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Motorola RAZR D1, o mais simples da família

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5 anos atrás

A Motorola deu bastante atenção ao mercado brasileiro nos últimos meses e anunciou em março dois novos smartphones da família RAZR desenvolvidos para o nosso país: D1 e D3. Nós testamos o RAZR D3 e gostamos bastante dele: trata-se de um aparelho com ótimo desempenho, boa duração de bateria e preço muito atraente. Mas e o RAZR D1, o mais simples da família que custa 500 reais, como se comporta?

Historicamente, Androids de baixo custo não são boas compras, em parte por causa das lentidões e travadas incômodas: mesmo com os esforços do Google, o Android ainda sofre para rodar em hardwares mais simples, ao contrário do Windows Phone, que esbanja fluidez. Será que o RAZR D1 é um bom Android barato? É o que tentaremos descobrir nos próximos parágrafos.

Design

O Motorola RAZR D1 segue o design característico dos outros smartphones da família RAZR. O alto-falante frontal fica embaixo da marca da Motorola, para ocupar menos espaço; há parafusos expostos nas laterais do aparelho; a tela é contornada por uma moldura resistente; e a traseira possui uma textura agradável ao toque. Mas é claro que a Motorola precisou fazer algumas modificações para deixar o aparelho mais barato.

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Os botões frontais são muito parecidos com os botões virtuais nativos do Android, mas não são exibidos pela tela. Eles ficam na própria carcaça e se iluminam quando o aparelho está ligado. São três: voltar, home e multitarefa. Sentiu falta de algum? Pois é: não há o botão de opções, o que pode causar estranheza para quem usa aplicativos antigos, que ainda exigem seu uso.

Mas isto não é um problema. Basta manter o botão multitarefa pressionado por um ou dois segundos e o menu de opções do aplicativo aparecerá. É uma questão de costume e tempo até que os desenvolvedores sigam as recomendações do Google.

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A parte traseira não possui acabamento em Kevlar, mas sim um plástico com textura que ajuda o aparelho a não escorregar. E ela é removível. Basta retirá-la para obter acesso a uma grande bateria de 1.785 mAh. Embaixo da bateria, ficam a entrada para o cartão microSD, bom complemento aos 4 GB de armazenamento, e os dois slots para os chips das operadoras, se o modelo for dual SIM.

Como em outros aparelhos dual SIM, o primeiro slot para o SIM card suporta conexões 3G e EDGE, então é nele que o chip com o melhor plano de dados deverá ser colocado. No outro, é possível apenas acessar a rede 2G. Nas configurações do sistema, é possível escolher qual dos chips será usado para acessar a rede de dados.

Não há muitos requintes no RAZR D1. Ele possui um útil LED de notificações, sensor de proximidade, um espelhinho na câmera traseira e nada mais. Não há câmera frontal, algo compreensível para um smartphone de 500 reais. E, com 11 mm de espessura, o RAZR D1 também é um pouco gordinho.

Tela

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Em tempos de smartphones com telas 1080p, como o Galaxy S4, é claro que o visor TFT LCD de 3,5 polegadas do RAZR D1 está longe de ser bom. Com resolução de apenas 320×480 pixels e definição de 165 ppi, é muito fácil enxergar pixels individuais e fontes serrilhadas. A leitura de textos não é uma tarefa muito agradável, o ângulo de visão é bastante limitado e a visualização sob a luz do sol também não é das melhores.

Seria injusto comparar telas de smartphones com preços tão diferentes, como fiz no parágrafo acima. A Motorola apenas seguiu padrões de mercado: a tela do RAZR D1 não oferece nada a mais ou a menos que outros Androids da mesma faixa de preço.

O problema é que essa regra não se aplica ao Windows Phone. O Nokia Lumia 520, um aparelho que também é de entrada, possui preço sugerido de R$ 599, apenas 50 reais acima do smartphone da Motorola. E ele traz uma tela IPS LCD de 4 polegadas com resolução de 480×800 pixels. Por que os Androids baratos precisam ter telas com resoluções da década passada, afinal?

Interface e aplicativos

Sem muitas modificações em relação ao Android puro

Sem muitas modificações em relação ao Android puro

Desde que a Motorola foi comprada pelo Google, os aparelhos não estão vindo com muitas modificações na interface. O Android do RAZR D1 é bem parecido com o Android dos Nexus, havendo apenas a troca de alguns ícones e novas funcionalidades que melhoram a experiência de uso. Também há poucos aplicativos adicionais pré-instalados, o que ajuda a manter o aparelho rápido.

O cadeado da tela de bloqueio pode ser deslizado em quatro direções para abrir o telefone, as mensagens, a câmera ou simplesmente desbloquear a tela.

Na tela inicial, há um widget que mostra data, previsão do tempo e porcentagem da bateria, bem como o último SMS recebido. Deslizando a tela inicial para a direita, você encontrará um painel de configurações rápidas, onde é possível ativar ou desativar conexões. E o menu de aplicativos possui uma aba Favoritos, que exibe apenas os aplicativos que o usuário desejar.

Além dos aplicativos nativos do Android, há o manual de instruções Guide Me; a suíte de escritório QuickOffice, que lê e edita documentos do Word, Excel e PowerPoint; e o Smart Actions, um útil aplicativo que é programável pelo usuário e pode desativar automaticamente algumas conexões para economizar bateria ou executar tarefas em determinado horário ou local.

Multimídia

Não há muito o que comentar aqui: a Motorola manteve o Play Music como player de músicas, inclusive com sincronização com o Google Music, e o Play Filmes para assistir e comprar vídeos. O som dos alto-falantes traseiros é de qualidade, com bom volume e sem distorções.

O RAZR D1 não consegue executar vídeos *.mkv em 720p com o player padrão e, com uma tela de apenas 320×480 pixels, é muito improvável que você realmente queira fazer isso. Mas é possível: basta usar o MX Player e o vídeo rodará suavemente, sem nenhum engasgo, mesmo com um humilde processador de 1 GHz.

Câmera

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A câmera do RAZR D1 tira boas fotos em condições de iluminação ideais. Claro, o nível de detalhes não é muito bom e as cores podem não agradar a todos: em algumas fotos, tive a impressão de que as imagens ficam mais azuladas que o normal, pelo menos no modo automático. No entanto, esta é uma câmera bem decente para um smartphone de entrada, que não deverá decepcionar os compradores.

Em ambientes com iluminação prejudicada, a qualidade das fotos não é boa, apesar do RAZR D1 possuir um sensor iluminado, como alguns smartphones mais caros. A alta presença de ruídos e granulações, bem como a falta de um flash, estragam fotos tiradas durante a noite.

Algumas fotos de exemplo do RAZR D1, sem edições e na resolução original, estão logo abaixo. Todas foram tiradas no modo automático, com as configurações padrão.

Na gravação de vídeo, nada que mereça muito destaque: o RAZR D1 filma com resolução de 720×480 pixels e salva os arquivos no formato *.3gp, com codec H.263. As imagens capturadas são boas, e a qualidade de áudio não é ruim.

Conectividade e acessórios

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A caixa do RAZR D1 inclui, além do smartphone, um fone de ouvido bem simples, com microfone e qualidade de som razoável; um carregador de 850 mA, que demora cerca de três horas para completar uma carga; e um cabo microUSB. No modelo de R$ 549, a Motorola envia a antena de TV, que pode ser conectada a entrada do fone de ouvido. O modelo testado não possuía sintonizador de TV.

O RAZR D1 suporta conexões HSPA+ no chip principal. Na rede da Claro em São Paulo, não tive nenhuma dificuldade em alcançar velocidades de 4 Mbps a 5 Mbps.

Hardware e desempenho

O processador single-core de 1 GHz não impressiona pela velocidade, mas a quantidade generosa de RAM que a Motorola colocou no RAZR D1 garante boa experiência de uso. Com 1 GB de RAM, não tive problemas com lentidões ao usar quatro ou cinco aplicativos simultaneamente.

O Android 4.1, mesmo com o Project Butter, ainda não tem animações tão fluídas quanto eu gostaria nos aparelhos mais baratos, mas ele não decepciona no RAZR D1. O aparelho não deve causar irritações em seus proprietários ou exigir gambiarras, como o uso de task killers e trocas de ROMs. Para um smartphone de entrada, o RAZR D1 me surpreendeu positivamente.

Os resultados modestos dos benchmarks são os seguintes:

  • Quadrant Standard: 2887 pontos
  • Vellamo (HTML5): 1260 pontos
  • AnTuTu: 6177 pontos

Bateria

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Sim, dura bastante

Sim, dura bastante

A bateria de 1.785 mAh do RAZR D1 pode não ser muito grande, mas dura bastante. Como o smartphone possui hardware bem simples, com processador de 1 GHz e tela pequena de baixa resolução, o consumo energético naturalmente é menor. Com isso, dá para usar o RAZR D1 sem medo de ficar sem carga até o final do dia.

No meu caso, saindo de casa geralmente às 9h, ouvindo música durante duas horas, acessando a internet por uma hora no 3G, usando redes sociais por alguns minutos e deixando as notificações ligadas o dia inteiro, consegui chegar em casa às 21h sempre com mais de 30% de carga. Em um dos dias, a bateria restante ficou em quase 50%.

O aparelho obteve ótimo desempenho nos nossos testes de bateria, que envolvem execução de arquivos multimídia, navegação na web, ligação telefônica e jogos. A tabela completa e uma descrição detalhada da metodologia do teste podem ser conferidos neste link.

Com uso intenso, o gasto de bateria foi de 58%, ou seja, em três horas, o nível de bateria caiu de 100% para 42%. Com uso moderado, o gasto foi de apenas 30%. Ele foi melhor que o RAZR D3, smartphone que já possuía boa autonomia (67% e 40% de gasto em uso intenso e moderado, respectivamente).

Pontos negativos

  • Tela de baixa resolução.

Pontos positivos

  • Bateria com excelente duração;
  • Bom desempenho para um Android de baixo custo;
  • Câmera tira boas fotos.

Conclusão

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O RAZR D1 tem algumas deficiências, como a tela de baixa resolução e as animações não tão fluídas, mas esses problemas são esperados num Android de entrada. Em compensação, o aparelho tem uma bateria que dura bastante, algo que vem sendo cada vez mais comum nos smartphones da Motorola, e a experiência de uso é boa. Nas duas semanas em que usei o RAZR D1 (meu smartphone principal é um Galaxy Nexus), não tive nenhum problema digno de nota.

É legal ver que o Android está recebendo smartphones bons e baratos. A Motorola ainda não tem um topo de linha para competir com os mais caros do mercado, como o iPhone 5 e o Galaxy S4, mas está se dando muito bem fabricando produtos mais acessíveis, com aparelhos de baixo e médio custo. Quase um ano após o anúncio do RAZR i (nós testamos), ele ainda continua sendo um ótimo custo-benefício, enquanto o RAZR D3 permanece como boa opção para quem pode pagar por algo melhor que o RAZR D1, com tela superior e mais poder de processamento.

O modelo com suporte a dois SIM cards e sintonizador de TV digital e analógica foi lançado em abril por R$ 549. Dois meses apos a chegada às lojas e com a redução de impostos do governo, o RAZR D1 pode ser facilmente encontrado por 450 reais nas principais lojas online, com pagamento à vista. E considerando os pontos negativos e positivos, o RAZR D1 é o melhor Android barato disponível atualmente no mercado brasileiro.

Você também pode comprar o modelo dual SIM e sem TV, como a unidade que a Motorola nos enviou. Entretanto, com preço sugerido de R$ 499 e vendas pela TIM, não acho que há muito sentido em pegar a versão mais simples.

Especificações técnicas

  • Bateria: 1.785 mAh.
  • Câmera: 5 megapixels (traseira).
  • Conectividade: 3G, Wi-Fi, GPS, Bluetooth 4.0 e USB 2.0.
  • Dimensões: 110 x 59 x 11 mm
  • Kit contém: Motorola RAZR D1, fone de ouvido (3,5 mm), carregador, cabo USB e manuais de instrução.
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 32 GB.
  • Memória interna: 4 GB (2,31 GB disponíveis para o usuário).
  • Memória RAM: 1 GB.
  • Peso: 110 gramas.
  • Plataforma: Android 4.1.2 (Jelly Bean).
  • Processador: single-core de 1 GHz.
  • Sensores: acelerômetro, proximidade e bússola.
  • Tela: TFT LCD de 3,5 polegadas com resolução de 320×480 pixels.