É da natureza do ser humano estar insatisfeito. Foca-se numa meta, luta-se para alcançá-la, e mesmo diante da conquista, em pouco tempo o infeliz ser queda-se outra vez insatisfeito. E cresce os olhos para outra coisa qualquer, recomeçando o ciclo.

Agora imagine uma pessoa muito mais infeliz e instisfeita que a média, crescendo os olhos para toda e qualquer novidade que apareça a cada minuto. Somos nós, fãs de tecnologia. Mais especificamente, os loucos por celular.

O cidadão sua a camisa para adquirir seu primeiro smartphone, um Android baratinho ou um messagephone com Facebook. Quando consegue, sua cobiça se volta para o smartphone do vizinho, que tem uma tela enorme. Outros almejam um iPhone. Mesmo que seu aparelho atual já seja um iPhone, só que do longínquo ano de 2011. E que parece da idade da pedra.

Também sofro desse mal. Só que comigo a angústia é muito mais cruel, porque sempre desejo coisas que não existem. Já era assim nos tempos dos Palms.

Quando surgiram os primeiros comandos de voz em dispositivos móveis, há quase 10 anos, a finalidade era pedir para seu celular telefonar para alguém. Tinha que fazer malabarismo para vê-lo obedecer. Falar no tom certo. Usar sotaque norte-americano. Não ter ruído no ambiente. Ou seja, impossível usá-lo numa situação urgente, em que realmente se estivesse com as duas mãos impossibilitadas de uso. A tecnologia evoluiu, os comandos ficaram sofisticados, mas nenhum dispositivo faz ainda o que eu queria lá em 2003: que ele abrisse meu aplicativo de banco de dados e me dissesse que medicamento prescrevi na última consulta ao paciente que estava em minhas mãos naquele momento.

Eu tenho uma lista enorme de coisas que gostaria que estivessem nos smartphones. A cada nova geração de uma plataforma, a lista aumenta ao invés de diminuir! Nem Steve Jobs a fez diminuir. Pior: ele nos fazia criar novas necessidades! Na minha lista constam ferramentas como aprimoramento de escrita cursiva, universalização de cabos e conectores, melhorias nas anotações em e-books e monitoramento de saúde. Nesse último quesito é onde tenho as maiores esperanças.

Já no fundo do poço da frustração, nada supera as baterias. Principalmente porque há 5 anos prometiam que logo teríamos baterias para smartphones durando um mês. O tempo passou e elas ainda não sobrevivem sequer a 24 horas!

Bateria externa e bombinha para asma: não saio de casa sem elas!

Bateria externa e bombinha para asma: não saio de casa sem elas!

O que mais vejo por aí são pessoas com o celular num bolso e um carregador no outro. Mas para o heavy-user isso não basta: é preciso apelar para as baterias portáteis, ou cases especiais que se acoplam ao dispositivo fornecendo algumas horas extras de energia. HORAS!

Se você é louco por tecnologia e dependente da mobilidade, pense comigo: você baba naquele super smartphone lindo, com uma tela grande, leve e fininho. Que adianta cobiçar 20 gramas a menos, se você terá que carregar de qualquer jeito um trambolho para garantir autonomia extra? Paradoxal, não?

Isso sem contar as mudanças que propositadamente são feitas para complicar nossa vida, com a desculpa da evolução. Serviços descontinuados mesmo sendo populares (oi, Google!), novos padrões de conectores e SIM cards menores (né, Apple?).

Para fechar esse post, gostaria de dizer que não sou ingrata. A tecnologia móvel ajudou muito minha vida nos últimos anos. Mas os progressos poderiam ser mais velozes se não tivesse tanta gente querendo faturar em cima do caos. O melhor exemplo é o novo padrão de tomadas brasileiro, não acham?

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Rômulo Soraggi
Por isto gosto do symbian, agora WP
Pedro Machado de Paula
Oi Bia. Gostei bastante de seu texto me identifico um pouco contigo, um pouco menos frustado talvez. hehehe Um detalhe apenas para sua última frase em relação ao padrão de tomadas brasileiro. E antes de continuar só quero dizer que não sou engenheiro elétrico e não tenho nada a ver com essas mudanças e nem conheço ninguém que tenha tido a ver. Acho que o nosso padrão é um dos melhores que tem no mundo hoje. Sei que a mudança gerará complicações durante alguns anos, temos que comprar adaptadores caros (um pedaço de plástico com um metal dentro não deveria custar R$ 10,00) para tentar conectar nossos novos aparelhos a tomadas antigas. É péssimo, mas vendo pelo lado da segurança, facilidade de uso e também da padronização. É bom ter um padrão e não deixar que qualquer um faça o que quiser. Compare nosso modelo com o dos EUA, com o da Europa. O nosso é menor precisa de menos espaço e faz exatamente o mesmo que o deles fazem. Isto é, ao meu ver o nosso padrão é um dos melhores que tem por ai.
Vagner Alexandre Abreu
(uso de péssimo argumento) noto um monte de gente que provavelmente ganha dinheiro trocando ou fabricando tomada... ¬¬
Edmilson Junior
Eu saio de casa sempre com duas baterias, minha bateria externa de míseros 2600mAh está a caminho. Se ela for por dentro como eu espero poderei aumentar sua capacidade para 11200. Quero poder ir estudar ouvindo podcast e jogando pokemon sem medo de chegar lá sem bateria.
Rodrigo Fante
Exatamente, temos um padrão global excelente, a mudança dói, mas nesse caso vai ser sentida positividamente por décadas.
Josiel Hen
Até aqui esta tudo certo, daqui a dez anos estaremos frustados com o quão pouco a realidade 3D nos é útil, daqui a 50 anos, com o quão demorado é uma viajem até nossa casa, na lua. Isso se chama, ciclo da vida, ou os detalhes dela. Otimo texto :D
Vagner Alexandre Abreu
Darlan Alves e outros: Não nego a segurança do novo padrão, porém há um porém: já vi muitos fabricantes usando o "novo padrão", porém sem o trecho de proteção do pino elétrico, sendo o pino completamente metálico. Isso é um ponto. Outro ponto é que noto que com este novo padrão, ficou difícil fazer certas coisas já costumeiras, como usar extensões (as novas, ao meu ver, me transmitem mais insegurança que as antigas). Por coincidência, o novo padrão veio junto com novos aparelhos que fazem parte da realidade brasileira, como televisões e computadores, mas para quem tem equipamentos antigos, é uma tortura. Não sou muito a favor de burrocracias tecnológicas.
Darlan Alves
Vagner Alexandre Abreu Na verdade, há uma pequena melhoria. O novo encaixe torna as tomadas mais firmes e melhora o aproveitamento de espaço. As tomadas de 3 pinos, típicas de computadores, usam um plugue bem mais espaçoso e sempre tomaram conta da tomada inteira. O novo padrão também tem seus problemas, mas considero melhor que os outros padrões anteriores (dois pinos ou dois pinos chatos)
Fer
O foda é ver um mercado com tantos players e ao mesmo tempo com nenhuma diversidade...
vinimaz
Adorei o post...pior que eu concordo contigo! E eu também ando com meu carregador extra sempre hahahaha
Arthur Novello
Para mim, foi muito bem vinda essa mudança. Mudei de apartamento na epoca em que o padrão entrou em vigencia, o que significou adaptadores para todos os lados, mas com o tempo isso foi sumindo e hoje são poucos aparelhos que precisam de adaptadores. E para quem fala que a gente não estamos usando um padrão ja existente, o nosso é muito familiar com o europeu, a unica diferença é que la as tomadas deles não são "rebaixadas".
Arthur Novello
Para mim, foi muito bem vinda essa mudança. Mudei de apartamento na epoca em que o padrão entrou em vigencia, o que significou adaptadores para todos os lados, mas com o tempo isso foi sumindo e hoje são poucos aparelhos que precisam de adaptadores. E para quem fala que a gente não estamos usando um padrão ja existente, o nosso é muito familiar com o europeu, a unica diferença é que la as tomadas deles não são "rebaixadas".
Christian Oliveira
A Apple ficou nove anos com o mesmo conector, quando troca para um padrão buscando melhorar o antigo, surgem vários comentários negativos, isso pq ainda existem acessórios para o antigo e muitos novos acessórios para os novos, se é tão importante manter o acessório antigo, não migre para um celular novo, simples.
Juliano Backer
A primeira onda era fazer celulares menores em com baterias com vida mais longa. Chegamos a tamanhos muito agradáveis e bateiras durando uma semana. Tenho um dos primeiros celulares toutch, o Omnia, e a bateria dura uns 4 ou 5 dias. Parece bom levando em conta os recursos. Pensei em comprar um novo, mas agora todo mundo comenta que os celulares novos a bateria não dura 24h... parece passo para trás.
Arch
Não tenho nenhum motivo para trocar meu Nokia X3-02, cuja bateria dura uma semana, a partir de uma carga completa.
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