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NetMovies não quer mais ser concorrente da Netflix

Emerson Alecrim Por

A NetMovies fez sua estreia como um serviço online de aluguel de DVDs via assinatura mensal. Para se mostrar capaz de se adaptar aos novos tempos, por volta de 2010 a empresa passou a oferecer filmes por streaming. Também, pudera: era necessário fazer frente à chegada da Netflix no Brasil. Só que a estratégia não deu certo, tanto é que NetMovies não quer mais ser vista como concorrente da companhia norte-americana.

A informação vem do jornal Estadão, que apurou que os principais investidores da NetMovies - os grupos Ideiasnet, Tiger Global e Topel - pularam fora do negócio e entregaram o controle da empresa a um até então funcionário praticamente de "mão beijada", ou seja, sem exigir nada em troca. Sob nova direção, a ordem agora é focar no modelo que consagrou a empresa: o já mencionado esquema de aluguel de DVDs e Blu-ray.

A ideia não é ruim: com uma assinatura mensal de 18,90 reais, o usuário recebe em sua casa DVDs ou Blu-rays do acervo de mais de 35 mil filmes da empresa, sem prazo fixo de devolução. Mas há dois problemas aqui: 1) mesmo nas cidades atendidas, as áreas de cobertura são limitadas e qualidade do serviço diminuiu muito nos últimos anos; 2) ora bolas, o interesse por aluguel de mídia física caiu drasticamente, não é à toa que a locadora na esquina da sua casa fechou.

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Netflix wins!

Só que, na atual fase, ou a NetMovies faz isso ou fecha. A situação por lá está tão ruim que há meses que seus anúncios publicitários sumiram da internet, aparentemente a empresa não tem mais assessoria de imprensa e até a sua fan page no Facebook está abandonada. Ao menos as queixas no Reclame Aqui estão sendo respondidas.

Desistir de competir com a Netflix faz sentido se levarmos em consideração que não é nada fácil (e barato) licenciar produções para montar um acervo de respeito (mesmo para a Netflix, cuja filial brasileira está longe da quantidade de filmes da versão norte-americana). Além disso, é necessário investir em tecnologia capaz de amenizar os pormenores da internet no Brasil. Só que, sem investidores, não há capital nem para uma coisa nem para a outra.

Apesar de tudo, a NetMovies ainda continuará oferecendo streaming, só que de uma maneira bem mais enxuta: a ideia, segundo o novo gestor da companhia, é atender ao público que gosta de "filmes de artes". A declaração lembra aquelas celebridades desempregadas que dizem ter novos projetos em mente; de qualquer forma, não custa torcer para a atual estratégia dar certo. Seria uma pena ver a NetMovies sumir do mapa.

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