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Por decisão do Cade, Telefónica terá que escolher entre Vivo ou TIM

Emerson Alecrim Por

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a compra das ações da Vivo que estavam nas mãos da Portugal Telecom pela Telefónica em 2010, o que a fez ter controle praticamente total da operadora. Mas, cerca de três anos depois, a história pode passar por uma reviravolta: para manter o negócio, a companhia poderá ter que se desfazer de sua participação na TIM Brasil.

O Cade, que tem justamente entre suas funções combater práticas monopolistas no mercado, impôs esta condição porque a Telefónica também detém, por meio do consórcio Telco, parte da Telecom Italia, que controla as operações da TIM. Assim, com a aprovação incondicional da aquisição das ações que pertenciam à Portugal Telecom, o grupo espanhol teria controle sobre duas operadoras concorrentes no Brasil.

E por qual razão esta negociação está sendo remexida somente agora? Porque, em 2010, o Cade permitiu a aquisição das ações pertencentes à Portugal Telecom desde que a Telefónica mantivesse a sua participação na Telecom Itália inalterada. O problema é que, cerca de dois meses atrás, o grupo descumpriu o acordo e elevou a sua fatia na Telco para quase 70%. Como este consórcio tem o controle majoritário da Telecom Italia, a transação dá à Telefónica poder de mando na TIM, direta ou indiretamente.

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Surpreendido por este movimento, o Cade aplicou multa de R$ 15 milhões à Telefónica e estabeleceu o seguinte: ou o grupo divide o controle da Vivo com outra companhia experiente em telecomunicações, mas sem atuação no Brasil (tal como era a Portugal Telecom); ou, como indicado no início do post, se desfaz de sua participação na TIM.

Uma manobra que poderia ter evitado toda esta situação seria justamente a venda da TIM. Os rumores de que isso aconteceria, aliás, ganharam força pouco tempo depois de autoridades brasileiras terem demonstrado insatisfação com o aumento da participação da Telefónica na Telco. Mas, recentemente, a própria Telecom Italia veio a público para pôr fim aos rumores: a TIM não será vendida.

É claro que o Cade estabeleceu um prazo para que a Telefónica defina por qual caminho seguir. No entanto, a entidade decidiu mantê-lo em sigilo para evitar ainda mais especulações no mercado. Só nos resta aguardar pelos próximos capítulos.

Com informações: Teletime

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Ricardo
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Wellington Gabriel de Borba
A Oi não pode comprar a TIM, ela está muito endividada e as dívidas dela são de longo prazo. A prioridade dela é crescer vegetativamente, ou seja, sem fazer aquisições de novos ativos (empresas neste caso). Fora isso que se a soma da participação no mercado das duas operadoras exceder 50% o CADE veta. O mesmo pode se dizer da possibilidade da Vivo e a TIM se fundirem. Aliás, isso com certeza vai acontecer, elas somarem mais de 50% de participação no mercado e o CADE impedir a fusão. Portanto essa possibilidade existe só na vontade da Telefônica mesmo. A NEXTEL, a CTBC ou a GVT poderiam comprar a TIM, porque neste caso a participação da nova empresa resultante da fusão não seria maior do que a metade. Mas isto é pouco provável, uma vez que embora a empresa mais cara do mercado seja outra, a Vivo, ainda assim a TIM vai ser vendida por um preço bem elevado, o qual os acionistas dessas outras certamente não estarão dispostos a pagar. No caso específico da GVT é bem certo que ela não compre a TIM, já que, embora ela possa do ponto de vista das regras do mercado, os seus acionistas querem vendê-la e só não fizeram isto antes porque o preço que foi oferecido não os agradou. Ou seja, eles querem vender ativos ao invés de comprar novos. O que é mais certo é outro grupo de investidor comprá-la e seguir em carreira solo como você disse. Ou então uma nova empresa, ainda inexistente no mercado brasileiro, mas disposta a pagar pelo preço cobrado por ela a compre. Creio que uma possibilidade muito grande neste caso é da coreano SK Telecom, que apresentou ao Governo Federal um projeto de licitar as sobras de frequência do 3G para instalar em todo Brasil um novo operador utilizando exclusivamente 4G em serviços de telefonia fixa, móvel e banda larga. Vender mais chip aumenta a possibilidade de você cooptar cliente da outra concorrente, coisa que a longo prazo vai te render essas recargas. A falta de possibilidade de linhas telefônicas para celular já é passado, uma vez que agora todos os DDDs do Brasil terão o 9º digito e, particularmente, não acredito que com atual população, chegue um dia que os brasileiros esgotem todas essas possibilidades numéricas.
Wellington Gabriel de Borba
Quando a Telefonica tinha só 10% das ações da Telecom Itália, por imposição do CADE, ela não podia fazer parte da administração da TIM. Por isso independente da acionista ser a Telefonica ou outra, a TIM tem uma atuação no mercada um tanto diferente da Vivo, que diga-se de passagem é mais focada em clientes de renda mais alta.
Vagner Alexandre Abreu
Possibilidades especulativas amadoras: - Funde-se Oi e TIM (já me falaram que isso não é possível, mas na situação política atual, não duvido de nada). - Algum grupo concorrente estrangeiro pega a TIM para ela (AT & T, Vodafone, China Telecom, NTT, etc...) - A TIM tenta "caminho solo" e vê no que dá. Uma coisa que acho que caberia uma matéria: por que se oferece tanto "Cheeeeeeeeeeeeeep da VIVO, DA TIM DA CLARO E DA OI" nas ruas, ao invés de se vender recargas? Já não estamos com um excesso de números de telefones a ponto de ter que trocar o sistema de discagem e adcionar um novo número? Será que não é isso que "queima" as operadoras: deixar vender mais linhas (que ao meu ver, deveria ser controlado isso) ao invés de vender pacotes ou recargas?
Edmilson Junior
Vão passar para outra empresa do grupo com nome de outro país e o problema se resolve.
EFG
Nada é tão ruim que não se possa piorar... - slogan da TIM
Uberdam Andrade Walker
E então, a TIM será vendida!
Pedro Maich
A TIM já é uma merda na mão de uma empresa forte como a Telefónica, imagina se é vendida? Teria que ter muita sorte pra tirar ela do buraco que já está, apesar dos inúmeros clientes.
Diego F. Duarte
Então quer dizer que a TIM BR realmente está a venda, apesar da negação da matriz italiana? Btw, bom ver que o CADE anda bem acordado e reprovou a concentração...