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Vídeo no YouTube causa protestos, morte de embaixador e intervenção da Casa Branca

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7 anos atrás

Um vídeo vem causando muita polêmica nos Estados Unidos e em países de tradição islâmica. Publicado no YouTube, o filme “Innocence of Muslims” apresenta o profeta Maomé, símbolo religioso máximo para muçulmanos, de uma maneira que claramente ultraja a comunidade ao redor do mundo. Tanto que a Casa Branca teve que intervir e pedir ao Google que removesse o vídeo do site. O Google se recusou.

Para simplificar as coisas: o Islã proíbe a representação da figura de Maomé. É absolutamente tão simples quanto isso. Qualquer ilustração, cartum, foto ou mesmo filme com o profeta desrespeita profundamente a tradição deles. Sam Bacile (pseudônimo), diretor do filme, vai além ao mostrar um profeta mulherengo e com inclinações para a pedofilia.

"Innocence of Muslims"

"Innocence of Muslims"

Não é por acaso que, nos países de maioria muçulmana, há protestos a todo o momento nos consulados e missões diplomáticas. Pelo menos um embaixador dos Estados Unidos, na Líbia, foi morto, assim como três americanos em Benghazi.

O YouTube decidiu censurar a exibição do filme em quatro países: Egito, Índia, Indonésia e Líbia. Em nota, o site de vídeos reconhece restringiu o acesso ao conteúdo, mas por questões jurídicas – é ilegal exibir imagens do profeta Maomé no Egito e na Líbia.

Manifestantes destroem bandeira americana no Cairo (foto: reprodução / France Presse)

Manifestantes destroem bandeira americana no Cairo

Há muito mistério envolvido na produção do filme. Uma reportagem distribuída pela agência de notícias EFE informa que o possível produtor do filme, Nakoula Basseley Nakoula, contactou a polícia e pediu proteção depois da movimentação de jornalistas na porta de casa. O mesmo homem teria sido preso e, segundo a Reuters, existe a possibilidade de ter violado as condições para que fosse solto ao fazer o vídeo.

Da mesma forma, o mistério por trás de “Innocente of Muslims” inclui relatos de atores que, ao participarem do filme, em momento algum tomaram conhecimento de que seria uma sátira à vida do profeta Maomé. Eles dizem que o filme deveria se chamar “Desert Warriors” e que não havia personagem algum com o nome do profeta.

Qualquer que seja o desenrolar dessa história, tenho muito claro para mim que certas situações tidas como liberdade por nós do Ocidente afrontam diretamente a crença de comunidades do Oriente Médio. Há de se construir o respeito em torno das liberdades defendidas por uns e as crenças defendidas por outros.

Assista abaixo ao vídeo “Innocence of Muslims” (não foi bloqueado no Brasil).


(Vídeo do YouTube)

Com informações: Reuters