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Livrarias querem proteção contra lojas de e-books

Associação Nacional de Livrarias propõe regras para venda de livros digitais.
Amazon e Google iniciaram venda de e-books no Brasil nesta semana.

Paulo Higa Por

A venda de livros digitais existe há anos no Brasil, mas apenas nesta semana tivemos a estreia de duas grandes empresas no setor: Amazon e Google. Isso deve ter gerado uma enorme pressão nas empresas que vendem livros impressos: a Associação Nacional de Livrarias (ANL) divulgou uma carta aberta sugerindo regras para proteger o negócio das livrarias brasileiras.

A associação propõe quatro regras: livros digitais só poderão ser vendidos 120 dias após o lançamento do livro impresso; editoras precisam praticar o mesmo desconto de revenda de e-books para todas as livrarias; não poderá haver mais que 30% de diferença nos preços entre livros impressos e digitais; e os e-books não poderão ter mais que 5% de desconto.

O vice-presidente da ANL, Augusto Kater, defende o intervalo de 120 dias dizendo que, na indústria cinematográfica, o filme é exibido primeiro nos cinemas e só depois começa a ser vendido, o que não está acontecendo no mercado de livros, onde as editoras fazem pré-lançamentos de livros digitais.

Só que essa comparação pode ser feita de outra forma: há intervalo de tempo entre o lançamento da mídia física de um filme (DVD ou Blu-ray) e do aluguel digital? Até onde eu sei, não. O mesmo acontece na indústria fonográfica: no dia da estreia de um novo CD, as músicas já começam a ser vendidas em lojas como o iTunes e ficam disponíveis até mesmo em serviços de streaming, como Rdio e Spotify.

Amazon chega a oferecer mais de 50% de desconto em relação ao preço sugerido pela editora; Associação Nacional de Livrarias reclama

O limite de 30% na diferença de preços entre e-books e livros impressos, somado ao desconto máximo de 5% dos e-books, também é um problema para o consumidor, especialmente quando vemos o exemplo das promoções absurdas (no bom sentido) do Steam: não quer pagar R$ 99 numa caixinha bonitinha de jogo para PC? Vai lá e paga R$ 20 ou R$ 40 numa promoção da versão digital. Isso certamente diminui a pirataria.

A carta aberta da ANL pode ser lida na íntegra neste link. Além de propor a regulamentação do setor, a associação destaca a importância do trabalho dos livreiros no Brasil, um país que sofre com “baixíssimos índices de leitura” e possui “pequena presença de livrarias espalhadas pelo país”, sendo boa parte concentrada apenas nas regiões Sul e Sudeste.

Como lembra o Gizmodo Brasil, a Borders, que chegou a ser a segunda maior livraria dos EUA, não entrou no mercado de e-books e acabou fechando as portas no ano passado. A Barnes & Noble, por outro lado, decidiu se reinventar e lançou um e-reader próprio, o Nook, que hoje é um dos principais concorrentes do Kindle.

Mas deve ser mais fácil prejudicar os concorrentes do que evoluir, inovar e se adaptar as mudanças do mercado.

Com informações: O Globo.

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Sah C.V
Que absuro! Nada haver! Amo comprar livros mas também gosto de ter todos ao meu alcance! Não vou parar de comprar livros pq vou comprar um Kobo! Mas o Kindle e o Kobo servem para facilitar as nossas vidas! Eles deveriam ser criativos, fazerem algo novo não criando regrinhas pq são preguiçossos e não querem perder espaço sem nenhum esforço!
Max
pura palhaçada! se querem mais leitura, por que não deixar a pessoas pagarem menos em livros digitais, o que de certa forma pode até incentivar a leitura. não entendo certas coisas que são ditas. um absurdo ¬¬'
Douglas Domingues
Em 1492, quase meio século após a aparição do tipo móvel, Johannes Trithemius, abade de Sponheim, foi impelido a fazer uma defesa apaixonada da tradição dos escribas. De Laude Scriptorum (literalmente, "em louvor dos escribas"). Nessa obra, ele expôs os valores e as virtudes da tradição dos escribas: "O monge devoto obtém quatro benefícios particulares da escrita: o tempo, um bem precioso, é proveitosamente gasto; seu pensamento é iluminado à medida que ele escreve; seu coração é despertado para a devoção; e na outra vida ele é recompensado com um prêmio singular." Observe que os benefícios da tradição são apresentados como recebidos exclusivamente pelos escribas, não pela sociedade. A posição do abade teria sido mera arenga reacionária ("Devemos preservar a velha ordem a qualquer preço"), não fosse por um detalhe. Se, em 1492, você tivesse escrito um tratado e quisesse vê-lo amplamente disseminado, o que faria? Mandaria imprimi-lo, é claro, e foi isso mesmo que o abade fez. O próprio De Laude Scriptorum não foi copiado por escribas; foi montado em tipos móveis, de modo a produzir grande quantidade de cópias de maneira barata e rápida - coisa para a qual escribas eram completamente inadequados. O conteúdo do livro louvava os escribas, mas sua forma impressa os arruionava; o meio solapava a mensagem. Há uma hipocrisia instrutiva aqui. Um profissional muitas vezes se torna um porteiro, exercendo uma função social necessária ou desejável, mas também controlando essa função. Algumas vezes esse controle é exercido de maneira explícita (só juízes podem condenar alguém à prisão, só médicos podem realizar cirurgias), mas outras ele está embutido na tecnologia, como no caso dos escribas, que dominavam a tecnologia da escrita. É preciso despender considerável esforço para manter a disciplina e a estrutura da profissão. Os escribas existiam para acelerar a difusão da palavra escrita, mas, quando surgiu uma maneira melhor de fazer isso, que não os envolvia, o abade de Sponheim interveio para afirmar que preservar o modo de vida do escriba era mais importante que cumprir sua missão por outros meios. A imagem que os profissionais têm de si mesmos e sua autodefesa, tão valiosas em tempos comuns, tornam-se uma desvantagem em tempos revolucionários, porque esses profissionais estão sempre preocupados com ameças à atividade. Na maior parte dos casos, essas ameaçãs são também ameaças à sociedade; não queremos ver um relaxamento dos padrões no credenciamento de um cirurgião ou um piloto. Em alguns casos, porém, a mudança que ameaça a profissão beneficia a sociedade, como fez a popularização da imprensa; mesmo nessas situações os profissionais certamente se importarão mais com sua autodefesa do que com o progresso. O que antes era um serviço tornou-se um gargalo. A maioria das organizações acredita ter muito mais liberdade de ação e capacidade de moldar seu futuro do que realmente tem, e evidências de que o ecossistema esteja mudando de maneiras que elas não podem controlar costumam gerar considerável ansiedade, mesmo que a mudança seja boa para a sociedade como um todo. Extraído do livro "Lá vem todo mundo", de Clay Shirk, páginas 62-63.
Leandro Marques
Não é só você que faz faculdade e carrega livros, amiguinho.
trovalds
Alguém acha mesmo que essa asneira vai "pegar"? Mesmo se passar essa palhaçada dos 120 dias, quem tem e-reader vai gastar dinheiro pra comprar o livro de papel? E se inflacionarem os preços dos ebooks muita gente vai apelar pras publicações gratuitas (que não são poucas, aliás), inclusive de escritores famosos como Paulo Coelho. Aliás, se prestarmos atenção, hoje em dia existe alguma livraria no sentido literal, ou seja, só vende LIVRO? Elas já se diversificaram faz tempo pra poder sobreviver. Só esqueceram de dizer: ebook gasta muito menos energia e material pra ser produzido. Deixa os ecochatos entrarem na jogada pra ver a briga.
Domingos Teruel
Simples, se isso realmente for para frente, a pirataria agradece e a gente continuará procurando meios alternativos! O nivel de leitura já é baixo, e um dos motivos é jsutamento os altos preços dos livros... Se reinventar para que néh? Cartelizar tem sido sempre o caminho mais fácil no Brasil.
lecomte
Estou escrevendo uma carta ao tal presidente da ANL. Se puderem ajudar, postem alguma ideias. :)
Daniel FC
Como o pessoal já disse: é mais fácil impedir a concorrência do que se adaptar ao novo. Acho que as livrarias aqui no Brasil vão sim se adaptar e baratear seus preços ou podem dar boas vindas a bancarrota.
Leandro Tiago de Oliveira
Ridículo, parece que eles não entenderam que a éra do papel está acabando cada dia que passa. É muito mais fácil fazer uma cartinha do que pensar em inovação para se adaptar ao mercado. Acho isso bem parecido com o caso das gravadoras, demoraram pra cair a fixa que o CDs de música tinham ficado pra trás, lutaram sem parar contra a pirataria quando poderiam ter inovado muito antes e lucrado com isso.
Alenonimo
Eu vivo comprando jogos no Steam. É barato e prático. Bem que eu gostaria de comprar músicas, vídeos e livros do mesmo jeito. Mas nããããão! Ao invés de eu puder comprar livros por 5 reais, eu tenho que pagar 28 porque a merda do livro de papel custa 28 e a birosca da livraria, que não vende e-books, não quer deixar os outros vender e-books mais baratos! Faz sentido?! Hoje, eu não estou comprando, o autor não tá vendendo, e a livraria tá falindo. Olha que bonito! Todo mundo sai ganhando!
pryderi
Vá para a faculdade carregando 3 livros grossos, de ônibus, e me diga isso de novo.
Nash
Sob meu ponto de vista jurídico, isso que foi proposto pela associação é a tentativa de legitimação do crime de CARTEL. Um verdadeiro descalabro perante a sociedade brasileira. Absurdo e intolerável.
Nash
Sob meu ponto de vista jurídico, isso que foi proposto pela associação é a tentativa de legitimação do CRIME de CARTEL. Um verdadeiro descalabro perante a sociedade brasileira. Absurdo e intolerável essa "combinação" nefasta de preços.
Fer
"A carta aberta da ANL pode ser lida na íntegra neste link. Além de propor a regulamentação do setor, a associação destaca a importância do trabalho dos livreiros no Brasil, um país que sofre com “baixíssimos índices de leitura” e possui “pequena presença de livrarias espalhadas pelo país”, sendo boa parte concentrada apenas nas regiões Sul e Sudeste." E com esse filhos duma #$%* ACABANDO com a livre concorrencia, só tende a continuar baixíssimos mesmo!
qgustavor
Próximo passo: tablets com aroma de livro. ( e você tem que trocar o refil do perfume a cada 123 utilizações )
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