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Review: The Walking Dead – All That Remains explora o que sobrou de Clementine

A primeira parte da segunda temporada do game traz uma protagonista muito madura para uma criança

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A versão da Telltale Games para The Walking Dead recebeu diversos prêmios e foi aclamada como jogo do ano de 2012, e ouso dizer que nenhum outro título mereceu tanto tais méritos quanto esse.

Pra começar, The Walking Dead – The Game nunca seguiu o estereótipo dos blockbusters que nós estamos acostumados a jogar, tendo um foco maior na narrativa do que em qualquer outra parte. O fato da história se sustentar melhor quando baseada de acordo com as decisões tomadas pelo jogador já deixa claro, de cara, que é besteira dar importância aos fatores mais superficiais, no caso da série, como a jogabilidade, a sonoplastia (basicamente a mesma, inclusive as vozes e músicas) e os gráficos (embora esses, felizmente, sejam muitíssimo agradáveis, com seus traços inspirados em HQs).

Isso posto, vamos falar da trama do jogo. Caso você não tenha acompanhado a primeira temporada e queira evitar spoilers, esta linha é um aviso de amigo: não siga em frente no texto. 😉

Recapitulando

Na season 1 de The Walking Dead fomos introduzidos aos julgamentos morais, que mais para a frente se tornariam a essência do jogo. Ainda nela, conhecemos o ex-professor de História Lee Everett, que, a caminho da prisão, fora interceptado pela primeira onda de zumbis da trama. Posteriormente, Lee conhece a garotinha Clementine, e este se torna o primeiro grande laço emocional em The Walking Dead: a luta pela sobrevivência mostra-se apenas coadjuvante em comparação com o relacionamento que ambos constroem tentando seguir em frente.

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O grande choque que marca a passagem da primeira para a segunda temporada do jogo é, claramente, a desfragmentação de todo o grupo de sobreviventes com quem os protagonistas conviviam, e, depois, o fim da história de Lee, seguido pela necessidade de Clementine se manter viva sem seu tutor.

É importante mencionar que, se você jogou a primeira temporada, existe a opção de retomar seu save, dando continuidade à história de acordo com as decisões que você “semeou” anteriormente. É curioso como nossas decisões iniciais vão tomando forma no “futuro” do jogo. Coisas pelas quais optamos lá atrás, nos episódios da primeira temporada, agora começam a mostrar por que nossas escolhas “corretas” seriam importantes. Caso você prefira, também dá para começar do zero, com reações baseadas em julgamentos morais aleatórios.

O que sobrou

Primeiro grande trabalho assinado pelo roteirista Nick Breckon, que já havia colaborado com o enredo do DLC 400 DaysAll That Remains, fazendo jus ao nome, extrai tudo o que sobra da garotinha. De início, vemos que os laços estreitados anteriormente com outros personagens acabam por ajudar Clem em sua empreitada em prol da sobrevivência.

Clementine, agora mais madura, aos 11 anos, já sabe empunhar uma arma, o que choca qualquer um que a tenha conhecido antes da jornada ao lado de Lee. Para quem se assustava diante de um palavrão, a garota deu uma considerável empedrada. Entretanto, aqui as coisas se confundem um pouco: apesar de querermos vê-la como uma pessoa forte, que chute bundas e cuspa na cara de velhinhos zumbis, Clem ainda é uma criança, o que a impede de se livrar completamente da carga emocional de ter perdido seus pais, amigos e conhecidos com os quais mantinha algum tipo de vínculo. O que faz sentido, mas pode atrapalhar um pouco o jogador no quesito “escolher respostas mal educadas”, já que depois da decisão tomada, bate sempre aquela sensação de “cara, sério que você fez uma criança falar assim?”. Complicado.

Como não poderia deixar de ser, o primeiro quarto do episódio já faz questão de deixar todo mundo com um mal estar daqueles. As vidas tiradas sem possibilidade de escolha são uma constante desde o início do jogo, e também continuam presentes nessa nova temporada. Personagens queridos reaparecem, novos elementos são inseridos e quase dá pra acreditar em um mundo esperançoso para Clem – pensamento que desaparece tão rápido quanto surge.

Talvez tentando suprir a falta de personagens durante sua primeira metade, All That Remains tem uma boa dose de adrenalina a mais. A agora protagonista precisa fazer escolhas rápidas sobre quais lados ficar, fugir de zumbis e até de forasteiros que a tentam encurralar. Para que o clima de tensão se complete, a Telltale inseriu um pequeno controle de movimentos nessas cenas. Coisa simples, setas direcionais combinadas com cliques, mas que dão um tom mais “jogo” ao que antes estava próximo de ser uma graphic novel interativa.

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A segunda metade do episódio traz, enfim, novos desafios para Clem. A garota agora precisa ser persuasiva, ainda mais esperta e conseguir dialogar com inteligência, de modo a ganhar a confiança de desconhecidos. A título de curiosidade, às vezes tenho a impressão de que a Telltale não conseguiu agir tão rápido quanto queria e deixou algumas partes deste primeiro episódio inacabadas. Algumas borradas de câmera são facilmente relevadas, mas um bug bizarro, com corpos “fantasma” parados em meio a cômodos onde não deveriam estar, faz com que o jogo seja barrado de leve no controle de qualidade.

Depois de provar a todos que consegue se virar sozinha, a menina ainda precisa passar por algumas tribulações (que nunca cessam, aparentemente) que rendem no desfecho do episódio. Como sempre, há aquele desespero por uma continuação, já que, graças ao bom senhor dos jogos, a Telltale manteve a mão de como amarrar narrativas da maneira certa.

Amenizando nosso temor (ou o meu, pelo menos), All That Remains chega para garantir que o enredo da série não tenha se perdido, mas , ao contrário, tenha ganho definitivamente um ar fresco, com uma nova protagonista e novos desafios. A segunda temporada de The Walking Dead – The Game já apagou aquele minúsculo traço de confraternização e espírito de equipe encontrado ao longo dos cinco episódios anteriores. Só o que sobra, mesmo, é Clementine.

Ficha técnica

  • Plataforma: PC, PlayStation 3, Xbox 360, iOS
  • Lançamento mundial: 17 de dezembro de 2013
  • Preço sugerido: R$ 44,99 (season pass no Steam)
  • Desenvolvedor: Telltale Games
  • Distribuidor: Telltale Games
  • Requisitos mínimos: Windows XP Service Pack 3, processador Intel Core 2 Duo de 2 GHz ou equivalente, 3 GB de RAM, GPU ATI ou NVidia com 512 MB, DirectX 9.0c, 2 GB de armazenamento
  • Requisitos recomendados: Windows 7, processador Intel Core 2 Duo de 2,3 Ghz ou equivalente, 4 GB de RAM, GPU ATI ou NVidia com 1024 MB

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