Início » Jogos » Financie isso: Diplopia, um jogo que corrige o estrabismo e aposenta os tampões oculares

Financie isso: Diplopia, um jogo que corrige o estrabismo e aposenta os tampões oculares

Por
5 anos e meio atrás

Quem disse que os games são limitados a oferecer apenas diversão aos jogadores? Além de alguns títulos colaborarem comprovadamente com o desenvolvimento das capacidades cognitivas, dos reflexos e até da concentração, um outro patamar vem sendo alcançado aos poucos: o dos tratamentos para anomalias oculares.

diplopia

O melhor exemplo disso, atualmente, é Diplopia, um jogo que vem sendo desenvolvido em partes para dispositivos de realidade virtual. Com o auxílio das lentes do Oculus Rift, Diplopia ajuda a corrigir disfunções como a ambliopia, conhecida por aqui como “olho vago” e o estrabismo (a popular vesguice, mesmo). A campanha da iniciativa está ativa no Indiegogo, site de crowdfunding especializado em obras independentes.

O esquema do jogo é interessante: graças às lentes independentes do Oculus, Diplopia é capaz de enviar imagens distorcidas diferentes para cada olho do jogador. Fazendo o uso do dispositivo por cerca de duas horas por dia, a melhora da visão é percebida em até três semanas.

Os responsáveis pela criação do jogo explicam que seu diferencial é, principalmente, utilizar um método novo para esse tipo de tratamento. Ao longo dos anos, médicos acreditaram que manter um dos olhos com tampões faria com que o outro olho fosse forçado a se corrigir (o que funcionaria somente na infância). Recentemente, descobriram que isso era só um mito, e que dá pra corrigir os dois olhos de uma vez – inclusive com o auxílio de videogames.

Diplopia ajuda a tratar a visão de adolescentes e até de adultos, e a explicação para isso está na página do projeto: “A bola (do jogo) se move rápido em três dimensões, forçando o jogador a acompanhá-la rápido para vencer. Isso exercita os olhos mais do que um jogo lento, com menos movimento”. E não é só isso: caso você não seja portador de disfunções visuais, mas tenha ficado interessado no jogo, saiba que ele também tem um modo “normal”.

Mas qual é a parte divertida de Diplopia?

Bom, aparentemente não há nada de extraordinário em sua jogabilidade, além do fato de oferecer aos portadores de uma disfunção séria o tratamento de uma forma divertida e envolvente. O título, que também suporta o sensor Leap Motion, consiste em uma espécie de Pong! (quem lembra?) 3D, em que o jogador se mune de uma pá para bater em uma bola que destrói blocos por onde passa.

O foco definitivamente não é o jogador cuja visão é considerada normal. Mais uma vez, o projeto é basicamente autoral: James Blaha, seu criador, nasceu com estrabismo e ouviu por muitos anos seus médicos dizerem que ele nunca poderia enxergar formas em 3D. “Financiando esse projeto, você pode dar o presente de uma visão melhor para aqueles que não a tem”, diz o desenvolvedor.

Blaha descreve também que muitos testes ainda serão feitos para medir a supressão, o ângulo e o tipo da distância entre os olhos. “Usando estes modos de teste com jogadores esperamos coletar dados sobre quais técnicas são melhores para os tratamentos. Estes dados serão abertos ao público depois que as informações pessoais forem removidas deles. Serão feitos testes para daltonismo, acuidade visual (se a resolução permitir) e todo o campo visual.

A meta da campanha era de US$ 2 mil, mas ela já ultrapassou o requerido e até o momento conta com U$ 7 mil. De qualquer forma, é interessante que as doações continuem, já que foram estabelecidas outras metas, como o suporte para o controle Razer Hydra (já alcançado), o Nvidia 3D Vision (ao bater os US$ 12 mil), e por aí vai.

Por que é legal? Porque crianças vão poder receber tratamento adequado de forma muito mais descolada do que aqueles tampões toscos que te faziam ser zoado na escola. E os adultos que até hoje possuem a disfunção poderão se tratar e se vingar dos bullies.

Por que é inovador? O tratamento para um distúrbio físico a partir de videogames, um tapa na cara de quem acha que games são só diversão.

Por que é vanguarda? Porque pretende ajudar também aos daltônicos e portadores de outras disfunções oculares, e com o uso de um aparelho que, após corrigido o problema, se torna uma fonte divertidíssima de entretenimento.

Vale o investimento? Super! Você vai estar ajudando muita gente e, de quebra, ganha uma nova função para aquele Oculus que comprou na campanha do Kickstarter e até hoje não usou pra nada. E valor mínimo da doação (US$ 5) sai mais barato que a cerveja que você vai tomar no bar no happy hour de hoje.

Participe das conversas do Tecnoblog

Leia o post inteiro antes de comentar
e seja legal com seus amiguinhos.

Carregar Comentários Conheça nossa política de comentários aqui.