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Satoru Iwata diz que a Nintendo não é boa em competições (e nem faz questão de ser)

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6 anos atrás

Antes de sair por aí se declarando “nintendista” ou membro de qualquer outro time de desenvolvedora de consoles, é bom que você leia a declaração de Satoru Iwata, presidente da Nintendo, dada em uma conferência para startups de tecnologia em Osaka, Japão.

Iwata, que não costuma participar de eventos do tipo, falou aos participantes do B Dash Camp um pouco da filosofia da companhia e explicou o porquê de ela nunca estar na corrida pelo primeiro lugar em tecnologia: “a Nintendo não é boa em competições, então nós temos sempre que desafiar, fazendo coisas novas, ao invés de competir em um mercado já existente”.

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O presidente também disse não temer as falhas: “quando falamos sobre a Nintendo, nós não podemos ignorar Hiroshi Yamauchi, que faleceu recentemente. Ele sempre disse que se você falhar, não precisa se preocupar. Você sempre terá coisas boas e ruins, e isso reflete a história da Nintendo. Se você fizer as mesmas coisas que os outros, isso irá te encobrir”. Yamauchi foi presidente da companhia por anos e o principal responsável por mudar o foco da Nintendo para os videogames.

Um passo interessante da empresa, salientado por Iwata, foi não se deixar comover pelos mercados ocidentais – como aconteceu no caso do início da franquia Pokémon, com a qual tinham um certo pé atrás de que falhasse nos Estados Unidos.

“A America aceitará monstros fofinhos? – perguntei. ‘Não’, eles disseram. Algumas pessoas até recomendaram fazer um Pikachu mais musculoso. Se nós tivéssemos seguido seus avisos, Pokémon jamais teria sido o sucesso que foi. Brain Training [conhecido no ocidente como Brain Age] se tornou uma febre no Japão, e eu propus que nós o vendêssemos globalmente. E mesmo que eu tenha dito isso como presidente, ninguém me ouviu”, disse Iwata, demonstrando em seguida um gráfico das vendas de Brain Age, que foram maiores na Europa que em qualquer outro lugar. E acho que ninguém aqui precisa de um gráfico de vendas para constatar que Pokémon tenha sido um sucesso.

Durante a sessão de perguntas e respostas, alguém questionou se, bem como a Sega, a empresa algum dia pararia de se recusar a fazer jogos para outros hardwares que não seus próprios, o que foi curta & grossamente respondido pelo presidente: “Ninguém sabe o que acontecerá no futuro, mas não acredito que isso vá acontecer com a Nintendo.” Captou?

Sobre as tentativas constantes de inovar, mas não cair nas garras da mesmice do mercado de consoles, Iwata falou a estratégia da companhia, a conhecida “Estratégia do Oceano Azul”. Ela consiste em olhar para algo que nenhum concorrente tenha feito ainda, como foi o DS, na época.

Há pouco tempo, a Nintendo anunciou seu novo portátil, o Nintendo 2DS, uma versão compacta e sem 3D e dobradiças do Nintendo 3DS. Se isso não representa bem o “não temer falhas”, eu não sei o que mais representaria. Piadelas à parte, o portátil será lançado no próximo sábado, 12 de outubro.

A palestra de Iwata foi dada em japonês, mas o site The Bridge traduziu um boa parte dela, que você pode conferir aqui.

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