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Em um ano de Yahoo, Marissa Mayer consegue levantar o moral dos funcionários e melhorar a imagem da marca

Os desafios, no entanto, continuam - e o mercado está de olho

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6 anos atrás

Jul 07, 2008 - Mountainview, California, USA - MARISSA MAYER, VP of Search and User Experiences, Google is photographed on the Google campus in Mountainview, CA on July 7, 2008. From the high-tech scene, there has risen a new crop of accomplished female C
Não ia ser um trabalho fácil, muito menos instantâneo. Marissa Mayer já sabia de tudo isso quanto topou assumir o posto de CEO do Yahoo, empresa que já tinha passado pelas mãos de quatro outros CEOs e não engrenava de jeito nenhum.

Com o descrédito na marca e a temerosidade do mercado de que uma mãe com um filho praticamente recém-nascido desse conta de tirar o Yahoo da pindaíba, Mayer tem se saído bem. O grande feito, reconhecido por boa parte da mídia e do mercado, foi o de melhorar a percepção da marca e, junto com ela, levantar o moral dos funcionários. O Vale do Silício tem hoje uma visão diferente da empresa, que transmite mais esperança do que desprezo. "Não é mais envergonhador trabalhar no Yahoo", teria dito recentemente um funcionário ao Wall Street Journal.

Louca das compras

Financeiramente, o Yahoo se mantém em alta de 73%, capitaneada principalmente por outros investimentos da empresa, em especial aqueles das corporações asiáticas que fazem parte do grupo, como o gigante do ecommerce chinês Alibaba e o Yahoo Japão. Isso ofereceu lastro pra que Marissa saísse às compras - foram adquiridas 16 startups, entre elas o agregador de notícias Summly, o criador de enquetes GoPollGo, e o Tumblr, plataforma que custou a "bagatela" de 1 bilhão de dólares e que traz mais de 150 milhões de blogs para o guarda-chuva roxo do Yahoo.

Parece maluquice, mas pensa só: a chegada de um público bastante jovem, que vem junto com a compra do Tumblr, contrasta (e equilibra) a audiência atual do portal, que tem em média 45 anos ou mais, de acordo com estudos da Susquehanna Financial Group.

Além disso, as equipes altamente focadas e motivadas das startups que agora fazem parte do grande grupo Yahoo trazem um novo fôlego pra uma equipe que estava desanimada a ponto de precisar que fossem cortados certos benefícios, como o home office, pra voltarem a se tornarem produtivos.

Liderança

A controversa decisão de encerrar o trabalho remoto no Yahoo e a posterior chegada de comidas grátis, smartphones distribuídos largamente e até pulseirinhas fitness pra incentivar a atividade física dos colaboradores, no fim das contas, ajudaram a reestruturar a cultura corporativa da empresa. Não resolve o problema, mas dá uma força para criar uma atmosfera de cooperação e bem estar - o que, para uma companhia que estava decadente, até que caiu muito bem.

Foi preciso um chacoalhão pra que os funcionários fossem novamente motivados a produzir, se empenhar e pensar em como ajudar a tirar o Yahoo da lama. E o resultado é perceptível tanto pela equipe do RH quanto para quem vê de fora. "Mais pessoas estão se aplicando para vagas no Yahoo e mais funcionários estão ficando", destaca um porta-voz da empresa, que ainda frisa que a taxa de saídas de colaboradores caiu pela metade no último ano.

Ou seja, quem pegou a geração Marissa Mayer está mais crente que a empresa tem futuro, e quem está de fora está interessado em fazer parte dessa mudança. No site Glassdoor, que mede a satisfação dos funcionários, o Yahoo agora aparece com a sua maior pontuação dos últimos 5 anos.

Manter os talentos, tirar os mais malandrinhos da zona de conforto e trazer pra equipe um bom grupo de gente empolgada e empenhada em crescer, seja com novas contratações, seja com a incorporação de equipes das startups adquiridas, é a parte que conseguimos ver, até agora, do plano de retomada do sucesso no Yahoo.

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Mais desafios a longo prazo

Limpar a casa e organizar a bagunça faz parte do começo do trabalho de Marissa. Ela deixou claro, desde o início, que existe um grande plano, que com certeza leva mais de um ano para ser executado, para trazer o Yahoo de volta aos titãs digitais.

Primeiro, é preciso ter talentos no time, mantendo quem está ou recrutando novos funcionários, se necessário. O segundo passo é fazer com que a talentosa equipe desenvolva ótimos produtos; tá aí o redesign do Flickr pra provar que sim, é possível melhorar. O terceiro e último passo seria uma consequência dos dois primeiros - com bons produtos também vêm uma melhor audiência, o que completa os 3 pilares que podem fazer com que o Yahoo dê a volta por cima.

O primeiro aniversário de Marissa no cargo de CEO do Yahoo mostra que ainda há muito o que fazer. Podem ser detalhes, como aquela limpa nos logins do serviço, ou medidas mais complexas, como incorporar um serviço como o Tumblr sem amendrontar os usuários. O que não se pode negar é que ela tem feito muito mais pelo Yahoo do que os seus quatro antecessores no cargo conseguiram fazer.

Quem acompanha o cenário está apreensivo e esperançoso pelo que o Yahoo virá a se tornar nos próximos anos. Muitos anseiam por ver o portal brilhar novamente, mas os próximos meses de Marissa precisarão ser mais efetivos em demonstrar isso numericamente - o mercado está de olho, aguardando por resultados positivos mais sólidos do que a satisfação dos funcionários.

Assim como não se deve julgar um livro pela capa, não se pode julgar o esforço de Marissa apenas pelos resultados dos primeiros 12 meses dela como CEO. O que dá pra perceber é que o esforço inicial é mais vagaroso, porque pressupõe mudar muitas coisas já arraigadas, como a cultura corporativa, a motivação da equipe e o foco da empresa. Particularmente, acho que ela tem mostrado que consegue dar conta do recado - desagrada a alguns, incomoda a outros e até leva o pequeno Macallister ao escritório, se for preciso. Mas tá aí, sacodindo os bytes e expulsando as invejosas. 😉

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