A segurança das urnas eletrônicas brasileiras é questionada há algum tempo. Pesquisadores de segurança e professores universitários já mostram desde 2002 que existem pontos em que ela falha. Ontem, em um seminário no Rio de Janeiro, um hacker de 19 mostrou que não é apenas nas urnas que existem potenciais problemas. Segundo o jovem, ele fraudou as eleições municipais desse ano ao alterar dados no sistema da Justiça Eleitoral.

O hacker, que ficou conhecido apenas com Rangel por questões de segurança, disse conseguiu acesso à intranet da Justiça Eleitoral no Rio de Janeiro e interceptou os dados do sistema de totalização de votos. Ele então pausou a transferência dos dados, modificou os dados beneficiando alguns candidatos, e deixou o envio prosseguir logo depois. E fez isso sem deixar rastro algum.

Rangel disse à polícia que ele atuou quando o envio de dados chegou a 50% e também confessou que não agiu sozinho. Ele revelou que fazia parte de um grupo pequeno que tinha acesso privilegiado à rede da Oi, responsável pela infraestrutura da intranet da Justiça Eleitoral.

Durante o seminário, organizado pelo PDT, PR e Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini, também foram relatados outros casos de fraude que teriam sido “abafados” pela Justiça Eleitoral e que ocorreram em eleições passadas nas cidades de Londrina no Paraná e Guadalupe no Piauí, além de eleições nos estados do Maranhão e Bahia.

Um dos coordenadores do seminário, Fernando Peregrino, disse que “a Polícia Federal não tem dado a esse caso a importância que ele merece” e cobrou providências. O professor Pedro Rezende, que leciona criptografia na UnB, disse que as urnas são “ultrapassadas e inseguras” mesmo que o TSE diga o contrário. E agora sabemos que o sistema de contabilização de votos da Justiça Eleitoral segue o mesmo esquema.

Atualizado às 15:57

Com informações: Portal do PDT.

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DiadeTedio Tedio

Eles deviam contratar hackers extremamente bons para testar de verdade essas urnas.

Antonio Zibordi (UOL)

Com urna eletrônica ou outra qualquer sempre haverá possibilidade de adulterações. No tempo dos votos impressos eu poderia, se quisesse, ter feito safadezas, tal a facilidade. Fui mesário em várias eleições. No término da votação tínha que levar pessoalmente as urnas e o material excedente da votação para o local da apuração. Acontece que as filas para entrega das urnas eram enormes, então levava a urna para casa, jantava e bem mais tarde levava a urna para o local de apuração. Poderia, se quisesse fazer, em casa, adulterações facilmente. Nunca fiz, mas não posso afirmar que não fizeram.

SparK
Ele foi o que falou... O problema não é se ele fez, é que é possível ser feito e sem deixar rastros. Imagine isso num sistema bancário, o banco vai a falência, mas o governo nos cobra querendo ou não então eles não ligam se fazem serviço porco, não vão perder "clientes".
SparK
E se melhorarmos o sistema eleitoral serão outros grupos criminosos que irão nos escravizar, bem melhor... João está indo votar no segundo turno entre Mariazinha e Zezinho. Betinho não concorda em ser governado, ele acredita que pode se virar sozinho. João vota então em Mariazinha para que essa possa governar João e Betinho. João nunca teve autoridade sobre Betinho, mas de alguma forma ele transferiu essa autoridade para Mariazinha. Mariazinha criou regras arbitrárias sobre a propriedade de Betinho. E agora? O estado é ilegítimo, senão a arrecadação não era imposta mas voluntária.
Giales Pontes
O Brasil não tem mais democracia desde a época do segundo mandato de FHC, que foi a época em que se introduziu a urna eletrônica no país! Acho que ainda não caiu a ficha da galera! PT e PSDB são faces de uma mesma moeda, e se permitirmos, serão esses dois grupos criminosos que irão nos escravizar até o fim dos tempos!
Filipe Evan
Então quer dizer que os hackers só são hackers se entra em um PC que esteja conectado à internet? Rapaz o fato do hacker em questão ter interceptado e modificados os dados já faz do cara um hacker. Seria bom você pesquisar sobre a definição "Hacker" nos dias atuais, pois os meios de comunicação estão passando o termo ligado à crimes. Hoje em dia os que praticam crimes cibernéticos são chamados de "Cracker" e não Hacker.
Elias Santos
Desculpa galera... mas, se ele tinha acesso privilegiado à intranet da JERJ então ele não é hacker coisa nenhuma... um hacker consegue acessar sua intranet vindo de fora... via internet.
Agnatos
Eu não acho que todos cofiam. Somente os mais bestas. A maioria não confia nas pessoas que podem pagar para alterá-las e que nunca serão pegos. Eles confiam justamente por que o resultado é manipulável.
Agnatos
Cara. Você tava falando só do picunhinah de OS né? Ou tá falando de algo sobre a matéria?
Agnatos
Nil. Desde a primeira votação desse tipo de urna, elas são fraldadas. O problema é que justamente por não poderem ser auditadas, ninguém consegue provar que foram. Pesquise sobre as denuncias de urnas fraldadas desde a primeira votação com elas para verificar. Elas nunca foram confiáveis, e sendo utilizado pelo TSE, são menos ainda.
Agnatos
Exatamente. SE HOUVESSE UMA FORMA DE AUDITAR AS NOSSAS URNAS o garoto poderia provar que além de ter conseguido fazer que o sistema é falho, mas como não HÁ as nossas urnas não podem ser auditadas, em teoria, ele precisará provar tecnicamente que conseguiu fazer o feito e nós nunca saberemos (mentira, por que todos sabemos) se o sistema é confiável ou não (Claro que não é)
Agnatos
Eu ia dizer a mesma coisa. XD
Agnatos
Eu não vejo problema algum na velocidade da eleição ser comprometida cada vez que um candidato solicitar recontagem. A recontagem ocorrerá apenas uma vez. Bateu, bateu, não bateu fodeu. Só isso. Não precisaríamos nos preocupar com os custos de recontagens se o dinheiro publico fosse gasto de forma transparente e de verdade. Não com obras superfaturadas e blablablabla todas aquelas coias que todos sabemos. Pelo menos esse gasto estaria "na nossa ingenuidade" tentando garantir que ALGUM político que preste entre ou evitando que algum político que não preste entre.
Agnatos
Errado Bunerman_X. Como o Samuel disse. Esse papo que não há conferência para garantir a anonimidade é desculpa do nosso tibunal eleitoral para afirmar de que a nossa urna é confiável, coisa que não é. Um sistema já testado e aprovado funciona justamente como o Samuel disse. Você vota na máquina, ela imprime um comprovante com o seu voto para você conferir. NÃO HÁ identificação alguma sua e só você vê o papel. Você o confere para ver se é igual ao digitado na urna eletrônica, depois você o deposita em uma urna. Após a apuração se o numero de votos eletrônicos não baterem com os impressos, é por que houve algum problema. Isso sem falar que só a nossa vota-se pelo número. Em outras urnas pode-se buscar por nome, por foto, etc.
Agnatos
Eu não me surpreenderia nem que essa notícia tivesse sido publicada em 2002. Mesmo hoje em dia o nosso sistema eleitoral é uma brincadeira de mau gosto, para não dizer outra coisa.
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