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Se aventurando a fazer jogos!

Você já usou alguma ferramenta para desenvolver seus próprios joguinhos?

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Existe (ou existia, não estou tão antenado no mundo infantil nos últimos anos) uma listinha não oficial de profissões prediletas da criançada. Um quer ser astronauta, outro quer virar bombeiro e há quem prefira ser desenvolvedor ou testador de jogos. O que na prática acaba sendo a mesma coisa, porque quem desenvolve um jogo, por mais que terceirize a etapa de testes, acaba metendo a mão na massa também.

Volta e meia as revistas especializadas traziam matérias sobre os felizardos que conseguiram entrar na indústria gamer como desenvolvedores. Eu me maravilhava com as fotos mostrando suas mesas repletas de jogos, consoles, bonequinhos e modelos plásticos dos personagens dos games... Era o tipo de quarto que a gente sempre quis ter, com a diferença que esses malucos estavam sendo pagos para aquilo.

Infelizmente, eu nunca pude realizar o sonho de ser desenvolvedor de jogos. Quer dizer, só não pude realizar esse sonho oficialmente, porque existiram algumas ferramentas que permitiram que eu, um rapaz que entende apenas o suficiente sobre "códigos de computador" só para (mal) gerenciar seu próprio site, arriscasse fazer meus próprios jogos.

Klik and Play

klik

Conheci o Klik and Play por intermédio de um demo veiculado numa daquelas inesquecíveis revistas de CD-ROM. A versão de demonstração, se não me falhe a memória, tinha a limitação de que você não podia salvar seus joguinhos. Mas eu nem me incomodava muito com isso: primeiro, porque era uma época de "vacas magras digitais", por assim dizer. Internet discada, a maioria dos jogos que tínhamos eram demo ou shareware, computadores que travavam mais do que funcionavam... Por causa dessas e outras, a gente se contentava com pouco mesmo. A limitação de não poder salvar os games passava batido. O programa foi lançado oficialmente no Brasil por uma tal "MSD Multimídia e Informática", mas jamais cheguei a ver a versão nacional.

Havia uma versão para uso em escolas, mas nas que eu frequentei só rolava Carmen Sandiego mesmo.

knp-menu

Chamar o Klik and Play de ferramenta de criação de games é talvez uma análise muito generosa. Na realidade, era mais uma ferramenta de aplicação de skin em jogos. O software tinha opções relativamente complexas de interação entre os objetos virtuais, mas no final das contas você só podia fazer inúmeros remakes de joguinhos clássicos (Breakout, Missile Commando, etc) com diferenças mínimas dos sprites utilizados, dos sons, e do comportamento dos personagens.

E mesmo apesar disso e da limitação de não poder salvar os joguinhos, passei incontáveis horas tentando decifrar as ferramentas de criação de games no Klik and Play.

Curiosamente, o site oficial do aplicativo ainda existe, perpetuamente preso no modo "anos 90".

RPG Maker

rpg maker

Sinto-me justificado em afirmar que o sujeito que nunca perdeu algumas boas horas no RPG Maker bolando um joguinho estrelando amigos de trabalho/faculdade/fórum de internet não teve infância. Graças a este jogo inacabado (tenho a teoria inabalável que ninguém jamais concluiu um jogo de RPG Maker), o aspirante a desenvolvedor aprendeu as mais dolorosas lições de proto-programação.

Era o seguinte: assim como o Klik and Play, o RPG Maker era meio limitado nas mecânicas que ele permitia você usar para desenvolver um jogo. No caso, o nome já deixa claro: era uma ferramenta pra fazer aqueles RPGs tipicamente 16 bits.

Na parte de design, o jogo fornecia inúmeros gráficos, além de dar a opção de criar seus próprios. Montar os cenários era a parte mais terapêutica do processo, porque não tinha tantas encheções de saco.

A parte da programação propriamente dita, por outro lado, era um ambiente de programação relativamente simples, todo baseado em eventos estilo "quando X, (se Y), então Z" e nada muito mais elaborado que isso. No entanto, era comum passar horas e mais horas atando evento atrás de evento que, quando funcionava, resultava em alguns segundos de gameplay.

A parte "quando funcionava" é importante de ressaltar, porque mais era comum você gerava bugs imprevisíveis. A minha incapacidade de implementar um simples "se o personagem X já falou com o Y e contou-lhe Z, ao puxar esta alavanca uma porta secreta se abre" me fez desistir completamente do programa.

***

Você usou alguma dessas ferramentas (ou outras que não conheci na época) para fazer seus próprios joguinhos também? Em que estágio do processo você desistiu da parada por pura frustração, como foi o meu caso?

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Bruno Marinho
M.U.G.E.N, rpg maker tudo isso foi importante para eu ver q era zuado e estudar para virar programador profissional, nunca acabei um jogo no rpg maker, mais mesmo hoje tendo conhecimento para fazer o jogo que eu sempre quis, não consigo acabar rs por causa de tempo e do real custo de desenvolver um jogo, que é um software complexo e tal.
portela.thiago
Mano, vou ver isso assim q chegar em casa, pq no trabalho dá block!! hahaha
Fausto Biazzi de Sousa
Essa matéria me despertou um saudosismo foda! Já mexi em trocentos makers/engines e IDEs diferentes como o M.U.GE.N, Klick and Play, Click and Create (the game factory), Multimedia Fusion 1 e 2, RPG Maker 2k, 2k3 e XP, Game Maker, Constructor, Dark Basic e mais recentemente andei fuçando no Unity3D. Fora as aventuras de tentar programar algo em VB e C#, mas é difícil fazer esse tipo de coisa sozinho ou com pouco tempo. Participei de trocentos fóruns que reunião entusiastas como o Cérebro, uniDEV, Casa dos Jogos, PDJ e recomendo a experiência pra qualquer um que tenha o mínimo interesse na área... sonho um dia poder voltar a mexer com isso, preciso somente de tempo e disposição...=) Os casos citados pelo Fernando José me lembraram uma coisa. Não existe coisa mais frustrante que perder um projeto. Era foda "trabalhar" com esse tipo de coisa até o advento dos 1GB de ram, minhas primeiras investidas nessa área foram em um pentium 166 Mhz com 32 MB de RAM e 8 de vídeo. era um inferno rodar qlq coisa, mais tarde recebi ajuda na parte visual de um camarada que aprendeu pixel arte na marra e começou a editar cenários e personagens no seu avançadissimo céleron de 800 MHz e 128 de RAM que ainda assim deram crash com o paint, fazendo a gente perder um dos cenários 2D mais belos que eu já vi na vida, pq ou o sistema tinha memória pra manter a imagem na tela ou ele salvava o arquivo no HD, na hora que apareceu a tela azul foi praticamente um tiro de escopeta no nosso peito. =(
Fernando José
Puxa, gastei muito tempo mexendo com o rpg maker, principalmente o 2000. Horas e horas fazendo mapas, diálogos, editando sprites, fazendo aquelas animações da luta... Foi um bom tempo e muito bem gasto. Apesar da programação ser bem simples, ficou fácil quando eu cheguei na faculdade e tinha algumas funções similares em C. Até hoje eu tenho guardado aqui revistas e CDs de RPG maker, cheios de sprites, midis e jogos. Nunca terminei um jogo, tenho até hoje vontade de pegar meus antigos rascunhos e refazê-lo em um outro software. Vale lembrar também que existem muitos jogos bons, Gustavo's Adventures, As três pedras, Era dos deuses.. a maioria deles hospedado no site Casa dos Jogos... Mas também temos que lembrar do M.U.G.E.N, que apesar de não ser tão livre pra editar era um bom software de criação de jogos também porque dava inúmeras possibilidades de personagens e cenários de luta. Eu tinha terminado dois jogos nele, só que um o cara tinha levado o CD com minha única cópia (porque eu tinha formatado o PC) e outro porque fui formatar o PC e não tinha nada pra fazer backup..
Erick Mendonça
Ótimo! Já passei várias horas no RPG Maker, brincando com jogos pra zoar os amigos, mas realmente nunca terminei nenhum. Não digo que "perdi" esse meu tempo, porque era bastante divertido, e afinal de contas me preparou pra ser o desenvolvedor que sou hoje, seja isso bom ou ruim!
Angelo Sampaio
Já perdi muitas horas com RPG Maker, é um belo de um software que melhorou muito em suas versões mais recentes e muito simples, mas assim como o Izzy eu nunca terminei um projeto.
Tales Cembraneli Dantas
Cara, uma vz eu fiz um "WAR" em Delphi... putz deu muuuuito trampo, mas ficou maneiro, e acho oq me faltou na época era um pouco mais de conhecimento para fazer o jogo rodar na internet (na época era discada), o jogo era pra todos os jogadores jogarem no mesmo PC, só fiz sucesso entre meus amigos
Douglas Fischer
Usei muito esses dois, mas o melhor deles com certeza era o Game Maker, que apesar do nome sugerir um maker bastante limitado, era uma IDE muito poderosa, com linguagem própria, possibilidade de extensões com DLL's de qualquer linguagem e ferramentas muito boas para edição e animação de sprites. Conheci o Game Maker na versão 2.4 e continuei usando até a versão 7. A ferramenta ainda existe e hoje exporta para as principais plataformas móveis (e HTML5). Foi comprada pela YoYo Games e é mantida por alguns dos desenvolvedores que trabalharam na criação de Settlers, GTA e outros games famosos daquela época. O Mark Overmars, que foi o criador da ferramenta ainda participa como conselheiro, mas os desenvolvedores são pessoas extremamente ligadas a cena de gamedev lá do ano 2000.
Wesley Couto da Silva
brinquei (e por muito tempo) no PlayerWorld, era uma ferramenta estilo RPG Maker, mas que fazia MMO's. acho que o unico jogo feito utilizando ele, e que existe até hoje é o SoMX (Secrets of Mirage). Fui por um bom tempo também admin no servidor do Holy Online (Jogo feito nessa ferramenta pelo Matheus Lynar do antigo Lynar.com.br [Hoje site de sua banda]) e acredito que ainda tenho a ferramenta com o backup do servidor em algum CD perdido :D Na steam tem alguma ferramentas de criação também, mas acho que são mais profissionais do que estamos falando kkkk
Pierre Henrique
Fui admin de um fórum sobre rpg maker uns 10 anos atrás. Cheguei a ver alguns jogos serem concluídos por usuários do fórum, mas eram poucos. Apesar disso, já joguei ótimos jogos completos feitos em RPG Maker. Um que eu recomendo fortemente é esse aqui: http://www.amaranthia.com/modules/ahriman/
Rafael Marques Dos Santos
Quanto eu não tinha internet aqui em casa(não considero dial-up internet) brincava muito com RPG Maker, na epoca meu pc era um lixo que mal rodava os games em fullscreen, mas e e meu irmão criamos 3 jogos com continuação e tudo sendo que os personagens do meu jogo fazia participação no dele e vice versa! E chagamos ao ponto de criar sistemas complexos de menus personalizados e tudo, infelizmente perdemos tudo quando trocamos de pc, mas os joguinhos até que tinham histórias legais e trilha sonora legal também!
Beto Raposa
Essa matéria me deu um saudosismo tremendo... Fiquei com vontade de contar minha história (tipo grupo de ajuda...) Usei makers durante uma época meio ociosa da minha vida, julgo que tinha 15 ou 16, porque meus colegas faziam técnico em informática na CEFET enquanto eu fazia só o módulo básico do ensino médio. Eu tinha muito tempo nas mãos enquanto meus amigos aprendiam C e Pascal. Pegava algumas apostilas emprestadas até, e até fiz uns jogos de RPG em texto, tipo Fighting Fantasy do Steve Jackson. Depois achei o RPG Maker e achei limitado de mais. Queria fazer algo com minha cara e o sistema não permitia. Foi então que achei um maker obscuro, no site obscuro Hamster Republic que ainda existe. Seu nome era O.H.R.R.P.G.C.E., sopa de letrinha que significa Our Hamster Republic Construction Engine (ou Nossa Ferramenta de Construção de RPG da Hamster Republic, em bom português). Com seu layout bem DOS, com muitas telas vazias, ferramentas de edição de imagem (limitadas, porém integradas), sistema de script para construção de eventos complexos e combates no estilo dos clássicos da série Final Fantasy foram os fatores decisivos para eu decidir usar o programa. Além de ele (e os jogos gerados com ele) caberem em um disquete. Numa época em que gravar CDs não era para todos e os disquetes ainda prevalecia como mídia móvel, ter uma ferramenta que permitisse jogos extensos em menos de 500Kb era algo quase mágico. Lembrando que jogos de RPG Maker podiam facilmente atingir uma centena de megabytes. Devo ter feito um total de 3 jogos no O.H.R.R.P.G.C.E. e mais alguns em outras ferramentas ou programando mesmo. Nada com intuito comercial, mas sempre visando me aprimorar para tal. Atualmente sou Analista de Sistemas e estou me especializando na construção de jogos. por enquanto meus projetos estão na maioria no papel e pouca coisa foi ou está sendo executada. Mas o sonho de ser desenvolvedor de jogos nunca morreu em mim!
Jean Carvalho
Quando eu era criança eu fiquei cerca de 6 meses fazendo meu joguinho no RPG Maker, tem ele até hoje aqui... Quase 500mb de jogo. E sim, nunca ninguém conseguiu zerar por causa dos bugs auahuhua
Rafael Marcon
Hahahaha nossa! Não acredito que era tão poucos mbs o RTP. Era mesmo um martírio baixar aquilo.
Lucas Galvão
http://www.youtube.com/watch?v=od7PIZrV5tA
Lucas Galvão
Foi lançado oficialmente o jogo "Jon Snow: Além da Muralha" pelo RPG Maker. E isso é coisa de AGORA! Vale a pena conferir! http://geekvox.com.br/jonsnow/index.html
thiagocostaalves
Eu tive infância...hehehe Lembro de ter começado a criar no RPG Maker um joguinho baseado no colégio, mas como tantos outros projetos, não foi finalizado, porém, me rendeu muitas horas de divertimento, bons tempos!
Lucas Galvão
Olha, devo ter gastando umas boas horas com RPG Maker, e cheguei a terminar um. Ou melhor, "terminar", pois a história continuaria num outro jogo, hehehehehe. Isso tudo pela experiência de Mestre de RPGs de Mesa! Apenas meus amigos jogaram, e todos adoraram. Mas dúvido que tenha sobrevivido. Que tempos deliciosos em que a gente passava 8 a 12 hrs na frente do PC fazendo isso, e simplesmente AMAVA!
gokernel
A primeira linguagem que aprendi foi Pascal lá na década de 80, passei a usar Delphi e aprendi C. Usei uma ferramenta chamada Dark Basic que usava DirectX e como lingugem basic ... fiz várias maquetes, etc ... ... Depois "me toquei", desenvolver games precisa de uma equipe ... resultado: parei e fiquei somente com o Delphi que realmente paga as contas ... Nunca terminei um game também ...
john.leao
Muito legal, na época fiz um jogo pro meu filho "Matheus' Adventure"... Ele tinha uns 7 anos e achava bem legal. Fiz abertura com tema (Neverending Story - me processem...) e tudo, pena que tenha se perdido no tempo. Valeu pela lembrança.
Richard Mathias Aguiar
Eu passei muitas horas no Klik and Play, mas só consegui terminar mesmo um game depois de alguns anos no sucessor dele, o Multimedia Fusion. Link para o game: http://turbosend.net/f8778
Tales Miranda
RPG Maker marcou era comigo, também fiz inúmeros projetos nele, que faliram todos. Outro que brinquei um pouco foi o Game Maker, achei ele mais fácil no início, mas depois fica complicado também. Hoje sou programador (mas não de jogos :( ) e brinco um pouco de fazer jogos nas horas vagas, ainda sonho com uma carreira na área, mas é foda largar tudo pra arriscar no dev de jogos.
Thiago Ferreira
Também não consegui concluir um projeto grande de rpg maker. No meu caso até que eu mandei bem nos eventos e tals, mas sabe como é a megalomania de sempre tentar criar um jogo muito complexo acaba inviabilizando o processo.
Vinicius Kinas
Eu comecei vários jogos no RPG Maker, e nunca terminei nenhum. Mas aprendi alguma coisa de programação na época. Pra implementar o “se o personagem X já falou com o Y e contou-lhe Z" tu tinha que usar uma switch (que é um valor booleano) e testar o valor da switch no puxamento da alavanca. Mas o legal era os Common Events (pra fazer chover e implementar item de acampamento, por ex.) Fod% era as fontes que viviam mudando de tamanho e passavam do limite da tela :P Pior era baixar o RTP (~13MB) com conexão discada vindo a 1 ou 2 KB/s :(
Lucas
Ae, Izzy. Hoje em dia tem o Constructor 2, que é MUITO foda pra construção de jogos de forma visual. Dá uma olhada depois. https://www.scirra.com/
André Silva
Cheguei a desenvolver um junto com um amigo. Um jogo estilo Mario. Mas depois disso nenhum outro foi até o fim. Estudei OpenGL, DirectX, muita geometria e matemática mas não passei de testes e mais testes. O último passo foi brincar com XNA no Xbox. Mas programar e ter de fazer os sprites era too much for me. Me arrependo de não ter mais tempo para me dedicar, mas o aprendizado valeu pois muito do conhecimento acabou valendo para algo. There is no knowledge that is not power!
Marcelo Wieczorek
Eu sou do grupo que não terminou o RPG Maker. Estavamos criando, meu amigo e eu, dois jogos da mesma série que juntos completavam mais de 80h de gameplay. Infelizmente troquei de PC e não peguei o RPG que tinha criado com ele, ele não sei o que fez com o dele, afinal, naquela época o máximo que tu tinha pra gravar era um CD e olhe lá. Esses tempos tentei recomeçar um novo sem sucesso, mas é uma ferramenta de muito aprendizado para todos.