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O sonho acabou: a campanha do Ubuntu Edge não atingiu a meta de US$ 32 milhões

Emerson Alecrim Por
6 anos atrás

É, não deu. Apesar de ter batido recorde de arrecadação no Indiegogo - precisamente US$ 12.812.776 -, o Ubuntu Edge ficou muito longe da meta estabelecida e, portanto, o projeto será arquivado pela Canonical.

Já se sabia desde o início que conseguir US$ 32 milhões em um mês (ou seja, cerca de US$ 1 milhão por dia) era uma meta bastante audaciosa. Mas, nas primeiras 24 horas, as contribuições superaram a casa dos 5 milhões de obamas, alimentando as esperanças de que o total necessário seria mesmo arrecado, talvez muito antes do prazo final.

Ubuntu Edge

Ubuntu Edge: para sempre em nossos corações (né?)

Mas nos dias subsequentes o interesse pela campanha esfriou. Para tentar reverter a situação, a Canonical chegou inclusive a criar pacotes que davam direito a um Ubuntu Edge com preços abaixo dos US$ 830 previstos inicialmente. Também pudera: no primeiro dia, 5 mil pessoas puderam garantir uma unidade por US$ 600, valor que talvez tenha sido o chamariz na ocasião.

Para um smartphone que se propunha a oferecer tela de 4,5 polegadas (de cristais de safira, gosto sempre de lembrar), 4 GB de RAM, 128 GB de armazenamento interno, câmera traseira de 8 megapixels, duas antenas LTE, NFC e dois sistemas (Ubuntu Phone e Android), mesmo US$ 830 não é muito.

Por outro lado, a ideia pode ter parecido irreal demais, fazendo com que muita gente interessada simplesmente preferisse não arriscar. Penso eu que se houvesse alguns protótipos efetivamente mostrando o Ubuntu Edge em ação, mesmo com possíveis falhas iniciais, as chances teriam sido maiores.

Como a campanha não deu certo, os valores pagos por todos os pouco mais de 20 mil colaboradores serão restituídos em até cinco dias úteis, de acordo com uma mensagem publicada por Mark Shuttleworth na página do projeto. Mas nem tudo tem cheiro de derrota.

Com o projeto, a Canonical conseguiu atrair bastante atenção para o Ubuntu Phone. O Ubuntu Edge não sairá das pranchetas, mas talvez algum fabricante se interesse pela ideia de lançar um aparelho baseado na plataforma - além de aparentar ser bastante funcional, a proposta de possibilitar que o dispositivo seja utilizado como um desktop é uma grande sacada.

Em sua mensagem, Shuttleworth deixou claro que não descartou a possibilidade de fazer um novo projeto de crowdfunding: "talvez um dia peguemos tudo o que aprendemos com esta campanha - conquistas e erros - e tentemos de novo".