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Memes com erro ortográfico me deixam #chatiada

"Sei que o erro é proposital, pelo menos na disseminação, porque na cabeça de quem fez a hashtag pela primeira vez, tenho lá minhas dúvidas."

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Queridos leitores do Tecnoblog, é muito bom estar aqui novamente! Por conta de novos desafios profissionais e as eternas idas e vindas na minha saúde tive que dar um tempo nas colunas. Felizmente tudo está entrando nos eixos agora. Mal via a hora de voltar!

Não sumi completamente: embora tenha deixado as colunas e o blog em segundo plano, sempre que posso compartilho informações nas redes sociais. É meu melhor canal de contato com leitores e ouvintes. E assunto nunca falta nesse nosso mundinho hi-tech, não?

E como esse mundinho muda depressa! Olhando os temas das últimos artigos postados, a impressão que tive é que parei de escrever por séculos. As coisas no mundo da tecnologia móvel acontecem na mesma intensidade dos virais de internet: num dia só se fala naquilo. De repente, todos esqueceram. A onda do momento é a Gina do Facebook. Mas há não muito tempo eram a Luiza do Canadá e o Pedro do chip. Alguém ainda se lembra deles?

Curiosa também é a vida útil das chamadas hashtags. Esses termos usados para classificar assuntos principalmente em microblogs como o Twitter. Mas que já saiu das redes sociais faz tempo. Usei no título deste post. Já usei até em SMS!

O primeiro a se popularizar, creio, foi o #prontofalei.

No início parecia uma maluquice, era difícil de explicar. Hoje todo mundo cria a hashtag que vier à cabeça na hora que quiser. Se uma hashtag “pega” no gosto do povo ou não, depende exclusivamente deles. Não há uma fórmula para um meme pegar, ou um assunto se tornar viral… mas sou capaz de entender.

Todavia, uma coisa que não sou capaz de entender é: por que as hashtags que nascem com erros de ortografia assim permancem, e ninguém que os dissemina corrige?

Começou com aquelas bobajadas do #comofas, quando alguém tinha uma dúvida técnica sobre qualquer assunto, e o #corrão, um aviso para que alguém aproveitasse uma oportunidade ou promoção imediatamente. Aí veio o #jênio, hashtag irônica para obviedades genéricas e os mais recentes, #querovernacopa e #chatiado. Autoexplicativos.

Quanto a mim? Bom, apesar da intimidade com o mundo digital, das hashtags, dos memes e virais, tenho uma resistência em usar modinhas com erros ortográficos. Sei que o erro é proposital, pelo menos na disseminação, porque na cabeça de quem fez a hashtag pela primeira vez, tenho lá minhas dúvidas. Bem… pra ser sincera, tenho dúvidas de alguns desses disseminadores também. Enfim, já tentei e não saiu. Não adianta: é mais forte do que eu.

A coisa é séria. Eu vinha lendo cada vez menos as seções de comentários de determinados sites e portais, em parte por causa do ódio e preconceito que as pessoas escancaram por se sentirem anônimas. Mas os maus-tratos à língua foram a pá de cal definitiva, porque são um espelho fiel da ignorância em seu estado mais bruto. Erros ortográficos, de sintaxe, de concordância, falta de pontuação… o que certos internautas escrevem acaba se tornando ininteligível.

E querem saber? Não vou aderir a memes que estupram a língua portuguesa, mesmo sabendo que são propositais e estão na moda. Aliás, isso é uma das coisas que não gosto na internet: as macaquices. Todo mundo imitando, disseminando, compartilhando coisas sem usar o par de neurônios. No dia que deixei o rascunho desse post salvo, Machado de Assis veio me assombrar num pesadelo em que derrubava uma Barsa completa na minha cabeça. E como sei que “consertar” a hashtag não tem graça, melhor simplesmente não usá-las.

#prontofalei

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andreaclaraflor
Pois é, Flavia Lima, tanta gente concordando com o texto da Bia e deixando a desejar no bom português. Quando não é na acentuação, é na pontuação ou na ortografia. Crase, então, a maioria das pessoas não sabe usá-la. O que falta ao brasileiro é leitura. Tem preguiça de ler, e esse é um vírus herdado dos pais.. infelizmente!
Atila Velo
Perfeito! Voolç escreveu parte do que eu penso. Vamos recorrer à lógica, do ponto de vista libertário (em contrapartida ao conservador): a língua serve para proporcionar a comunicação. As regras servem para fazer com que a comunicação realizada por meio do língua seja eficaz. Se juntamente com as pessoas que ignoram as regras clássicas os "corretos" (os árduos defensores da gramática) já conseguem entender abreviações moderninhas como vc, flw, abs, fds, vtc, fdp, entre outras, além de elementos mais controversalmente sofisticados como o miguxês, tiopês, tiopês emo/contemporâneo, então a comunicação é eficaz, certo? Veja bem, além do fator social as metamorfoses línguisticas são reflexos culturais, também! Se as últimas gerações passa 24h online, nada mais natural do que a língua incorporar elementos culturais da Internet, ou seja, abreviações e outras cambiações. Isso só seria um problema, de fato, se a comunicação não se desse com sucesso (concordo que é extremamente ruidosa devido aos equívocos de pontuação e grafias erradas demais). Entretanto, o conservadorismo cultural – sustentado também por contemporâneos dessas manifestações – fortalece a resistência das regras tradicionais, clássicas, rígidas e, em muitos casos, supérfluas, inúteis. Pode até demorar, mas acredito que a tendência será a simplificação absoluta da ortografia e da gramática, sem grandes perdas, além da incorporação (reconhecimento, oficialização) de diversos elementos repudiados atualmente pelos puritanos. Afinal, a simplificação e desburocratização está atingindo todos os espectros de nossas vidas! Hooj voolçs n gosta '' eh soh 1 kestao d tmp !! '-'
Flavia Lima
Se é para falar mal, escrever uma crítica, ao menos atente ao seu próprio texto... Quantas vogais sobrando e faltando aí... Enfim, eu uso as hashtags com erro de português sim, principalmente para descrever ironia, mas não frequentemente, até por que o Twitter caiu em desuso no meu dia a dia.
Daniel Dias
lol
Daniel Dias
ela pode estar de bermuda *_*
bupereira
Os memes de animais do 9gag não falam errado, eles falam "fofinho".
bupereira
O Instituto Brasileiro de Estatísticas Inventadas ligou e pediu pra você não interferir com a área de atuação desta entidade tão incompreendida e importante na argumentação infundada :D Brincadeira, eu concordo com o que você falou em 100%. Também penso que a maioria não sabe que aquilo está errado e discordo veementemente de quem disse aí em cima que os memes podem ter erros, que é jocoso, etc. Eu não vejo graça nenhuma em ler algo escrito errado (duvido que alguém veja), e a questão não é a liberdade, e sim a alarmante ignorância dessa geração que pensa que "vale tudo". Como já disse o Jovem Nerd, logo teremos contratos com "as partes concordão em naum violar..." e conclui com "sendo só o que tinham, firmam a presente. \o/ " E respondendo a quem perguntou do porquê de as pessoas não reclamarem dos emoticons, é porque dá pra entender perfeitamente a que se pretendem. São uma tentativa de expressão gráfica num universo irremediavelmente textual. E se saem bem, eu sou adepto convicto de icons como expressão da intenção do autor do texto. Bom, é isso... vou lá na praça dar milho pros pombos e meio-dia tem carteado aqui no asilo...
Dante Marinho
Memes são um atalho para a demência dos jovens brasileiros, por isso é cada vez mais fácil para os políticos e empresários bilionários fazer o que quer por aqui.
Thadeu De Paula
Um dia vi um #comofas na home de um portal de notícias... colocaram um modismo acima da linguagem. Sinceramente: caiu em credibilidade :(
Thadeu De Paula
Isso tá por toda parte... desde o "link building", "insights" até "cases de sucesso" ¬¬
Thadeu De Paula
Ahhh não é tão ruim assim... Os 5% estão escondidos... mas se você pega a manha consegue encontrar... Youtube não é só vídeo tosco, tem uns documentários bem legais, aulas completas e até filmes inteiros. No Facebook, sempre acabo encontrando uma página livre de bichinhos fofos e memes com assuntos pra fugir da rotina mas sem cair no fútil. Além disso, tempo é precioso, então não faz mal mudar as opções para "somente posts importantes" dos amigos. O Twitter eu tento usar, mas não consigo... sigo um monte de gente interessante na minha área mas nunca lembro de acompanhar. Além disso blogs e blogs e mais redes sociais menos conhecidas da multidão (Pinterest, Goodreads só pra mencionar algumas). O estranho é que, em pouco tempo, você nota que a sua internet já não é mais a dos seus amigos. Com o tempo, os 95% ruins nem serão 5% do que você vê.
Otton Moura
Bia, que bom ter encontrado o seu texto. Concordo plenamente com você.
Ramon Melo
Ah, sim, mas eu estava me referindo aos memes e hashtags (#chatiado, #CORRÃO, #TODOSVIBRA, #asminapira, etc). Estes sim possuem um propósito comunicativo indissociável no processo de formação cultural dessa nova geração e está ajudando a moldar o viés artístico dela. O restante dos erros de português continuam sendo o que sempre foram: um retrato da falência dos ensinos público e privado do País. A diferença entre os erros e os memes é bem fácil de distinguir: os memes fazem questão de deixar bastante claro que são propositais.
fabriciosoares
Apesar de adorar a Bia, achei esse texto um grande bolo reacionário. Faltou lembrar que defender uma coisa não significa automaticamente combater outra. A gramática normativa é sim para ser usada, mas que é que pode cercear a liberdade de escrever como bem quiser? Gostaria de entender porque variação (linguística) sempre tem que passar por avaliação (social). Esqueçam o que dizem pasquales, sacconis e squarisis, esses charlatães da gramática que não enxergam um palmo adiante do nariz! Ouçam os apelos de José de Alencar, Mário de Andrade, Monteiro Lobato e tantos outros que há tanto tempo pedem, suplicam, imploram: deixem eu falar e escrever na minha língua, na língua que é a única capaz de expressar meus sentimentos, emoções e ideias! Deixem eu ser brasileiro, deixem eu escrever _do jeito que eu quiser_ para ser entendido pelos meus contemporâneos!
@mos_axz
Eu sou um cara tolerante a esse tipo de humor, apesar de escrever corretamente. Não que eu escreva correto pra valorizar o português(que eu acho que deveria ser bem simplificado), mas simplesmente porque eu acho mais rápido escrever uma vez só do que ter que ficar digitando 3~4 vezes a mesma coisa até o outro entender. Sigo aquela clássica ideia de "se você conseguir se fazer entender e isso for confortável pra você, estará escrevendo corretamente". Quanto ao tiopês, o humor dele está relacionado a justamente à pessoas que erram a ortografia por desconhecimento. Um humor um pouco discriminante? Talvez, mas ainda assim válido. Entretanto, acho que quem não usa isso, não está perdendo nada, talvez até evitando problemas futuros com uma escrita informal em uma situação formal, como acontece com muitos que bombam a redação do vestibular...
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