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Nem só de FPS vivem os jogos: Knack, Octodad e outros games lúdicos agradaram o público da Sony na BGS

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6 anos atrás

A Brasil Game Show teve seu início oficial na última sexta-feira (25) e, neste mesmo dia, voltado para a imprensa, algumas disputas por território ficaram claras. Ainda que numa demarcação sutil, Sony e Microsoft posicionaram seus estandes uma de frente para a outra e, claro, disponibilizaram o que tinham de mais atrativo para o público.

A Microsoft, que neste ano optou por uma coletiva aberta à imprensa em seu próprio estande, ao contrário das salas claustrofóbicas das outras edições da feira, demonstrou Ryse: Son of Rome, Dead Rising 3, Forza Motorsport e Killer Instinct no Xbox One, que ganhou uma apresentação cheia de pompa e circunstância (meio engraçada, mas vamos lá).

Já a Sony, que só contava com versões debug do PlayStation 4 em seu estande gigantesco, levou InFamous: Second SonKillzone Shadow Fall e Assassin’s Creed IV: Black Flag, além de um elemento surpresa, daqueles despretensiosos: seus indies e jogos “menos AAA”.

A área com menos estações de testes na feira foi, na minha opinião, uma das que mais fizeram valer a pena enfrentar as filas. Com Knack, Octodad: Dadliest Catch, Hohokum e Contrast, a Sony conseguiu prender a atenção de muita gente, demonstrando jogos de produtores independentes em que, muito mais do que os gráficos, o que funciona é a criatividade.

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Como por exemplo a sequência Octodad: Dadliest Catch, criada por alunos da Universidade de DePaul, em Chicago, que deve ser lançada em 2014 para o PS4. Seu desenvolvimento só foi possível a partir de uma campanha no Kickstarter, que arrecadou quase US$ 25 mil. Eu pagaria minhas calças se tivesse descoberto essa campanha enquanto ela ainda estava aberta.

A graça em Octodad está justamente na proposta, sem nexo algum, de um polvo, o protagonista, que resolve viver em sociedade e deve se passar por humano, caso contrário será mandado de volta à água. O problema, no caso, é que… Octodad é um polvo, não um homem, mas precisa adotar os hábitos que nós, humanos, fazemos no piloto automático: em uma das demonstrações, é necessário fazer coisas do cotidiano, como coar café e grelhar hambúrgueres. E é aí que mora o perigo.

Os tentáculos, espremidos em uma calça social, não conseguem dar passos muito efetivos. Os movimentos dos “braços” são leves e desengonçados, descoordenados e nossa, você deve estar achando que o jogo é um teste de paciência. E achou certo! Mas quem dera todos os testes de paciência fossem semelhantes.

Octodad se torna extremamente divertido, mesmo que você não pegue o jeito dos controles logo de cara. O jogo utiliza basicamente os botões R1, L1, R2 e L2, além dos direcionais analógicos, que controlarão os movimentos das “pernas” e braços.

Aliás, é bom ressaltar: nos jogos, o controle do PlayStation 4 não apresentou grandes vantagens. Era como se estivesse em um joystick comum, já que suas novas funções, como o touchpad, não foram exploradas.

A outra demonstração consiste em se aprontar para seu casamento (ainda na forma de polvo, você não pode deixar sua esposa humana desconfiar sobre sua condição física), colocar gravata, entrar na igreja, buscar o anel e se casar. Tudo sem que ninguém perceba que você não é exatamente uma pessoa comum. Sente só:

Knack, feito pelos criadores de Crash Bandicoot, tem um quê de “jogo de verdade” que não dá pra explicar muito bem. Apesar dos gráficos lindos, não é a isso que ele se prende, mas sim à exploração dos ambientes e controles dos jogos clássicos, como os que encontrávamos décadas atrás.

No jogo, você comanda a criatura Knack, que tem uma vibe meio Katamari e atrai fragmentos de todas as construções por onde passa. O protagonista, sem sua armadura de relíquias, é uma coisinha minúscula, frágil e transparente, que pode ser facilmente derrotada. A partir dos pedaços de cristais que quebra por onde passa, seu “casco” vai ficando mais forte, sua aparência dá mais medo e ele se torna mais forte.

O intuito, no jogo, é salvar a Terra da invasão de goblins malignos, então Knack precisa, além de passar ileso pelas arapucas que encontra por seu caminho, como camas de laser e guilhotinas, derrotar os monstros fortemente armados com canhões de gosma (nada que um soco não resolva). Esporadicamente, alguns mini-chefes dão as caras, precisando de dois ou mais golpes para serem derrotados. Como no caso de Sonic e suas argolas, se Knack for atingido e perder seus fragmentos, dá para recuperar alguns correndo atrás deles.

O jogo também dá a opção de explorar uma nova função da Sony, o Remote Play. Com o auxílio de um PlayStation Vita, um outro jogador pode ser adicionado ao game, que ganha um modo cooperativo. Ainda não testamos esse, mas pareceu ser um tanto moroso, já que a demonstração não oferecia tantos desafios para que dois jogadores fossem necessários.

Em todo caso, os indies abrilhantaram o estande. Nesta época em que a maioria dos jogos se resume a shooters, batalhas e guerras com visuais enformados e tão semelhantes, jogos mais leves e que focam na diversão “pura” conseguiram conquistar uma atenção especial do público, que formava filas até maiores que as dos AAA no primeiro dia de feira.

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