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Na CES 2014, muita gente não sabia o que era Bitcoin

Acha que na maior feira de eletrônicos do mundo as pessoas compravam salgadinho com Bitcoin?

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Na maior feira de tecnologia do mundo, não seria surpreendente que até o cafezinho aceitasse Bitcoin como meio de pagamento, certo? A moeda criptografada, apesar de ainda não ser difundida a ponto de você poder comprar qualquer coisa, já tem uma boa lista de lugares que as aceitam, especialmente nos EUA. E, num evento de tecnologia, imagina-se que quem não é um investidor dela pelo menos sabe do que se trata.

Mas, de acordo com um membro de um dos maiores sites de carteiras de Bitcoin do mundo, o Blockchain.info, não foi bem isso que ocorreu. Pelo contrário: ele afirma que a pergunta mais repetida na feira em seu booth, o de número 36057, que ocupava uma pequena área de cerca de 6x6 metros no pavilhão sul do Las Vegas Convention Center, foi "o que exatamente é Bitcoin?".

George Mandrik, expert de UX do site, levou sua surpresa a um tópico do Reddit na comunidade de Bitcoin. "Vivo em uma bolha de Bitcoin, então estou acostumado com todo mundo à minha volta saber o que é", conta em entrevista feita por email. "A maioria das pessoas na CES tinha ouvido falar dela, mas não tinha aprofundado nas leituras".

Mandrik faz parte do Blockchain.info desde agosto de 2011 e, apesar de ser a primeira CES dele e do site, outro site especializado, o BitPay, que processa transações na moeda, compareceu neste ano pela terceira vez e convidou sites parceiros para dividir um estande por lá: além do Blockchain.info, o Butterfly Labs, especializado em hardware para minerar Bitcoins, participou.

Estande sobre Bitcoin lotado a maior parte do tempo

Estande sobre Bitcoin na CES: lotado a maior parte do tempo

A intenção com o estande era, claro, promover os serviços de cada site, fazer contatos e divulgar a Bitcoin. Portanto, é esperado que a pergunta "o que é Bitcoin?" seja respondida diversas vezes, mas ele não esperava que fossem tantas quanto aconteceu, especialmente por ser a CES. "Esperava que, em uma das maiores conferências de tecnologia do mundo, entendessem melhor do que se trata", relata. "Homens, mulheres, todo tipo de gente da indústria. Eram essas pessoas com as quais passávamos o dia todo falando. Isso abrange desde CEOs de pequenas empresas até grandes executivos de empresas de bilhões de dólares".

Quem passava pelo booth, além de aprender sobre a moeda criptografada, era orientado a criar sua carteira ali mesmo e recebia 0,005 btc para começar a "brincar" de Bitcoin - imagine, um booth que tem dinheiro como brinde?

Mas, apesar do espanto com a falta de conhecimento sobre a Bitcoin no evento, Mandrik considera a missão cumprida e faz uma avaliação positiva da participação e da expressão da moeda na CES. Ele conta que o interesse entre os visitantes do estande oscilava entre uso pessoal e business e, por isso, crê que diversas empresas que passaram por lá podem começar a aceitar pagamentos em Bitcoin num futuro próximo. "Acho que muita gente ficou interessada em ver qual é a da Bitcoin depois da CES", acredita.

Além disso, o ocorrido é um sinalizador importante: apesar de acompanharmos sua valorização há um bom tempo e vermos como ela está se expandindo rápido pelo mundo, somos um grupo bem mais restrito do que costumamos pensar. E, mesmo que ela já exista há alguns anos, está bem no começo. "Foi um bom lembrete de como a Bitcoin ainda é nova", avalia Mandrik.

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