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Satoru Iwata responde: por que a Nintendo não demite para cortar gastos?

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6 anos atrás

O mercado de games nunca foi sinônimo de estabilidade. Somente nos últimos meses, vimos estúdios importantes fechando as portas e players como Sega, Rare, Electronic Arts e Sony demitindo. Mas você já reparou que há um grande do nome do setor que, mesmo em épocas de vacas magras, dificilmente – para não dizer nunca – anuncia cortes de funcionários? Sim, estamos falando da Nintendo.

Em uma rodada de perguntas e respostas realizada recentemente com acionistas, Satoru Iwata, presidente da companhia, calmamente explicou o porquê:

“Se diminuirmos nosso quadro de funcionários para melhorar nossos resultados financeiros a curto prazo, o moral dos nossos empregados será afetado. Sinceramente, duvido que eles possam criar jogos que impressionam pessoas de todo o mundo se ficarem com medo de demissões.”

“(…) Devemos, é claro, cortar gastos desnecessários e tentar deixar nossas operações mais eficientes. Também sei que alguns empregadores divulgam planos de reestruturação para melhorar seu desempenho financeiro que incluem cortes de pessoal, mas na Nintendo os funcionários fazem contribuições valiosas em suas respectivas áreas, razão pela qual eu acredito que a demissão de um grupo não ajudará a fortalecer os nossos negócios a longo prazo.”

Satoru Iwata (Fonte: Wikimedia)

Satoru Iwata

Em outras palavras, a Nintendo segue fortemente as tradições de seu país. No Japão, até hoje é bastante comum pessoas entrarem em uma empresa para fazer toda a sua carreira dentro dela – este vínculo de longo prazo é um aspecto valorizado tanto por empregados quanto por empregadores.

Uma vez que a Nintendo não está em seus melhores dias – além de perdas financeiras, os rivais PlayStation 4 e Xbox One têm roubado a cena ultimamente -, é natural que os acionistas cobrem atitudes mais enérgicas. Entretanto, eles sabem que estão investindo seu dinheiro em uma empresa centenária (a Nintendo iniciou as suas atividades em 1889 com um tipo de jogo de cartas chamado Hanafuda) e que, por ter sobrevivido por tanto tempo, merece um voto de confiança.

Dar prioridade aos seus princípios em vez de meramente seguir tendências parece ser a fórmula secreta da Nintendo. É verdade que este comportamento nunca evitou que erros sérios aparecessem em sua linha do tempo, por outro lado, sempre a permitiu se reinventar ou, ao menos, a “não entrar em pânico”.

Neste sentido, deixar seu quadro de funcionários intocável é o que possibilita à empresa manter o que talvez seja a sua filosofia mais importante: concentrar-se no que faz de melhor. Parece clichê, mas foco é um negócio sério por lá, nos mínimos detalhes. Como exemplo, no livro Nos Bastidores da Nintendo (Super Mario: How Nintendo Conquered America), o autor Jeff Ryan explica que a habilidade da Nintendo em lidar com jogos e não com parques temáticos fixos é a razão para a companhia nunca ter investido em “disneylândias” sobre os universos de Mario ou Zelda, apesar do sucesso tremendo destas franquias.

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