamos as histórias a sério o suficiente pra analisá-las. Escrever de qualquer modo porque é só um jogo que não se deve levar a sério me parece intelectualmente preguiçoso.

Mas voltemos a The Dig. O adventure, lançado em 1995, nasceu de uma ideia que ninguém menos que Steven Spielberg teve para um filme. Nele, astronautas que trabalhavam para repelir um asteróide assassino de sua rota de colisão com nosso pobre planetinha descobrem indícios de vida alienígena. E não apenas isso, mas são transportados cientifico-magicamente para o planeta dos ETs.

No planeta alienígena (cheio de ruínas e completamente deserto), os três astronautas precisam descobrir o que aconteceu e, mais importante, como retornar para a Terra. Lá pela metade do jogo, os personagens descobrem cristais capazes de trazer organismos mortos de volta à vida; o líder do grupo usa um deles para ressuscitar um dos astronautas, que havia morrido no começo da exploração do planeta estranho.

Tal personagem ressuscitado começa a agir de forma estranha e a acumular cristais sem nenhum motivo aparente (além do fato implícito de que isso é um efeito colateral da ressureição).

Na progressão da trama, você compreende que os tais cristais têm um papel no que aconteceu com o planeta, e torna-se perfeitamente claro que trazer o defunto (a essa altura meio agressivo e totalmente hipnotizado pelos cristais) de volta à vida foi um erro. A mensagem nas entrelinhas é que não se deveria interferir com o ciclo natural da vida.

Até aí tudo bem. Acontece que momentos antes do desfecho da trama, o ressurreto e um segundo personagem morrem. Sobra apenas o protagonista; depois de toda a exposição de que usar os cristais é uma furada e que o ressurgido não é realmente ele mesmo, você tem a escolha de trazer um dos personagens mortos de volta à vida.

Não importa sua decisão; o personagem recém-trazido do além, ainda em controle de suas faculdades, revolta-se pelo que você fez e se joga de um penhasco pra reverter o seu vacilo. É um momento bastante sinistro, inclusive. Não consigo lembrar de outro momento gamer em que um personagem se mata assim, na frente do protagonista.

Eis o problema. No desfecho do jogo, os alienígenas caridosos ressurgem, explicam o que faltou da trama, dão um jeito de mandar o herói de volta pra casa e mais: trazem os dois companheiros do personagem principal. Vivinhos da silva!

Não bastasse o combo de deus ex machinas (os ETs meio que resolvem todo o problema do final, e há até uma máquina literal envolvida na conclusão), eu achei que esse final feliz esculhambou toda a premissa ética e emocional que o jogo montou cuidadosamente. Ressuscitar mortos era moralmente errado e, do ponto de vista prático, era falho. Aí o jogo vai e, no finalzinho, traz os mortos de volta à vida sem qualquer consequência?

Esse final deixou um final amarguíssimo em minha boca. Além de ser uma conclusão demasiadamente açucarada/cartunesca  pra um jogo que até então tinha um tom tão sombrio, ela subverte todo o ponto central da história. Acho que nenhum outro final de jogo me irritou tanto quanto o final de The Dig.

Algum jogo já te causou esse efeito?

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Renato Loureiro

Sei que já vão 7 anos desse comentário, mas vale ressaltar que o Brink ficou perdido no espaço-tempo por mais tempo, uma vez que ele morreu antes da Maggie. Talvez isso possa ser uma razão pela qual ele envelheceu mais rápido.

Logan Chigurg

eu continuo achando esse o melhor jogo de ficção cientifica do mundo, mesmo com o final ruim, e é bem ruim mesmo!! eu nunca vou entender pq o Brink volta com 80 anos! além de não explicarem essa velhice repentina, não explicam pq a Maggie volta jovem e natural do jeitinho q tava quando morreu. spielbergão sempre com esses finais estilo 'cavalo de guerra' (filme bem bostão kkkk)

NaokoYui

Tipo, o alien, no final do jogo, fala que ele conhece os caminhos através do tempo e espaço. Então, eu pensei que ele voltou num desses caminhos e trouxe de volta a Maggie e o Brink.

Victor L A Botelho

Estava pesquisando sobre The Dig e cheguei aqui.
Realmente para hj, é um final decepcionante, porém na época eu conhecia quase nada sem final feliz, então talvez não liguei muito para o final "ser feliz" apesar de contraditorio.
Na verdade verdadeira, qdo joguei acredito que ainda não tinha muito senso crítico.

Marcus Mendonca

Day of tentacle esta disponivel na Playstation network para o Playstation 4 com versão remasterizada

Celio Azevedo
Cara, você mitou!
Celio Azevedo
Zerei no Ms dos.
Ruy Brandão
Antigamente (15 a 20 anos atrás) os computadores não vinham com CD-ROM e placa de som. Hoje as placas mãe já vem com tudo, mas antes era necessário comprar o "Kit Multimídia". Esses "Kits Multimídia" vinham com alguns CDs que poderiam ser jogos, enciclopédia, tradutor, etc. Meu primeiro "kit multimídia" veio com o jogo The Dig. Lembro que jogava com um dicionário ao lado pra traduzir os diálogos, pois minha versão era em inglês. Emprestei o CD pra um amigo (mais velho) que morava no mesmo prédio pra instalar no computador dele. Quando alguém conseguia passar contava ensinava pro outro, só que chegou em uma parte que ninguém conseguia passar e aí eu meu amigo mandamos um e-mail em inglês (a internet não era tão popular como hoje) pra LucasArts pedindo ajuda sem muita esperança que eles fossem responder e eles incrivelmente responderam. Esse jogo me marcou muito. Super clássico! Outro que me marcou muito e vale a pena jogar foi Full Throttle em português que eu comprei junto com Duke Nukem 3D quando vim passear férias em Salvador (eu morava no interior da Bahia).
Marcotron
A história foi concebida por Steve Spielberg. Por isso esse finalzinho feliz de ressuscitar todo mundo. Igual a merda que ele fez com o final de A.I. (Inteligência Artificial). Onde Kubrick dirigiu todo filme dando aquele final trágico do menino robô olhando para estátua de sua "mãe". Spielberg não gostou do final do Kubrick e meteu alienígenas na parada para ressuscitar o menino robô, Ted e mãe do garoto através do DNA do cabelo. Mas mesmo assim eu gostaria muito que este jogo virasse um filme e também um remake do jogo para novas plataformas.
Lucas De Almeida Santos
Cara, se eu não prestasse atenção na historia, com certeza estaria concordando contigo, mas como o guardião disse que ele tinha poder de criar vida e tal, então praticamente o final foi válido, fez sentido.
André L. Dos Santos
quero baixar ele em porgues eu tinha mas perdi o cd alguem pode colocar um link de torrent ?
Thiago Racca
Obrigado por me lembrar porque tinha gostado mais de full throttle... The dig tmb é um classico... Mais realmente a perfeição eles só atingiram em full throttle
Sílvio Pereira Filho
Olá Márcio. Interessante essa sua teoria de que Brink e Maggie tenham sido trazidos pelo alienígena de algum ponto do espaço-tempo. Agora, de que ponto do espaço-tempo você acha que eles poderiam ter sido "recuperados"? Lembre que se a escolha for mal feita, todo o continuum espaço-tempo poderia entrar em colapso (sempre quis dizer isso, tal qual Doc. Brown). Eu vejo que o único ponto possível para isso é justamente o nanossegundo, o picossegundo ou mesmo o fentosegundo antes da morte de cada um deles. Daí, o Brink estaria detonado mesmo. Mas, pelo que o Brink fala, de que eles estavam perdidos no espaço-tempo 6, eu acho que foi mesmo depois da morte de cada um deles. Acabou que a "moral da história" ficou mesmo perdida com o final. Agora, uma coisa que nunca entendi nesse jogo (e olha que já devo ter zerado umas 10 vezes), é o que (ou quem) eram aquelas aparições fantasmagóricas que ajudavam os três ao longo do jogo. Alguém ai sabe explicar?
Diones Reis
Double Dragon III, para Nintendo 8 bits. Um dos piores finais EVER!
@luizmarin
Pokémon é assim desde o primeiro, red e blue!
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