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Surgeon Simulator ganha crossover com Team Fortress 2

Tinha tudo para dar certo. Quase deu.

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6 anos atrás

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Quando falei de Surgeon Simulator aqui, eu fui muito sincera ao dizer que o jogo era “o dinheiro mais bem gasto em games de 2013”. E mantenho minha palavra: a relação custo-benefício dele é bem alta, ainda mais com o lançamento da atualização dessa semana. Veja bem: atualização, não DLC. Então, quem já tinha o game ganhou essa “expansão” e quem comprar a partir de agora também vai tê-la.

A tal atualização era quase que previsível: um crossover com Team Fortress 2, um dos jogos mais conhecidos e amados da categoria zoeira. Para quem já viu o vídeo Meet The Medic, que faz parte da série que apresenta as classes de TF2, o tal crossover era uma das coisas que mais fazia sentido no mundo.

O cenário é reproduzido no Surgeon Simulator à imagem e semelhança, com a Medigun operável e a geladeira com o novo coração ao lado do Heavy que sofrerá o transplante, umas garrafas e o Sandvich. Infelizmente, a cabeça do Spy não está lá, mas faria todo o sentido do mundo que estivesse (e pudesse ser colocada dentro do Heavy sem órgãos).

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As ferramentas disponíveis são armas de TF2, como o taco de beisebol do Scout, o machado do Pyro, a garrafa do Demoman e a machete do Sniper. E, assim como no vídeo, o Medic fala algumas coisas aleatórias. Mas há um potencial inexplicavelmente desperdiçado em não ter o Heavy acordado e reagindo à cirurgia.

A jogabilidade é, basicamente, a mesma do Surgeon Simulator “clássico”: intencionalmente desajeitada, para tornar tudo mais complicado, nonsense e divertido. O visual também é parecido, mas diretamente inspirado em TF2, com uma pegada mais cartoon. O objetivo, fazer um transplante de coração com ÜberCharge, mistura os dois jogos.

Tinha tudo para dar certo. E quase deu.

A atualização dá uma dose a mais de nonsense ao já sem sentido Surgeon Simulator, mas exalta seus erros de forma que o que era para ser divertido se torna irritante e praticamente intragável.

Uma das maiores contradições do jogo “original” era como os bugs, ao mesmo tempo que atrapalhavam o andamento da missão, ajudavam a deixar o jogo engraçado e imprevisível. Eles não chegavam a comprometer a missão e eram, na maioria das vezes, apenas cosméticos.

Na atualização, os bugs são tantos que não apenas perdem a graça, mas atrapalham e muito o transplante - que ainda é mais difícil que o original, já que não basta trocar o coração, mas também é preciso dar o ÜberCharge com a Medigun. E, claro, pilotá-la não é tão simples.

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Essa machete ficou UM MINUTO enroscada nos órgãos do Heavy.

Aliás, suspeito que a Medigun sirva também para parar a hemorragia do Heavy, já que não há a seringa amiga do jogo original, mas não consegui comprovar por motivos de ser impossível controlar esse treco direito. Achei mais sensato correr contra o tempo (ou melhor, o sangramento) tentando terminar a cirurgia do que mexer na Medigun.

Outro problema está nas ferramentas, que não são nem um pouco adequadas para quebrar costelas. Quer dizer, esse não é especificamente o problema; a graça está em tentar operar com machado, taco de beisebol e garrafas de vidro. O que não faz  sentido é que batidinhas de taco de beisebol sejam mais eficazes que machadadas nessa tarefa. Sei que parece uma reclamação de gente criada em apartamento, ainda mais se tratando de Surgeon Simulator, mas, no jogo original, a performance das ferramentas faziam mais sentido.

Além disso, é bem difícil quebrar ossos do Heavy. O que tem no Sandvich para os ossos serem indestrutíveis?

Por fim, uma das maiores reclamações que vi pela web em relação ao update é quanto à pegada do Medic. É bem mais difícil segurar as ferramentas - perdi a conta de quantas vezes mal  toquei no machado e ele saiu voando - e, depois do sofrimento que é conseguir isso, elas não serem eficazes é muito irritante.

No fim, o resultado é uma sequência de frustrações que transformam a experiência antes agradável e descompromissada de jogar Surgeon Simulator no intervalo do café no trabalho (não que eu alguma vez tenha feito isso) em um grande estresse. Uma pena, já que tudo que tem TF2 envolvido recebe automaticamente um enorme potencial e um hype quase sempre justificado para ser anormalmente divertido. É melhor ficar com Bob e Nigel e seus transplantes de coração, cérebro e rins, mesmo.