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Google desativa resolução de DNS no Brasil curiosamente antes do Congresso aprovar o Marco Civil

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6 anos atrás

A presidente Dilma Rousseff já manifestou por diversas vezes o desejo de que dados referentes a internautas brasileiros sejam armazenados em servidores localizados no território nacional. Na mesma época em que Dilma fez tais declarações, o Google tomou uma decisão: desativou a resolução das requisições de DNS em servidores no país. Em vez disso, o Google Public DNS passou a funcionar nos Estados Unidos. A consultoria Renesys fez a descoberta.

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O timing é curioso. Foi a presidente anunciar que o Marco Civil da Internet teria a obrigatoriedade de servidores em território brasileiro para o Google tomar tal decisão. Entretanto, a companhia afirma que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Leia abaixo a breve nota enviada pelo buscador ao Tecnoblog.

“A mudança de roteamento dos servidores de DNS faz parte das nossas operações normais de rede. Não há absolutamente qualquer relação com potenciais novas regras relativas à localização de dados.”

Quem perde com a medida são os usuários de internet.

Primeiro, vamos à explicação do funcionamento do Google Public DNS. Todo endereço www na verdade redireciona para um número único do servidor em que aquele conteúdo está localizado. Quem faz a tradução (ou resolução) de domínio para endereço de IP são os provedores de DNS. Aqueles que não trocaram o DNS do computador de casa para o do Google ou da OpenDNS, a principal empresa do setor, provavelmente usa o DNS oferecido gratuitamente pelo provedor de internet. A Oi, a Vivo, a GVT e tantas outras possuem tecnologias próprias para este fim.

DNS do Google

A vantagem do Google Public DNS sobre os demais está relacionada com as tecnologias que o Google coloca ali. Por exemplo, atualização mais rápida do índice de domínios, e manutenção de um cache para evitar levar a requisição do usuário a um território estrangeiro quando aquele conteúdo está disponível em um servidor mais próximo, alocado no Brasil.

O problema do Google Public DNS é que ele registra o tráfego e possivelmente as informações dos usuários. Trata-se de mais um instrumento poderoso para o Google saber o que as pessoas estão acessando na rede.

Em tese o Google pode manter o serviço dele em qualquer canto do mundo. Vai funcionar normalmente, mas há perda de qualidade. Antes, a resolução do DNS ficava em território brasileiro. Desde 16 de setembro, ela tem que ir até os Estados Unidos, para em seguida a resposta retornar ao dispositivo do usuário brasileiro. A latência – esse intervalo até chegar numa máquina de fora – é maior, causando mais lentidão. Não chega a ser um absurdo do ponto de vista técnico. A latência aumenta, mas para a maioria dos internautas não há problema nisso.

Apesar de afirmar o contrário, é difícil acreditar que a movimentação do Google não seja uma precaução caso o Marco Civil da Internet passe. As tais “operações normais de rede” ficam longe de qualquer normalidade para uma empresa de internet que tem o Brasil como prioridade.

Vale lembrar que o Marco Civil da Internet trancou a pauta da Câmara dos Deputados. Em outras palavras, Suas Excelências devem votá-lo imediatamente porque o texto tramita em caráter de urgência. A expectativa é de que a matéria seja apreciada na sessão desta terça-feira (05/11).

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