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As jabuticabas da tecnologia móvel

"Somos um país que anseia por iPhones e Galaxies S III ardentemente, mas que se conforma em ser equipado por celulares baratos, multi-SIM, de baixa tecnologia."

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mototv-06

Certamente os leitores do Tecnoblog, amantes de tecnologia, adoram acompanhar as principais novidades do meio também em sites estrangeiros -- afinal, tudo acontece primeiro na Ásia, EUA e Europa. Com o início da CES, estamos todos de olho nos lançamentos e tendências. Todavia, perspicazes como são, vocês devem ter notado que em muitos aspectos a realidade vivida no resto do mundo é muito diferente da nossa.

Claro que nessas grandes feiras a enxurrada de novidades inúteis faz a tônica de muitos veículos noticiosos, afinal, geram curiosidade. O problema é que mesmo as novidades "úteis" acabam no decepcionando  pois nem sempre chegam ao nosso país. Ou porque não se encaixam em nossa realidade, ou porque não há interesse de mercado.

O contrário também é válido: quase não vemos o lançamento de produtos voltados às nossas necessidades particulares.

É aí que entram as "jabuticabas" da tecnologia móvel, ou seja, coisas tão características nossas quanto o futebol e o carnaval. E que causam o maior espanto nos interlocutores gringos quando conversamos sobre telefonia móvel.

País multichip

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Segundo a Anatel, fechamos 2012 com cerca de 260 milhões de linhas móveis ativas no Brasil. Isso dá uma densidade 132 para cada 100 habitantes. Então todo brasileiro tem ao menos um celular? Longe, muito longe disso.

Primeiro, esse número não corresponde à realidade. As operadoras adoram inflar números para demonstrar prosperidade. Iniciou-se recentemente, de forma tímida (e apenas por uma delas), uma limpeza na base de dados. Isso significa desconsiderar linhas inativas há mais de 6 meses. É por causa delas que foi necessário adicionar o nono dígito aos números móveis de São Paulo, medida que logo se estenderá ao resto do país. Por enquanto não sabemos quantas linhas ativas realmente existem, mas eu chutaria um decréscimo de uns 20% na contagem oficial.

Segundo, somos um país multichip.

O termo "chip" sozinho já é uma jabuticaba (no resto do mundo, é SIM card), mas surpreendente mesmo é o brasileiro médio precisar de dois, três ou quatro linhas de operadoras diferentes (pré-pagas, lógico) para sobreviver.

O mercado brasileiro demorou para receber aparelhos multi-SIM que não fossem xing-lings. Até fiquei pasma com a demora dos fabricantes tradicionais (Samsung, LG, Nokia, Motorola) em se mexer. A resposta foi o alto custo para se produzir aparelhos que só serviriam para o mercado interno.

Além da demora em perceber esse mercado, outro erro das fabricantes é achar que ter vários chips é um fenômeno das classes sociais C e D. Conheço pessoas de todas as classes sociais, e, entre as que possuem celular, as únicas que utilizam apenas uma linha tem mais de 50 ou menos de 16 anos de idade.

Há demanda por smartphones topo de linha multichips, sim. Com frequência recebo emails perguntando por que não lançam iPhones, Blackberries e Windows Phones multichips. Quando retruco que já há Androids dual-SIM, em troca recebo um "mas por que só 2 chips?"

TV analógica

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Não há como negar que a TV digital foi um verdadeiro fracasso no Brasil. O próprio governo reconhece isso. Há uma urgência em se liberar para a telefonia a frequência de 700 MHz, atualmente usada pelos radiodifusores, mas do jeito que a coisa anda, será preciso acelerar artificialmente a migração.

Esse fracasso é uma surpresa, considerando-se que o brasileiro ama televisão. Mas deixa de surpreender se analisarmos os motivos da baixa adesão à TV digital: poucas opções e preço alto. É um círculo vicioso: há poucas opções porque o nosso padrão é outra jabuticaba, e produzir apenas para o mercado interno é caro. Sendo caro, não dá para oferecer muitas opções, pois as vendas serão pequenas.

Resultado: pouquíssimas TVs digitais móveis e uma multidão de xing-lings com TV analógica. Ah, sim: há fabricantes que notaram isso e optaram por retroceder ao padrão analógico equipando seus produtos. É o único jeito de fazê-los custar 200 ou 300 reais.

Graças às nossas jabuticabas, somos um país que anseia por iPhones e Galaxies S III ardentemente, mas que se conforma em ser equipado por celulares baratos, multi-SIM, de baixa tecnologia. Isso é que dá tristeza. São raras as iniciativas de se produzir tecnologia de ponta por aqui. E mais rara a vontade de sermos geradores de conhecimento, de produzirmos ciência pensando globalmente. Não temos a menor chance de, a curto e médio prazo, produzirmos algo que seja digno de se exibir numa CES.

Seria o conformismo outra jabuticaba?

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Marlene Santana
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Leonardo Caldas
Excelente, a sua análise.
Leonardo Caldas
Era justamente o que eu ia escrever. Ainda que o padrão possa, sim, ser considerado uma "jabuticaba", ele é superior a praticamente todos os existentes atualmente.
Ibraim
Não sou fã dos posts da Bia, mas aplaudo de pé cada palavra deste. Ficou ótimo e disse tudo!
ricardo
Concordo. A baixa adesão ao padrão digital se deve ao fato de que o mesmo não adiciona nenhuma melhoria além de acabar com os chuviscos na imagem. Ainda, onde o sinal é fraco ocorrem travamentos que incomodam muito mais que os chuviscos de antes.
othon
Se a galera passou por esse comentário e pensou "too long; didn't read", pare e releia por favor. Possui muito mais conteúdo e discussão que o post da Bia, com todo o respeito à blogueira.
Michael Felipe
Eu sempre me perguntava por que só celulares xing-lings eram dual chip.
YanGM
Só vende no Brasil? Are you fuckin' kidding with me? A China consome mais multi-sim que o Brasil se duvidar. Dois grandes mercados que consomem o mesmo produto, hmmm acho que não seria lucrativo vender para eles.
YanGM
Claro, e o Brasil é o único país do mundo a ter montanhas, precisando desenvolver um novo padrão. Opa peraí, outros países já tinham um padrão que funciona bem em péssimas condições.
Moisés Ferreira
Utilizo um chip corporativo e um pessoal em meu cel Motorola Atrix tv XT687 que custou R$790,00. Acho ótimo... http://www.girafa.com.br/Celulares/Motorola/xt687-atrix-tv-cinza-android-4.0-dual-chip-8mp-wi-fi-3g-xt687.htm
TatoGomes
Minha situação é essa, basicamente. Hoje eu tenho um smartphone low-end (era um mid-end quando comprei e virará um high-end assim que possível) para as tarefas básicas, um dumbphone com TV Digital e uma segunda operadora, duas coisas que não abro mão devido a minha rotina atual, e ainda um Tablet para jogos, digitação e até as tarefas básicas. É uma realidade da qual eu já me acostumei. Já acho normal andar com esses três gadgets, ainda mais que muito dificilmente eu não esteja carregando um mochila por onde vou (caderno, roupa da academia...). Minha única vontade agora é atualizar meu aparelhos. Estou com um Galaxy 551 (GB 2.3.6) e um Galaxy Tab (JB 4.2.1) que devem ser substituídos pelo Nexus 4/Lumia 920 e Nexus 7/Mini iPad. Ah, e o dumbphone é o Samsung Star, eu acho. =D
bpomponio
Conformismo ou potencial de consumo?? Ching-Ling só tem espaço aqui por causa das altas cargas tributárias que elevam exponencial e ridiculamente os preços!! "Jabuticabas" ou peculiaridades há em qualquer mercado do mundo... mas sofremos é com a ganância do capitalismo selvagem, pois não há como alegar que num aparelho de 2 a 3 mil reais não tenha orçamento para incluir um recurso de TV Digital, presente em celulares mais comuns e baratos. Não há demanda substancial deste recurso nos smarts topo de linha porque não é seguro por aqui!! Ou por acaso podemos nos dar ao luxo de comprar o melhor aparelho do mercado e ficar assistindo uma TVzinha tranquila na rua ou no transporte público??? Mas dentre essas nossas peculiaridades, o lado "positivo" é que isso cria novas oportunidades para a entrada de novos concorrentes menos ganasciosos, como as empresas chinesas que ganham no volume. Para quem pensa que a China não tem jeito e só produz porcaria, estão redondamente enganados. Eles produzem de TUDO! E cada vez mais "aprendem" as tecnologias das multinacionais que investem fortunas em Pesquisa&Desenvolvimento. Para quem não sabe, antes de se tornar uma potência tecnológica, quem tinha essa fama de "produtos descartáveis" era o todo poderoso Japão!
ricardo
joaoma, às vezes a solução pode ser, sim, criar um novo padrão. Quanto à tevê digital, ela não decolou porque a era da tevê já se foi, e ninguém quer pagar caro somente para deixar de ter chuviscos (e passar a ter problemas de travamento da imagem). Se mais recursos interativos fossem adicionados teríamos maior adesão, mas com a programação ridícula que temos na tevê, sinceramente, não vale a pena investir nela.
Eric Viana
Minha situação é essa. Tenho Nextel para empresa (que não é meu mas devo portar) Tenho uma linha pessoal e outra com pacote exclusivo para atendimento a clientes e empresas. Ando com 3 aparelhos... Como não acho uma alternativa dual chip bacana (Samsung, 1049 reais em um S3 mini retalhado não é preço bacana, fica a dica) sobram os Motorolas de tela pequena e sistema defasado e os xing-lings... Estou cogitando fortemente em adotar um Genesis GP-501 com dual chip, dual 3G, cpu de 1GHz, Android 4 e tela de 5 polegadas e preço próximo aos 550 reais. Mato ai mais um peso na bolsa, o tablet. No final das contas se o smart-ling durar 1 ano (como a maioria deles) ele se paga e você troca por outro smart-ling com sistema mais atual e 50% do valor de um com selo Anatel... É triste? É.
TaylerPadilha
Uma andorinha só não faz verão. ;)
JoaoManoel
Não tem essa desculpa de que as operadoras são ruins e vamos "tapar isso com dual chip". As OPERADORAS que tem que melhorar, oras. Ficam encontrando meios alternativos ao invés de resolver a fonte dos problemas.
Marcello Pek Di Salvo
é o clássico caso da loja de eletrônicos que tem na vitrine um blu-ray player ligado na tv de LED com um cabo RCA...
Rodrigo Fante
Nada a adicionar, de fato nosso padrão é sim melhor e neste caso, embora encareça um pouco o fato de estarmos "isolados" temos um padrão de melhor qualidade.
rafsopd
Na Espanha e Argentina também se fala chip, acredito que os demais países de língua espanhola também, ou seja, menos uma jabuticaba da lista que já tiraram várias
Rogério Souza
Bia, acho que você se equivocou em alguns pontos. Primeiro de tudo, como alguns aqui já explanaram, a questão da tecnologia multi-SIM vem da necessidade de um atendimento que realize a vontade do consumidor, juntamente com um custo não abusivo por parte destes serviços. Como o custo de uma ligação entre SIMs de mesma operadora possui um custo reduzido (em alguns casos, chamado de "ilimitado" ou "infinito" pela operadora), o usuário não vai querer realizar uma ligação para um chip de outra operadora, já que o custo de um SIM custa, no máximo, 10 reais. Ou você realmente acha que ligar para alguém, e pagar quase 2 reais por minuto, no pré-pago, é realmente viável, na situação que a maior parte da população brasileira se encontra? Segundo, já puxando a sardinha do parágrafo anterior, temos o pré-pago. As operadoras podem discutir, podem chorar, vender aparelhos com desconto, mas ninguém gosta de ter um serviço que você paga todo mês, independente do uso. Uma analogia pode ser o vale alimentação que muitas pessoas recebem. Por que muitas destas pessoas recebem tal benefício, mas preferem vendê-lo a usar? Simplesmente porque tal serviço não é adequado a tal pessoa (devido a esta ter um custo reduzido de compras de mercado, ou outro motivo). Muitos dos planos das operadoras não são adequados para os usuários. Eu, por exemplo, não quero entrar num plano pós-pago justamente por não usar o custo referente a voz, mas teria que pagar, para conseguir um plano com um custo menor. Voltamos a estaca em que as operadoras não ajudam o cliente brasileiro a comprar (e gastar mais) com tecnologia que pode ser desenvolvida aqui. Terceiro: tevê digital. Moro em Curitiba, e aqui temos vários canais que já contam com programação digital, mesmo que não seja em alta qualidade. Mas o uso destes canais só será realizado quando houver uma adequação no sinal. Por exemplo, em casa, o sinal digital pega na televisão de casa. Já na televisão do meu irmão, o sinal digital não pega. A antena dele é igual a nossa, e está posiciona próxima. E por que isso acontece? É uma coisa que eu adoraria descobrir. Podemos dizer que na nossa terra, o povo não sabe comprar, que a culpa é dos impostos, blá blá blá. Mas eu acho, realmente, que uma mudança nas leis que regem o sistema televisivo e de telecomunicações, garantindo maior fiscalização e maior rigor em certas normas, poderão fazer com que o Brasil cresça em termos de tecnologia. E só assim o país poderá utilizar e criar tecnologia para apresentar em um evento como o CES.
Kantaro
A tv digital não avança como deveria por falta de conhecimento da população e investimento das transmissoras. Fora os grandes centros urbanos, poucas regiões têm mais de 1 canal em sistema digital. Mesmo em estabelecimentos com tvs com conversor, a imagem analógica esticada reina.
Felipe Barcellos
A "jabuticaba" não é nossa, brasileira. É global. A realidade vivida no resto do mundo está ditando o que o nosso mercado consome, no que concerne ao uso dos aparelhos Dual e Multi SIM. Estamos apenas seguindo uma tendência, que não implica em submissão à baixa tecnologia. Os aparelhos chegarão quando a conta fechar para quem fabrica e vende. E os fabricantes não demoraram a perceber nosso mercado. Só não era prioritário, pois os tickets médios aqui são baixos, apesar do volume de usuários. Não é caro fabricar aparelhos Dual ou Multi SIM com melhores recursos. A demanda é que ainda é baixa para justificar o desvio de produção dos mercados tradicionais desses aparelhos para o Brasil. Desde 2000, quando a Benefon lançou o primeiro Dual SIM na Finlândia, os Multi SIM são uma enorme fonte de receita para os fabricantes de celulares e operadoras nos maiores mercados de telefonia celular do mundo. No Japão, mercado com os smartphones mais incríveis do mundo e normalmente uma geração adiante da Coréia do Sul e Europa, o Dual SIM é uma febre. E eles não são exatamente neófitos em tecnologia. Sabem do que precisam. Foi o Dual SIM que permitiu que a telefonia celular atingisse 100% de penetração na América Latina, o que só aconteceu em 2010. Os maiores clientes de Dual e Multi SIM não são os usuários brasileiros, ainda. Estamos longe. TODOS os mercados da Ásia usam multi SIM card em volume muito maior do que o nosso mercado mobile. O Brasil é apenas o sexto mercado global em número de usuários e o sétimo em receita. E para as operadoras, o dual SIM é fundamental para que esse número cresça ainda mais. São elas que estimulam os fabricantes a oferecerem cada vez mais modelos em todas as faixas de preço. Os aparelhos topo de gama chegarão na hora certa. Também esqueceu de contabilizar os países do Oriente Médio e das 53 nações da África que utilizam Multi SIM cards. Até os EUA, com as operadoras Plum e Unnecto estão nessa onda. Só não vendem mais por serem operadoras apenas GSM, sem direito de usarem outras frequências. E desde 2010 os cases adaptadores dual SIM da USB Fever para iPhone fazem sucesso por lá. Ou seja, não é uma "jabuticaba" de terceiro mundo. É um modelo de negócio global e muito bem pensando. Mas precisa seguir passos lógicos, caso contrário o investimento é jogado fora. Para dimensionar os usuários de Multi SIM, é preciso lembrar que estamos falando de um universo de 84 milhões de usuários ativos no continente africano. 87 milhões de usuários ativos na India. 24 milhões de usuários na Oceania. 266 milhões de usuários no Oriente Médio. E mais de 1 bilhão de usuários ativos na Ásia. E a América Latina como um todo vai totalizar 416 milhões de usuários em 2013. A maioria desses usuários terá telefones ou smartphones Dual ou Multi SIM. Ou seja, o modelo de negócio dos Multi SIM encontra no Brasil apenas escoamento do excesso de produção internacional. Atualmente nenhum player de ponta produze comercializa com o Brasil em foco. Não vale a pena. Globalmente, em telefonia móvel o usuário pré-pago é o mais desejado, pois paga mais pelo serviço, com um ticket médio muito mais rentável para a operadora. Troca de aparelho com uma frequência muito maior do que a nossa. O usuário high end é o chamariz, mas não o core business para um oeprador de telefonia móvel. O motivo é simples: a base de usuários é menor e consegue gerenciar melhor o seu consumo de serviços do que um usuário menos educado. E, como já disse, demora a trocar de aparelho. A receita vem mesmo é do grande volume dos aparelhos de baixo custo. Não é a toa que a Apple lançará o iPhone de 75 dólares e, sim, Dual SIM nos mercados emergentes. Hoje são 83 empresas, entre operadoras e fabricantes de celulares em todo o mundo, focadas em tornar o Multi SIM seu principal modelo de negócio global até 2018. Vão conseguir. Nos EUA o dual-sim (ou dual NAM) era barrado pelas operadoras por uma simples questão: elas não queriam que seus clientes tivessem mais de uma operadora, por questões de competitividade. Por lá a limitação é de largura de banda, já que Unnecto e Plum são apenas GSM. É uma simples questão de relações de consumo. Existe uma demanda crescente por Dual e Multi SIM em todo o mundo. E todas as operadoras querem cada vez mais clientes de pré-pago: são os que menos dão dores de cabeça jurídica e não exigem grandes esforços de marketing visando a fidelização. Para as operadoras é ótimo que comprem SIM das concorrentes, desde que continuem usando os aparelhos para SMS e ligação com freqüência cada vez maior. Para informar melhor aos seus leitores, vale ler o relatório Global Dual SIM Handsets Industry. Custa uma grana, mas pode ser comprado por módulos. É fundamental para qualquer blog ou publicação de tecnologia que pretenda esclarecer o leitor sobre as estratégias da indústria de telefonia celular, aqui e globalmente. O estudo coloca em perspectiva as inúmeras oportunidades de negócios globais em telefonia celular e serviços correlatos, sempre usando os Dual e Multi SIM como plataforma. Quanto ao seu parágrafo final, concordo totalmente. Precisamos romper as barreiras tecnológicas, mas teremos que contar com uma nova geração de criadores e empresários locais interessados em investir em tecnologia nascida aqui, com pensamento estratégico expansionista. Hoje temos os centros de pesquisa da Nokia, em Manaus e da Motorola, em São Paulo, com talentos incríveis. Mas o conhecimento e patentes produzidos por estes cientistas não é Brasileiro. É transnacional. É hora de virar o jogo. Obrigado por tocar nesse assunto espinhoso.
guilhermebr1
Eu tenho um celular da SHARP que é touchscreen, tem TV DIGITAL, rádio FM, câmera de 8 megapixels e Bluetooth e custou só R$ 179,90 no Ponto Frio.
Emanuel Schott
As vezes acho que falta boa vontade por parte das fabricantes. Vou dar como exemplo as pickups pequenas (Strada, Saveiro, Montana, etc), elas são populares somente por aqui e mesmo assim as fabricantes de carros não param de investir neste tipo de automóvel. Existem celulares como o Galaxy SIII e o Galaxy Note com versões dual-SIM, mas que foram feitas exclusivamente para os mercados Chinês e Indiano. Porém, não se ouve em nenhum local que a Samsung tenha a intenção de lança-lo por aqui. E quanto a falta de tecnologia produzida no Brasil, primeiro os brasileiros tem que parar de preguiça, depois o governo tem que investir em educação, só assim deixaríamos de depender exclusivamente do que vem de fora. Até lá continuaremos escravos do que vem dos EUA, Ásia e Europa.
Thanara Corrêa
Não é fácil ser do "terceiro mundo" e ter gosto de primeiro.
Thiago Krawczyk
Marcos Oliveira, é justamente por ser pior o fato da pessoa andar com vários telefones no bolso, que ela acaba procurando o multi sim! Uma coisa leva a outra! Um tempo atrás eu cheguei a ter 3 telefones: um da empresa, um pra conversar com a namorada e o meu pessoal! Graças à Deus eu me livrei disso tudo, tenho um único número, de uma única operadora e um plano pós pago que me atende bem e consegui reunir todas as minhas necessidades num único telefone! Muita gente não tem a mesma sorte que eu e acaba usando os multi sims!
Tiago Gabriel
Precisamos consertar principalmente os preços, AINDA pagamos taxa de telefone fixo, imagina a merda que é em outros serviços.
Rafael M.
Verdade. A coisa que eu mais vejo é gente com multi-chip, minha mãe mesma tem um. E como o amigo ali falou, tem gente q tem iphone e anda com um celular basicão pra poder usar outra operadora, essa é uma outra situação que eu vejo muito na faculdade.
Guilherme macedo
Realmente... existem muitos países que elogiam o padrão da TV digital brasileira. Pena que a TV analógica fode com o 4G, que poderia utilizar essa frequência...
Virtos Backups Automáticos
Ótima matéria!!! Quando o brasil vai se tocar e começar a incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias de verdade?!?! Não apenas montar, mas sim criar!!!
Diego Macan
"Enfim, nosso esforço sempre acaba focado em como saltar a dificuldade e nunca em como solucionar a origem dela." E com esta frase você define a raiz de absolutamente TODOS os problemas do nosso país, não só os da tecnologia. Ótima matéria Bia, parabéns.
kiedes08
Finalmente alguém pensa parecido com meu ponto de vista de o porquê disso tudo: "dual/multi SIM são apenas reflexos do alto custo da telefonia móvel no Brasil" sem esquecer o fator dos alto preços de celulares quando vendidos por terras tupiniquins.
Marcos Oliveira
Vocês estão esquecendo de uma alternativa (que até a Bia não citou). Tem gente que anda com tres ou quatro celulares! Minha sogra tem 60 anos e tem dois! Aí o cara fica com o iPhone, mas usa outro inferior pra poder usar o outro chip. Essa situação é até pior que o multichip
carlos sidnei
Multichip foi um produto que teve de ser criado para tapar a deficiencia de todas as operadoras no Brasil :P
Eduardo Constantino de Oliveira
Excelente texto. Brasil o país da roda quadrada!
othon
Devo ter perdido um pouco o conceito de jabuticabas, achei que elas fossem coisas como os altos impostos e a falta de incentivo à produção tecnológica nacional. Pra mim, dual/multi SIM são apenas reflexos do alto custo da telefonia móvel no Brasil, e não creio que alguém realmente se importe com televisão no celular - com certeza não para as classes altas, e dificilmente sim mesmo para as classes baixas.
André Noia
Eu só discordo quanto à questão do padrão de TV digital do Brasil. Ele foi o melhor entre os três. O que havia era uma pressão enorme para adoção do DVB europeu e do péssimo padrão americano, que lá mesmo apresenta sérios problemas na implantação, principalmente porque o cabo é predominante. Tanto que a America Latina em peso está adotando o padrão brasileiro (variante do japonês). Ele não é um padrão isolado. O codec de áudio (AAC) e vídeo (MPEG4) foram as adaptações realizadas no padrão brasileiro, visando mobilidade e melhor qualidade de imagem, som e utilização do espectro. O DVB europeu, por exemplo, utiliza o MPEG2, que é o mesmo utilizado nos DVDs comuns.
joaoma
O pessoal ainda fica se perguntando por que a TV digital não decolou no Brasil. "Ei, já sei! Vamos usar o padrão mais caro de todos e criar nossa própria extensão a ele, porque, claro, a melhor solução é criar nosso próprio padrão!".
André Noia
Olha, vocês são aliens mesmo. De Plutão, eu diria. Eu só vejo celular de 2 chips e gente com mais de uma operadora. Essa é a regra. Minha mãe, por exemplo, é a única que fica em apenas uma operadora. Meu irmão tem as quatro disponíveis para pessoa física.
Kessler
Ia dizer, esse mar de xing-lings com vários chips com certeza não são produzidos na China exclusivamente para o Brasil. Lá a demanda deve ser bem alta.
Marco Junior
Só um adendo final na ótima matéria, é que nada disso é produzido no Brasil, eu me orgulharia caso as "jabuticabas" fossem produzidas por aqui, mas são produzidas pelos chineses, para atender a demanda brasileira. Existe uma falta de lógica no mercado, por que para os chineses é barato produzir a tecnologia multichip que só serve para o Brasil, e para os fabricantes famosos isso ficou caro? Mesmo sabendo que os fabricantes "famosos" produzem tudo na china???? Desculpem minha cabeça tacanha.
Anny Figueira
Eu acho que sou um alien também. Não conheço ninguém que tenha telefone multi-chip, tenho um único celular de uma única operadora e com plano pós-pago.
Wagner Lanzelotti Filho
E é uma pena, pois jabuticabas são deliciosas...
rezendecomz
Todo país tem sua jabuticaba. TV por exemplo, cada continente tem um padrão. Motivos? Necessidade, de acordo com a econimia, clima etc. Outro bom motivo, movimenta a economia daqui. Não vejo problema. A gente tem problemas, a gente resolve! Não fica aguentando o que vem de fora. Se a gente fosse usar o padrão de TV americano por exemplo, com as serras que tem pelo Brasil essa hora só com satellite para pegar, porque o algoritimo do japones funciona em condições bem ruins. Gringo pode fazer o que quer e ter as necessidades e quer, e a gente tem que engolir e aceitar como coitadinho? Eu acho que a gente tem que exigir certas coisas mesmo. Se o cara quer um iPhone com 3 chips e a Apple não dá, azar dá Apple, o cara compra Android e ok. A gente tem que aceitar o que a gente quer.
YanGM
País em eterna emergência (entenda como quiser) dá nisso.
Vitor A. F. Vieira
http://www.gsmarena.com/dualsim_samsung_galaxy_note_ii_launches_in_china-news-5115.php
zabotta
Concordo com o Gustavo. E acrescento que além das operadoras não cumprirem seu papel, a população por aqui, em geral, não têm interesse por saber o que estão comprando e fecham esse ciclo vicioso. Além disso, parece estar enraizada em nossa cultura "se dar bem" sempre em alguma esfera sobre tudo mais e, aliado ao jeitinho brasileiro, que tomou ares de recursividade (aquela da programação), nunca atinge um return e consome tudo que vê pela frente. Enfim, nosso esforço sempre acaba focado em como saltar a dificuldade e nunca em como solucionar a origem dela.
Vitor A. F. Vieira
Longe de ser exclusividade do Brasil. Existem versões do SIII e do Note II dual-sim exclusivas pra China. Na India também é comum possuir mais de um número.
Gustavo R.
Celulares Multi SIM nada mais são do que uma consequência do parco serviço prestado pelas operadoras aqui no Brasil, a explosão de celulares Multi SIM são uma espécie de Band-Aid pra essa situação lamentável... Como uma operadora não presta um serviço totalmente satisfatório, geralmente uma outra operadora cobre o que falta na primeira, além do fato de que, as pessoas possuem contatos com operadoras diferentes, e as taxas cobradas para chamadas para operadoras diferentes são simplesmente ABUSIVAS aqui no Brasil, tornando inviável pra muita gente utilizar apenas um chip. Quando as operadoras mostrarem qualidade significativa, aí podemos pensar mais alto em exportar tecnologia que atenda ao que o mundo lá fora pede. Como queremos conquistar o mundo, se dentro do nosso próprio território tem tanta coisa ainda pra ser consertada?
Pierre Lehnen
Eu não conheço ninguém que tenha telefone multi-chip. Sou um alien? Até hoje ainda estranho quando pergunto o telefone de alguém e a pessoa pergunta de qual operadora eu quero.
Guilherme macedo
Multichip praticamente só se vende no Brasil... Estava até conversando com um amigo meu um dia desses sobre isso. As fabricantes não investem no multichip justamente por ser algo que só venderá aqui. Multinacional quer vender no mundo todo.. Ótima matéria.