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Cientistas criam um estado de matéria que lembra sabres de luz

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6 anos atrás

Via de regra, as invenções que aparecem no cinema nunca ultrapassam as barreiras da ficção. Mas sempre há exceções e uma das mais recentes delas é este trabalho científico sobre um novo estado de matéria que lembra, para o deleite dos fãs da saga, os sabres de luz de Star Wars.

Já pensou em ter um sabre de verdade?

Já pensou em ter um sabre de verdade?

Feita em conjunto por cientistas da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), a referida pesquisa foi publicada nesta semana na renomada revista Nature e coloca em evidência anos de investigação sobre as propriedades da luz.

Mais precisamente, o estudo tem como base os fótons, que são partículas elementares da luz, explicando em poucas palavras. No entendimento geral, os fótons não têm massa, mas agem de maneira parecida ao comportamento de outras partículas, razão pela qual podem ser classificadas como tal.

O que os cientistas criaram, essencialmente, foi um meio de estimular os fótons a interagirem entre si de maneira tão intensa que eles começam a se comportar como se tivessem massa e, portanto, se concentrem formando moléculas. O resultado final é uma estado de matéria que lembra vagamente as luzes que dão sentido aos sabres em Star Wars.

Já havia teorias tratando deste tipo de comportamento em relação aos fótons. O que faltava mesmo eram experimentos capazes de comprová-lo e é neste ponto que a pesquisa dos cientistas de Harvard e do MIT entra em cena.

Para estimular os fótons, os pesquisadores aplicaram átomos de rubídio dentro de uma câmara de vácuo e utilizaram feixes de laser para resfriá-los a um nível próximo do zero absoluto. O laser também foi usado para disparar fótons individuais dentro da nuvem de átomos resultante.

Quando dentro da nuvem, a energia dos fótons estimula os átomos em seu caminho, causando uma desaceleração dos primeiros. No final do trajeto, a energia perdida neste processo é tamanha que dois fótons disparados simultaneamente acabam saindo da nuvem juntos, efetivamente formando uma molécula, como se realmente houvesse massa ali.

Diagrama que ilustra a junção dos dois fótons

Diagrama que ilustra a junção dos dois fótons

Teoricamente – bem teoricamente mesmo -, pode-se utilizar estas moléculas para formar o feixe dos sabres. O próprio Mikhail Lukin, um dos cientistas responsáveis pela pesquisa, reconhece que esta não é uma má analogia.

Por outro lado, nem passa pela cabeça dos pesquisadores possibilitar a criação de armas ou qualquer invenção fantástica similar: o resultado do trabalho, na verdade, deverá servir à busca de soluções baseadas em computação quântica, pelo menos inicialmente.

Com informações: ExtremeTech

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