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Estamos no século 21 e nada de realidade virtual decente

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7 anos atrás

Sabe uma coisa que eu tinha saudade nos anos 90? A promessa da realidade virtual.

Lembram disso? Eram joguinhos com menos polígonos que o primeiro Virtua Fighter. Compensava a falta de definição com a experiêcia de estar "dentro" do jogo.

Houve uma época em que a cultura popular estava enamorada da tecnologia de realidade virtual, o que a fazia aparentar a "óbvia" futura direção dos games.

Nos anos 90 começamos a ver RV em filmes (o vilão de "Hackers" tinha seu próprio fliperama de realidade virtual, lembram?), desenhos animados (Em "As Novas Aventuras de Johnny Quest", realidade virtual serviu como pretexto pra trechos em animação digital 3D) e até seriados ("VR Troopers", um "Power Rangers" genérico onde o mote era... Bom, eu realmente não lembro. Mas tinha realidade virtual no nome!).

A propósito, eu arrisco que a maioria de vocês, como eu, conheceu realidade virtual mais por causa de suas aparições na mídia do que por real contato com a tecnologia. Perdi a oportunidade de brincar num daqueles arcades de realidade virtual porque meu pai julgou que 7 reais não era um preço justo para fazer a minha felicidade. Também pudera; 7 reais em 1995 devia ser equivalente a, sei lá, 500 reais atualmente.

Realidade virtual era naquela época o equivalente das atuais interfaces transparentes: a ficção se apaixonou pelo o conceito (conte aí em quantos filmes recentes você viu displays transparentes!), nos levando a imaginar um futuro dominado por celulares inteiramente de vidro e monitores que tornam impossível a prática de assistir vídeos do YouTube no escritório em vez de trabalhar.

Infelizmente, a promessa da realidade virtual morreu uma morte do típico artista pobre: sozinho e esquecido. Adotamos outro conceito tecnológico de realidade: a aumentada, e que também já caminha rumo ao esquecimento no que diz respeito a games. É uma tecnologia bacana de ver funcionando, mas infelizmente não se presta a nada a não ser minigames.

Aliás, mesmo fora dos games, realidade aumentada nunca encontrou uma função definitiva além do famoso "cara, olha que bacana esse app no meu celular!".

Sinto-me frustrado pela falta de aplicações mais práticas pra realidade virtual ou aumentada porque a meu ver, existe um claro limite para o fotorealismo e é capaz de já termos alcançado-o. A época das grandes mudanças de paradigma em relação aos gráficos em games foi-se a muito tempo. Lembra do choque entre o SNES e o Nintendo 64? Entre o PS1 e o PS2 ocorreu uma mudança absurda também. Eu temo que nunca mais veremos um avanço equivalente a esse. As melhorias entre esta geração e a próxima serão apenas incrementais.

Aí eu vi este vídeo.


Assista ao vídeo no YouTube

Olha, excetuando alguns defeitinhos de detecção de colisão no modelo 3D do bonequinho (e o fato de que pegaram aparentemente o cara mais desengonçado que eles conhecem pra demonstrar a amplitude de movimentos da tecnologia), eu quero isso. Quero mais do que quis qualquer nova implementação num videogame.

A parte realmente bacana começa em 1:10 do vídeo, quando o rapaz põe um capacete de realidade virtual e explora o ambiente gerado pela atualmente onipresente Unreal Engine.

Haveria alguns problemas logítiscos na implementação prática dessa tecnologia (o fato de que ninguém tem uma sala com 40 hectares pra poder simular o ambiente completo de um FPS, por exemplo). Entretanto, acho que seria possível aplicar essa funcionalidade a um game sem sacrifícios tão grandes assim. Operar a movimentação do personagem com um controle analógico na "arma", por exemplo, poderia resolver esse problema.

E eu me contentaria tranquilamente em não poder correr livremente por um cenário digital (que, sem uma esteira omnidirecional como esta, resultaria em muitas canelas machucadas) se pelo menos houvesse essa imersão absurda no ambiente de um jogo de tiro. O reconhecimento de movimento do personagem poderia ser executado de forma satisfatória via Kinect, aliás. Imagina você se abaixar de verdade pra catar uma arma, ou virar a cabeça paranoicamente tentando avistar o próximo inimigo.

Comparado a um sistema como esse, os FPS atuais seriam travadíssimos. Um elemento de jogabilidade aparentemente bobo que emergiria desse sistema de controle é que você não teria sua "situational awareness", ou seja, sua percepção do ambiente ao redor e das possíveis ameaças, limitada à mira da sua arma. Quantas vezes você tomou bala num FPS online porque algum maluco chegou bem do seu lado enquanto seu campo de visão estava firmemente preso ao espaço na frente da sua arma? Contraste isso com um game em que, como no mundo real, você possa dar olhadas rápidas pros lados e ter uma noção muito mais profunda do ambiente ao seu redor.

E isso é só pra mencionar FPS.

Sinceramente, viu. Já estamos vivendo no século XXI há mais de uma década. Quanto mais precisarei esperar até que eu possa "entrar" nos jogos?