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Analisar sites piratas é uma das formas que a Netflix encontrou para decidir o que incluir em seu acervo

Emerson Alecrim Por
6 anos atrás

A Netflix tem que pagar licença por cada vídeo de terceiros que disponibiliza. O problema é que, se os filmes e seriados não forem interessantes, o serviço não atrairá clientela suficiente para compensar os gastos. Ciente disso, a empresa encontrou uma maneira curiosa para acertar nas escolhas de seu acervo: analisar sites de download pirata para saber quais produções os consumidores estão buscando mais.

Quem confessou este macete foi Kerry Merryman, vice-presidente de aquisição de conteúdo da Netflix, durante entrevista sobre a recente inauguração do serviço na Holanda.

A ideia não funciona com qualquer tipo de produção. É um tanto quanto óbvio que filmes de grande bilheteria ou repercussão na mídia são interessantes, razão pela qual a Netflix não precisa recorrer a sites de torrents e afins para ter certeza disso.

Por outro lado, mensurar o sucesso de seriados é uma tarefa bem mais difícil e é neste ponto que a análise dos sites de downloads ilegais faz diferença: baixar conteúdo via torrents dá trabalho (não muito, mas dá) e, portanto, as pessoas geralmente só recorrem a este meio quando não há opção melhor.

A Netflix decidiu apostar em Prision Break depois de olhar os sites piratas

A Netflix decidiu apostar em Prision Break depois de olhar os sites piratas

Você provavelmente sabe que também é possível encontrar filmes e séries que não fizeram tanto sucesso assim nestes sites, mas as produções mais interessantes em termos de popularidade acabam se destacando, obviamente. Foi assim que a Netflix descobriu que disponibilizar o seriado Prison Break, por exemplo, seria uma boa ideia.

Via de regra, os detentores dos direitos sobre as séries também sabem quando seu conteúdo está sendo bastante pirateado e tendem a facilitar um contrato de licenciamento para amenizar os possíveis efeitos negativos desta situação. Esta é outra razão para o truque funcionar.

Mas nem sempre isso ocorre. Game of Thrones é o exemplo mais claro: nem Netflix, nem qualquer outro serviço de streaming conseguiu licenciá-lo até hoje. A HBO entende que ter um dos seriados mais pirateados dos últimos tempos é mais uma grande publicidade do que um problema, ponto de vista que a faz seguir o mantra “em time que está ganhando não se mexe”.

De qualquer forma, checar sites de download está longe de ser o único critério. No Brasil, por exemplo, os episódios de Chaves e Chapolin nunca lideraram os rankings de downloads, mas nenhum seriado fica tanto tempo na TV aberta se não houver boa audiência. Resultado: a turma de Roberto Bolaños esteve durante muito tempo na lista dos mais populares da Netflix.

Com informações: TorrentFreak

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