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DuckTales Remastered é uma viagem a um tempo em que jogar videogame era difícil

A gente mandava muito e nem sabia.

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Escrever o review de DuckTales Remastered não é uma tarefa fácil; é, aliás, uma das mais difíceis que já enfrentei desde que comecei a cobrir essa área. Ele não é um jogo que começa e termina nele mesmo; há uma série de fatores a serem considerados antes de analisar a experiência e falar do jogo em si.

A essa altura, você já sabe que ele é uma remasterização do game clássico de NES. O DuckTales original foi lançado em 1989 e, naquela época, os jogos eram bem diferentes. Os gráficos eram absurdamente mais simples, a jogabilidade era limitada, não havia tantos recursos para prender o jogador e a o jogo era bem curto. Isto é, se você fosse bom, mas muito bom.

Era esse o recurso utilizado para nos prender na frente da televisão e insistir no mesmo jogo por semanas e meses: eles eram difíceis. Talvez nem tanto pelo jogo em si – pelo menos na maioria dos casos – , mas pelo fato de haver uma quantidade limitada de vidas. Quando elas acabavam, era game over e precisava recomeçar tudo. Do zero. Sem choro (ok, às vezes com choro e controle voando na parede).

Então, com o passar dos anos e o desenvolvimento da tecnologia, os games ganharam recursos novos que os tornaram, de certa forma, mais fáceis. Só pelo fato de não ter mais game over, já é um alívio. O auto save também ajuda muito. E, por fim, as dicas na tela e “visões” do protagonista que mostram o que deve ser feito a seguir.

Press start

A primeira coisa que você faz ao começar um jogo em DuckTales Remastered é pegar sua animação nostálgica junto com sua experiência de jogar videogame a vida toda e ir direto na dificuldade média, que é o “normal” dos jogos de ação. Então, você começa a jogar e é relativamente simples. O jogo te dá as instruções no começo para aprender os controles – com o do Xbox, A pula, X evoca a bengalinha e os direcionais controlam o movimento do Tio Patinhas. Nenhum segredo.

A primeira fase também é fácil: se passa na mansão do personagem. Tive alguma dificuldade no chefão, mas mea culpa: acho que fiquei tão acostumada com os jogos me dizendo literalmente o que fazer que demorei para entender o que era necessário só observando seus movimentos. Nos outros chefes, não tive esse problema; acho que minha cabeça entendeu que precisava se virar sozinha rapidamente e aprendi sem dificuldades o que precisava para cada um. Além disso, não há tantos itens no cenário, de modo que, com alguns minutos de gameplay, você sabe o que cada um faz e entende a forma de utilizá-los.

Preciso fazer uma pausa e ser sincera: eu não joguei Ducktales Remastered na dificuldade média. Já havia testado um preview na E3 e o assessor da Capcom, naquela ocasião, me avisou para ir no fácil. Ignorei e passei vergonha; na hora de brincar em casa, já fui direto nela. E recomendo.

Quem está atrás de desafios pode se arriscar nas mais dificuldades maiores. Mas, desde o começo, encarei DuckTales Remastered como uma oportunidade de me divertir sem ter muito trabalho, um jogo casual, e não um desafio a ser vencido. Então, fui no fácil. E me diverti muito por cerca de três horas até completar todas as fases.

No nível fácil, não tem game over. Demorei para entender isso e passei algum tempo aflita, com a certeza de que meu progresso seria perdido se eu desse uma vacilada. Era tipo um efeito placebo causado pela minha experiência quando criança: ver os coraçõezinhos de vida vazios indicava que eu estava prestes a perder e precisaria começar do zero, então me esforcei mais que o normal para que isso não acontecesse. Ou seja, não ter game over te dá uma segurança, mas não torna a jogatina desleixada. Pelo contrário: vira questão de honra não morrer para não precisar dessa função.

Túnel do tempo

Queria poder detalhar mais as diferenças entre o jogo original e o Remastered, mas me lembro pouco do primeiro; ainda bem que tem o YouTube para ajudar nesse quesito. Pelos vídeos que vi, até a progressão das fases é a mesma, então quem se lembra do game provavelmente vai se recordar de tudo.

A principal diferença é óbvia: nos gráficos. O fundo é em 3D e os personagens iguais aos do desenho animado – literalmente, já que até a animação foi feita utilizando a mesma técnica e os dubladores foram mantidos. Tanto que quem faz a voz do Tio Patinhas é Alan Young, que hoje tem 93 anos. Infelizmente, o jogo está todo em inglês; seria excelente se a Capcom tivesse seguido a onda de adaptações de games 100% para o português. No entanto, dá para entender que esse é um trabalho que demanda muita grana e tempo, então perdoamos.

Mas que seria legal, isso seria. E provavelmente tornaria as partes de cinemática mais toleráveis; eu, particularmente, não tive paciência para ver quase nenhuma. Para pular, é preciso apertar Start e “Skip Cinematic”. Como a história não é profunda e não é necessário pegar as pistas do diálogo para entender o que fazer, dá para evitar todas elas.

Também há mudanças na trilha sonora, que ganhou uma roupagem mais atual e menos “robótica” que a primeira. Dá para dizer que aconteceu a mesma coisa que nos gráficos: rolou uma atualizada, mas sem perder a essência. Como o próprio nome diz, ele é a versão antiga remasterizada e isso fica claro em todos os aspectos, desde os cosméticos até in-game, como a possibilidade de nadar no cofre de dinheiro do Tio Patinhas e de usar seu rico dinheirinho virtual para desbloquear artes conceituais e outras ilustrações. Isso não muda nada no jogo, mas é um “a mais” da versão atual.

Conclusão

DuckTales Remastered não é um jogo como os que nos acostumamos nos últimos anos (na última década!) e pelos quais esperamos o ano todo, mas é uma deliciosa viagem ao passado – e, por isso, deve receber bastante atenção.

Talvez seus defeitos nem sejam tanto culpa dele, mas de quem for jogar, por esperar uma coisa e encontrar outra. Não se iluda: você provavelmente verá DuckTales Remastered como um game casual. Ele é curto (dá para terminar em umas três horinhas, nem isso), simples e divertido, para disputar uma partidinha enquanto o jantar não fica pronto.

Também recomendo explorar as diversas possibilidades de jogo – que era o que fazíamos lá nos anos 90 para o caríssimo cartucho render por bastante tempo: zerar em todas as dificuldades, cronometrar e tentar bater o próprio tempo, brincar de morte súbita com os amigos… E o Steam ainda tem o sistema de achievements – são apenas 20, a maior parte obtida ao concluir as fases, mas há os que demandam um pouco mais de trabalho.

DuckTales Remastered está à venda a partir de hoje no Steam e PSN. NA Xbox Live, chega dia 11 de setembro.

Ah! Faltou a musiquinha que vai ficar na sua cabeça a semana toda:

Comentários

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Comentários com a maior pontuação

Viniciado1975
Excelente análise, Giovana, principalmente quanto ao revival. Os comentaristas já bem discorreram, se antes os desafios eram monstruosos hoje tenta-se compensar com excelentes gráficos e sons mas o principal é se o fator diversão continua presente em qualquer jogo de videogame, independente da época, e neste DuckTales Remastered (jogando na versão PS3) a diversão é garantida!
Daniel Alves Da Silva
Cara joguei o Ducktales original na época e joguei o remastered no play 3, naquela época era muito mais dificil, até pelo fato de ser uma criança, fechei o jogo na dificiuldade dificil e estou indo pro extremo, no dificil não é muito dificil pra falar a verdade, o que dificulta e que se vc não entender a mecanica do jogo morrerá muito e terá que começar tudo de novo, portanto o segredo é, morrer o menos possivel e perder o menos possivel de life, como fazer isso? simples, faça apenas o necessário, não invente e nem fique tentando pegar tudo que ve pela frente, em alguns casos fuja dos bichos ou os ignore, dificuldade extrema ai vou eu ;)
Gabriel Baltazar
Esqueceu de falar da versão do WiiU, verdadeira sucessora do original.
Danilo Baldin
Estou querendo jogar esse game ai... gosto dos clássicos. Também vou querer jogar o remake de Castle of Illusion... parece que está ficando legal.
Diogo Ramos Gutierre
Este jogo especificamente eu não joguei naquela epoca. Tenho 30 anos mas sou da geração já do snes. Tomara que outros games ganhem remake. Um em especial seria o road rash, top gear, f-zero (que faz um tempo que não sai um novo), megaman, chrono trigger (tem pra psp e ds, mas seria bom um remake como estes do ducktales), ff vii...
Yuji Negoro
"Duck tales...são os caçadores de aventuras...uhuulll"...fiquei com a musica na cabeça agora.
José Neto
Seria legal se alguns jogos atuais tivessem vidas, continues, e vc precisasse fazer muita coisa de novo caso morresse. Jogar hoje em dia é legal, mas falta aquela vontade de superar um desafio, a euforia de gritar "FINALMENTE PASSEI!".