A Huawei anunciou recentemente sua volta ao mercado brasileiro de smartphones com a produção local de aparelhos em uma fábrica de Jundiaí, no interior de São Paulo. O Ascend G510, primeiro dessa leva, chega ao mercado por R$ 699 no dia 25 de agosto, inicialmente só pela Vivo.

O aparelho é simples, com interface amigável e pode ser uma boa opção de entrada no mundo dos smartphones. Não é a mais barata da categoria, mas será que vale o investimento a mais? Estamos experimentando G510 um aqui no Tecnocenter há alguns dias e essas são as nossas impressões sobre ele.

Design e pegada

A tampa traseira é de plástico cinza grafite texturizado. Não tem aparência de barato, mas também não conta com o acabamento premium dos aparelhos mais caros.

Apesar da textura de linhas finas, que devem causar algum atrito e dificultar que ele se jogue das mãos do usuário, essa sensação não é tão óbvia; o material é bem liso. Mas é difícil de derrubá-lo, já que ele fica bem na palma da mão; os cantos arredondados da traseira se acomodam perfeitamente à mão curvada, de modo que a pegada seja confortável.

Atrás, na parte superior ao lado da câmera, fica o alto falante. Do outro, o flash LED. A lente conta com um contorno cromado em relevo, para prevenir arranhões acidentais. Isso é algo que tem sido bastante recorrente em smartphones e, de fato, ajuda.

A parte frontal é toda de vidro sem nenhum botão físico – os existentes, para controlar volume e ligar ou desligar a tela e o aparelho, ficam na lateral, assim como a porta microUSB. O sensíveis ao toque são três: voltar, home e menu. Talvez pela falta de costume, várias vezes houve um miss click durante a digitação, normalmente fazendo com que o teclado fosse recolhido (toque no botão para voltar) ou voltando à tela inicial (botão home). Extremamente irritante; mais de uma vez desisti de enviar a mensagem naquela hora.

Falando de medidas, são 13,4 por 6,7 por 0,99 mm e 150 g de peso.

Tela

g510 10

A tela do G510 tem 4,5 polegadas com resolução de 480 por 854 pixels e tecnologia IPS. É um tamanho confortável de mexer e a densidade de pixels de 218 ppi garante imagens bastante bonitas. Problemas relativamente comuns, como extremidades serrilhadas, não ocorrem nele. As cores, por outro lado, aparentam ser meio lavadas, desbotadas.

A interface é a Emotion UI tem como principal ponto positivo a ausência praticamente total daqueles apps que a fabricante insere, ninguém usa e acabam só ocupando espaço no aparelho. Pudera: há apenas 4 GB de armazenamento interno.

Uma característica causou bastante estranhamento por aqui: não há um menu com aplicativos. Eles ficam todos na tela inicial, que pode ter até nove “páginas” para acomodar widgets e ícones. Isso faz com que seja um pouco mais enrolado acessar apps que estão nas últimas páginas, já que passar de uma em uma é pouco dinâmico. Uma solução é “pinçar” a tela, o que mostra todas as páginas de uma vez, e então selecionar a escolhida. Mas talvez seja questão de costume, já que, parando para pensar, o menu direto na tela inicial pula uma etapa.

Multimídia

Os players nativos de música e vídeo são extremamente simples – é surpreendente que tenham o botão de play. Ok, isso foi exagero, mas deu para destacar o quanto eles são básicos.

player ascend g510

Na verdade, eles levam bem ao pé da letra a palavra “player”. O de vídeo, principalmente: ele literalmente apenas roda vídeos. Não há nem a opção de passar para o próximo ou retroceder, mas, curiosamente, há um botão para compartilhar.

A compatibilidade é um problema: não rodou MKV nem AVI. Os MP4 gravados pelo próprio celular, no entanto, rodaram sem problemas. Provavelmente, será necessário baixar um app para ver vídeos; recomendamos o MX Player, que foi o utilizado no teste de bateria.

O player de música é um pouco mais elaborado, já que permite pular músicas e “até” criar listas de reprodução. Não há equalização, mas é possível ativar o som DTS, que dá uma bela melhorada especialmente nas batidas e nos graves. No entanto, o efeito é perceptível com fones de ouvido; pelos alto-falantes, não há diferença.

Câmeras

As fotos feitas com o G510 não devem decepcionar fotógrafos de Instagram, mas não substitui uma câmera compacta para fotografar passeios e viagens. A traseira tem 5 MP e a frontal tem resolução VGA. Enquanto a frontal, utilizada para chamadas de vídeo, é boa o suficiente, a traseira peca principalmente na definição e nas cores, que ficam escurecidas. Nas fotos de objetos próximos, a qualidade é bem melhor que de cenas amplas.

A filmagem é na resolução 640 por 480 pixels e tem imagem melhor que a fotografada, tanto na definição quanto nas cores. Mas há bastante captação de ruído no áudio e a estabilização fica só na vontade. Assim como as fotos, as filmagens do G510 não substituem as de uma câmera, mas podem quebrar um galho.

Conectividade e acessórios

Na caixa do Ascend G510 há o essencial: cabo USB, carregador e fone de ouvido, além de manual e do próprio aparelho. O fone de ouvido merece a recomendação – ou melhor, não-recomendação – de que, se tiver outro, é melhor, ainda mais com o DTS ativado para melhorar a qualidade das músicas no player nativo. O que acompanha o G510 é desconfortável e não tem uma qualidade sonora muito boa.

g510 11

Hardware

O G510 tem processador Qualcomm Snapdragon de 1,2 GHz, 512 MB de RAM e 4 GB de armazenamento – expansível via um necessário microSD. Com essa configuração, já o colocaríamos de cara entre os intermediários; ao utilizá-lo, ele fica entre os intermediários dos intermediários.

Falta força para o G510 ter um desempenho tão bom quanto, por exemplo, o RAZR D1 da Motorola, que é mais barato e não trepida no uso. No G510, mais de uma vez enfrentamos engasgos na animação de transição entre páginas e, durante o teste de bateria, o Fruit Ninja crashou várias vezes, o que não é nada legal quando você está prestes a bater seu próprio recorde.

Nos resultados de benchmark, por outro lado, ele teve uma pontuação razoável, até maior que a do D1.

  • Quadrant Standard: 2853 pontos
  • Vellamo (HTML5): 1218 pontos
  • AnTuTu: 7177 pontos

Bateria

O desempenho do G510 no teste de bateria do TB, que simula condições reais de uso, não foi muito satisfatório: durante o teste de uso moderado, ela perdeu 42% da carga, restando 58%; no uso intenso, 82% da carga foi embora, restando apenas 18% da carga para uso.

Concluímos que a bateria de 1.700 mAh pode deixar o usuário na mão, então é bom levar uma extra, um carregador portátil ou o carregador do kit e sair em busca de uma tomada, especialmente se pretende utilizá-lo bastante.

Pontos negativos

  • Curta duração da bateria
  • Desempenho mediano (para baixo)

Pontos positivos

  • Excelente qualidade do som em headphone com DTS
  • Ótima qualidade da tela

Conclusão

Vamos começar ignorando o preço. O G510 pode ser uma boa opção de aparelho para quem busca um smartphone para tarefas básicas e não exige um desempenho topo de linha. Por isso, pode ser o segundo celular, usado para trabalho, para ler emails e receber ligações, por exemplo, caso seja mais interessante ter outro smartphone que somente um aparelho dualSIM. Ou ainda, como dito no começo do review, o aparelho de entrada para quem nunca teve um smartphone.

As especificações fazem com que ele pareça mais impressionante do que de fato é. O G510 é um aparelho mediano, sem impressionar em nenhum dos fatores que podem ser considerados importantes para fazer a pessoa decidir pela compra. Seu desempenho teve momentos de decepção inesperados e graves, como o crash repetido de Fruit Ninja. Esse é provavelmente o principal problema: não corresponder às expectativas na prática.

Mas há os pontos positivos, como a ótima qualidade da tela e do áudio e a simplicidade no uso – simples até demais para usuários avançados, mas isso pode ser considerado bom para quem nunca teve um smartphone.

Adicionando agora o fator preço, a coisa fica um pouco mais complicada. Por R$ 699, é possível encontrar aparelhos melhores no mercado. Não que o G510 seja uma escolha ruim, mas é preciso ter em mente que, mesmo em relação a outros aparelhos de sua própria categoria, ele deixa a desejar e poderia entregar mais ou ter um grande diferencial que justificasse a etiqueta.

Especificações técnicas

  • Bateria: 1.700 mAh
  • Câmera: 5 megapixels (traseira), VGA (frontal).
  • Conectividade: 3G, Wi-Fi, GPS, Bluetooth 4.0 e USB 2.0.
  • Dimensões: 134 x 67 x 9,9 mm
  • Kit contém: Huawei Acend G510, fone de ouvido (3,5 mm), carregador, cabo USB e manuais de instrução.
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 32 GB.
  • Memória interna: 4 GB (2,16 GB disponíveis para o usuário).
  • Memória RAM: 512 MB.
  • Peso: 150 gramas.
  • Plataforma: Android 4.1.1 (Jelly Bean).
  • Processador: Qualcomm Snapdragon dual-core de 1,2 GHz
  • Sensores: acelerômetro, proximidade e bússola.
  • Tela: LCD de 4,5 polegadas com tecnologia e resolução de 480 por 854 pixels

Comentários

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Comentários com a maior pontuação

Moab Santos
Só que ele é um xing de 140~150 dolares, não vende mais que muita marca chinesa que usa MTK 6577 ou MTK6589 ( Jiayu, TwL, Newman etc) por que além de ser caro, é fraco pelo preço. Só não entendo como 140~150 doláres tá virando R$ 699,00 acho que parei de acompanhar a cotação do dolar e já está a 4,171, só pode. http://www.aliexpress.com/item/Original-Huawei-G510-Android4-1-smart-phone-4-5-inches-dual-core-CPU-3G-free-shipping/955332489.html
Rafael
Pois é deixou muito a desejar, ainda vejo o Sony Xperia L como o celular mais em conta da atualidade.
Francisco Marcelo Moreira
na 1 ª vez que vi um huwei subestimei mas acho que um dia essa marca ainda vai surpreender muita gente
Nazaré Vasconcelos
Luciano Moreira Leite agora la eu comprei por 199 fracos q equivale a 400 agora aqui ta quase 700, ai complicaa nee
Nazaré Vasconcelos
Luciano Moreira Leite tenho um cel desse que comprei em 2011 em portugal e agora comprei esse g510 na suiça eh excelente melhor que o L5, tb duvideii mais eh excelente...
Adriano Garcez
Você tem o D3 há quanto tempo? Já aconteceu algum problema? Estou querendo comprar um, mas vejo tanta entrada no Reclame Aqui do D3 que não comprei até hoje.
Edmilson Junior
Já entrou morto no mercado. O problema do menu acho que com um laucher se resolveria mas de resto ele é todo fraco. Tem praticamente as mesmas especificações do meu xing ling de 120 dolares, só que o meu tem tela de 4"(optei), tem menus e etc. Se entrasse no mercado por 500 reais e com um menu ele provavelmente teria uma chance.
Luciano Moreira Leite
Se huawei+android já não presta, imagina com WP... kkkkkk(zuera) Nem fudendo compro esse smart! Nem com Droid nem com WP!
Pedro Luiz Messias
Muito mia o meu D3!!! e mais barato!!
Wilson Cardoso
Se lançasse um Huawei com Windows Phone, eu até pensaria em uma rara possibilidade em comprar.