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Com super câmera de mil megapixels, satélite europeu Gaia é lançado ao espaço

Missão tem o objetivo de montar o mais preciso mapa da Via Láctea

Emerson Alecrim Por
6 anos atrás

A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) conseguiu lançar com sucesso o satélite Gaia na manhã desta quinta-feira (7h12, no horário de Brasília). Pesando quase duas toneladas e equipado com uma sofisticada câmera de mil megapixels (algo por volta de 1 bilhão de pixels), o equipamento terá a missão de mapear da maneira mais detalhada possível a Via Láctea.

Satélite Gaia

Ilustração do satélite Gaia

O trabalho é tão complexo que o satélite foi apelidado de "cartógrafo da galáxia". Para cumprir com o seu dever, o Gaia terá não só que registrar imagens de estrelas, como também determinar a sua distância em relação à Terra e a movimentação de cada uma delas, por exemplo. Os dados obtidos poderão até mesmo ajudar a aperfeiçoar os sistemas de GPS.

A missão está prevista para durar pelo menos cinco anos, mas a equipe responsável pelo projeto acredita que dentro de 24 meses já será possível ter uma mapeamento bastante satisfatório da galáxia.

O plano é audacioso: espera-se que o satélite localize e registre dados de cerca de 1 bilhão de estrelas. Para efeitos de comparação, o satélite anterior, o Hiparco, foi lançado ao espaço pela ESA em 1989 e conseguiu registrar dados sobre o posicionamento de 120 mil estrelas.

Utilizando de toda a sua capacidade, o Gaia encontrará as estrelas pelo brilho emitido por cada uma delas. Para detectá-las, o satélite foi equipado com dois telescópios que podem distinguir níveis de brilhos até 400 mil vezes menores que o mínimo detectável pelo olho humano.

Na prática, isso significa que o equipamento pode encontrar estrelas a distâncias incrivelmente enormes. É para conseguir registrar imagens de objetos tão afastados que o Gaia foi projetado para trabalhar com uma câmera de tantos megapixels.

No vídeo abaixo, o lançamento do Gaia feito pelo foguete russo Soyuz, a partir do Centro Espacial Europeu de Kourou, na Guiana Francesa:

Mesmo com tanta sofisticação, os cientistas acreditam que o satélite não conseguirá encontrar mais do que 2% das estrelas da galáxia. Apesar disso, estima-se que a missão gerará mais de 1 petabyte de dados. O conjunto completo de informações só estará disponível em 2021. Enquanto isso, um grupo de pesquisadores se dedicará à tarefa de desenvolver um sistema que permita a exploração de todos estes dados.

Vale destacar que a captura de imagens e os demais trabalhos não começarão de imediato. Isso porque levará cerca de um mês para que o satélite alcance seu posicionamento final no ponto de Lagrange 2, numa distância de aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra.

Com informações: BBC, Engadget

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