Esses dias, estava pensando sobre o cenário dos games atualmente. Como os jogos de grandes empresas com orçamento milionário vêm tendo que dividir seu espaço com games menores, de produtoras independentes, e como isso tem mudado (e vai mudar ainda mais) o mercado. Os jogos AAA chegaram a um ponto em que vender alguns milhões de cópias não é o suficiente para cobrir os gastos, enquanto os de baixo orçamento focam na diversão para ganhar fãs. E ganham. Não é mais tão importante ter um jogo com gráficos ultrarrealistas, duração enorme ou uma história elaborada; é importante que ele seja divertido.

Talvez Surgeon Simulator 2013 marque uma virada na indústria dos games, já que tem recebido muita atenção da mídia especializada desde antes de ficar pronto, o que é relativamente incomum para jogos independentes. Seu lançamento foi aguardado, anunciado e celebrado internet afora. Os reviews chegaram com notas altas e cheios de elogios: o GameSpot, que deu nota 9 para Bioshock Infinite e 7,5 para Gears of War: Judgment, coroou Surgeon Simulator 2013 com 8. Todo mundo quer gravar um vídeo mostrando como mandou mal durante uma operação. De fato, o jogo está coberto de hype. Mas, mesmo que não estivesse, valeria os 17 reais de investimento.

Para defini-lo em uma palavra, fico dividida entre “ridículo” e “maravilhoso”, porque ele é os dois. É completamente nonsense, despretensioso e só quer tirar umas risadas de você. Para isso, ele é ridículo. E, por isso, é maravilhoso.

Apesar de ter simulador no nome, ele se encaixa bem melhor na categoria zuera. O protótipo foi criado em apenas 48 horas, durante a Global Game Jam, e fez o maior sucesso na internet. Então, seus quatro criadores decidiram ver o que dava para fazer em 48 dias.

Em Surgeon Simulator 2013, você é um cirurgião que deve fazer alguns transplantes. São três no total: um de coração, outro de rins e o último, de cérebro. Pois é.

O game tem um quê de antigo, como se fosse aquele CD obscuro que seu primo tinha de um jogo que ninguém conhecia nos primórdios PlayStation 2. A trilha sonora é uma música eletrônica que estaria facilmente na abertura de um seriado dos anos 90. Os gráficos são bem simples, lembram o começo do 3D, com algum refinamento para não ter pontas quadradas. E por último, a jogabilidade é teoricamente simples.

“Teoricamente” porque os controles são muito difíceis de dominar, a ponto dos próprios criadores não jogarem “direito”. Cada um dos dedos é uma tecla (A, W, E, R e espaço – coloque os dedos em cima delas no seu teclado para ver qual é qual). O mouse é responsável pelo braço e pelo pulso: o botão esquerdo abaixa a mão e o direito, ao ficar pressionado e movimentar o mouse para os lados, rotaciona e mexe o pulso para cima e para baixo.

Sua mão virtual não tem nenhuma destreza para ir atrás dos objetos ou pegá-los; cabe a você fazer absolutamente todos os movimentos. A sensação é de estar controlando uma marionete e é impossível não dar risada com sua própria falta de habilidade.

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Aproveitando o screenshot, alguns achievements do jogo são obtidos ao brincar com os movimentos da mão. Esse aí de cima é o Surgery Horns, mas há outros. Sim, inclusive para aquele dedo.

Os achievements, aliás, dão uma boa ideia do que é possível fazer no game e do que ele espera que você faça, como terminar uma cirurgia após ser dopado e eletrocutado, perder todos os órgãos pela porta da ambulância, enrolar os intestinos do paciente no pescoço dele como um cachecol e vários outros.

O procedimento padrão é quebrar os ossos que estiverem no caminho, remover os órgãos e fazer a troca pelos novos. Há ferramentas suficientes para isso, como martelo, serra e uma serrinha elétrica rotativa (isso não é tão absurdo; na vida real, são utilizados aparelhos desse tipo). O que atrapalha é a falta de controle que você tem sobre os movimentos da mão e, consequentemente, sobre as ferramentas: ao relar nelas, se afastam lentamente, como se a gravidade não funcionasse direito. Não é difícil jogá-las longe sem querer e ter que improvisar com, digamos, uma caneca.

Depois de, com muito esforço, conseguir pegar uma serra de ponta-cabeça com o dedo anelar e o polegar, é preciso utilizá-la no paciente. Até dá para tentar serrar, mas é muito mais fácil na porrada (e acho que é só assim que dá certo). Eventualmente, os caquinhos de ossos deixam expostos os órgãos e é preciso cortá-los de seus nervos ou seja lá o que os prende no lugar com um bisturi ou o laser – que, ao ser largado pelo jogador, causa uma das gargalhadas mais incontroláveis e espontâneas do jogo.

No fim, todos os órgãos são removidos e, no lugar, é colocado o novo. Tcharam, cirurgia completada com sucesso!

Créditos: Lazygamer.net

O jogo dá uma nota para sua cirurgia de acordo com o tempo que você demora e o tanto de sangue que seu paciente perde. Se perder todo o sangue, claro, ele morre e é game over. Aliás, uma dica preciosa que ninguém te dá: a seringa de líquido verde controla a hemorragia dele. Mas causa efeitos colaterais no cirurgião se for usada indevidamente.

Assim como os tipos de operação, os ambientes mudam. Há a sala de cirurgia, uma ambulância em movimento e até uma estação espacial com gravidade zero. Mas, de modo geral, o jogo é bem curto. Depois de um tempo, fica repetitivo refazer as mesmas cirurgias. Esse é, provavelmente, o único defeito.

Como deve estar parecendo, é uma galhofa do começo ao fim. E é aí que fica o encanto de Surgeon Simulator 2013: ele foi feito só para divertir. Não é o jogo que vai mudar sua vida; no entanto, talvez marque o começo de grandes mudanças na indústria dos games. Mas esse é assunto para outro post.

Comentários

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Nathália Masson
medico bebado.... hahahhhahahahh muita loucura
Marlon Rodrigo
bcvbvcv
Joaopardim Vitor
kkkkkkkkkkkkkkkk
Thanara Corrêa
Me lembra um jogo que tinha quando criança que tinha que fazer cirugia no boneco.
Tales Cembraneli Dantas
Cara, imagina isso no kinect pegando o movimento dos seus próprios braços!!!!! acho q é o futuro
Bruno Cabral
Steam(Linux+MacOS+Windows)
Josué Junior
STEAM
xxxmonoxxx
Qual a plataforma? alguem sabe?
Bruno Di Castro
+1
Wanderson Novais
Realmente esse jogo é uma coisa sem noção alguma.
Henriquee
À gravidade ficou um pouco estranha mesmo
Rodrigo Almeida
Mas será??
portela.thiago
Já pensou um multiplayer onde o seu amigo faz a outra mão do "médico"?? hahaha
fac_713198649
Ah, vá!!!
José Lopes
Eu comecei a rir sozinho só de ler o texto e imaginar o jogo, imagine se jogar, kkkk
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