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GaymerX: os grandes nomes dos videogames apoiando a diversidade sexual

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Neste último final de semana aconteceu em São Francisco, na Califórnia, a GaymerX, feira voltada aos fãs de videogames pertencentes à comunidade LGBT. O evento teve como proposta inicial proporcionar um ambiente “seguro” para que o público gay pudesse trocar figurinhas sobre os jogos, contando também com grupos de discussões e festas temáticas. Com o apoio de gigantes como a Electronic Arts e Microsoft, a feira recebeu ainda membros da Bioware e da Maxis, estúdios da EA, que palestraram sobre a importância da inclusão da diversidade sexual nos jogos.

David Graham, programador da Maxis, contou a interessante história de Jamie Doornbos, engenheiro-chefe da primeira edição de The Sims e assumidamente homossexual, que, durante a construção do jogo, simplesmente não achou necessária a imposição de um código para restringir os relacionamentos entre sims do mesmo gênero.

Casamento gay é legalizado no The Sims

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Como o título ainda não havia estourado e se tornado um dos mais populares do mundo, não houve grandes hesitações na hora de livrá-lo dos tabus, o que se manteve mesmo após a popularização de The Sims: “A homossexualidade não é algo novo, é algo que existe em nosso mundo, e a Maxis está tentando simular pessoas do nosso mundo. A conversa não é se nós incluiremos, mas como incluiremos isto”, disse Graham, emendando que, quando um jogo é desenvolvido e códigos que previnam assuntos mais delicados, como o incesto, se fazem necessários, a questão da homossexualidade parece ser muito mais leve.

Vale lembrar também que, recentemente, a EA permitiu em Mass Effect 3 e em Star Wars: The Old Republic o relacionamento entre personagens do mesmo sexo, batendo o pé diante das centenas de reclamações recebidas das comunidades “antigay”, que acusavam a empresa de expor o público juvenil a “conteúdos homossexuais”, e mantendo sua postura de apoio à comunidade LGBT.

Outro ponto alto do evento foi a presença de Ellen McClain, dubladora da vilã GLaDOS, de Portal, que ajudou num pedido de casamento surpresa (bem bonitinho, por sinal) no meio do palco principal. A música é uma versão adaptada de Still Alive, música dos créditos do game:

Redatores - homossexuais ou não - que estiveram na feira declararam se sentir “integrados” ao ambiente: “No GaymerX eu estive seguro para ser totalmente eu - um cara gay totalmente envolvido com videogames. Era um lugar onde você poderia pedir seu namorado em casamento sem medo de repercussões negativas”, disse Kevin VanOrd, editor do site GameSpot, que se envolveu em uma polêmica e recebeu toneladas de críticas por sua orientação sexual ao liberar um review criticando os aspectos visuais de Resident Evil 6.

Desde sempre esteve impregnado no histórico dos videogames o estigma de serem pensados e desenvolvidos para o público masculino heterossexual. E para provar que essa não é a ideia de alguma feminista louca e misândrica, basta considerar alguns pontos: protagonistas quase sempre barbados e fortes, sidekicks femininas e delicadas (salvo em alguns poucos casos), stands em feiras de jogos com modelos bem guarnecidas de carnes em poucas roupas, além da colaboração da própria sociedade, que alimenta e leva adiante este tipo de estigma.

O diferencial de um evento como a GaymerX, neste caso, é não somente deixar o público LGBT confortável para ser o que é, mas integrar todos os tipos de pessoas no universo dos jogos, despertando naqueles com visões mais fechadas algum tipo de pensamento positivo em relação à diversidade sexual (ou ao menos queremos acreditar que sim).

Com informações: Gamasutra

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