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LG Optimus G, o smartphone que chegou atrasado

Por R$ 1.999, smartphone da LG traz processador quad-core e 2 GB de RAM.
LG Optimus G tem 32 GB de armazenamento interno e suporta 4G brasileiro.

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5 anos atrás

Enquanto Samsung e Apple dominam o mercado de smartphones, outras empresas trabalham para garantir o disputado terceiro lugar mundial. A LG é uma delas. Ela não conseguiu lançar smartphones topo de linha muito populares até agora, mas está tentando mudar essa história com o LG Optimus G, aparelho que chegou ao Brasil no final de abril por R$ 1.999 e quer competir com os melhores do mercado.

Para conquistar o público, a LG aposta em hardware potente, com processador quad-core e 2 GB de RAM; acabamento mais refinado, com detalhes prateados e bastante vidro; muita publicidade, inclusive na TV; e preço menor que o da concorrência. Vale a pena? É o que veremos nos próximos parágrafos.

Design

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A cara do Optimus G nos remete a outros smartphones da marca. O retângulo com cantos arredondados e bordas prateadas, bem como os três botões capacitivos, lembram o Optimus 4X HD (leia o review), antigo topo de linha da empresa. A traseira de vidro Gorilla Glass 2, por sua vez, é parecida com a do Nexus 4 (leia o review), apesar de não brilhar tanto. É um smartphone elegante e discreto.

A parte frontal possui um vidro único que cobre a tela IPS LCD de 4,7 polegadas, a câmera de 1,3 MP para chamadas em vídeo, o sensor de proximidade, o LED de notificação e os botões capacitivos, que respondem bem aos toques.

Como esses botões ficam no corpo do aparelho e não na grande tela, o polegar terá que viajar mais, o que pode ser incômodo nos primeiros dias. Além disso, essa característica deixa menos prático o acesso ao Google Now: enquanto no Nexus 4 basta tocar no botão Home e arrastar o dedo para cima, no Optimus G é necessário segurar o botão por um segundo e depois tocar no ícone do Google.

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O Optimus G não escorrega nas mãos, mas desliza facilmente se você der um esbarrão enquanto o aparelho estiver sobre uma superfície plana, como uma mesa. Há uma pequena saliência em volta da lente da câmera, o que ajuda a evitar (mas não impede) que o som do alto-falante traseiro fique abafado.

A bateria de 2.100 mAh não é removível e o Optimus G não possui entrada para cartão de memória, então a única porta que você terá acesso é a do microSIM. Para abrir o slot, é necessário cutucar o pequeno orifício com uma “chave” que a LG coloca na caixa. Não é algo prático como o Xperia ZQ (leia o review), mas isso também não é um ponto crucial na escolha de um smartphone – afinal, você não vai trocar o chip todos os dias.

Na lateral esquerda, além da entrada para microSIM, há o controle de volume. Do outro lado, temos o botão liga/desliga (nada de botão dedicado para a câmera, o que é uma pena). Na parte inferior, encontramos a entrada para o cabo microUSB e o microfone. Por fim, temos no topo a entrada para o fone de ouvido de 3,5 mm e um microfone de cancelamento de ruídos.

Tela

A LG havia conseguido colocar uma tela espetacular no Optimus 4X HD e repetiu a façanha no Optimus G.

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A tela IPS LCD de 4,7 polegadas tem resolução de 1280×768 pixels e definição de 318 pixels por polegada. É uma tela absurdamente brilhante, com ótimos níveis de contraste e saturação.

Os números do Optimus G são menores que os do Galaxy S4 (leia o review) e Xperia ZQ, que contam com telas 1080p, mas isso não tira o mérito do painel da LG. É quase impossível notar a diferença de definição, e quem não olhou a tabela de especificações técnicas certamente não dirá que a resolução do Optimus G é inferior. Visualmente, a tela do Optimus G é melhor que a do Xperia ZQ, que possui ângulo de visão bem limitado.

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Com o brilho no máximo, dá para enxergar perfeitamente o conteúdo da tela sob a luz do sol. Mas há um problema: por várias vezes, fui impedido de aumentar o brilho com a mensagem “Não é possível aumentar o brilho da tela, devido à alta temperatura”. Isso aconteceu frequentemente em condições normais de uso, sem rodar jogos, e também afetou os resultados dos testes de bateria – falarei sobre isso adiante.

Interface e aplicativos

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Para quem leu o review do Optimus 4X HD, não há muito o que ver por aqui: o Optimus G acompanha a mesma interface Optimus UI 3.0, com enormes modificações em relação ao Android original.

Quase nada lembra o Android feito pelo Google. Todos os ícones foram substituídos, os menus ganharam fundo na cor branca, a fonte Roboto deu lugar à LG SmartGothic e vários aplicativos nativos foram modificados. A central de notificações perdeu quase metade da área útil: além da barra de configurações rápidas, há outra para adicionar miniaplicativos do QSlide e mais uma para regular o brilho da tela.

Por padrão, a interface da LG possui vários ícones quadrados, fundo de tela com nuvens no menu de aplicativos, aba separada para os aplicativos que foram instalados pelo usuário e uma série de widgets próprios. Se as escolhas da LG não agradarem, pelo menos é possível personalizar o visual facilmente.

A interface da LG permite que você troque o fundo do menu de aplicativos e do aplicativo de mensagens. Também dá para alterar a animação para desbloquear o aparelho e a fonte padrão do sistema. Você pode até mudar os ícones dos aplicativos do sistema.

Entre os aplicativos incluídos pela LG, há o QuickMemo, que pode ser acessado pressionando os botões Volume+ e Volume- simultaneamente e permite que você faça anotações a mão. De resto, a fabricante coreana inclui aplicativos de backup, gravação de som, tradução e clima, além de vários joguinhos que só funcionam uma vez e depois pedem para o usuário comprá-los.

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Câmera

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O número grande de 13 megapixels que acompanha a câmera do Optimus G não se traduz em boa definição de imagem.

Fotos tiradas com boas condições de iluminação são somente “aceitáveis”. A perda de detalhes nas imagens é maior que o desejável num smartphone de 2 mil reais. Além disso, o foco automático não é tão eficiente, logo, verificar a foto posteriormente ou tirar a mesma foto várias vezes é uma preocupação constante.

Mas é nas fotos com iluminação ruim que o Optimus G realmente desaponta. As imagens ficam bem escuras, com bastante granulação, e as informações desaparecem. Carros ao fundo são representados como borrões brancos e vermelhos, enquanto copas de árvores aparecem como manchas pretas. As fotos noturnas possuem péssima qualidade se comparadas com as tiradas pelo Xperia ZQ.

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Normalmente a LG não impressiona com câmeras de smartphones, mas o Optimus G merecia algo melhor. A câmera do Optimus G quebra o galho, mas se você dá muita importância a esse componente num smartphone, talvez o aparelho da LG não seja a escolha ideal.

Multimídia

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A LG colocou um player de música próprio, que possui interface bem agradável e tem recursos bacanas. Há botões para fazer streaming de músicas por DLNA, procurar o clipe da música no YouTube e, se você estiver com o fone de ouvido conectado, ativar o efeito Dolby Mobile. Os botões de controle (pausar, avançar e voltar) também são exibidos na central de notificações, mas não na tela de bloqueio.

O player de vídeo do Optimus G tem interface simples, que permite ordenar os arquivos por título, data, tamanho e tipo, bem como exibi-los em formato de lista ou grade. Além de possuir um útil botão para bloquear os botões capacitivos, impedindo que você feche o vídeo por acidente, há uma opção para transferir vídeos por DLNA e outro para fazer o vídeo ser exibido numa janela pop-up.

Quando o vídeo está sendo executado numa janela pop-up, a transparência e o tamanho podem ser controlados. Você pode continuar fazendo outra tarefa enquanto assiste ao vídeo e tocar “através” da imagem – se o filme estiver sendo exibido em cima de um botão de outro aplicativo, por exemplo, toque no botão normalmente e a ação será executada.

O alto-falante do Optimus G é de ótima qualidade. O som é bem alto e não distorce facilmente, então você não terá problemas para ver vídeos ou tocar música para todos os passageiros do ônibus ouvirem.

Conectividade e acessórios

A caixa do Optimus G é compacta e minimalista, com a letra G e o logotipo da LG na tampa. Além do aparelho e dos manuais de instrução, a LG inclui um carregador de tomada de 1,2 A, o cabo microUSB, uma ferramenta para abrir a bandeja do microSIM e um fone de ouvido com microfone e dois pares de borrachinhas extras.

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O fone de ouvido que acompanha o Optimus G se chama QuadBeat. Ao contrário do que o nome dá a entender, ele não puxa muito para os graves e não possui batidas muito fortes (mas elas estarão lá quando a música exigir). É um fone muito bonito, que possui fios num formato diferenciado, que evita que eles embolem. Mesmo se os fios insistirem em enrolar, é fácil ajeitá-los.

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Assim como a maioria dos novos smartphones topo de linha, o Optimus G suporta o 4G brasileiro. Em testes com a Claro, na região da Avenida Paulista, em São Paulo, alcancei velocidades de 50 Mb/s. O aparelho da LG ainda possui NFC e suporta o padrão aberto Miracast para espelhar a imagem do aparelho numa TV.

Hardware e desempenho

O Optimus G não impressiona nos benchmarks sintéticos, mas faz bonito durante o uso diário. Ele não trava, a abertura de aplicativos é quase instantânea e os engasgos nas animações são muito raros.

Para quem gosta de jogar no smartphone, a GPU Adreno 320 dá um bom caldo. É possível rodar, sem medo de ser feliz, jogos mais pesados como Real Racing 3. Esta GPU é a mesma que acompanha o Xperia ZQ e a versão 4G do Galaxy S4, mas o Optimus G leva vantagem por possuir resolução de tela menor. Com menos pixels para processar, a taxa de frames naturalmente sobe.

Os resultados dos benchmarks são os seguintes:

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Bateria

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Bateria não é o ponto forte do Optimus G. Durante um dia de uso normal, saindo de casa às 9h, ouvindo duas horas de música, lendo feeds, respondendo a emails e acessando redes sociais por 1h30min, sempre com o brilho no automático e com a conexão alternando entre HSPA+ e LTE, o aparelho “morreu” pouco antes das 21h. Talvez o 4G seja o maior culpado pelo consumo; a bateria poderia ter capacidade maior que apenas 2.100 mAh.

Considerando apenas os números obtidos, o aparelho obteve desempenho mediano nos nossos testes de bateria, que envolvem execução de arquivos multimídia, navegação na web, ligação telefônica e jogos. A tabela completa e uma descrição detalhada da metodologia do teste podem ser conferidos neste link.

Com uso intenso, o gasto de bateria foi de 74%, ou seja, em três horas, o nível de bateria caiu de 100% para apenas 26%. Com uso moderado, o uso foi de 38%. Comparando com os aparelhos que já testamos, ele foi melhor que LG Optimus 4X HD (85% e 44% em uso intenso e moderado, respectivamente) e LG Nexus 4 (81% e 57%), e equivalente ao Sony Xperia ZQ (74% e 41%).

O problema com esses números é que, em algumas ocasiões, o Optimus G diminuiu o brilho da tela automaticamente após esquentar, mesmo com a temperatura ambiente próxima dos 20ºC. Quando o aparelho atinge determinada temperatura, ele impede que o brilho seja aumentado. Se o brilho fosse mantido no máximo durante todo o teste, os resultados seriam piores.

Pontos negativos

  • Bateria não dura muito;
  • Câmera não tira boas fotos, especialmente com iluminação ruim.

Pontos positivos

  • Design e acabamento de respeito;
  • Excelente desempenho, inclusive em jogos;
  • Fone de ouvido de boa qualidade;
  • Tela com alto brilho e definição.

Conclusão

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O LG Optimus G tem suas qualidades, como a tela fantástica, o desempenho excelente e o acabamento elegante, mas peca em pontos muito importantes num smartphone. A câmera de 13 megapixels decepciona, especialmente em condições de baixa iluminação, e a autonomia da bateria, que não é removível, pode ser um entrave para quem usa muito o aparelho.

Quando o Optimus G foi anunciado lá fora, no dia 28 de agosto de 2012, ele estava entre os melhores e tinha enormes chances de conquistar o mercado brasileiro, mesmo com seus defeitos, porque inaugurava um novo patamar de hardware, com o dobro de RAM dos outros smartphones Android topo de linha, e tinha tela e acabamento acima da média. Esse problema também aconteceu com o Optimus 4X HD, que foi anunciado em fevereiro de 2012 e só apareceu no Brasil em outubro.

Durante esses oito meses que a LG demorou para trazer o Optimus G, a Samsung lançou o Galaxy S4, com hardware ainda mais poderoso e publicidade massiva; a Nokia começou a vender o Lumia 920, que elevou o nível das câmeras de smartphones; a Apple trouxe o iPhone 5, que vendeu como água; e a Sony lançou o Xperia ZQ, com acabamento muito bom. Com exceção do Galaxy S4, esses smartphones foram anunciados depois do Optimus G e lançados no Brasil antes do Optimus G.

Com preço sugerido de R$ 1.999, é difícil recomendar o Optimus G, especialmente porque o Nexus 4, da própria LG, custa 300 reais a menos e oferece quase o mesmo hardware. As diferenças ficam por conta do armazenamento interno, que cai pela metade, e a ausência de 4G. Por outro lado, o usuário ganha um sistema mais enxuto e atualizações do Android vindas diretamente do Google, características valorizadas por muita gente. Além disso, o Nexus 4 já pode ser encontrado facilmente por menos de R$ 1,5 mil em lojas confiáveis.

O Optimus G, portanto, é um bom smartphone que chegou ao Brasil no momento errado. A nossa esperança é que a LG melhore sua logística e dê mais atenção para o mercado brasileiro nos próximos lançamentos. Caso contrário, será difícil lidar com a concorrência.

Especificações

  • Bateria: 2.100 mAh.
  • Câmera: 1,3 megapixels (frontal) e 13 megapixels (traseira).
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi, GPS, Bluetooth 4.0, NFC e USB 2.0.
  • Dimensões: 131,9 x 68,9 x 8,5 mm
  • Kit contém: LG Optimus G, fone de ouvido (3,5 mm), borrachinhas adicionais, carregador, cabo USB e manuais de instrução.
  • Memória externa: Sem possibilidade de expansão.
  • Memória interna: 32 GB (25,04 GB disponíveis para o usuário).
  • Memória RAM: 2 GB.
  • Peso: 145 gramas.
  • Plataforma: Android 4.1.2 (Jelly Bean).
  • Processador: Qualcomm Snapdragon S4 Pro quad-core de 1,5 GHz.
  • Sensores: acelerômetro, giroscópio, proximidade e bússola.
  • Tela: IPS LCD de 4,7 polegadas com resolução de 1280×768 pixels e proteção Gorilla Glass 2.